F05.1 — Delirium superposto a uma demência
- delirium em demência
- crise delirante sobre demência
O CID F05.1 designa delirium que ocorre em alguém com diagnóstico prévio de demência. Caracteriza-se por início agudo e curso fluctante de alterações na atenção, consciência e cognição, sobrepostas ao declínio cognitivo crônico. Aparece frequentemente durante doenças agudas, infecções, internações ou como reação a medicações. Não inclui confusão crônica sem piora aguda nem delírios persistentes atribuíveis apenas à demência. Este código é usado quando há evidência de um episódio delirante distinto em pessoa com demência.
Em palavras simples
Este código, CID F05.1, significa que houve um episódio de confusão aguda que apareceu sobre uma demência já existente. Em outras palavras, além do problema de memória ou raciocínio que a pessoa já tinha, surgiu uma piora súbita: a atenção ficou muito comprometida, a pessoa ficou desorientada e com comportamento diferente do habitual.
Você ou seu familiar provavelmente percebeu que a pessoa não estava conseguindo prestar atenção, estava muito sonolenta ou, ao contrário, agitada e com ideias estranhas. Pode haver fala confusa, ver coisas que não existem (alucinações) ou perder a noção de tempo e lugar. O sono costuma ficar muito alterado, com sono durante o dia e confusão à noite.
Isso costuma ocorrer em situações de doença aguda: infecção, desidratação, efeitos de remédios ou após uma internação. Não é uma “piora normal” da demência; trata‑se de um quadro novo que requer investigação. Nem sempre é contagioso. A gravidade varia: alguns episódios são curtos (dias) e resolvem quando a causa é tratada; outros são mais prolongados e podem deixar piora residual.
O que vem a seguir normalmente é uma avaliação médica para procurar a causa (exames de sangue, urina, às vezes imagem) e ajustes de medicações. Pode haver necessidade de internação quando a pessoa não come, está muito desorientada ou corre risco de queda. O médico pode pedir observação por alguns dias e marcar retorno para reavaliar a recuperação.
Em casa, observe se a confusão melhora ou piora: piora da sonolência, agitação incontrolável, febre alta, incapacidade de se alimentar ou sinais de queda são motivos para procurar atendimento urgente. Registre quando os sintomas começaram e relacione com novos remédios, infecções ou mudanças recentes, pois essa informação costuma acelerar o diagnóstico. Mantenha um ambiente calmo, com iluminação adequada e presença de alguém conhecido para reduzir a ansiedade, e leve a lista de medicamentos ao atendimento.
Quando usar este código
Use quando uma pessoa com demência documentada apresenta alteração aguda e flutuante do estado mental, com prejuízo grave de atenção e orientação, claramente diferente do padrão crônico. Não use quando a alteração cognitiva é progressiva e contínua sem componente agudo ou quando a etiologia é exclusivamente intoxicação por substância (ver códigos F05 pai e subcategorias relacionadas).
Não confunda com
F05.0 — Delirium não superposto a uma demência: separa-se por ausência de demência prévia; se não há histórico de declínio cognitivo crônico, usar F05.0.
F01.x (Demência vascular) — Critério que separa: quando a alteração é contínua e evolutiva por doença neurológica vascular sem componente agudo e flutuante, documenta-se demência, não delirium superposto.
F03 — Critério que separa: F03 descreve demência sem episódio delirante agudo; se há piora aguda e episódica sobre esse quadro, usar F05.1.
F10.4 (Delirium por álcool) — Critério que separa: se intoxicação ou abstinência por álcool é principal causa do delirium, usar o código específico por substância em vez de F05.1.
O que é
Delirium superposto a uma demência é um distúrbio agudo da consciência e atenção que surge em alguém com declínio cognitivo pré-existente. Manifesta-se por confusão marcante, desorientação, distração, alterações do ciclo sono-vigília e, por vezes, movimentos agitados ou lentificação psicomotora.
O episódio é tipicamente de início rápido (horas a dias) e com flutuação ao longo do dia, ao contrário da demência isolada, cuja perda cognitiva é progressiva e estável. Pessoas idosas com múltiplas comorbidades e internadas são as mais afetadas.
Sintomas
Principais sintomas: diminuição da atenção e capacidade de manter foco, confusão e desorientação, flutuação do nível de consciência, alterações no sono e percepção (alucinações visuais ou ilusões).
