F04 — Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas

  • amnésia global anterógrada
  • síndrome amnésica orgânica não relacionada a substâncias

O CID F04 designa a síndrome amnésica de origem orgânica que não é causada por álcool nem por outras substâncias psicoativas. Trata-se de perda significativa da memória recente, com preservação relativa de atenção e linguagem, e sem critérios para demência generalizada. Aparece por lesão, doença ou disfunção cerebral identificável, como hipoperfusão, lesão hipocampal, trauma ou efeitos de medicamentos não classificados como abuso. Não inclui quadros por intoxicação aguda por álcool ou drogas, nem as demências classificadas em F00F03.


Em palavras simples

Este código significa que você apresenta uma síndrome em que a perda de memória é o sintoma central e existe uma causa orgânica suspeita ou comprovada, mas ela não foi atribuída ao consumo de álcool ou de outras drogas. Em termos simples: a memória para acontecimentos recentes está prejudicada, enquanto lembranças antigas e outras habilidades podem continuar relativamente preservadas.

É provável que você note esquecer conversas recentes, repetir perguntas, ter dificuldade para aprender rotinas novas ou para lembrar compromissos do dia a dia. Algumas pessoas também comentam sensação de confusão leve sobre datas ou horários. O que acompanha com frequência são cansaço maior por causa do esforço para lembrar e, às vezes, frustração ou ansiedade por esquecer.

Quanto à gravidade e ao tempo, isso varia muito conforme a causa. Em alguns casos, se a lesão que causou a amnésia for reversível (por exemplo, após tratamento de infecção, correção de problema vascular ou recuperação de falta de oxigênio), pode haver melhora parcial ou total ao longo de semanas a meses. Em outras situações a amnésia pode persistir por mais tempo ou tornar‑se uma limitação crônica.

Normalmente o próximo passo é investigar com exames de imagem do cérebro e uma avaliação neuropsicológica que mostra o padrão de perda de memória. O médico também pode pedir exames de sangue e, quando necessário, exames para infecções ou alterações metabólicas. O retorno e o acompanhamento servem para monitorar recuperação, ajustar tratamentos e orientar estratégias de apoio e reabilitação.

Em casa, observe se há piora súbita da memória, episódios novos de confusão que venham com fraqueza, queda, alteração na fala ou convulsões — nesses casos é recomendável procurar atendimento emergencial. Se notar progressão lenta dos esquecimentos que começa a impedir cuidar de tarefas básicas, informe o médico para avaliar suporte e possíveis adaptações.

Quando usar este código

Usa-se este código quando há uma síndrome amnésica claramente atribuível a uma causa orgânica diagnosticada ou fortemente suspeita e quando não se trata de demência difusa nem de transtorno induzido por substâncias. O diagnóstico aplica-se quando a perda de memória é o sintoma dominante e padrões cognitivos como atenção e linguagem permanecem relativamente preservados. Se houver evolução para quadro demencial ou se a causa for intoxicação por álcool/drogas, outro código é mais apropriado.

Não confunda com

F02 (Demência em outras doenças classificadas em outra parte) — separa-se porque F02 exige comprometimento cognitivo múltiplo e impacto funcional difuso relacionados a uma doença sistêmica específica, enquanto F04 é predominância de amnésia isolada sem demência global.

F05 (Delirium não induzido pelo álcool ou por outras substâncias) — distingue-se porque delirium apresenta alteração do nível de consciência e atenção fluctuante; F04 tem atenção relativamente preservada e sintoma central é a amnésia, não confusão aguda.

F06 (Outros transtornos mentais devidos a lesão e disfunção cerebral e a doença física) — difere porque F06 é categoria ampla para alterações afetivas, psicóticas ou comportamentais secundárias; F04 é específico para distúrbio amnésico predominante sem outras manifestações mentais principais.

O que é

Síndrome amnésica orgânica é um quadro neurológico em que a perda de memória, principalmente da formação de novas memórias (amnésia anterógrada), é a queixa principal. A pessoa pode lembrar de eventos antigos, mas tem dificuldade para aprender ou reter informações recentes; a linguagem, a atenção sustentada e outras funções cognitivas podem estar relativamente preservadas, dependendo da causa.

Ocorre em consequência de lesão ou disfunção de estruturas cerebrais envolvidas na memória, especialmente o hipocampo e as conexões temporo‑mamilares, por causas como isquemia, trauma, lesões focais, infecção, convulsões ou danos iatrogênicos. Idosos com eventos vasculares ou pacientes após parada cardiorrespiratória são grupos frequentemente envolvidos na prática brasileira.

Sintomas

Sintomas principais: perda da memória recente (dificuldade em lembrar eventos ocorridos minutos ou horas antes), repetição de perguntas, falha em aprender novas rotinas e esquecimentos de compromissos recentes. Sintomas que surgem cedo: desorientação temporal leve, esquecimentos explícitos e dificuldade em fixar novas informações.

Sinais de agravamento: progressiva incapacidade funcional por acúmulo de esquecimentos, confabulação frequente, perda de memórias remotas ou associação de sintomas cognitivos adicionais (alteração de linguagem, julgamento ou funcionamento diário) que sugerem evolução para demência ou outro transtorno orgânico mais amplo.

Causas

Mecanismos incluem lesão direta de centros de memória (ex.: hipocampo), interrupção das vias de conexão medial temporais, hipóxia/hipoperfusão cerebral, processos inflamatórios/infecciosos do sistema nervoso central, e lesões traumáticas focais. Em muitos casos vistos no Brasil, episódios isquêmicos (acidentes isquêmicos transitórios ou infartos em território hipocampal/mesial temporal) e anóxia pós‑ressuscitação são causas predominantes.

