CIDs Med
E00–E90 · Capítulo IV · Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
  • triglicerídeos altos
  • hipertrigliceridemia isolada

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de dislipidemia (colesterol alto): todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

O código CID E78.1 significa que seus exames mostraram predominância de triglicerídeos elevados no sangue. Em palavras simples: é quando a gordura que chamamos de triglicerídeos está mais alta do que o esperado, e isso foi considerado o problema principal pelo médico ou pelo laboratório. Nem sempre isso vem acompanhado de aumento do colesterol; por isso recebeu esse código específico.

Muitas pessoas com esse resultado não sentem nada no início — não há dor ou sinal óbvio — e o achado aparece num exame de rotina. Quando há sintomas, costumam ser relacionados a outras condições que andam juntas, como cansaço por problemas metabólicos, aumento de peso, ou sinais digestivos se houver complicações. Em episódios mais graves a pessoa pode ter dor forte na barriga, náusea ou vômito, o que exige procura imediata por atendimento.

Isso não é uma doença contagiosa. Em geral é uma condição metabólica que pode ser crônica ou voltar ao longo do tempo, dependendo da causa e do controle dos fatores de risco. A gravidade varia: para muita gente é um problema de saúde a ser acompanhado; em outros casos, especialmente quando há predisposição genética ou causas secundárias não tratadas, o risco de complicações aumenta.

Depois do diagnóstico é comum que o médico peça repetição de exames, avalie glicemia, função do fígado e outras causas que aumentam os triglicerídeos, além de discutir dieta, peso, álcool e medicamentos. O retorno pode ser ambulatorial para revisar exames e ajustar medidas. A necessidade de afastamento do trabalho depende do quadro concreto: a maioria dos casos é acompanhada sem incapacidade prolongada, mas situações agudas ou complicadas podem requerer afastamento.

Em casa, observe sinais de piora: dor abdominal intensa, vômito persistente, febre ou alterações da consciência exigem procura imediata de serviço de urgência. Monitore também fatores que você já conhece, como glicemia se for diabético, peso e consumo de álcool. Anote medicamentos e suplementos que toma, pois alguns podem influenciar os triglicerídeos.

Converse com seu médico sobre metas e sobre quando repetir exames. Se tiver histórico familiar de problemas lipídicos ou episódios precoces de doenças cardíacas na família, informe isso, pois pode alterar a conduta. Guardar resultados e atestados pode facilitar conversas futuras com empregador ou com o perito do INSS caso seja preciso justificar afastamentos.

O que este código significa?

O CID E78.1 designa a hipergliceridemia pura, isto é, elevação predominante dos triglicerídeos no sangue sem predomínio de alteração isolada do colesterol. Aparece quando os exames laboratoriais mostram triglicerídeos persistentemente elevados e outras causas secundárias foram investigadas. Não inclui quadros em que o colesterol é o componente principal (por exemplo E78.0) nem lipidemias mistas com elevação simultânea marcada de colesterol e triglicerídeos (E78.2). Este código cobre tanto formas secundárias — associadas a dieta, obesidade, álcool, diabetes mal controlada ou medicamentos — quanto formas primárias hereditárias quando identificadas.

Quando este código é usado?

Use E78.1 quando o laudo laboratorial indicar elevação isolada e persistente dos triglicerídeos, após avaliação clínica e exclusão ou registro das causas secundárias relevantes. Emprega-se para codificar o diagnóstico principal quando o problema lipídico predominante no quadro do paciente são os triglicerídeos elevados e não há predominância de hipercolesterolemia ou lipidemia mista.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

E78.0 — Hipercolesterolemia pura: separa-se por predomínio do colesterol LDL alto; se a alteração predominante for colesterol e não triglicerídeos, use E78.0. E78.2 — Hiperlipidemia mista: aplica-se quando tanto colesterol quanto triglicerídeos estão elevados de forma clínica e laboratorial; se ambos forem manifestamente alterados, o código correto tende a ser E78.2. E78.5 — Hiperlipidemia não especificada: usado quando o registro laboratorial é insuficiente ou a descrição clínica não permite especificar se o problema é triglicerídeos ou colesterol; prefira E78.1 quando houver dados laboratoriais que mostrem elevação isolada de triglicerídeos.

O que é?

Hipergliceridemia pura é uma alteração do metabolismo das gorduras em que os triglicerídeos no sangue estão aumentados de forma predominante. Manifesta-se geralmente sem sintomas nos estágios iniciais; o diagnóstico costuma ser laboratorial, por meio de painel lipídico, e ocorre com maior frequência em pessoas com excesso de peso, consumo excessivo de álcool, diabetes mal controlada, resistência insulínica ou uso de certos medicamentos.

Quando sintomas ocorrem, eles costumam relacionar-se a complicações da doença metabólica subjacente ou a episódios agudos extremos, como dor abdominal intensa quando há risco de pancreatite. Em muitos casos é uma condição crônica que requer acompanhamento e avaliação de fatores de risco cardiovasculares associados.

Quais sintomas aparecem?

Na maioria dos casos a hipergliceridemia pura é assintomática e descoberta em exame de rotina. Sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como cansaço ou sensação de mal-estar relacionada às condições associadas (por exemplo, diabetes ou síndrome metabólica). Sinais de agravamento incluem episódios de dor abdominal intensa, náusea e vômito, que podem indicar pancreatite associada a triglicerídeos muito elevados. Achados cutâneos específicos são menos frequentes do que em algumas formas hereditárias severas, mas depósitos lipídicos (xantomas) podem aparecer em quadros crônicos ou familiares.

