R42 — Tontura e instabilidade

  • tontura
  • instabilidade postural
  • sensação de cabeça leve
  • síncope não confirmada

O que este código significa?

O CID R42 designa a presença do sintoma “tontura e instabilidade”, isto é, relatos de sensação de vertigem, cabeça leve, oscilação ou desequilíbrio que motivam atenção clínica. É usado quando a queixa é o achado principal e não há um diagnóstico definitivo que justifique outro código (como uma doença vestibular específica). Aplica-se tanto a episódios agudos quanto a quadro subagudo ou crônico, quando a avaliação inicial não classifica o problema em diagnóstico neurológico, cardiológico ou otológico específico. Não inclui perdas de consciência documentadas por síncope de causa determinada nem diagnósticos estabelecidos como neurite vestibular, labirintite ou acidente vascular cerebral, que têm códigos próprios. Este código serve para registrar o sintoma enquanto a investigação prossegue ou quando a apresentação permanece inespecífica.


Quando este código é usado?

Usa-se R42 quando a queixa principal do paciente é tontura ou instabilidade e não há evidência suficiente para codificar uma causa específica. É apropriado em atendimentos iniciais, em registros de urgência ou em prontuários quando a investigação ainda está em curso. Não deve substituir um diagnóstico estabelecido por exames que identifiquem causa definida (por exemplo H81 para vertigem periférica).

Qual a diferença dos códigos parecidos?

R41 — Outros sintomas e sinais relativos à função cognitiva e à consciência: separar quando a alteração principal for confusão mental, desorientação ou alteração contínua do nível de consciência; R42 é síntoma vestibular/équilíbrio e não descreve déficits cognitivos persistentes.
H81 — Transtornos do equilíbrio periférico (por exemplo, vertigem posicional paroxística benigna): H81 é usado quando há diagnóstico clínico ou exame que confirma disfunção vestibular periférica com sinais específicos (nistagmo posicional, padrão típico de crise), enquanto R42 permanece para queixa inespecífica sem confirmação vestibular.
R45 — Sintomas e sinais relativos ao estado emocional: usar R45 quando a sensação de tontura está claramente associada a crise de ansiedade ou sintomas somáticos psíquicos predominantes; R42 descreve o sintoma físico principal sem predomínio de componente emocional diagnosticado.
G45/G46 (síndromes isquêmicas transitórias/AVC) — distinguir quando há déficit neurológico focal transitório ou permanente sustentado por exame ou imagem; se houver sinais neurológicos focalizados ou confirmação por imagem, codificar o evento neurológico específico em vez de R42.

O que é?

R42 é um código de síntoma que registra a ocorrência de tontura e instabilidade como queixa clínica. A tontura é uma experiência subjetiva que pode incluir sensação de rotação (vertigem), sensação de cabeça leve ou embotamento, ou perda transitória do equilíbrio. Instabilidade refere‑se à dificuldade de manter a postura ereta ou de caminhar sem oscilação.

Manifestações variam: episódios breves e paroxísticos, crises prolongadas com náusea, ou sensação crônica de desequilíbrio ao caminhar. Afeta adultos de todas as idades, com maior prevalência entre idosos, pacientes com doenças cardiovasculares, metabólicas ou distúrbios do ouvido interno, e em contextos de uso de múltiplos medicamentos.

Quais sintomas aparecem?

Principais manifestações: sensação de rotação (vertigem), cabeça leve ou tonto, sensação de instabilidade ao ficar em pé ou caminhar, náusea ou sudorese associadas, e sensação de desrealização. Sintomas que aparecem cedo incluem episódios breves de tontura ao mudar de posição e leve desequilíbrio ao caminhar. Sinais que indicam agravamento ou urgência incluem desequilíbrio progressivo ao ponto de queda, náusea intensa persistente, perda de audição súbita associada, déficit neurológico focal (fraqueza, alteração da fala, visão dupla) ou desmaio documentado; nesses casos, a investigação deve procurar causas específicas e o código pode ser substituído por diagnóstico definitivo.

O que causa?

Mecanismos possíveis incluem disfunção vestibular periférica (labirinto ou nervo vestibular), alterações circulatórias cerebrais ou cardíacas que reduzem perfusão cerebral, efeitos adversos de medicamentos, desequilíbrios metabólicos (hipoglicemia, desidratação), e distúrbios ansiosos com componente somatoforme. Na prática brasileira, causas comuns encontradas são labirintopatias de origem periférica, hipotensão ortostática em idosos e reações adversas a polifarmácia.

O sintoma é uma expressão final comum de mecanismos diferentes: problemas no ouvido interno produzem vertigem rotatória típica; problemas cardiovasculares costumam causar sensação de cabeça leve e pre‑síncope; alterações cervicais ou visuais frequentemente causam instabilidade ao caminhar.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O código R42 é sustentado pela documentação clínica da queixa principal de tontura ou instabilidade sem conclusão diagnóstica específica. A codificação deve registrar sintomas descritos pelo paciente, correlação com exame físico e ausência de dados que justifiquem um código etiológico distinto. Exames complementares podem excluir causas específicas; se um exame confirmar outra etiologia (ex.: vestibular, cardiológica, neurológica), o código deve ser substituído pelo diagnóstico correspondente.

