F02 — Demência em outras doenças classificadas em outra parte

  • demência secundária a doença sistêmica
  • comprometimento cognitivo orgânico secundário

Em palavras simples

Receber o código CID F02 significa que o seu comprometimento da memória e de outras funções cognitivas foi considerado consequência direta de outra doença que você já tem ou já teve. Em vez de ser classificado como Alzheimer ou demência sem causa definida, o quadro é visto como secundário a uma condição médica ou neurológica identificável. Isso ajuda a explicar por que os sintomas apareceram e pode orientar a investigação e o manejo.

O que você provavelmente percebeu é dificuldade para lembrar eventos recentes, nome de pessoas, problemas para seguir receitas ou organizar atividades que antes fazia com facilidade. Pode haver também lentidão no raciocínio, dificuldade de encontrar palavras e mudanças no comportamento, como apatia ou irritabilidade. Muitas vezes há sinais extras, por exemplo tremor, dificuldade de andar ou sintomas que já pertenciam à doença primária.

Isso não significa necessariamente que é contagioso; demência por causas médicas não passa entre pessoas. A gravidade varia muito: em alguns casos a evolução é lenta, em outros o declínio pode ser mais rápido, dependendo da condição que provoca a demência. Em geral, espera‑se acompanhamento e monitoração, não uma resolução imediata, e o tempo de evolução depende da causa subjacente.

O caminho que vem a seguir costuma incluir exames de imagem e laboratoriais para documentar a relação entre a doença primária e a demência, avaliações cognitivas formais para medir o impacto e consultas de seguimento para ajustar cuidados. Profissionais de diferentes áreas — neurologia, geriatria, psiquiatria e reabilitação — podem participar do cuidado. Em alguns casos pode ser necessário afastamento do trabalho ou adaptações nas tarefas, dependendo da perda de autonomia.

Em casa, observe se há piora na memória, dificuldade crescente para realizar atividades diárias, novas quedas, febre, confusão aguda ou variação do nível de consciência; nesses casos procure ajuda imediata. Para problemas que evoluem mais devagar, agende retorno com o médico responsável para reavaliação, atualização dos exames e planejamento dos cuidados. Anote exemplos concretos do que está sendo esquecido e mudanças de comportamento para levar nas consultas.

Ter esse código é, acima de tudo, uma forma de comunicar que a perda cognitiva está ligada a outra doença conhecida; isso ajuda a focar a investigação e o suporte. Conversar com a equipe de saúde sobre o que esperar, o que pode ser feito para manter a autonomia e quais adaptações são necessárias costuma ser o próximo passo prático.

O que este código significa?

O CID F02 designa quadros de demência que são consequência direta de outra doença primária classificada em outro capítulo da CID. Aparece quando há declínio da memória e de outras funções cognitivas que podem ser atribuídos a uma condição médica ou neurológica identificável fora dos transtornos mentais primários. Não inclui a demência por doença de Alzheimer (F00), demência vascular isolada (F01) ou demência não especificada (F03). Este código é usado quando a causa principal está listada em outra parte da CID e a demência é um aspecto estabelecido dessa condição.


Quando este código é usado?

Usa-se F02 quando a perda cognitiva global e a alteração funcional são consequência direta de uma condição médica ou neurológica documentada, como doença de Parkinson, doença de Huntington, infecções crônicas, distúrbios endócrinos ou efeitos tóxicos. O código acompanha e especifica que a demência é secundária, não primária, à condição listada em outro capítulo da CID.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F00 (Demência na doença de Alzheimer) — se a demência cumpre critérios clínicos e/ou laboratoriais típicos de Alzheimer sem outra causa primária evidente, usar F00; F02 só vale se outra doença primária explicar a demência. F01 (Demência vascular) — quando o quadro é dominado por múltiplos eventos isquêmicos e déficits neurológicos focalizados correspondentes, usar F01; F02 é escolhido quando a demência se deve principalmente a uma doença não vascular. F03 — F03 é para casos em que não há causa identificada após avaliação; se há uma condição causal documentada em outro capítulo, usar F02.

O que é?

Demência em outras doenças classificadas em outra parte (F02) descreve um comprometimento cognitivo adquirido e progressivo que decorre de uma doença primária localizada em outro capítulo da CID, por exemplo transtornos do movimento, doenças metabólicas ou infecções crônicas. Manifesta-se por perda de memória, alteração do raciocínio, linguagem, capacidade executiva e dificuldades na realização das atividades diárias, sempre com evidência de que a condição médica primária pode explicar esses déficits.

Costuma afetar adultos e idosos, com padrão variando conforme a doença de base: em algumas condições o início é mais rápido e ligado a eventos agudos; em outras a progressão é lenta e insidiosa. A presença de sinais e sintomas extras‑cognitivos (por exemplo tremor, sinais extrapiramidais, alterações sensoriais) muitas vezes orienta para a causa subjacente.

Quais sintomas aparecem?

Principais sintomas incluem perda de memória episódica e nova aprendizagem prejudicadas, diminuição do julgamento e resolução de problemas, alterações na linguagem como dificuldade de encontrar palavras e redução da atenção. Manifestações precoces podem ser esquecimentos pontuais, confusão em tarefas complexas e lentidão do pensamento. Sinais que indicam agravamento são perda progressiva da autonomia para atividades instrumentais e básicas (banho, alimentação), comportamento desinibido ou apatia marcante, delírios persistentes ou variação rápida do nível de consciência associados à condição de base.

O que causa?

