V01-Y98 — Capítulo XX – Causas externas de morbidade e de mortalidade
- Causas externas
- Lesões por causas externas
- Traumatismos, envenenamentos e fatores suplementares
O que este código significa?
Este capítulo reúne todas as causas externas de morbidade e mortalidade: acidentes de transporte (V01-V99, com blocos como V01-V09 pedestre, V20-V29 motociclista, V40-V49 ocupante de automóvel), quedas (W00-W19), envenenamentos acidentais (X40-X49) e outras causas externas (W00-X59). Inclui ainda eventos intencionais e de intenção indeterminada (X60-X84, X85-Y09, Y10-Y34) e fatores suplementares ligados a causas externas (Y90-Y98). A maioria das páginas filhas descreve o tipo de evento, o veículo ou agente envolvido e a intenção, não uma doença clínica isolada.
Quando se usa um código deste grupo?
Você chega aqui quando a busca ou a classificação recai sobre um evento externo em vez de uma doença interna. Para selecionar o código correto, avance para o bloco que descreve o tipo de acidente (transporte, queda, envenenamento, afogamento etc.), escolha o subtipo conforme posição da vítima ou veículo e, finalmente, especifique intenção e local do evento.
Com que grupos este se confunde?
Confusão com V40-V49 — critério: posição da vítima no acidente; use V01-V09 quando a pessoa era pedestre atingida e V40-V49 quando era ocupante de um automóvel.
Confusão com V20-V29 — critério: tipo de veículo; distinga motociclista (V20-V29) de ocupante de triciclo motorizado (V30-V39) pela categoria do veículo informado.
Confusão com X40-X49 — critério: mecanismo do dano; escolha V01-V99 quando se trata de acidente de transporte e X40-X49 quando o evento é envenenamento ou intoxicação por substância.
Como este grupo aparece em atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
No Brasil, há regras legais sobre quem paga e quando o INSS passa a exigir perícia: até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e exige perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A aplicação da regra dos 60 dias depende do CID que consta no atestado: é o código que o perito usa para verificar se os atestados se referem à mesma doença ou motivo, ou seja, o CID é a razão prática pela qual a soma é verificada — um ponto que muitas pessoas desconhecem.
Para que um atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter a data, a assinatura e o CRM do médico. O CID só pode constar com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
Este capítulo (V01-Y98) reúne causas externas — eventos agudos como acidentes, quedas, envenenamentos e fatores suplementares relacionados a eventos externos. Não se trata de uma doença crônica única, mas de um registro da causa externa do evento; muitos casos são quadros agudos que podem gerar incapacidade temporária dependendo da gravidade, enquanto outros se limitam a acompanhamento e registro. Como os eventos podem levar a múltiplos atestados relacionados ao mesmo episódio ou a episódios repetidos, a regra dos 60 dias costuma ser particularmente relevante aqui para somar períodos emitidos pelo mesmo CID.
Que direitos este código envolve?
O enquadramento jurídico para eventos deste capítulo depende do reconhecimento de incapacidade, nexo causal e da natureza do acidente. Benefícios previdenciários (auxílio-doença, aposentadoria por invalidez) e indenizações são definidos por perícia administrativa ou judicial conforme legislação aplicável e listas oficiais de incapacidade; nenhum código do capítulo garante automaticamente benefício sem avaliação pericial.
Acidentes reconhecidos como ocorridos no trabalho seguem regras trabalhistas e previdenciárias específicas, com obrigação de comunicação ao empregador (CAT) e possibilidade de indenização civil dependendo das circunstâncias. Questões sobre responsabilização civil, seguro e reconhecimento de acidente do trabalho costumam exigir provas documentais e laudos técnicos em processos administrativos ou judiciais.
Perguntas frequentes sobre V01-Y98
Quando devo usar V01-V09 em vez de V40-V49?
Use V01-V09 quando a vítima era pedestre atingida; use V40-V49 quando a vítima era ocupante de um automóvel, escolhendo o código mais específico conforme tipo de colisão e lesões.
Qual bloco cobre lesões de motociclistas?
Lesões de motociclistas estão em V20-V29; selecione o código segundo o papel da vítima e o mecanismo do acidente dentro desse bloco.
Como proceder em caso de envenenamento acidental?
Envenenamentos e intoxicações acidentais são classificados em X40-X49; verifique agente implicado e circunstâncias para optar pelo código preciso.
O atestado deve trazer o CID e mais informações sobre o evento?
Atestados e laudos relativos a causas externas normalmente trazem o CID e descrição do evento; perícias podem exigir prontuários, exames, laudo de imagem e boletim de ocorrência se relevantes.
Códigos relacionados
- V01-V09 Pedestre traumatizado em um acidente de transporte
- V01-V99 Acidentes de transporte
- V01-X59 Acidentes
- V10-V19 Ciclista traumatizado em um acidente de transporte
- V20-V29 Motociclista traumatizado em um acidente de transporte
- V30-V39 Ocupante de triciclo motorizado traumatizado em um acidente de transporte
- V40-V49 Ocupante de um automóvel traumatizado em um acidente de transporte
- V50-V59 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em um acidente de transporte
- V60-V69 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em um acidente de transporte
- V70-V79 Ocupante de um ônibus traumatizado em um acidente de transporte
- V80-V89 Outros acidentes de transporte terrestre
- V90-V94 Acidentes de transporte por água
- V95-V97 Acidentes de transporte aéreo e espacial
- V98-V99 Outros acidentes de transporte e os não especificados
- W00-W19 Quedas
- W00-X59 Outras causas externas de traumatismos acidentais
- W20-W49 Exposição a forças mecânicas inanimadas
- W50-W64 Exposição a forças mecânicas animadas
- W65-W74 Afogamento e submersão acidentais
- W75-W84 Outros riscos acidentais à respiração
- W85-W99 Exposição à corrente elétrica, à radiação e às temperaturas e pressões extremas do ambiente
- X00-X09 Exposição à fumaça, ao fogo e às chamas
- X10-X19 Contato com uma fonte de calor ou com substâncias quentes
- X20-X29 Contato com animais e plantas venenosos
- X30-X39 Exposição às forças da natureza
- X40-X49 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição à substâncias nocivas
- X50-X57 Excesso de esforços, viagens e privações
- X58-X59 Exposição acidental a outros fatores e aos não especificados
- X60-X84 Lesões autoprovocadas intencionalmente
- X85-Y09 Agressões
- Y10-Y34 Eventos (fatos) cuja intenção é indeterminada
- Y35-Y36 Intervenções legais e operações de guerra
- Y40-Y59 Efeitos adversos de drogas, medicamentos e substâncias biológicas usadas com finalidade terapêutica
- Y40-Y84 Complicações de assistência médica e cirúrgica
- Y60-Y69 Acidentes ocorridos em pacientes durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos
- Y70-Y82 Incidentes adversos durante atos diagnósticos ou terapêuticos associados ao uso de dispositivos (aparelhos) médicos
- Y83-Y84 Reação anormal em paciente ou complicação tardia causadas por procedimentos cirúrgicos e outros procedimentos médicos sem menção de acidente ao tempo do procedimento
- Y85-Y89 Seqüelas de causas externas de morbidade e de mortalidade
- Y90-Y98 Fatores suplementares relacionados com as causas de morbidade e de mortalidade classificados em outra parte
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco V01-Y98
- OMS — ICD-10, versão 2019 (V01-Y98)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.