F07.0 — Transtorno orgânico da personalidade

  • alteração da personalidade por lesão cerebral
  • personalidade orgânica

O CID F07.0 designa alterações duradouras da personalidade e do comportamento atribuídas a lesão, doença ou disfunção do cérebro. Surge quando traços de personalidade, controle emocional, julgamento social ou impulsividade mudam de modo sustentado após dano cerebral. Não inclui distúrbios primários psiquiátricos sem evidência de comprometimento cerebral orgânico agudo ou crônico, nem são aqui categorizadas síndromes pós-encefalíticas ou pós-traumáticas específicas (outros códigos do grupo F07). Este código serve quando a alteração da personalidade é a manifestação clínica predominante e pode coexistir com déficits neurológicos.


Em palavras simples

Receber a classificação “transtorno orgânico da personalidade” significa que houve uma mudança duradoura no modo como você age, sente e se relaciona com os outros e que essa mudança está associada a uma lesão, doença ou disfunção no cérebro. Não é uma crítica do seu caráter: é uma descrição médica de alterações observadas depois de um problema cerebral.

Você pode perceber que se irrita mais, toma decisões impulsivas, perde a iniciativa ou se desinibe em situações sociais. Também é comum sentir apatia, ter menos interesse por atividades de antes ou apresentar dificuldades para controlar emoções. Essas alterações costumam acompanhar outros sinais neurológicos, como cansaço extremo, problemas de memória ou dificuldades para planejar tarefas.

Esse quadro não significa que seja contagioso. A gravidade varia muito: alguns têm mudanças leves que melhoram com reabilitação, outros apresentam impacto maior na vida social e no trabalho. A duração depende da causa e da extensão do dano cerebral; algumas alterações podem persistir por meses ou anos e podem exigir acompanhamento prolongado.

O próximo passo costuma ser investigação com exames de imagem e avaliações cognitivas para entender onde e quanto o cérebro foi afetado. Retornos periódicos com neurologista e equipe de reabilitação ajudam a planejar terapias que visam recuperar funções e reduzir comportamentos de risco. Em alguns casos é necessário afastamento do trabalho temporário ou ajustes nas atividades, dependendo do impacto funcional.

Em casa, observe aumento da irritabilidade, perda de autocuidado, impulsos que coloquem em risco você ou outras pessoas, ou piora da memória e da orientação; nesses casos procure atendimento. Se houver comportamento violento, confusão aguda ou sinais neurológicos novos (fraqueza, fala alterada), busque ajuda imediata. Leve sempre informações sobre o evento que causou o dano cerebral e os laudos já realizados para as consultas de seguimento.

Quando usar este código

Usa-se este código quando a alteração da personalidade é clinicamente relevante, persistente e atribuída a lesão, doença ou disfunção cerebral documentada ou fortemente suspeita, sem predomínio de quadro psicótico primário ou transtorno de personalidade desenvolvido independentemente do dano cerebral.

Não confunda com

F07.1 (Síndrome pós-encefalítica) — separa-se por história e evidência de encefalite com início subagudo e sequência típica de alteração cognitiva e de personalidade; F07.1 é aplicado quando há quadro pós-encefalítico bem caracterizado enquanto F07.0 descreve a alteração de personalidade orgânica sem classificação específica da causa infecciosa aguda.

F07.2 (Síndrome pós-traumática) — distingue-se pela relação direta e temporal com traumatismo cranioencefálico documentado e por sinais neurológicos pós-trauma; use F07.2 quando o quadro for consequência direta de trauma, e F07.0 quando a origem é outra lesão ou disfunção cerebral.

F07.8 (Outros transtornos orgânicos da personalidade e do comportamento…) — aplica-se quando o quadro não se encaixa em categorias específicas; F07.8 é reservado para apresentações atípicas ou mistas, enquanto F07.0 é indicado quando o problema principal é alteração da personalidade identificável e predominante.

O que é

Transtorno orgânico da personalidade é uma condição em que aspectos centrais do modo de ser de uma pessoa — como controle emocional, empatia, autocontrole, críticas ao próprio comportamento e julgamentos sociais — mudam de maneira persistente por causa de lesão, doença ou disfunção do cérebro. Essas mudanças são atribuídas a um dano estrutural ou funcional cerebral e surgem em contexto temporal compatível com a causa orgânica.

Manifestações frequentes incluem irritabilidade aumentada, impulsividade, apatia ou desinibição, perda de iniciativa e alterações nas relações interpessoais. Costuma ocorrer em adultos após eventos como AVC, infecção cerebral, lesão traumática ou doenças neurodegenerativas; a apresentação e a intensidade variam conforme a localização e extensão do acometimento cerebral.

