R07.2 — Dor precordial
- Dor precordial
- Dor no peito anterior
- Dor na região do pré-córdio
O CID R07.2 designa a “dor precordial”, isto é, dor localizada na região anterior do tórax sobre o coração (pré-córdio). É um código de sintoma: descreve onde e como a dor é sentida, não uma doença específica. Aplica-se quando a queixa principal é dor nessa área e não há diagnóstico definitivo que justifique um código distinto (por exemplo, infarto agudo do miocárdio, pericardite ou dor musculo‑esquelética específica). Não inclui dores torácicas por causas claramente identificadas por outro código.
Na prática, o CID R07.2 é usado tanto na atenção primária quanto em emergências quando a avaliação inicial ainda não confirma outra causa; sua utilização sinaliza a necessidade de investigação dirigida ao tórax anterior e estruturas torácicas adjacentes.
Quando usar este código
Este código é aplicado quando o registro clínico principal é dor localizada no pré‑córdio e não há, no momento do registro, diagnóstico etiológico definitivo que justifique codificação diferente. Serve para anotar a apresentação sintomática inicial em prontuários, guias de faturamento e relatórios quando a origem da dor permanece indeterminada após avaliação básica. Deve ser substituído por outro código se a investigação posterior revelar, por exemplo, infarto (I21), pericardite (I30), esofagite (K20‑K22) ou dor musculo‑esquelética torácica com diagnóstico preciso.
Não confunda com
R07.0 (Dor de garganta) — separa‑se por localização e irradiação; R07.0 refere‑se a dor predominante em garganta/faringe, enquanto R07.2 é dor focalizada no pré‑córdio anterior do tórax. A presença de odinofagia ou sinais faríngeos favorece R07.0.
R07.3 (Outra dor torácica) — R07.3 é usada quando a dor torácica não se limita ao pré‑córdio ou tem características difusas/atípicas (por exemplo, dor pleurítica lateral). Se a dor está claramente centrada no pré‑córdio, R07.2 é mais apropriado.
R07.4 — R07.4 é para registros onde a localização ou natureza da dor torácica não foi detalhada. Quando a documentação descreve especificamente dor precordial, R07.2 é o código correto.
O que é
Dor precordial refere‑se à sensação dolorosa sentida sobre o pré‑córdio, a área anterior do tórax onde estão o coração e estruturas mediastinais. A manifestação costuma ser descrita pelo paciente como desconforto, pressão, queimação ou pontada localizada imediatamente à esquerda, central ou sobre o esterno; pode ser transitória ou persistente. Trata‑se de um sintoma, não de uma entidade patológica única: pode originar‑se de diversas estruturas como o coração, pericárdio, pleura, esôfago, paredetorácica ou nervos intercostais.
Pacientes de todas as idades relatam dor precordial, mas em serviço de urgência o sintoma preocupa mais em adultos com fatores de risco cardiovascular (idade avançada, hipertensão, diabetes, tabagismo). Em atenção primária, causas benignas e musculo‑esqueléticas são frequentes; em pronto‑socorro, a prioridade é excluir causas agudas graves.
Sintomas
Os achados associados variam conforme a causa. Tipicamente, a dor precordial é localizada, podendo ser em aperto, pressão, queimação ou pontada; intensidade varia de leve a intensa. Sinais precoces incluem irradiação para braço esquerdo, mandíbula ou epigástrio quando a origem é cardíaca; dispneia, diaforese e náusea podem acompanhar isquemia miocárdica e indicam gravidade. A dor que melhora com mudança de postura ou palpação costuma indicar origem musculoesquelética; dor que piora ao respirar sugere componente pleurítico. Dor associada a disfagia, refluxo ou pirose aponta para causa esofágica.
Sintomas que sugerem agravamento e necessidade de investigação urgente incluem início súbito, intensidade progressiva, presença de instabilidade hemodinâmica (tontura, síncope), sudorese profusa, falta de ar significativa ou irradiação clássica para membro superior esquerdo ou mandíbula.
Causas
Mecanismos geradores de dor precordial incluem isquemia miocárdica (angina, infarto), inflamação do pericárdio (pericardite), problemas pleuropulmonares (pleurite, embolia pulmonar), origem esofágica (refluxo, espasmo esofágico), e causas musculoesqueléticas (costocondrite, trauma, tensão muscular). No Brasil, em consultórios e emergências, as causas mais frequentes observadas são transtornos musculo‑esqueléticos e alterações esofágicas, seguidos por dor de origem cardíaca em populações com fatores de risco cardiovasculares. A avaliação clínica deve considerar idade, fatores de risco e características da dor para priorizar hipóteses.
Como é diagnosticado
O CID R07.2 é um código de apresentação sintomática e sua “confirmação” depende da documentação de dor precordial como queixa principal sem diagnóstico etiológico final. A investigação para definir a causa pode incluir histórico detalhado, exame físico e exames complementares; se um diagnóstico etiológico concreto for estabelecido (por exemplo, infarto ou pericardite), o código deve ser trocado pelo código específico correspondente. Assim, R07.2 permanece apropriado quando a avaliação inicial registra dor precordial e nenhuma causa conclusiva é determinada no momento do registro.
