R07.0 — Dor de garganta

  • dor na garganta
  • faringalgia
  • odinofagia (quando relacionada à deglutição)

O CID R07.0 identifica a presença de dor localizada na garganta como sintoma principal, sem atribuição imediata a uma causa infecciosa, inflamatória ou traumática específica. Aparece em atendimentos onde o paciente relata dor na região faríngea ou na garganta ao falar ou engolir. Não inclui quadros em que haja diagnóstico confirmado de faringite estreptocócica, amigdalite supurativa ou outra doença específica; nesses casos usam-se códigos diagnósticos específicos. Também não cobre dor torácica ou dor referida de estruturas cervicais; esses têm códigos irmãos em R07.2R07.4 ou em capítulos distintos. O registro serve para codificação de um sintoma quando a hipótese etiológica ainda não está estabelecida ou quando o compromisso é predominantemente sintomático.


Quando usar este código

Este código é usado quando o profissional registra como principal problema clínico a dor na garganta (sensação dolorosa na faringe ou nas estruturas periamigdalianas) sem confirmar uma causa específica no momento da codificação. É apropriado em consultas iniciais, em atestados ou em guias de autorização quando a queixa principal é odinofagia ou faringalgia simples e não há documentação de diagnóstico infeccioso, inflamatório ou traumático definitivo.

Não confunda com

R07.0 vs J02.0 (Faringite estreptocócica): critério que separa é a confirmação etiológica por exame (teste rápido, cultura) ou o diagnóstico clínico documentado de faringite estreptocócica; se houver diagnóstico definido, usar J02.0, não R07.0.

R07.0 vs J03.0 (Amigdalite aguda): a presença de diagnóstico claro de amigdalite com sinais de inflamação tonsilar e/ou cultura positiva desloca para J03.0; R07.0 fica quando apenas há dor faríngea sem definição de amigdalite.

R07.0 vs R07.2 (Dor precordial): diferenciar por localização e relação com a deglutição; dor referida ao tórax avaliada como precordial deve usar R07.2 em vez de R07.0.

O que é

O termo refere-se a dor percebida na região da garganta — normalmente na faringe, nas paredes posteriores da boca ou ao redor das amígdalas — que pode surgir subitamente ou de forma progressiva. Manifesta‑se como desconforto ao engolir (odinofagia), ao falar, ou como sensação de arranhamento/irritação na garganta.

Pacientes de todas as idades podem apresentar o sintoma; em crianças e adultos jovens a causa infecciosa é frequente, enquanto em adultos pode haver também origem por refluxo, irritantes ambientais, uso vocal excessivo ou reações alérgicas. O código descreve o sintoma, não a etiologia.

Sintomas

Principais: dor ou desconforto na garganta, sensação de ardor ou arranhamento, dor ao engolir (odinofagia) e rouquidão associada. Outros sinais precoces incluem leve dor ao falar e sensação de corpo estranho. Indicadores de agravamento são aumento da intensidade da dor, dificuldade progressiva para engolir (disfagia), febre alta persistente ou secreção purulenta visível nas amígdalas.

Causas

Mecanismos incluem inflamação da mucosa faríngea por infecções virais (mais comum na prática brasileira), infecções bacterianas, irritação por fumaça ou poluentes, refluxo laringofaríngeo que irrita a mucosa, trauma por uso vocal excessivo e reações alérgicas. Em muitos atendimentos primários a causa mais frequente é infecção viral autolimitada; no entanto, a codificação R07.0 é utilizada quando a etiologia não foi confirmada no momento.

Como é diagnosticado

O diagnóstico que sustenta R07.0 baseia‑se no relato e no exame físico documentando dor localizada na garganta sem confirmação de doença específica. Exames complementares podem ser solicitados para esclarecer causa (teste rápido para estreptococo, cultura, exame de imagem ou laringoscopia), mas o código permanece apropriado enquanto a queixa for sintomática e não houver diagnóstico etiológico registrado. Mudança para um código específico ocorre quando há resultado de exame ou conclusão clínica que estabeleça uma doença subjacente.