Sintomas

Principais sintomas incluem mudança de traços de personalidade previamente estáveis, aumento da impulsividade, desinibição social, apatia ou perda de iniciativa, irritabilidade ou agressividade desproporcional e julgamento social prejudicado. Sintomas que surgem cedo podem ser irritabilidade, diminuição da tolerância e mudanças no humor. Sinais que indicam agravamento são aumento da agressividade, perda progressiva da capacidade de autocuidado, declínio cognitivo associado (memória e orientação) e isolamento social crescente.

Causas

Mecanismos envolvem dano direto ao tecido cerebral, disrupção de redes frontais e límbicas responsáveis pelo controle emocional e comportamento social, e perda de neurotransmissão adequada. Na prática brasileira as causas mais comuns incluem acidentes vasculares cerebrais (AVC) que comprometem áreas frontais, traumatismo cranioencefálico moderado a grave e encefalites; doenças neurodegenerativas e lesões tumorais também são causas relevantes. A localização frontal e sua conexão com estruturas límbicas explicam por que alterações de personalidade são predominantes.

Como é diagnosticado

O diagnóstico baseia-se em história clínica detalhada com relato de mudança estável da personalidade após evento neurológico, exame neurológico e psiquiátrico que confirmem alteração do comportamento, e investigação que demonstre lesão ou disfunção cerebral compatível por imagens ou outros exames. Para codificar F07.0 é necessário que a alteração de personalidade seja o quadro predominante e haja correlação temporal e causal plausível com condição neurológica; excluir transtornos primários de personalidade requer avaliação longitudinal e informações prévias sobre a personalidade do paciente.

Como costuma ser tratado

O manejo é multidisciplinar e centrado em reabilitação neuropsicológica, suporte psicossocial, estratégias de reabilitação cognitiva e intervenções para controle de comportamentos de risco. Tratamento sintomático é orientado por especialista; muitas vezes o acompanhamento é ambulatorial com envolvimento de família e cuidadores. Em alguns casos intervenções específicas da causa subjacente (cirúrgicas, infecciosas ou metabólicas) são necessárias antes do enfoque na reabilitação comportamental.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos usadas para manejar sintomas incluem agentes que modulam humor e impulsividade, além de fármacos para tratar ansiedade, agitação ou sintomas concomitantes; a escolha depende do perfil sintomático e da avaliação neurológica e psiquiátrica. A indicação farmacológica é individualizada e determinada pelo especialista que acompanha o caso.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação especializada quando houver mudança persistente e perceptível na personalidade após doença ou lesão cerebral, quando surgirem comportamentos de risco (agressividade, impulsividade que põe em risco o paciente ou outros) ou perda de capacidade de autocuidado. Buscar atendimento urgente se houver comportamento violento, confusão aguda, agravamento cognitivo rápido ou sintomas neurológicos novos como fraqueza ou déficit focal.

Uso em atestado

Em atestados e laudos descreva a alteração observada, relação temporal com a lesão ou doença cerebral e impacto funcional sobre atividades de vida diária e trabalho. Especificar avaliações complementares que respaldam a conclusão clínica e a necessidade de acompanhamento ou reabilitação ajuda na análise pericial.

Perguntas frequentes sobre F07.0

O que significa receber o CID F07.0 em um atestado?

Indica que houve mudança persistente da personalidade atribuída a lesão ou disfunção cerebral, e que isso foi reconhecido por quem emitiu o documento. O laudo deve explicar a relação com o evento neurológico e o impacto funcional.

Esse transtorno é contagioso para família ou colegas?

Não; trata-se de uma alteração individual relacionada ao cérebro da pessoa afetada, não há risco de contágio.

Preciso fazer exames específicos para confirmar o diagnóstico?

Sim; investigações como neuroimagem e avaliação neuropsicológica costumam ser solicitadas para documentar lesão cerebral e caracterizar as mudanças de personalidade.

Com quanto tempo de alteração a codificação muda para outro código do grupo F07?

A mudança de código depende da causa identificada e das características clínicas; por exemplo, se ficar claro que se trata de síndrome pós-traumática ou pós-encefalítica, usa-se o código específico correspondente.

Esse diagnóstico garante afastamento do trabalho?

O diagnóstico informa a avaliação clínica, mas a decisão sobre afastamento depende da perícia e da avaliação do impacto funcional; a concessão depende de regras previdenciárias e contratuais.

Quais sinais exigem procurar ajuda urgente em casa?

Busca imediata se houver comportamento violento, risco de autoagressão, confusão súbita ou surgimento de déficits neurológicos como fraqueza ou perda de fala.

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