S42.0 — Fratura da clavícula

  • fratura de clavícula
  • fratura do osso da clavícula
  • clavicle fracture

Em palavras simples

Receber o diagnóstico “fratura da clavícula” significa que houve uma quebra no osso que liga o peito ao ombro. Normalmente isso acontece depois de uma queda sobre o ombro, um impacto direto ou uma queda com a mão estendida; o osso pode ter se partido em um ou mais pedaços. A clavícula fica dolorida, inchada e às vezes aparece um caroço ou deformidade onde o osso se deslocou.

Você provavelmente sentirá dor aguda imediata no ombro, dificuldade para levantar o braço e sensibilidade ao tocar a região. Pode haver inchaço e hematoma (mancha roxa). Em alguns casos aparece formigamento ou sensação de fraqueza no braço se nervos ou vasos próximos forem afetados — isso merece atenção imediata. A dor costuma ser pior nos movimentos e melhora em repouso com medidas simples de suporte.

Na maioria das vezes não é uma condição que “pegue” outra pessoa; não é contagiosa. A gravidade varia: muitas fraturas são tratadas sem cirurgia e consolam em semanas a meses, enquanto fraturas muito deslocadas ou com complicações podem necessitar de procedimento cirúrgico. O tempo de recuperação depende do tipo de fratura, da idade e do tratamento adotado. Pessoas jovens e saudáveis frequentemente recuperam boa função com tratamento conservador.

O caminho comum depois do diagnóstico inclui registro do evento em urgência, radiografias para documentar a fratura e o tipo de tratamento definido pelo ortopedista. Pode haver imobilização temporária, orientações para controlar a dor e retorno para nova avaliação e radiografias de controle. Se a cirurgia for indicada, haverá avaliação pré‑operatória e planejamento com o especialista. O médico também informará sobre possíveis restrições de atividade temporárias e necessidade de fisioterapia.

Em casa, observe a evolução da dor e do inchaço, cuide para não mexer muito no braço no começo e siga as orientações de retorno. Procure ajuda se a dor aumentar de forma importante, se surgir perda de sensibilidade ou cor anormal (pálido, frio) no braço, se houver sangramento que não cessa ou sinais de infecção como febre e vermelhidão ao redor de uma ferida. Em caso de dúvida, retorne ao serviço de saúde para reavaliação.

O que este código significa?

O CID S42.0 designa fratura da clavícula: ruptura parcial ou completa do osso clavicular. Aparece tipicamente após trauma direto sobre o ombro ou queda sobre a mão estendida, causando dor imediata, deformidade e limitação do movimento do membro superior. Não inclui fraturas de estruturas vizinhas, como a extremidade proximal do úmero (S42.2) ou fraturas da escápula (S42.1), que têm localização e codificação distintas. Este código cobre tanto fraturas sem desvio óbvio quanto fraturas deslocadas, desde que o foco seja a clavícula.

Na prática brasileira, é frequente em quedas, acidentes de bicicleta e em esportes de contato; é comum em jovens e adultos ativos. A confirmação costuma vir por radiografia simples, e a descrição da posição do fragmento (medial, lateral, diástase) orienta manejo e eventual alteração de código para complicações. Complicações como lesão neurovascular, consolidação viciosa ou infecção não estão implícitas neste código e podem demandar códigos adicionais.


Quando este código é usado?

Usa‑se CID S42.0 quando o diagnóstico clínico e de imagem identifica a fratura localizada na clavícula. Serve para registrar o encontro inicial em urgência, relatórios de cirurgia quando a operação é sobre a clavícula, relatórios de acompanhamento e guias de faturamento que requiram o local primário da fratura. Não é adequado para registrar lesões simples de partes moles do ombro sem fratura, nem fraturas de ossos próximos com localização diferente.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

S42.2 — Fratura da extremidade superior do úmero: separar por topografia; S42.0 é lesão no osso clavícula, S42.2 envolve o úmero proximal com dor e deformidade no braço proximal e alterações radiográficas na cabeça/colo do úmero. S42.1 — Fratura da escápula: diferenciação por localização posterior e imagem; escápula fracturada apresenta sinal clínico de dor posterior e alterações na caixa torácica/omoplata, enquanto S42.0 é anterior-lateral sobre a clavícula. S52.5 (Fratura do rádio distal) — confusão por proximidade do ombro não se aplica; critério é o nível anatômico do fragmento pelo exame de imagem, mão/antebraço versus clavícula.