O que causa?

Mecanismos incluem produção excessiva de triglicerídeos pelo fígado, redução da sua depuração pela lipoproteína lipase e aumento da oferta de ácidos graxos livres ao fígado. No Brasil, as causas secundárias mais frequentes na prática são excesso calórico e obesidade, consumo de álcool, diabetes mal controlada e uso de medicamentos que alteram o metabolismo lipídico. Formas primárias hereditárias existem, decorrentes de defeitos genéticos na via do metabolismo dos triglicerídeos, e devem ser suspeitadas em pacientes jovens com níveis muito elevados ou história familiar sugestiva.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico que sustenta E78.1 baseia-se em exames laboratoriais demonstrando elevação predominante dos triglicerídeos, normalmente confirmada em amostras repetidas e interpretada à luz do quadro clínico e de fatores secundários. É importante a investigação de causas secundárias — glicemia, função hepática, função renal, consumo de álcool e medicamentos — e, quando indicado, a avaliação familiar para formas hereditárias. A diferenciação de códigos vizinhos depende da predominância laboratorial entre triglicerídeos e colesterol.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma combinar mudanças no estilo de vida — redução de consumo calórico e de álcool, controle do peso e prática regular de atividade física — com tratamento farmacológico quando necessário. O objetivo é reduzir os níveis de triglicerídeos e o risco de complicações associadas, além de controlar fatores de risco cardiovasculares conviventes. O esquema terapêutico e a duração do tratamento dependem da causa, da resposta laboratorial e do risco individual do paciente.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos usadas para reduzir triglicerídeos incluem fibratos, ácidos graxos ômega-3 de prescrição, e, em alguns cenários, agentes que também atuam sobre outros lipídios; a escolha depende do perfil do paciente, das comorbidades e da resposta às medidas não farmacológicas.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica imediata se surgir dor abdominal intensa, náusea com vômito persistente, febre, confusão mental ou dificuldade respiratória, pois podem indicar pancreatite ou outra emergência. Procurar retorno ambulatorial se houver piora do perfil lipídico apesar das mudanças de estilo de vida, ou se surgirem novos sintomas que sugiram complicações metabólicas ou cardiovasculares.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o paciente e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento, o empregador é quem paga o salário; do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. A verificação dos 60 dias é feita pelo perito usando o CID do atestado para saber se a doença indicada é a mesma, por isso o código inserido no atestado tem impacto prático nessa contagem.

Para que um atestado seja aceito deve constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. O CID só deve entrar no atestado com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigação, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.

Especificamente para E78.1, trata‑se normalmente de uma condição crônica ou recorrente de caráter metabólico que raramente causa incapacidade aguda para o trabalho por si só; costuma exigir acompanhamento e registro clínico e laboratorial. Como é uma alteração frequentemente sem sintomas graves imediatos, afastamentos prolongados não são a regra, mas pode haver necessidade de atestado quando situações agudas associadas (por exemplo, complicações metabólicas) ocorram.

Quando o quadro é recorrente ou faz parte de um conjunto de doenças metabólicas, a regra dos 60 dias importa porque atestados sucessivos pelo mesmo CID permitem ao perito somar períodos curtos de afastamento e avaliar continuidade do problema. A presença do código E78.1 no atestado ajuda a documentar que os afastamentos se referem ao mesmo transtorno lipídico e facilita a análise pericial.

Perguntas frequentes sobre E78.1

O que exatamente o CID E78.1 indica no meu atestado?

Indica que o problema dominante nos seus exames foi a elevação dos triglicerídeos; é um rótulo que descreve este padrão laboratorial e não uma previsão de gravidade ou duração.

Preciso me afastar do trabalho por ter E78.1?

Nem sempre; muitos casos são acompanhados sem incapacidade. O afastamento depende do quadro clínico concreto e da avaliação médica que examinou você.

O CID E78.1 pode significar que vou ter pancreatite?

O código em si não significa que a pancreatite está presente, mas níveis muito elevados de triglicerídeos podem aumentar esse risco; sinais como dor abdominal intensa exigem avaliação imediata.

Como é confirmado que é hipergliceridemia pura e não outro código?

Pela predominância laboratorial de triglicerídeos elevados em repetição e pela exclusão ou registro de causas secundárias; se o colesterol for o componente predominante, outro código seria mais adequado.

O atestado com CID E78.1 conta para os 60 dias do INSS?

Sim; atestados pelo mesmo motivo e com o mesmo CID dentro do período de 60 dias são considerados na soma para efeitos de apuração dos primeiros 15 dias pagos pelo empregador e da perícia a partir do 16º dia.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O afastamento por E78.1 pode fundamentar pedido de auxílio-doença em situação de incapacidade temporária?
  • Como é contabilizado o tempo de atestados sucessivos com o mesmo CID para fins de perícia do INSS?
  • Pode a recusa do empregador em aceitar atestados com CID por não haver sintomas visíveis ser contestada em perícia?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano pode exigir documentação adicional para autorizar exames relacionados ao controle de triglicerídeos?
  • Em casos de tratamento farmacológico para triglicerídeos altos, que critérios a operadora costuma exigir para cobertura?
  • Se for solicitada terapia específica, quais justificativas clínicas o plano pode pedir além do CID?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.