F05.0 — Delirium não superposto a uma demência, assim descrito
- delirium não associado à demência
- estado confusional agudo sem demência
O CID F05.0 designa um quadro de delirium (estado confusional agudo) que não está superposto a uma demência prévia. Trata-se de início súbito ou em horas/dias, com flutuação da atenção, consciência e pensamento. Inclui sinais como desorientação, alteração do ciclo sono-vigília, inquietação ou letargia e percepção distorcida. Não inclui delirium quando há evidência de demência preexistente proeminente (que seria F05.1) ou quando a causa é claramente substância psicoativa. É usado quando a clínica aponta para delirium isolado ou por causa aguda reconhecível sem demência crônica significativa.
Em palavras simples
O código CID F05.0 indica que você teve um episódio de delirium, ou estado confusional agudo, que não parece ser explicável por uma demência crônica preexistente. Em linguagem simples: é uma mudança rápida no jeito de pensar e se comportar, que apareceu em horas ou dias, e que afetou a atenção, a consciência e a capacidade de seguir uma conversa.
Quem tem delirium costuma perceber ou apresentar confusão, dificuldade de prestar atenção, esquecimentos repentinos e desorientação no tempo ou no lugar. Pode haver agitação, fala desconexa, sonolência exagerada ou distúrbios do sono, como dormir de dia e ficar acordado de noite. Também são comuns as percepções estranhas, como ouvir ou ver coisas que não existem.
O delirium por si só não é uma doença crônica: costuma ser um sinal de que algo agudo está acontecendo no corpo — infecção, desarranjo de eletrólitos, reação a remédio ou efeito do pós‑operatório. Muitas vezes melhora quando a causa é tratada; a duração varia de horas a dias ou, em casos mais graves, semanas. Não é ‘pegajoso’ — não é uma infecção contagiosa por definição —, mas a causa pode ser.
Depois do diagnóstico, é comum que sejam feitos exames de sangue, urina, imagens ou outros testes para encontrar a causa e orientar o tratamento. Pode ser necessário ficar no hospital para monitorização. O médico também vai registrar como estava a memória e o funcionamento antes do episódio, para confirmar que não havia demência significativa.
Em casa, observar se a pessoa recupera atenção e orientação, se volta ao sono habitual e se consegue comer e beber sem problema. Procure ajuda imediatamente se a confusão voltar, houver queda da consciência, febre alta, respiração difícil, convulsões ou incapacidade de se alimentar ou beber. Faça uma lista de medicamentos que a pessoa usa para mostrar ao profissional, pois remédios podem desencadear ou agravar o quadro.
O objetivo da equipe é tratar a causa, manter a pessoa segura e ajudar na recuperação cognitiva. A presença do código no registro significa que o quadro foi identificado como delirium agudo sem evidência de demência prévia, e que serão necessárias avaliações e acompanhamento até a melhora.
Quando usar este código
Usa-se este código quando um paciente apresenta um estado confusional agudo com redução da atenção, consciência e alteração cognitiva que se desenvolve rapidamente e não há evidência de demência pré-existente que explique o quadro. Aplica-se quando a clínica e a anamnese indicam causa aguda (infecção, descompensação metabólica, medicação) e a avaliação pré-mórbida não revela declínio cognitivo crônico dominante.
Este código é específico para delirium não induzido por álcool ou outras substâncias psicoativas e para casos sem superposição com demência conhecida; se houver demência preexistente com piora aguda, o código correto é F05.1.
Não confunda com
F05.1 — Delirium superposto a uma demência: separa-se por história ou documentação de declínio cognitivo crônico prévio consistente com demência; se há demência pré-existente que contribui substancialmente, usar F05.1 em vez de F05.0.
F05.8 — Outro delirium: aplica-se quando o delirium tem causa ou apresentação atípica não coberta por F05.0; use F05.8 para subtipos descritos especificamente ou quando a codificação necessita especificar outra variante.
F05.9 — Delirium não especificado: usado quando a documentação clínica é insuficiente para confirmar que não há demência pré-existente; se a anamnese não permite excluir demência, evitar F05.0 e considerar F05.9.
O que é
Delirium é um transtorno neuropsiquiátrico de início agudo caracterizado por alteração da atenção, consciência e processamento cognitivo, com curso variável ao longo de horas ou dias. No caso do código F05.0, o delirium ocorre sem superposição de uma demência pré-existente que explique o quadro, e não é causado primariamente por álcool ou outras substâncias psicoativas.
Manifesta-se por confusão, desorientação, dificuldade de manter ou mudar foco de atenção, alterações do sono e percepções anormais (alucinações ou ilusões). Frequentemente aparece em idosos hospitalizados, mas pode ocorrer em qualquer idade diante de infecções, distúrbios metabólicos, privação sensorial, dor intensa ou efeitos adversos de medicamentos.
Sintomas
Principais sinais: redução da atenção e vigilância, desorientação no tempo e espaço, pensamento desorganizado e alteração do ciclo sono‑vigília. Sintomas que aparecem cedo incluem inquietação, sonolência excessiva ou agitação súbita e dificuldade em manter conversa coerente. Sinais de agravamento são flutuação pronunciada do nível de consciência, confusão que impede realização de cuidados básicos, comportamento agressivo ou apatia profunda e incapacidade para reconhecimento de familiares.