Outras causas relevantes são encefalites, crises epilépticas que afetam o lobo temporal, lesões cirúrgicas ou tumorais que acometem estruturas de memória, e alterações metabólicas prolongadas que geram dano estrutural.

Como é diagnosticado

O código F04 é sustentado quando há evidência clínica de amnésia orgânica isolada ou predominante e achados complementares que indicam lesão ou disfunção cerebral responsável. O diagnóstico baseia‑se na história detalhada (início, evolução, fatores precipitantes), exame neurológico que exclui delírio e demência generalizada, e exames de imagem que mostram lesão compatível ou exames que demonstrem hipóxia/isquemia, infecção ou lesão focal.

Exames neuropsicológicos que demonstram padrão de amnésia anterógrada com preservação de outras funções ajudam a confirmar o caráter predominantemente amnésico do quadro e a diferenciar de demência e de transtornos dissociativos.

Como costuma ser tratado

O manejo depende da causa orgânica identificada: aborda‑se a lesão primária (ex.: revascularização, controle de infecção, correção de distúrbios metabólicos) e implementam‑se medidas de reabilitação cognitiva e estratégias de compensação memoriais. O tratamento pode ser ambulatorial ou requerer internamento dependendo da gravidade e da etiologia subjacente. A evolução varia conforme a reversibilidade da lesão; em alguns casos há recuperação parcial, em outros a amnésia persiste.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos usadas na prática para as causas associadas incluem agentes antiepilépticos quando há crise epiléptica com comprometimento temporal, antimicrobianos específicos para encefalites infecciosas e terapias vasculares/antitrombóticas quando há etiologia isquêmica. Em alguns contextos, agentes que visam sintomas neuropsiquiátricos concomitantes (ansiedade, agitação) podem ser usados com cautela; a escolha depende da causa e do quadro clínico.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação imediata em perda súbita de memória, episódios de confusão associada a alteração do nível de consciência, fraqueza focal, queda ou sinais neurológicos agudos, porque podem indicar evento vascular ou outra emergência. Buscar atendimento em prazo curto se a memória piora progressivamente, se há nova desorientação ou se surgem sintomas comportamentais que comprometem a segurança.

Uso em atestado

Atestados e laudos devem descrever a natureza predominante do comprometimento (amnésia anterógrada), o achado etiológico conhecido ou investigado e a duração estimada da incapacidade funcional. Para perícias, registre exames que sustentam o diagnóstico e evolução temporal; se houver incerteza diagnóstica, explique a previsão de reavaliação. Não declarar incapacidade definitiva sem evidência de irreversibilidade.

Perguntas frequentes sobre F04

O que exatamente significa ter o código CID F04 no meu prontuário?

Significa que houve identificação de uma síndrome em que a amnésia é o sintoma principal e existe uma causa orgânica provável, sem relação com álcool ou outras substâncias. Indica necessidade de investigação e acompanhamento.

Esse quadro é contagioso para a família ou colegas?

Não. Transtornos amnésicos de origem orgânica não são transmissíveis; porém algumas causas infectocontagiosas subjacentes podem ter riscos específicos, que precisam de confirmação por exames.

Vou precisar de afastamento do trabalho automaticamente?

A necessidade de afastamento depende do impacto funcional e da avaliação médica ou pericial; o CID registra o diagnóstico, mas decisões sobre atestado e benefício são feitas com base na incapacidade demonstrada.

Quais exames são esperados depois de receber esse diagnóstico?

Geralmente exames de imagem cerebral (TC/RM) e avaliação neuropsicológica são solicitados para caracterizar a lesão e o padrão de memória. Exames laboratoriais ajudam a buscar causas reversíveis.

Como diferenciar esse código de demência inicial?

A diferença está no predomínio da amnésia isolada sem comprometimento global das atividades e sem evidência de declínio progressivo de múltiplos domínios cognitivos, o que justificaria codificação em F00–F03.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando e quais achados de imagem confirmariam que a amnésia é de origem estrutural e justificam codificar F04?
  • Qual é o padrão neuropsicológico que diferencia amnésia orgânica isolada (F04) de demência inicial (F03) ou transtorno cognitivo maior?
  • Em quanto tempo de evolução os sinais de memória passam a sugerir transição para demência, exigindo recodificação do diagnóstico?
  • Que sinais clínicos ou laboratoriais exigem investigar etiologias potencialmente reversíveis (ex.: hipóxia, infecção, epilepsia) antes de atribuir F04?
  • Quando episódios epilépticos temporais justificam registrar F04 em vez de F06.4 (transtorno amnésico pós‑epiléptico)?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Que documentação e exames são aceitos em perícia para comprovar incapacidade funcional por síndrome amnésica orgânica?
  • Como a permanência ou reversibilidade da amnésia é avaliada em processos de concessão de benefícios por incapacidade?
  • Em caso de retorno ao trabalho, quais adaptações funcionais costumam ser consideradas nas perícias para portadores de amnésia orgânica?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais exames e relatórios médicos o plano costuma exigir para autorizar reabilitação cognitiva ou intervenção neurológica para síndrome amnésica?
  • A operadora costuma solicitar justificativas adicionais para internação quando o diagnóstico principal informado é F04?
  • Que documentação deve acompanhar pedidos de procedimentos diagnósticos (RM, neuropsicologia) relacionados a CID F04 para reduzir negativas?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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