A história clínica dirigida (duração, padrões de início, fatores desencadeantes, sintomas associados) e o exame neurológico/otoneurológico são fundamentais para determinar se permanece R42 ou se evolui para código específico.

Como costuma ser tratado?

Tratamento registrado aqui descreve o manejo do sintoma: medidas de suporte, correção de fatores precipitantes (como medicações ou desidratação) e direcionamento da investigação para a causa provável. O plano pode ser ambulatorial com reavaliação, reabilitação vestibular quando indicada e orientação sobre riscos de queda. Em episódios com sinais de alarme, o manejo inicial hospitalar é comum até obtenção de diagnóstico etiológico.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos associadas ao manejo sintomático incluem antieméticos para náusea associada, pequenas classes de agentes vestibulares em contextos específicos e ajustes de medicamentos que contribuem para tontura (por exemplo, antihipertensivos). A escolha de classe depende da causa suspeita; alterações de terapia pré‑existente podem ser consideradas pelo médico responsável.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica emergencial se a tontura vier acompanhada de fraqueza, alteração de fala ou visão, queda, desmaio, dor torácica ou sintomas neurológicos focais; nesses casos pode haver causa grave subjacente. Buscar atendimento ambulatorial quando a tontura é persistente, recorrente, limita atividades diárias ou não melhora com medidas iniciais de observação. Em idosos, qualquer nova instabilidade que aumente o risco de queda merece investigação rápida.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o paciente, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); a partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias podem ser somados para contabilizar esses primeiros 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é aplicada usando o CID indicado no atestado: é esse código que o perito utiliza para identificar se o afastamento é pelo mesmo motivo e, assim, permitir a soma dos períodos. Pouca gente sabe que a presença do CID no documento é o mecanismo prático que possibilita essa verificação.

Para que um atestado seja aceito ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento declarado, a data de emissão, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

Especificamente para R42 (tontura e instabilidade), o quadro pode apresentar-se tanto como um episódio agudo que se resolve espontaneamente quanto como uma condição intermitente ou crônica que exige investigação e acompanhamento. Nem sempre esse código implica incapacidade total para o trabalho; muitas vezes registra a queixa principal enquanto se busca uma causa etiológica. Como R42 tende a reaparecer em episódios ou a ser usado em avaliações iniciais sem diagnóstico definitivo, a regra dos 60 dias importa particularmente: atestados sucessivos com o mesmo CID podem ser acumulados para fins do período inicial pago pelo empregador e da avaliação pericial posterior.

Perguntas frequentes sobre R42

O que significa receber o código CID R42 no atestado?

CID R42 identifica a presença do sintoma "tontura e instabilidade" sem um diagnóstico definitivo. Indica que a queixa principal foi registrada enquanto a investigação clínica prossegue.

O CID R42 implica afastamento do trabalho automaticamente?

Não. A necessidade de afastamento depende do impacto funcional descrito no atestado e da avaliação pericial; R42 apenas documenta o sintoma.

Quando a tontura deve ser investigada com exames de imagem?

A investigação por imagem é considerada quando há sinais neurológicos focais, início súbito intenso, sintomas progressivos ou suspeita de causa central. A decisão cabe ao médico com base no exame.

Como distinguir tontura por ansiedade de tontura por problema vestibular?

A história clínica orienta: ansiedade costuma acompanhar crise emocional, sintomas difusos e sem sinais vestibulares objetivos; disfunção vestibular costuma associar-se a náusea, perda auditiva ou nistagmo e padrão posicional ou rotatório descrito pelo paciente.

O que devo relatar ao médico para facilitar o diagnóstico?

Informe a duração e padrão dos episódios, fatores desencadeantes (movimentos, posição), sintomas associados (náusea, perda auditiva, desmaio) e uso de medicamentos; estes detalhes orientam exames e códigos.

Se o médico encontrar uma causa específica, o CID R42 é substituído?

Sim. Quando a investigação confirma uma etiologia (por exemplo, doença vestibular, síncope cardíaca ou AVC), o código específico correspondente deve ser utilizado em lugar de R42.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (6)
  • A tontura é episódica, posicional ou contínua, e qual é a duração típica de cada episódio?
  • Há náusea, perda auditiva, zumbido ou nistagmo associado que sugiram origem vestibular periférica?
  • Há relação temporal com alterações de medicação, queda da pressão arterial ou síncope?
  • O exame neurológico mostra sinais focais que exigiriam imagem cerebral e outro código em lugar de R42?
  • Os testes vestibulares básicos ou um ECG foram realizados e quais foram os achados?
  • Existe padrão de piora ao mudar de posição que levaria a codificar vertigem posicional (H81) em vez de R42?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Quais documentos e evidências clínicas são necessários para justificar afastamento por tontura crônica em perícia?
  • Como a mudança de código de R42 para um diagnóstico específico afeta a análise de incapacidade temporária em processo pericial?
  • É suficiente o registro de R42 em prontuário para embasar pedido administrativo de licença por doença sem laudo complementar?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos diagnósticos relacionados à investigação de tontura (teste vestibular, exames de imagem) exigem autorização prévia segundo a operadora?
  • Como o uso do CID R42 na guia influencia a análise de cobertura para exames complementares por parte do plano de saúde?
  • Em casos de tontura recorrente, o plano pode solicitar documentação adicional para autorizar terapias de reabilitação vestibular?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade