N94.6 — Dismenorréia não especificada
- dismenorreia indiferenciada
- dor menstrual não especificada
O CID N94.6 designa dor associada ao ciclo menstrual registrada sem informação suficiente para classificar como dismenorreia primária ou secundária. É usado quando a ficha clínica descreve cólica menstrual ou dor pélvica relacionada ao período, porém sem exame, investigação ou achados que permitam outro código mais específico. Não identifica causa (como endometriose, mioma, infecção) e não inclui dores não relacionadas ao ciclo menstrual nem sintomas exclusivamente urinários ou intestinais. Serve para registrar sintoma quando faltam dados para distinguir subtipos.
Em palavras simples
Receber o código CID N94.6 significa que o profissional registrou dor ligada à menstruação, mas que no momento não tinha informações suficientes para dizer qual a causa exata. Em palavras simples: você tem “dor menstrual não especificada”, ou seja, dor na barriga baixa ou na pelve relacionada ao período, mas sem diagnóstico fechado.
O que você provavelmente sente: cólicas intensas ou desconforto embaixo da barriga que começa pouco antes ou com a menstruação. A dor pode ir para a lombar ou coxa e às vezes vem acompanhada de náusea, intestino solto, dor de cabeça ou cansaço. A intensidade varia: algumas mulheres sentem apenas incômodo, outras ficam de cama.
Sobre gravidade e contágio: não é uma doença contagiosa. Nem sempre é grave; muitas vezes melhora com medidas simples e com o fim do sangramento. Mas quando a dor piora com o tempo, acontece fora do período menstrual, vem com febre, sangramento muito intenso ou atrapalha muito a rotina, isso pode indicar outra condição e precisa ser checado.
O caminho usual após esse registro é a investigação: o médico pode pedir exame físico mais detalhado, ultrassom ou testes de sangue, e marcar retorno. Em alguns casos a investigação traz um diagnóstico (como endometriose ou mioma) e o código muda; em outros, confirma-se que é dismenorreia primária. A decisão sobre afastamento do trabalho ou estudo depende do impacto que a dor tem nas suas atividades e da documentação médica.
Em casa, observe se a dor melhora ou piora com o fim do fluxo, se aparece fora do período, se há febre, náuseas persistentes, vômito, sangramento muito intenso ou dificuldade para urinar/defecar. Se acontecer qualquer um desses sinais, procure avaliação. Guarde anotações sobre quando a dor começa, quanto dura e quanto atrapalha suas atividades — isso ajuda o médico a decidir os próximos passos.
Quando usar este código
Usa-se N94.6 quando o prontuário ou a guia descreve dor menstrual, cólica ou desconforto pélvico relacionado ao ciclo, mas não há elementos suficientes para definir dismenorreia primária (N94.4) nem secundaria (N94.5) ou outra causa orgânica. Frequentemente aparece em atendimento inicial, em registros de pronto-socorro, teleatendimento ou em documentação administrativa sem exames complementares.
Este código documenta o sintoma: é um rótulo de apresentação, não uma etiologia. Se investigações posteriores identificarem uma causa (por exemplo, endometriose A80 ou doença inflamatória pélvica N70–N73), o código deve ser revisto.
Não confunda com
N94.4 (Dismenorreia primária): distingue-se por ausência de patologia pélvica identificável e início tipicamente na adolescência com dor habitual associada à menarca; N94.6 é usado quando não há dados que confirmem ausência de doença ou quando a documentação é insuficiente.
N94.5 (Dismenorreia secundária): separa-se quando há causa identificável (ex.: endometriose, mioma) demonstrada por exame clínico, imagem ou cirurgia; N94.6 não deve ser usado se houver evidência de condição secundária.
N80 (Endometriose): este código descreve lesão anatômica comprovada por imagem ou cirurgia e geralmente justifica dor cíclica; N94.6 permanece aplicável apenas na ausência de confirmação de endometriose.
N70–N73 (Doenças inflamatórias do trato genital feminino): quando há sinais/investigações de infecção ou inflamação pélvica, os códigos de doença inflamatória são preferíveis; N94.6 não é adequado se houver evidência microbiológica, clínica ou ecográfica de DIP.
O que é
Dismenorreia não especificada é um rótulo para dor relacionada ao ciclo menstrual cuja origem não foi definida no registro clínico. A manifestação típica é dor tipo cólica em baixo ventre ou pélvis que aparece em associação com a menstruação, podendo acompanhar náusea, cefaleia, tontura e alteração do trânsito intestinal.
Quem costuma apresentar este relato são adolescentes e mulheres em idade reprodutiva que procuram atendimento inicial ou registros administrativos quando não houve tempo, recurso ou informação suficiente para investigação. O código documenta o sintoma e orienta investigações posteriores para diferenciar formas primárias, secundárias ou outras causas.
Sintomas
Principais sintomas: cólica pélvica ou dor em baixo ventre iniciada em ou pouco antes da menstruação, intensidade variável e possível irradiação para lombar ou coxa. Sintomas que aparecem cedo: dor tipo cólica e que cede com o término do sangramento menstrual. Sinais de agravamento: dor progressivamente mais intensa, dor que aumenta fora do período menstrual, dor acompanhada de febre, sangramento anormal ou dificuldade para engravidar indicam necessidade de reclassificação para causa secundária e investigação urgente.
