N70-N77 — Doenças inflamatórias dos órgãos pélvicos femininos
O que este código significa?
Este bloco reúne códigos relativos a processos inflamatórios dos órgãos pélvicos femininos, incluindo doenças das trompas e ovários (N70), enfermidades do paramétrio e do peritélio pélvico (N71), endometrite e outras inflamações uterinas (N71-N73) e inflamações de anexos classificados em N74-N77. Entre os itens mais buscados estão N70.0 (salpingite), N71.0 (endometrite aguda) e N73.9.
Quando se usa um código deste grupo?
Usa-se este agrupamento quando o diagnóstico refere-se a inflamação de estruturas genitais femininas; para chegar ao código exato é necessário identificar o órgão afetado, o agente quando conhecido e se o curso é agudo, crônico ou recorrente. A página direciona a subdivisões como salpingite, ooforite ou doença inflamatória pélvica não especificada.
Com que grupos este se confunde?
N70 (Doenças inflamatórias das trompas e ovários) vs N80 (Endometriose): a presença de infecção ou agente/inflamação aguda orienta N70; lesão por tecido endometrial ectópico sem inflamação ativa orienta N80.
N71 (Outras inflamações do útero) vs N86 (Erosão do colo do útero): inflamação endometrial ou miometrial com sinais infecciosos ou sistêmicos aponta N71; lesão cervical localizada sem quadro inflamatório sistêmico aponta para N86.
N73 (Doença inflamatória pélvica) vs A54 (Infecção gonocócica) ou A56 (Infecções por clamídia): quando o agente etiológico infeccioso é confirmado e deve ser codificado, usa-se o código da infecção (A54/A56) junto com ou em vez de um código local conforme regra de codificação; se permanece sem identificação do agente e foco inflamatório pélvico predomina, usa-se N73.
O que é?
Condições neste bloco são processos inflamatórios (agudos, subagudos ou crônicos) que acometem trompas, ovários, útero e tecidos adjacentes do assoalho pélvico. O critério comum é a inflamação originada por infecção ascendente, pós-procedimento, ou reação inflamatória localizada, independentemente do agente específico.
Que queixas costumam cair neste grupo?
Quadros que costumam levar a códigos deste grupo incluem dor pélvica ou abdominal inferior, corrimento vaginal anormal, febre, dor durante relação ou menstruação alterada; sintomas podem variar conforme órgão predominante e cronicidade.
O que costuma estar por trás deste grupo?
Os mecanismos agrupam infecção ascendente do trato genital (ex.: N70 salpingite por infecção sexualmente transmissível), extensão de infecção pélvica pós-parto ou pós-procedimento, processos inflamatórios não infecciosos e reações crônicas a corpo estranho. Varia conforme bloco entre infecções bacterianas, complicações pós-operatórias e inflamação crônica.
Como se chega a um código deste grupo?
Os códigos são definidos pelo sítio anatômico afetado (trompa, ovário, útero, anexos) e pelo caráter agudo/ crônico; confirmação pode vir de achados clínicos (dor, sinal inflamatório), isolamento microbiológico, imagem mostrando abscesso ou separação por complicação (ex.: abscesso tubo-ováreo classifica dentro de N70 quando trompa/ovário envolvidos).
Como costuma ser tratado?
O manejo costuma iniciar em ambulatório especializado (clínica ginecológica ou atenção primária) com encaminhamento para hospital quando há abscesso, febre alta ou falha terapêutica. O SUS atende via atenção básica, ambulatórios especializados e serviços hospitalares; procedimentos cirúrgicos são realizados em ambiente hospitalar quando necessários.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes usadas incluem antibióticos de amplo espectro contra flora genital e anaeróbia (p. ex. betalactâmicos, nitroimidazóis), analgésicos/anti-inflamatórios para controle sintomático e, quando apropriado, tratamentos específicos para o agente identificado (por exemplo, antimicrobianos dirigidos). A escolha entre classes depende do agente suspeito/confirmado, gravidade e presença de abscesso.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação imediata em casos de febre alta, dor pélvica intensa, sangramento vaginal profuso, sinais de sepsis, náuseas/vômitos incapacitantes ou suspeita de abscesso pélvico.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Quanto ao pagamento e à perícia, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias se somam para fins desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias funciona na prática pelo CID indicado no atestado: é o código que o perito usa para saber se a doença informada é a mesma e, por isso, permite a soma dos períodos; esse detalhe sobre o uso do CID na verificação é pouco conhecido entre os beneficiários.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, informar o período de afastamento, conter a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID só ocorre com anuência do paciente — não há obrigação de informar o diagnóstico ao empregador —, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
Para este bloco N70–N77, que reúne as doenças inflamatórias dos órgãos pélvicos femininos, o curso pode variar de quadros agudos que se resolvem com tratamento ambulatorial até condições crônicas ou recorrentes; muitas vezes o manejo é ambulatorial, e a incapacidade para o trabalho tende a ocorrer mais quando há complicações como abscesso, febre elevada ou necessidade de procedimento cirúrgico. Como algumas dessas condições podem reaparecer ou exigir novos episódios de tratamento, a regra dos 60 dias tem importância prática maior aqui: permite verificar se atestados sucessivos correspondem ao mesmo quadro para efeitos da soma dos períodos.
Que direitos este código envolve?
O enquadramento legal aplica-se ao grupo como condição de saúde que pode justificar afastamento ou procedimentos; benefícios previdenciários e licenças dependem de avaliação pericial, documentação clínica e enquadramento em listas oficiais de incapacidade ou doenças relacionadas. A presença do CID-10 não garante automaticamente direito a benefício; a concessão segue regras legais e periciais.
Perguntas frequentes sobre N70-N77
Quando devo usar N70 (salpingite) em vez de N73 (doença inflamatória pélvica)?
Use N70 quando a inflamação for claramente localizada às trompas ou ovários; N73 é usado para doença inflamatória pélvica mais abrangente ou não especificada.
Se houver diagnóstico microbiológico de clamídia, qual código aparece?
O achado etiológico deve ser registrado no código da infecção (A56) conforme regras, complementando o código anatômico do quadro inflamatório quando indicado.
O CID deste bloco serve para justificar afastamento do trabalho?
O CID descreve a condição; afastamento depende de avaliação clínica e pericial, documentação e enquadramento nas normas previdenciárias.
Como diferenciar N71 (inflamações uterinas) de problemas cervicais codificados em N86?
Inflamações que envolvem endométrio ou miométrio e apresentam quadro sistêmico ou infeccioso orientam N71; lesões cervicais localizadas sem inflamação uterina predominante são codificadas em N86.
A notificação compulsória é obrigatória para todos os códigos N70-N77?
Não; a notificação depende do agente identificado (algumas ISTs são de notificação compulsória) e não do bloco anatomossintomático em si.
Códigos relacionados
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- N30-N39 Outras doenças do aparelho urinário
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- N99-N99 Outros transtornos do aparelho geniturinário
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco N70-N77
- OMS — ICD-10, versão 2019 (N70-N77)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.