N76 — Outras afecções inflamatórias da vagina e da vulva

  • vaginite não especificada
  • vulvite não especificada
  • inflamação vulvovaginal sem agente identificado

O CID N76 designa outras afecções inflamatórias da vagina e da vulva que não se enquadram nas subcategorias específicas. Aparece quando há sinais ou sintomas locais (corrimento, ardor, dor, vermelhidão) atribuíveis à vagina ou vulva, sem predomínio de doença do colo uterino. Não inclui processos infecciosos claramente classificados em outro código (por exemplo, DST identificada por agente específico) nem doenças neoplásicas.

O uso deste código é apropriado quando a inflamação é o diagnóstico principal e não há outro código mais específico disponível. Em geral descreve um quadro que precisa de investigação etiológica e manejo local ou sistêmico conforme achados.


Em palavras simples

O código CID N76 é usado quando o médico registra que há inflamação na vagina ou na vulva, mas sem um agente ou causa específica já identificada. Em linguagem simples, significa que a região íntima está irritada ou infectada de forma que não foi possível rotular com outra doença mais precisa naquele momento.

Você provavelmente está sentindo sintomas locais como coceira (prurido), ardor ao urinar ou ao tocar, secreção diferente do habitual (corrimento) ou dor durante a relação. Pode haver também vermelhidão e inchaço da parte externa (vulva). Esses sintomas costumam ser os primeiros a aparecer e são os que levam as pessoas a procurar atendimento.

Na maioria dos casos, a inflamação não representa uma doença grave nem algo que “pegue” no sentido de doença sistêmica, mas alguns tipos são transmissíveis sexualmente; por isso o médico pode pedir exames para identificar a causa. A duração varia: alguns episódios melhoram em dias com tratamento adequado; outros, se não tratados ou se forem por dermatite ou desequilíbrio da flora, podem persistir ou voltar.

Depois da consulta é provável que o médico ou o profissional de saúde peça exames do corrimento, oriente medidas de higiene e eventualmente recomende tratamento específico caso encontrem um agente. Em retornos, o profissional avaliará resposta ao tratamento e, se necessário, solicitará exames adicionais ou encaminhamento. A necessidade de afastamento do trabalho ou da escola depende do impacto dos sintomas na sua capacidade e da avaliação do profissional; não é automática só por receber o código.

Em casa, observe se o corrimento muda para aspecto purulento, se aparece cheiro forte, se a dor piora ou se surge febre, náusea ou vômito. Esses sinais indicam que é preciso buscar atendimento sem demora. Se os sintomas melhorarem com as orientações iniciais, mantenha o acompanhamento até a resolução. Se persistirem ou voltarem, volte ao serviço de saúde para nova avaliação.

Quando usar este código

Usa-se N76 quando a inflamação é atribuída primariamente à vagina ou vulva e não há evidência de que a origem seja o colo do útero (N72) ou uma infecção sistêmica codificada em outro lugar. O código cobre cenários ambulatoriais ou hospitalares em que a queixa principal é vulvovaginite sem agente ou sem classificaçao específica.

Não deve ser usado quando há diagnóstico confirmado por agente (por exemplo candidíase, tricomoníase, gonorreia) que tenha código próprio, nem quando o quadro faz parte de uma doença pélvica inflamatória dos órgãos internos com código distinto.

Não confunda com

N72 — Doença inflamatória do colo do útero: separar quando a inflamação e os sinais clínicos localizam-se primordialmente no colo (sangramento pós-coito, alterações do colo à inspeção ou colposcopia) em vez da vulva/vagina.

A60-A64 (doenças sexualmente transmissíveis) — usar A60-A64 quando houver identificação clínica ou laboratorial do agente sexualmente transmissível (por exemplo, teste positivo para Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis); N76 é diagnóstico de inflamação sem classificação por agente.

N76.0/N76.1 (subdivisões de vaginite/vulvite quando presentes na lista local): preferir a subcategoria específica se preencher critérios de agudeza ou cronicidade definidos pela subdivisão; N76 geral quando a documentação clínica não especifica subdivisão.

O que é

Inflamação da vagina e da vulva refere-se a um processo inflamatório localizado nas mucosas e pele vulvar e vaginal. Manifesta-se por vermelhidão, inchaço, corrimento anormal, prurido e dor à relação ou ao tocar; pode ser agudo ou crônico e afetar mulheres de todas as idades, mais frequente em idade reprodutiva.

O quadro pode ser causado por agentes infecciosos (fungos, protozoários, bactérias) ou por fatores não infecciosos (irritantes, alergias, alterações hormonais). Em muitos casos na prática brasileira, o primeiro contato é com queixa de corrimento e desconforto local, e a investigação visa diferenciar as causas tratáveis e excluir lesões do colo uterino ou doenças sexualmente transmissíveis.

Sintomas

Principais sinais e sintomas incluem prurido vulvovaginal, corrimento vaginal de aspecto alterado, ardor ao urinar ou ao contato, dor durante a relação sexual e vermelhidão/inchaço da vulva. O prurido e o ardor costumam aparecer cedo e são sintomas sensoriais que levam o paciente a buscar atendimento.

