Y28 — Contato com objeto cortante ou penetrante, intenção não determinada

O que este código significa?

O CID Y28 descreve episódios em que uma pessoa teve contato com objeto cortante ou penetrante e não há informação suficiente para determinar se foi acidente, agressão ou autolesão. Aplica‑se a ferimentos por lâmina, vidro, agulha ou similar quando a intenção é indeterminada nos registros. Não inclui casos claramente acidentais (capítulo V–W) nem aqueles comprovadamente intencionais (capítulo X–Y intencional). É um código de causa externa, usado para classificar o contexto do evento, não um diagnóstico clínico específico.


Quando este código é usado?

O código é usado quando se registra uma lesão por objeto cortante ou penetrante e fontes disponíveis — relato do paciente, testemunhas, prontuário, perícia ou boletim — não permitem classificar o evento como acidental, intencional (autoagressão) ou agressão por terceiros. Serve para fins estatísticos, vigilância e codificação administrativa quando a intenção permanece indeterminada mesmo após avaliação inicial.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

W25 — Contato com vidro cortante: W25 é aplicado quando há evidência de evento acidental envolvendo vidro ou similar; Y28 distingue-se por ausência de informação sobre intenção, enquanto W25 requer caracterização como acidente.

X78 — Lesão intencional por objeto cortante: X78 é usado quando há indicação de autolesão intencional; Y28 só se usa se a intenção não puder ser estabelecida, portanto presença de indícios de intenção autoagressiva contraindica Y28.

T14.90 — Lesão não especificada, sem localização: T14.90 descreve a lesão em si quando a região ou natureza é imprecisa; Y28 refere especificamente à causa externa (contato cortante/penetrante) com intenção indeterminada, podendo coexistir com códigos T para a lesão.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Quanto à remuneração e perícia, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e pode exigir perícia. A regra sobre atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias determina que esses atestados se somam para efeito do cômputo dos primeiros 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Na prática, o CID constante no atestado é o critério que o perito usa para saber se os afastamentos têm a mesma causa — ou seja, é o motivo prático pelo qual o código aparece e possibilita a soma prevista na regra dos 60 dias, informação que costuma ser pouco conhecida.

Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, detalhar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada.

Especificamente para Y28 — contato com objeto cortante ou penetrante, intenção não determinada — trata‑se tipicamente de um quadro agudo relacionado a um evento externo, registrado como causa externa e não como um diagnóstico clínico crônico. Esse código costuma representar episódios isolados que podem resultar em incapacidade temporária de trabalho dependendo da lesão, ou simplesmente acompanhamento e registro quando não há incapacidade funcional. Como episódios semelhantes podem ocorrer repetidamente e a intenção é indeterminada nos registros, a regra dos 60 dias é especialmente relevante para verificar se atestados sucessivos referem‑se ao mesmo problema e, assim, permitir a soma prevista na legislação.

Perguntas frequentes sobre Y28

O que significa receber o código CID Y28 no meu prontuário?

Significa que houve contato com um objeto cortante ou penetrante e que, com as informações disponíveis, não foi possível determinar se o evento foi acidental, agressão ou autolesão. O código refere‑se à causa externa e não descreve apenas o tipo de lesão.

O CID Y28 indica que minha situação é gravíssima ou contagiosa?

Não. Y28 descreve o contexto do evento (intenção indeterminada). A gravidade e o risco de infecção dependem da extensão e profundidade da lesão, avaliadas clinicamente, não pelo código em si.

Posso usar o registro com CID Y28 para justificar afastamento do trabalho?

O código registra a incerteza sobre a intenção do evento; decisões sobre afastamento dependem de avaliação clínica, atestados médicos e regras do empregador ou da previdência, não do código isolado.

Qual a diferença entre CID Y28 e X78 ou W25 no meu prontuário?

X78 é usado quando há indicação de autolesão intencional por objeto cortante; W25 é aplicado quando o evento é claramente acidental envolvendo objeto cortante. Y28 é reservado quando a intenção não pôde ser estabelecida.

O que pode levar à mudança do código Y28 para outro mais específico?

Informação adicional obtida posteriormente — depoimentos, laudo pericial, boletim de ocorrência ou documentação complementar — que permita classificar o evento como acidente, agressão ou autolesão pode justificar recodificação para o código correspondente.

Preciso fazer exames adicionais por causa do CID Y28?

O acompanhamento e exames dependem da lesão em si; o código não prescreve exames, mas documentação clínica e exames de imagem ou laboratoriais podem ser solicitados para avaliar extensão e complicações.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Houve registro policial ou boletim de ocorrência descrevendo o evento e as circunstâncias?
  • Existem testemunhas documentadas cujos relatos podem esclarecer a intenção do contato?
  • O uso de Y28 pode afetar a instrução de processos trabalhistas ou civis relacionados ao episódio?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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