Causas
Mecanismos: a dor menstrual resulta de contrações uterinas mediadas por prostaglandinas e de déficit de fluxo sanguíneo local, espasmo miometrial e hipersensibilidade nociceptiva. Na prática brasileira, a causa mais frequentemente suspeita quando não detalhada é dismenorreia primária por aumento de prostaglandinas, mas N94.6 é usado justamente quando não há confirmação clínica ou exames que permitam afirmar isso. Outras causas potenciais que devem ser lembradas incluem endometriose, miomas, adenomiose, anomalias uterinas e doença inflamatória pélvica; cada uma exige investigação específica.
Como é diagnosticado
O diagnóstico para manter o código N94.6 baseia-se na documentação da dor menstrual associada a cada ciclo sem informações suficientes para caracterizar primária ou secundária. A classificação definitiva depende de história detalhada (início com menarca, evolução, resposta a tratamentos), exame ginecológico e, se feito, exames de imagem ou laparoscopia. N94.6 é uma codificação provisória: achados que indiquem lesão anatômica, infecção ou outro diagnóstico justificam mudança para o código correspondente.
Como costuma ser tratado
Visão geral: tratamento inicial costuma ser ambulatorial e focado no alívio dos sintomas e na investigação da causa. Medidas não farmacológicas e farmacológicas podem ser utilizadas conforme avaliação clínica. Quando houver identificação de condição subjacente, o manejo pode alterar-se para tratar a doença específica; tratamentos intervencionistas e acompanhamento especializado são considerados conforme a etiologia.
Classes de medicamentos
Classes frequentemente usadas para controle da dor menstrual incluem anti-inflamatórios não esteroides e analgésicos, bem como terapias hormonais quando indicado pelo clínico. A seleção depende da avaliação individual, da presença de contraindicações e da determinação de primária versus secundária; N94.6 apenas registra o sintoma inicial, não a escolha terapêutica definitiva.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento se a dor estiver aumentando de intensidade progressivamente, se ocorrer fora do período menstrual, se vier acompanhada de febre, sangramento menstrual muito intenso, náuseas persistentes ou sinais de infecção, ou se houver dificuldade para realizar atividades diárias. Também é indicada avaliação quando há suspeita de infertilidade ou quando analgésicos habituais não controlam o sintoma.
Uso em atestado
Para atestado, registre: sintoma de dor menstrual documentado, duração dos episódios, impacto funcional e necessidade de afastamento quando compatível com critérios ocupacionais. N94.6 pode justificar documentação inicial, mas laudos periciais podem exigir esclarecimento etiológico e exames complementares para decisões de benefício ou incapacidade.
Direitos e benefícios
A anotação de N94.6 não cria automaticamente direito a afastamento ou benefício; decisões administrativas e periciais consideram incapacidade funcional comprovada por exame e documentação complementar. Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de laudo médico, perícia e legislação aplicável, não apenas do código registrado.
Perguntas frequentes sobre N94.6
O que significa exatamente o código CID N94.6?
Indica que foi registrada dor menstrual ou cólica sem informação suficiente para classificar como primária ou secundária; é um rótulo de sintoma e não uma causa definida.
Esse código justifica atestado médico ou afastamento do trabalho?
Pode constar em um atestado que descreva sintomas e limitações, mas a decisão sobre afastamento depende da avaliação clínica, duração e impacto no trabalho ou estudo.
Preciso me preocupar que seja contagioso?
Não, a dismenorreia não é contagiosa. Preocupações maiores são se houver febre ou outros sinais de infecção associados.
Quais exames normalmente virão depois desse registro?
Exames comuns incluem ultrassonografia pélvica e, se indicado, exames laboratoriais e encaminhamento para avaliação ginecológica; a sequência depende da suspeita clínica.
Qual a diferença entre N94.6 e N94.4?
N94.4 refere-se a dismenorreia primária com ausência de doença pélvica identificável; N94.6 é usado quando não há dados suficientes para afirmar isso.
O que acontece se descobrirem uma causa como endometriose?
Se identificada uma causa, o registro deve ser alterado para o código específico correspondente à condição subjacente, e o manejo será ajustado à nova classificação.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando a documentação atual permite migrar N94.6 para N94.4 ou N94.5?
- Há história de início na menarca ou sinal de lesão pélvica que justifique investigação imediata?
- Quais exames iniciais (USG, testes laboratoriais) estão disponíveis para esclarecer causa?
- A dor é cíclica e reproduzível com cada ciclo ou apresentou mudança na frequência/intensidade?
- Há sinais de infecção, sangramento anormal ou infertilidade que alteram o código?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este registro de N94.6 pode por si só justificar afastamento temporário em perícia trabalhista?
- Que documentação adicional o perito deve solicitar para reavaliar o código em uma perícia previdenciária?
- Como a mudança posterior de N94.6 para um código de doença (por exemplo N80) afeta decisões de benefício?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos diagnósticos associados a dismenorreia não especificada exigem pré-autorizarção?
- A operadora exige CID específico (primária vs secundária) para autorizar exames de imagem avançada?
- Como registrar achados de exame que mudem N94.6 para outro código na guia de autorização?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.