O60 — Trabalho de parto pré-termo

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Em palavras simples

O código CID O60 significa que o trabalho de parto começou antes do tempo esperado da gravidez. Em termos simples, é quando a barriga começa a ter contrações suficientes para abrir o colo e preparar o bebê para nascer antes das 37 semanas de gestação. Isso não é a mesma coisa que uma consulta de rotina nem apenas um desconforto passageiro: é um processo que pode evoluir para o nascimento ou ser controlado com cuidado médico.

Você provavelmente sentirá contrações regulares, uma pressão forte na pelve, cólica semelhante a cólicas menstruais ou dor lombar que não passa. Pode haver também sensação de perda de líquido ou mudança no corrimento. Alguns sentem apenas um endurecimento rítmico da barriga no início; outros percebem dor mais intensa. É comum ficar preocupada e cansada, e sentir que tudo mudou de repente.

A gravidade depende da idade da gestação e do estado do bebê: quanto mais cedo o trabalho de parto começar, maior o risco de problemas relacionados à imaturidade do recém‑nascido. Trabalho de parto pré‑termo não é uma doença contagiosa — não “pega” outras pessoas — e nem todo caso resulta em parto imediato; às vezes é possível adiar o nascimento para proteger o bebê, outras vezes o parto ocorre. Só um médico pode avaliar se é seguro tentar postergar ou se é preciso liberar o parto.

Depois da avaliação inicial normalmente vêm exames de imagem para confirmar a idade gestacional e verificar o bebê, testes para detectar infecção quando há suspeita, e monitorização das contrações e da frequência cardíaca fetal. Dependendo do resultado, você pode ser orientada a ficar em observação no hospital, receber medicação e cuidados específicos ou ser encaminhada para uma maternidade com UTI neonatal. A necessidade de afastamento do trabalho é avaliada caso a caso.

Em casa, observe a intensidade e a regularidade das contrações, qualquer sangramento, saída clara e abundante de líquido e os movimentos do bebê. Procure atendimento sem demora se as contrações aumentarem, se houver sangramento, perda de líquido, falta de movimento fetal ou dor intensa. Mesmo sinais sutis merecem avaliação, porque intervenção precoce muda as opções de tratamento e o prognóstico do bebê.

O que este código significa?

O CID O60 designa o início do trabalho de parto antes das 37 semanas de gestação, quando contrações uterinas produzam dilatação cervical progressiva e risco de nascimento prematuro. Refere-se ao processo laborioso que leva ao parto ou a tentativas efetivas de parto antes do termo, e não inclui rotinas de vigilância gestacional, trabalho de parto a termo ou parto induzido por causas relativas ao termo. Não descreve complicações específicas do recém‑nascido nem causas como ruptura prematura de membranas isolada, que têm códigos distintos.


Quando este código é usado?

Use este código quando houver diagnóstico clínico de trabalho de parto que tenha início antes das 37 semanas com contrações regulares e evidência de alteração cervical progressiva. Registra o evento do trabalho de parto pré‑termo em prontuário, guias e estatística, e é aplicado tanto quando o parto se completa quanto quando o trabalho de parto é controlado e interrompido.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

O47 (Trabalho de parto falso) — presença de contrações uterinas sem dilatação cervical progressiva. O47 aplica‑se quando a avaliação mostra colo uterino estável ou ausência de mudança cervical, enquanto O60 exige evidência clínica de dilatação/efacement.

O42 (Placenta prévia ou hemorragia anteparto) — sangramento vaginal predominante sem sinais de trabalho de parto ativo com dilatação. Se há hemorragia que explica contrações, a distinção depende da origem do sangramento e do exame cervical.

O80 (Parto único espontâneo a termo) — parto ocorrido a termo com trabalho de parto típico após 37 semanas; a diferenciação baseia‑se na idade gestacional no início do trabalho de parto.

O que é?

Trabalho de parto pré‑termo é o início do trabalho de parto antes de 37 semanas de gestação, marcado por contrações uterinas regulares que levam à dilatação ou encurtamento do colo uterino. Manifesta‑se como um processo que pode progredir até o nascimento prematuro ou ser contido com medidas obstétricas; envolve risco aumentado para o recém‑nascido por imaturidade.

A apresentação varia de contrações intermitentes e sensação de pressão na pelve até dor abdominal contínua e perda de líquido se houver ruptura das membranas. Costuma ocorrer em gestantes com fatores de risco obstétricos e não obstétricos, mas também pode ocorrer em gestações sem fatores identificáveis.

Quais sintomas aparecem?

Os sinais mais precoces incluem contrações uterinas regulares e sensação de endurecimento ou pressão na barriga; alterações no padrão de secreção vaginal, como perda de líquido, podem aparecer cedo e sinalizar ruptura de membranas. Dor lombar tipo cólica, cólicas menstruais fortes ou desconforto suprapúbico costumam acompanhar o início. Indícios de agravamento são aumento da frequência e intensidade das contrações, sangramento vaginal ativo, saída clara e abundante de líquido (sugerindo ruptura das membranas) e perda de movimentos fetais, estes últimos exigindo avaliação imediata.

O que causa?