Como costuma ser tratado
O campo contém orientação geral: o manejo depende da causa identificada. Em muitos casos ambulatoriais de origem musculoesquelética ou esofágica, tratamento conservador e seguimento são suficientes; em suspeita de causa cardíaca ou pulmonar aguda, o paciente requer avaliação urgente e manejo especializado. O uso de medidas analgésicas e suporte inicial é parte da conduta de emergência, mas o esquema terapêutico específico e duração dependem do diagnóstico etiológico confirmado.
Classes de medicamentos
Classes de medicamentos envolvidas no manejo de dor precordial variam conforme a causa: antianginosos e anti‑isquêmicos se for doença coronariana; antiinflamatórios para pericardite e algumas causas musculoesqueléticas; antiácidos, bloqueadores de ácido ou espasmolíticos para causas esofágicas; anticoagulantes e trombolíticos em eventos tromboembólicos conforme indicação. A seleção de classe e regime é responsabilidade do médico que estabeleceu o diagnóstico etiológico.
Quando procurar ajuda
Procure atendimento imediato se a dor precordial vier acompanhada de falta de ar importante, sudorese profusa, náusea intensa, desmaio ou sensação de descompensação — sinais que podem indicar emergência cardiovascular ou pulmonar. Para dores localizadas, de curta duração, sem sinais sistêmicos e com melhora com medidas simples, avaliação ambulatorial é adequada, mas qualquer piora ou persistência injustificada justifica reavaliação. Em pacientes com fatores de risco cardiovascular, a baixa tolerância ao risco recomenda investigação mais precoce.
Uso em atestado
Quando solicitado para fins de atestado, registre a queixa principal como “dor precordial” e descreva duração, características e medidas realizadas até o momento. O atestado deve refletir o estado clínico documentado; se houver diagnóstico definitivo posteriormente, o laudo ou atestado posterior deve atualizar a informação. Não presumir incapacidade laboral prolongada apenas com base neste código sem documentação clínica que o sustente.
Direitos e benefícios
O uso do CID R07.2 em documentação médica não cria automaticamente direito a afastamento ou benefícios previdenciários: direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação pericial, do diagnóstico final e da legislação aplicável. Em perícia, a descrição detalhada dos sintomas, exames e evolução clínica será considerada para decidir sobre incapacidade temporária ou tratamento de saúde. O registro preciso e documentado facilita a análise jurídica e administrativa.
Perguntas frequentes sobre R07.2
O que significa receber o código CID R07.2 no meu atestado ou exame?
Significa que a queixa principal registrada foi “dor precordial”, ou seja, dor na região anterior do tórax. É um código de sintoma, usado quando ainda não há um diagnóstico definitivo que explique a dor.
O CID R07.2 indica que eu tive um problema cardíaco como infarto?
Não necessariamente. R07.2 descreve apenas a dor na região do pré‑córdio; a presença de um problema cardíaco só é confirmada por exames específicos e por um diagnóstico posterior que substituirá este código.
Devo procurar emergência se receber esse código durante a consulta?
A necessidade de emergência depende dos sintomas associados. Se houver falta de ar intensa, sudorese, desmaio ou dor muito intensa e súbita, procure emergência. Caso contrário, siga a orientação do seu médico para exames e acompanhamento.
Por quanto tempo esse código pode constar no meu prontuário?
O CID R07.2 permanece enquanto a documentação clínica mantiver a descrição de dor precordial sem diagnóstico definitivo; se um diagnóstico etiológico for estabelecido, o registro deve ser atualizado para o código correspondente.
O código pode servir como justificativa para afastamento do trabalho?
O código por si só é um registro de sintoma; afastamento depende da avaliação clínica detalhada, da capacidade funcional e da decisão médica/pericial registrada em atestado ou laudo.
Que exames normalmente são solicitados quando aparece R07.2?
Exames iniciais comuns incluem eletrocardiograma e radiografia de tórax; a solicitação de outros exames depende da suspeita clínica levantada na avaliação inicial.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há quanto tempo e com que padrão temporal a dor precordial ocorre (contínua, intermitente, em crises)?
- A dor irradia para braço, mandíbula ou dorso, ou associa‑se a dispneia, sudorese ou náusea?
- A dor muda com palpação, movimento, respiração ou posição do tronco, sugerindo origem musculo‑esquelética ou pleurítica?
- Quais exames iniciais (ECG, troponina, radiografia de tórax) foram realizados e quais foram os achados?
- Houve história de trauma torácico, procedimentos recentes ou uso de medicações que possam causar dor torácica?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Há documentação médica suficiente para justificar afastamento temporário por dor precordial sem diagnóstico definitivo?
- Como a existência do CID R07.2 no prontuário influencia a avaliação pericial de capacidade laborativa?
- Em caso de evolução para diagnóstico específico, como e quando a mudança de CID deve ser refletida em laudos e comunicações ao empregador/instituições?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos diagnósticos para investigação de dor precordial requerem pré‑autorização segundo as regras do plano?
- O registro do CID R07.2 é aceitável para solicitação inicial de exames por parte da operadora ou a operadora exige CID específico?
- Quais prazos de carência ou restrições contratuais podem impactar cobertura de exames de alto custo solicitados após registro de dor precordial?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.