Como costuma ser tratado

Visando apenas a descrição de prática geral, o manejo do sintoma pode ser ambulatorial e inclui medidas de alívio sintomático, hidratação e evitar irritantes; a indicação de tratamentos específicos depende da causa identificada. Se surgir diagnóstico bacteriano confirmado, o esquema terapêutico muda conforme a etiologia; complicações como abscesso periamigdaliano podem requerer manejo especializado.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos comumente utilizadas para controle de sintomas incluem analgésicos/antipiréticos e anti‑inflamatórios para alívio de dor e febre; em casos de infecção bacteriana confirmada, antimicrobianos apropriados são utilizados conforme orientação clínica. Antissépticos tópico‑locais e sprays anestésicos podem ser usados para conforto, e agentes para controle do refluxo são considerados quando há suspeita de refluxo laringofaríngeo.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica se a dor for intensa, houver dificuldade progressiva para engolir ou respirar, febre alta persistente, sinais de infecção local com secreção purulenta ou aumento de volume cervical que sugira abscesso. Esses sinais podem indicar complicação ou diagnóstico específico que exige avaliação e possível intervenção.

Uso em atestado

Em atestados, registrar claramente que o motivo é “dor de garganta” (CID R07.0) e descrever limitações funcionais observadas (por exemplo, dificuldade para engolir ou falar). A duração do afastamento deve ser baseada na incapacitação observada e na política da instituição ou normativa pericial aplicável.

Perguntas frequentes sobre R07.0

O que significa receber o CID R07.0 no meu atestado?

Significa que o profissional registrou dor de garganta como o problema principal, sem ainda atribuir uma causa específica. Serve para documentar o sintoma e orientar investigação ou manejo sintomático.

Quando o código R07.0 muda para outro código?

Muda quando há documentação de uma causa definida — por exemplo, resultados de exame que confirmem faringite estreptocócica ou diagnóstico de amigdalite — momento em que se usa o código correspondente à doença.

Preciso ficar em casa se meu atestado tem R07.0?

A necessidade de afastamento depende da sua capacidade funcional documentada e da avaliação do profissional responsável, além das regras do empregador e do sistema previdenciário, não apenas do código em si.

Quais exames podem ser solicitados com o CID R07.0?

Podem ser solicitados testes rápidos de antígeno, cultura de orofaringe, e, se houver indicação, avaliação endoscópica ou imagem cervical para esclarecer a causa; a escolha depende da apresentação clínica.

R07.0 indica infecção contagiosa?

R07.0 descreve apenas um sintoma (dor de garganta); a contagiosidade depende da causa subjacente, que precisa ser investigada e documentada separadamente.

Quando devo voltar ao médico se tenho R07.0?

Deve-se reavaliar se houver piora dos sintomas, febre persistente, dificuldade para engolir ou respirar, ou se os sintomas não melhorarem no tempo esperado; a reavaliação determina necessidade de mudança no diagnóstico e no tratamento.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há sinais locais (exsudato, adenomegalia, assimetria) que indicam necessidade de código específico em vez de R07.0?
  • Qual é o intervalo esperado para reavaliação antes de trocar R07.0 por um diagnóstico etiológico documentado?
  • Quais resultados de teste rápido ou cultura justificam alterar o código para J02.0 ou J03.0?
  • Quando solicitar laringoscopia ou imagem para diferenciar dor faríngea de origem externa ao trato aerodigestivo?
  • Que critérios clínicos sugerem complicação (p.ex. abscesso periamigdaliano) e mudança imediata de código?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Quais documentos e registros sustentam afastamento por dolor de garganta codificado como R07.0 em perícia?
  • Como a não especificação etiológica (uso de R07.0) influencia decisões sobre concessão de auxílio‑doença?
  • Em caso de litígio, que provas médicas são necessárias para demonstrar incapacidade funcional por R07.0?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos relacionados à investigação de dor de garganta (exames diagnósticos) costumam exigir autorização quando o diagnóstico enviado é CID R07.0?
  • Como a operadora avalia solicitações de tratamento específico quando a guia usa R07.0 sem diagnóstico etiológico?
  • A inclusão do CID R07.0 na guia pode levar à solicitação de documentos adicionais para cobertura de terapias ou exames?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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