Causas
Mecanismos envolvidos incluem disfunção global da atividade cerebral devido a inflamação sistêmica, alterações metabólicas, hipóxia, desequilíbrio eletrolítico e efeitos neurotóxicos de fármacos. No Brasil, causas comuns na prática são infecções (sepses, pneumonia, infecções urinárias), descompensações metabólicas (hipo/hiperglicemia, insuficiência renal/hepática), pós‑operatório de grande porte e reações a medicamentos prescritos ou descontinuados abruptamente.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de F05.0 baseia-se em história de início agudo e flutuante, exame clínico demonstrando alteração de atenção e consciência e exclusão de demência pré‑existente como causa dominante. Escalas padronizadas (por exemplo, testes de atenção e confusão mental) e documentação da função cognitiva basal ajudam a confirmar que não há demência subjacente. Excluir intoxicação por substâncias e causas estruturais por meio de avaliação clínica e exames complementares é parte importante da confirmação.
Como costuma ser tratado
O manejo é voltado para identificação e correção da causa desencadeante, otimização de ambiente e cuidados de suporte. Intervenções envolvem reavaliação de medicamentos, correção de distúrbios metabólicos e tratamento de infecção quando presente. O cuidado inclui medidas não farmacológicas para orientar o paciente, suporte de sono e segurança; o tratamento pode ser hospitalar ou em unidade especializada conforme gravidade e causa subjacente.
Classes de medicamentos
Classes farmacológicas frequentemente consideradas no manejo incluem antipsicóticos para controle de sintomas comportamentais agudos em ambiente supervisionado, sedativos com cautela em casos hipercinéticos, e medicamentos para tratar causas específicas (antibióticos para infecção, corretores eletrolíticos). A escolha depende da situação clínica e do balanço entre benefício e risco; a prescrição deve ser individualizada e monitorada.
Quando procurar ajuda
Procurar ajuda imediata se a pessoa apresentar início súbito de confusão, redução da consciência, comportamento agressivo, queda na capacidade de alimentação/hidratação ou sinais de queixas agudas (febre alta, respiração comprometida, convulsões). Em contexto ambulatorial, buscar avaliação urgente quando a confusão é nova, persiste ou piora ao longo de horas/dias. Em ambiente hospitalar, comunicar a equipe diante de qualquer alteração mental aguda.
Uso em atestado
Para atestados médicos, documentar data e hora de início do quadro, sinais e exames que suportam o diagnóstico de delirium sem demência prévia, medidas tomadas e necessidade de acompanhamento ou internação. Indicar se houve risco para autocuidado ou necessidade de restrições temporárias; a justificativa clínica deve constar de forma detalhada na documentação.
Direitos e benefícios
Pacientes com delirium podem ter limitação temporária para tomada de decisões; quando houver incapacidade de consentir, a legislação prevê representação por procurador ou familiar conforme as normas vigentes. Questões sobre afastamento do trabalho, benefícios ou perícia devem considerar duração prevista do quadro e laudo médico detalhado; direitos dependem de avaliação pericial e das regras do empregador ou seguradora.
Perguntas frequentes sobre F05.0
O CID F05.0 significa que tenho demência?
Não; F05.0 indica um delirium agudo sem evidência de demência pré‑existente. Se houver demência conhecida, o código correto costuma ser F05.1.
Quanto tempo dura um delirium registrado como F05.0?
A duração varia conforme a causa; muitos casos melhoram em dias a semanas após correção do fator desencadeante, mas a recuperação pode ser mais lenta em idosos ou casos graves.
Preciso de atestado para justificar afastamento do trabalho por este diagnóstico?
O atestado médico deve descrever a condição, necessidade de cuidados ou internação e o período estimado; decisões sobre afastamento dependem de perícia e regras do empregador.
O código implica risco de contágio para a família?
O delirium é uma síndrome clínica, não uma doença contagiosa por si só; a causa subjacente (por exemplo, infecção) pode ter risco de contágio dependendo do agente.
Quais exames ajudam a diferenciar delirium de demência?
Comparar função cognitiva atual com documentação prévia, testes de atenção e avaliações clínicas junto com exames laboratoriais e de imagem ajudam a distinguir delirium (início agudo e flutuante) da demência (declínio crônico progressivo).
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual é a evidência documentada de função cognitiva basal que permite excluir demência pré‑existente neste paciente?
- Que exames laboratoriais e de imagem são prioritários para identificar causas reversíveis no contexto clínico atual?
- Em quanto tempo de estabilidade clínica e resolução dos sinais o diagnóstico deveria ser reavaliado ou recodificado para F05.1 ou F05.9?
- Quais medicações atuais do paciente podem ter contribuído para o delirium e como documentar sua suspensão ou ajuste corretamente?
- Quando o EEG é necessário para distinguir delirium de estados epilépticos não convulsivos neste caso?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Que documentação médica e temporal é exigida em perícia para comprovar incapacidade temporária por delirium sem demência prévia?
- Como se registra a eventual perda temporária de capacidade de trabalho sem que haja identificação prévia de doença crônica?
- Quais elementos do prontuário apoiam pedido de estabilidade para vínculo empregatício durante internação por delirium?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Que justificativas clínicas e laudos devem acompanhar pedido de internação por delirium agudo em envio à operadora?
- Quais procedimentos ou exames são comumente questionados pela operadora em delirium agudo e requerem justificativa adicional?
- Até que ponto a descrição da causa desencadeante (por ex., infecção) deve constar na guia para evitar negativa por falta de clareza?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.