O que é?

Fratura da clavícula é a interrupção da continuidade do osso clavicular, que conecta o esterno à escápula e ajuda na sustentação do ombro. Manifesta‑se por dor intensa imediata no local, incapacidade de elevar o braço com normalidade, edema local e eventualmente deformidade visível ou abaulamento onde o osso se deslocou.

O padrão típico é dor agravada pelo movimento do ombro, sensibilidade localizada e crepitação ao toque em casos de fragmentos móveis. Afeta com maior frequência pessoas jovens e ativas por traumas diretos (quedas, colisões) e também idosos por queda de própria altura em ossos osteoporóticos.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sintomas incluem dor aguda no ombro ou na base do pescoço, inchaço e sensibilidade sobre a clavícula, dificuldade ou incapacidade de mover o braço no lado afetado e presença de deformidade visível (saliente ou abaulada). Sintomas que aparecem cedo são dor intensa e limitação funcional. Indícios de agravamento incluem dormência ou formigamento no braço (sugerindo lesão neurovascular), aumento progressivo da dor mesmo em repouso, febre ou sinais de infecção após procedimento, e persistência de dor e limitação após a fase aguda que pode indicar má consolidação.

O que causa?

O mecanismo mais comum é trauma direto sobre o ombro, como queda lateral sobre o ombro, impacto em acidentes de trânsito ou contato esportivo. Outro mecanismo frequente é queda sobre a mão estendida, transmitindo força através do membro superior até a clavícula. Em idosos, fraturas podem ocorrer com trauma de baixa energia por fragilidade óssea (osteoporose). Fraturas por esforço ou patológicas (tumor, metástase) são menos comuns; neste último caso a história clínica e exames complementares ajudam a diferenciar.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia‑se na história de trauma compatível e no exame físico com dor localizada, deformidade e limitação do movimento. A confirmação definitiva costuma ser por radiografia simples do ombro com incidência que mostre a clavícula; em casos complexos ou suspeita de extensão, tomografia computadorizada pode ser usada para avaliar fragmentos e afastamento. Para codificar S42.0 é necessário identificar a fratura na clavícula; se a imagem mostrar fratura em outro osso próximo, deve ser usado o código correspondente.

Como costuma ser tratado?

O manejo varia conforme localização, grau de deslocamento e sintomas: muitas fraturas simples são tratadas de forma conservadora com imobilização relativa e reabilitação funcional, enquanto fraturas deslocadas, com risco de não consolidação ou com lesão neurovascular podem requerer tratamento cirúrgico. O acompanhamento clínico e radiológico orienta a evolução; a decisão por cirurgia e o tipo de procedimento dependem do padrão radiográfico e da avaliação ortopédica.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Analgésicos e anti‑inflamatórios são usados para controle da dor na fase aguda; em alguns casos são considerados medicamentos adjuvantes para controlar espasmo muscular. Antibióticos não são rotineiros, exceto em fraturas expostas ou infecção comprovada. Antitrombóticos profiláticos podem ser discutidos em pacientes submetidos a cirurgia ou com imobilização prolongada, conforme avaliação clínica.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação urgente quando houver dor intensa após trauma, deformidade visível, incapacidade de movimentar o braço, sinais de perda de sensibilidade, palidez, frio ou fraqueza no braço (possível lesão neurovascular) ou sangramento/ferida aberta sobre o local. Busque retorno médico se a dor aumentar progressivamente, surgirem sinais de infecção (vermelhidão, calor, febre) após procedimento ou se não houver melhora funcional nas primeiras semanas conforme orientação clínica.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, quem paga o salário nos primeiros 15 dias de afastamento é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3º). A partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo apresentados dentro de 60 dias se somam para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias depende do CID: é o código indicado no atestado que o perito utiliza para verificar se o motivo é o mesmo, por isso a presença do CID no documento tem impacto prático na soma dos períodos e é um detalhe que muita gente desconhece.

Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data de emissão, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado só ocorre com anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos atestados para os 15 dias não pode ser verificada.

No caso do CID S42.0 (fratura da clavícula) trata‑se tipicamente de um quadro agudo relacionado a trauma, que costuma demandar imobilização, acompanhamento clínico e avaliação radiológica. Esse diagnóstico pode levar a incapacidade temporária para os gestos que exigem elevação ou carga do membro superior, o que torna plausível a necessidade de afastamento enquanto houver limitação funcional, e também pode requerer seguimento e eventual intervenção ortopédica. Quando houver múltiplos atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro do período de 60 dias, essa regra é relevante para somar os afastamentos e definir se o empregador ou o INSS será o responsável pelo pagamento.

Perguntas frequentes sobre S42.0

O que significa o código CID S42.0 no meu atestado?

Indica que o diagnóstico registrado é fratura da clavícula, ou seja, ruptura do osso clavicular confirmada por avaliação clínica e imagem. Esse código descreve a localização principal da lesão e é usado em documentos médicos e guias.

Quanto tempo vou ficar afastado do trabalho com uma fratura da clavícula?

A duração do afastamento varia com o grau de deslocamento, tratamento (conservador ou cirúrgico) e exigência do trabalho; o médico que acompanha registra no atestado a estimativa e eventuais revisões conforme a evolução clínica.

Preciso me preocupar com contágio ou risco para outras pessoas?

Não; fratura da clavícula não é contagiosa. A preocupação é com dor, mobilidade e possíveis complicações locais, não com transmissão.

Que exames preciso fazer além da radiografia inicial?

Radiografia é geralmente suficiente; tomografia pode ser solicitada para avaliar fragmentos e planejamento cirúrgico. Exames vasculares ou neurológicos são indicados apenas se houver sinais clínicos específicos.

Como diferenciar esta fratura de uma do úmero proximal (S42.2)?

A diferenciação depende da topografia na imagem: S42.0 envolve a clavícula (linha entre esterno e escápula), já S42.2 mostra fratura na cabeça ou colo do úmero, com dor e alteração mais centrada no braço proximal.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual a posição exata dos fragmentos na radiografia e há desvio significativo que justifique osteossíntese?
  • Há comprometimento neurovascular associado que exija intervenção imediata?
  • Existe fratura exposta ou lesão concomitante (escápula, úmero proximal) que mude o plano terapêutico?
  • Qual o tempo esperado até consolidação radiográfica com o tratamento proposto?
  • Houve história de lesão por baixa energia em idoso sugerindo fragilidade óssea que demande investigação adicional?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • O episódio foi caracterizado como acidente de trabalho e há comunicação e CAT registradas?
  • Qual é a estimativa de duração do afastamento e quais documentos médicos comprovam a limitação funcional?
  • Existem sequelas permanentes previstas que possam fundamentar pedido de indenização ou aposentadoria por invalidez?
  • Foram registradas condutas e tratamentos que possam influenciar a responsabilidade civil (atraso diagnóstico, falha terapêutica)?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • O plano autoriza imagens adicionais (TC) para avaliação pré‑operatória e qual justificativa clínica deve constar?
  • Qual cobertura há para hardware de osteossíntese e cirurgia em caso de fratura deslocada segundo a carteirinha e contrato vigente?
  • Existem períodos de carência ou restrições contratuais para procedimentos ortopédicos após trauma?
  • Quais exames pré‑operatórios o plano costuma exigir para liberar internação cirúrgica?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Códigos relacionados

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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