Sintomas precoces: perda de atenção, inquietação, sono fragmentado e fala incoerente. Sinais de agravamento: piora da vigilância com sonolência excessiva ou agitação extrema, delírios persistentes, incapacidade de alimentar-se ou cooperar com cuidados, e sinais de causa orgânica subjacente (febre, queda da pressão, desidratação).
Causas
Mecanismos: interação entre uma base cerebral fragilizada pela demência e precipitantes agudos que alteram a homeostase cerebral. Inflamação sistêmica, infecções (respiratória, urinária), desidratação, distúrbios metabólicos, alterações renais ou hepáticas, hipóxia e reações adversas a medicamentos são causas frequentes.
No Brasil, os precipitares mais comuns na prática são infecções (pneumonia, infecção urinária), efeitos de polimedicação e intercorrências durante hospitalização, incluindo procedimentos e mudanças de ambiente.
Como é diagnosticado
O diagnóstico apoia-se na identificação de um início agudo e curso flutuante de alteração da atenção e consciência em paciente com demência pré-existente. Confirma-se pela correlação clínica: histórico, exame neurológico e avaliação cognitiva focal na atenção; exclusão de causas alternativas e investigação de precipitantes.
Documentos que sustentam este código incluem relatos de familiares sobre mudança rápida, registros de internação demonstrando flutuação, e avaliações que diferenciem declínio crônico da piora aguda.
Como costuma ser tratado
Tratamento envolve identificar e corrigir precipitantes (infecção, desidratação, distúrbios metabólicos), otimizar ambiente e apoio à atenção, e manejo sintomático quando necessário. Em muitos casos, cuidados gerais e ajuste de medicações levam à resolução parcial ou total do episódio.
Classes de medicamentos
Classes medicamentosas usadas no manejo incluem antipsicóticos em quadro de agitação grave que ameaça segurança, sedativos com cautela e agentes para tratar causas subjacentes (antibióticos, fluidoterapia, correção eletrolítica). A escolha depende do estado clínico, com cautela em idosos com demência devido a efeitos adversos.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação médica imediata se houver início súbito de confusão, sonolência marcada, agitação incontrolável, febre alta, dificuldade para respirar, desidratação ou sinais neurológicos focais. Em pessoa com demência, qualquer alteração aguda do comportamento ou alerta justifica investigação rápida.
Uso em atestado
Para atestados e laudos, registrar diagnóstico principal, data de início do episódio, gravidade e relação com demência prévia; descrever limitações funcionais temporárias e necessidade de cuidados. Indicar se houve internação e duração estimada do afastamento quando solicitado pela avaliação clínica.
Direitos e benefícios
Pessoas com delirium superposto a demência têm os mesmos direitos legais relacionados à incapacidade temporária e proteção de saúde; decisões sobre afastamento, curatela ou representação devem basear-se em documentação clínica e perícia. A legislação previdenciária e trabalhista exige avaliação pericial para concessão de benefícios.
Perguntas frequentes sobre F05.1
O que significa receber o código CID F05.1 no laudo?
Significa que houve um episódio agudo de delirium em alguém que já tinha demência; descreve piora súbita e flutuante da confusão sobre a base demencial.
Esse quadro é contagioso para familiares?
Não é uma condição contagiosa por si; muitas causas são infecções tratáveis, mas o delirium em si é uma reação cerebral aguda e não uma doença transmissível.
Quanto tempo costuma durar um episódio descrito por CID F05.1?
A duração varia conforme a causa e a rapidez do tratamento; pode resolver em dias ou se estender por semanas, e em alguns casos deixar piora residual.
O que é necessário para documentar o diagnóstico em atestado ou laudo?
Relato de início agudo e flutuação, evidência de demência prévia, descrição de sinais de alteração da atenção e resultados de exames que sustentem fatores precipitantes.
Em que casos esse código muda para outro diagnóstico?
Muda se a investigação revelar intoxicação por substância específica (usar código por substância) ou se não houver componente agudo e flutuante, quando passa a ser classificada como demência isolada.
O recebimento deste código indica necessidade de afastamento do trabalho?
Pode indicar limitação temporária, mas a decisão sobre afastamento depende da avaliação clínica, da gravidade do episódio e da perícia médica do empregador ou previdência.