Sinais que sugerem agravamento: secreção purulenta abundante, odor fétido persistente, febre ou dor pélvica progressiva, sangramento vaginal anômalo ou sinais sistêmicos; estes indicam necessidade de avaliação mais urgente e possível alteração de código se houver extensão para órgãos pélvicos.

Causas

Mecanismos incluem resposta inflamatória da mucosa a patógenos (cândida, Gardnerella, Trichomonas, bactérias inespecíficas), irritantes químicos (sabonetes, produtos perfumados), reações alérgicas ou alterações hormonais que alteram a microbiota vaginal. Na prática brasileira, causas frequentes são balanço da flora vaginal após antibióticos, higiene íntima inadequada, e infecções por fungos e Gardnerella.

Inflamações crônicas podem refletir dermatose vulvar (dermatite de contato, líquen) ou condições subjacentes que necessitam investigação além de terapia sintomática.

Como é diagnosticado

O diagnóstico de N76 baseia-se em história clínica e exame físico ginecológico que documente inflamação localizada da vulva e/ou vagina sem outro diagnóstico específico. Achados que sustentam este código são sinais locais (eritema, edema, corrimento) e ausência de confirmação laboratorial ou clínica de agente específico com código próprio.

Exames complementares (swab, exame microscópico do corrimento, testes rápidos) ajudam a identificar agentes e podem mudar a codificação. A documentação clínica deve descrever local da inflamação para diferenciar de N72 e códigos sistêmicos.

Como costuma ser tratado

O manejo costuma ser ambulatorial e dirigido à causa quando identificada; medidas locais para alívio de sintomas são frequentes e o tratamento pode ser tópico ou sistêmico conforme investigação. Casos com causa não identificada ou dor intensa podem necessitar de avaliação complementar e seguimento.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos usadas na prática incluem agentes antifúngicos tópicos ou sistêmicos, antibióticos quando houver suspeita bacteriana, agentes antiprotozoários para tricomoníase e anti-inflamatórios ou emolientes para sintomas locais. A escolha da classe depende do agente suspeito e da apresentação clínica.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento se há corrimento com odor forte, febre, aumento progressivo da dor pélvica, sangramento vaginal incomum, lesões ulceradas ou sintomas que não melhoram em poucos dias. Busca imediata é adequada quando ocorre febre, náusea/vômito associados ou sinais de infecção sistêmica.

Uso em atestado

Atestados podem registrar a presença de afecção inflamatória vulvovaginal como motivo de consulta ou afastamento temporário, especificando local e impacto funcional conforme avaliação clínica. Para afastamentos prolongados, documentação complementar com exames e evolução clínica favorece a justificativa do período indicado pelo profissional.

Perguntas frequentes sobre N76

O que significa receber o CID N76 no atestado?

Significa que o profissional identificou inflamação na vagina ou vulva sem classificar a causa por outro código. O atestado descreve o motivo clínico do atendimento, não determina automaticamente afastamento prolongado.

Esse problema pode ser transmitido para o parceiro?

Alguns agentes que causam inflamação vaginal ou vulvar são transmissíveis sexualmente, mas nem todos. A necessidade de notificar ou tratar o parceiro depende do diagnóstico etiológico confirmado por exames.

Quais exames costumam ser solicitados após o diagnóstico inicial?

Exames do corrimento, como microscopia direta, pH e testes direcionados para agentes específicos, além de cultura quando indicado; em casos atípicos pode ser necessária colposcopia ou biópsia.

Preciso de afastamento do trabalho quando recebo esse diagnóstico?

A necessidade de afastamento depende da intensidade dos sintomas, da função desempenhada no trabalho e da avaliação do profissional. Nem todo caso exige afastamento.

Como diferenciar N76 de doença do colo do útero (N72)?

A diferença é a localização predominante da inflamação: se o exame mostra alterações no colo uterino como sangramento pós-coito ou lesão colposcópica, o código N72 é mais apropriado; N76 refere-se à vagina ou vulva como sítio primário.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual a distribuição e aspecto do corrimento observado e qual o pH vaginal medido no consultório?
  • Houve exposição recente a sabonetes, cremes ou produtos íntimos que possam causar irritação de contato?
  • Existem lesões vulvares (ulceração, crostas, placas) que justifiquem biópsia ou colposcopia?
  • Foram realizados testes para agentes específicos (microscopia, cultivo, testes para DST) e os resultados alterariam a codificação?
  • O quadro é agudo ou crônico e qual alteração clínica faria migrar o código para doença do colo (N72) ou outra categoria?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este laudo com CID N76 é suficiente para justificar afastamento temporário em perícia previdenciária?
  • Que documentação adicional (exames, evolução clínica) costuma ser exigida em perícias para avaliar incapacidade decorrente de N76?
  • Em caso de contágio ocupacional suspeito, como registrar a relação com o trabalho no laudo sem extrapolar o diagnóstico clínico?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos diagnósticos relacionados a inflamação vulvovaginal requerem autorização prévia segundo a operadora?
  • O plano costuma exigir documentação comprovando falha do tratamento empírico antes de autorizar exames complementares?
  • Caso seja solicitado tratamento tópico ou sistêmico, quais justificativas clínicas a operadora costuma solicitar para cobertura?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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