Os mecanismos que levam ao trabalho de parto pré‑termo envolvem ativação prematura do eixo uterino‑placentário: estímulos inflamatórios ou infecciosos dentro do útero ou nas membranas, estresse uterino por excesso de distensão (como gestação múltipla), anomalias cervicais ou placentárias, e fatores maternos sistêmicos (hipertensão, doença crônica mal controlada). No Brasil, as causas mais frequentes na prática são infecções geniturinárias e ruptura prematura de membranas, seguidas por trabalho de parto em gestações múltiplas e alterações cervicais prévias. Muitas vezes a causa permanece sem identificação clara, um fenômeno descrito como trabalho de parto pré‑termo idiopático.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia‑se na história de contrações uterinas regulares e no exame obstétrico que demonstra dilatação ou apagamento cervical progressivo antes de 37 semanas. A confirmação é clínica: monitorização das contrações, toque vaginal para avaliar o colo, e registro da idade gestacional por datação prévia ou ultrassonografia. Este código não se aplica apenas à presença de contrações isoladas sem mudança cervical nem à ruptura de membranas sem trabalho de parto confirmado; nesses casos usam‑se códigos distintos.

Como costuma ser tratado?

O manejo médico visa reduzir risco de parto imediato quando possível, monitorando a mãe e o feto e tratando causas identificáveis, como infecções. Em algumas situações tenta‑se retardar o parto para permitir maturação fetal, com vigilância hospitalar e medidas obstétricas específicas; em outras, a resolução por parto é inevitável e o foco é a segurança materna e neonatal. A escolha entre conduta expectante, terapêutica para contenção ou parto depende da idade gestacional, estado fetal e da causa desencadeante.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos que podem aparecer no manejo incluem agentes para supressão temporária de contrações em protocolos obstétricos, fármacos para maturação pulmonar fetal quando indicados, e antibióticos para infecções associadas; medicamentos para analgesia e suporte materno são usados conforme o quadro e o local de atendimento. A seleção e uso específicos dependem da avaliação obstétrica individual.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento obstétrico imediato diante de contrações regulares persistentes, sensação de perda de líquido, sangramento vaginal ativo, diminuição dos movimentos do bebê ou dor intensa e contínua. Mesmo sintomas leves como mudanças na secreção vaginal com contrações merecem avaliação, porque intervenções precoces alteram prognóstico neonatal e orientam necessidade de internação ou transferência para unidade com suporte neonatal.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto, portanto duas pessoas com o mesmo código podem receber afastamentos diferentes. Até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Para que a soma dos períodos ocorra, o perito usa o CID constante no atestado para verificar se os episódios são o mesmo motivo prático; sem o código não há como somar automaticamente esses períodos.

O atestado precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter data, assinatura e o CRM do médico para ser aceito pelas partes envolvidas. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS ou pelo empregador. A identificação clara do período e a assinatura do médico são elementos essenciais para fins administrativos.

No caso de trabalho de parto pré‑termo (CID O60), o quadro costuma ser agudo, associado à possibilidade de resolução com parto prematuro ou de controle e continuação da gestação com vigilância. O evento frequentemente envolve risco temporário de incapacidade para atividades laborais que exijam esforço físico intenso ou exposição a riscos, e pode demandar acompanhamento hospitalar e registro obstétrico. Quando o trabalho de parto pré‑termo reaparece em curto intervalo, a regra dos 60 dias ganha importância porque permite ao perito e às partes avaliar continuidade do problema obstétrico sob o mesmo CID e somar atestados para efeitos do período inicial pago pelo empregador.

Perguntas frequentes sobre O60

O que exatamente significa receber o CID O60 no atestado?

Significa que o profissional avaliou início de trabalho de parto antes do termo, com contrações e alteração cervical; o atestado registra esse evento para fins médicos e administrativos.

Vou ser afastada do trabalho automaticamente ao receber esse CID?

O afastamento não é automático nem padronizado; o médico define o período conforme o quadro e as exigências do trabalho, e a duração pode variar entre pessoas com o mesmo código.

O trabalho de parto pré‑termo é contagioso para outras gestantes?

Não é contagioso; trata‑se de um evento obstétrico individual relacionado a fatores maternos, fetais ou uterinos, não a transmissão entre pessoas.

Quais exames o médico pode pedir na primeira avaliação?

Podem ser solicitados ultrassonografia para confirmar idade gestacional e posição fetal, monitorização cardiotocográfica e exames para identificar infecção ou ruptura de membranas.

Como difere do falso trabalho de parto?

No falso trabalho de parto há contrações sem dilatação cervical progressiva; O60 requer evidência de alteração do colo uterino que sugira evolução para parto.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual foi a idade gestacional documentada na última ultrassonografia quando o trabalho de parto começou?
  • Há dilatação cervical progressiva ou apenas contrações uterinas sem alteração do colo?
  • Houve perda de líquido compatível com ruptura das membranas e, se sim, quando ocorreu?
  • Existem sinais de infecção materna ou fetal que justifiquem conduta imediata?
  • A condição fetal (movimentos, frequência cardíaca) suporta tentativa de contenção ou indica parto imediato?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este afastamento por CID O60 pode ser considerado incapacidade temporária para fins de perícia trabalhista?
  • Como a soma de atestados com o mesmo CID nos 60 dias impacta análises de estabilidade e indenizações?
  • Que documentos médicos e administrativos são essenciais para comprovar necessidade de afastamento prolongado por trabalho de parto pré‑termo?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano de saúde exige autorização prévia para internação por trabalho de parto pré‑termo e quais documentos costuma solicitar?
  • A cobertura de transplante neonatal ou internação em unidade neonatal depende de autorização separada quando o parto é pré‑termo?
  • Quais critérios clínicos a operadora costuma pedir para autorizar tratamentos de suporte fetal ou transferência para centro de maior complexidade?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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