Mecanismos envolvem dano neuronal direto, perda sináptica, processos inflamatórios, isquemia ou efeitos tóxicos/metabólicos produzidos pela doença primária. No Brasil, causas comuns na prática incluem doenças neurodegenerativas secundárias (por exemplo, demência associada ao Parkinson), complicações de infecções crônicas, alterações metabólicas não controladas e sequelas de traumatismo craniano; cada etiologia tem padrão clínico e evolução próprios.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de F02 apoia‑se na identificação de déficit cognitivo e declínio funcional que se relacionam cronologicamente e fisiopatologicamente a uma doença primária já diagnosticada em outro capítulo da CID. A confirmação envolve história clínica detalhada, evidência de uma condição médica plausível que explique o quadro, documentação de comprometimento cognitivo por exame neurológico e escalas cognitivas, e exclusão de outras causas primárias de demência. A mudança para outro código ocorre se a avaliação revelar uma demência primária ou outra etiologia predominante.

Como costuma ser tratado?

O tratamento de um quadro classificado como F02 concentra‑se em manejar a doença de base que causa a demência, controlar fatores agravantes e oferecer suporte multidisciplinar. Intervenções podem ser ambulatoriais ou hospitalares dependendo da gravidade da condição associada; reabilitação cognitiva, cuidados com a segurança e estratégias para preservar a funcionalidade são componentes frequentes do manejo.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes medicamentosas usadas no contexto incluem agentes para controlar a condição primária (por exemplo antiparkinsonianos, antimicrobianos, hormonioterápicos), medicamentos para tratar sintomas comportamentais e psicóticos quando presentes, e terapias sintomáticas que visam aspectos cognitivos e comorbidades. A escolha depende da etiologia subjacente e da tolerabilidade individual.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica quando houver declínio persistente da memória ou das capacidades diárias, aparecimento de confusão nova, alterações de comportamento ou sinais neurológicos suplementares. Buscar atendimento com urgência se houver flutuação aguda do nível de consciência, febre associada a confusão, queda brusca da função ou incapacidade de se alimentar ou cuidar de si mesmo.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o paciente e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, os períodos de afastamento funcionam assim: até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são considerados em conjunto para contar esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). A regra dos 60 dias é aplicada pelo perito a partir do CID registrado no atestado: é o código que o perito usa para identificar se os episódios têm a mesma causa, e essa é a razão prática pela qual o CID aparece no documento.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa conter identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e o número do CRM do médico. O registro do CID só deve constar com anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS ou pelo perito.

No caso de F02 (Demência em outras doenças classificadas em outra parte), trata‑se tipicamente de uma condição associada a uma doença primária, frequentemente de curso crônico ou progressivo, em que a perda de funções cognitivas e a redução da autonomia podem estar presentes em maior ou menor grau conforme a doença de base. Esse quadro pode levar a incapacidade para o trabalho em alguns pacientes, dependerá da gravidade e do impacto funcional avaliados pelo médico e pela perícia. Como a demência descrita por F02 costuma estar relacionada a uma condição subjacente que pode reiterar solicitações de afastamento pelo mesmo diagnóstico, a regra dos 60 dias tem relevância prática maior: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem que períodos curtos sejam somados para efeitos do limite de 15 dias pago pelo empregador antes da transferência ao INSS.

Perguntas frequentes sobre F02

O que exatamente significa ter o código CID F02?

Significa que a demência foi atribuída a uma outra doença conhecida, ou seja, o comprometimento cognitivo é secundário a uma condição médica identificada. Isso orienta a investigação e o manejo para a causa subjacente.

Esse código indica que a condição é contagiosa?

Não; demência secundária é resultado de uma doença individual e não é transmissível entre pessoas. A atenção é na doença de base e nos cuidados ao paciente.

Quais exames costumam ser solicitados após receber esse diagnóstico?

Geralmente são pedidos exames de imagem cerebral e avaliações laboratoriais para confirmar a relação com a doença primária, além de testes neuropsicológicos para medir o déficit cognitivo.

Posso pedir atestado ou afastamento com esse código?

A emissão de atestado e decisão sobre afastamento dependem da avaliação do impacto funcional e da documentação clínica; a necessidade é avaliada caso a caso em perícia ou pelo empregador.

Qual a diferença entre CID F02 e CID F00?

F00 é específica para demência na doença de Alzheimer quando essa é a causa primária; F02 é usada quando outra doença, não Alzheimer, é a causa principal da demência.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há documentação clínica e cronologia que comprovem que a demência é consequente à doença primária listada?
  • Quais testes neuropsicológicos e imagens foram usados para quantificar o déficit cognitivo e a correlação anatômica?
  • Existem sinais neurológicos focais ou extrapiramidais que orientem para a etiologia primária e poderiam alterar o código?
  • Houve investigação para causas potencialmente reversíveis ou contribuintes (metabólicas, infecciosas, tóxicas)?
  • Qual é a evolução esperada e quais critérios fariam migrar o diagnóstico para F00, F01 ou F03?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Qual documentação pericial é necessária para comprovar incapacidade por demência secundária em processos de previdência?
  • Como a coexistência da doença primária e da demência influencia avaliação de incapacidade laboral e temporalidade do benefício?
  • Que evidências clínicas e exames são mais valorizados em perícia para sustentar relação causal entre a doença primária e a demência?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos e exames diagnósticos relacionados à investigação de demência secundária exigem autorização prévia do plano?
  • O plano exige documentação específica para reconhecer a demência como secundária a outra doença e autorizar terapias de suporte?
  • Que justificativas clínicas o plano costuma solicitar para a cobertura de reabilitação cognitiva e terapias multidisciplinares?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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