F07.2 — Síndrome pós-traumática
- síndrome pós-traumática cerebral
- transtorno orgânico pós-trauma craniano
- alteração comportamental pós-trauma
Em palavras simples
Síndrome pós-traumática é um nome que os médicos usam quando alguém passa a ter mudanças duradouras no jeito de pensar, de reagir ou de se relacionar depois de uma pancada na cabeça. Não é uma doença contagiosa; é uma consequência do choque que o cérebro sofreu. O que leva a esse diagnóstico geralmente é que a pessoa ou a família percebem que, depois do acidente ou queda, o comportamento ficou diferente do que era antes.
Você pode estar se sentindo mais irritado, sem paciência, menos interessado nas coisas, ou com dificuldade para planejar, lembrar ou manter a atenção. Também é comum que alguém fique mais impulsivo, fale sem filtro ou tenha mudanças de humor. Às vezes ocorre cansaço mental, sono alterado ou diminuição da iniciativa — palavras que as pessoas usam para descrever esses sintomas incluem “cansaço”, “esquecimento” e “perda de ritmo”.
Na maioria dos casos, não é algo que “pega” outra pessoa, e a gravidade varia muito: algumas pessoas se recuperam bastante com tempo e reabilitação, outras mantêm sequelas que afetam o trabalho e as relações. A duração pode ser de meses ou anos; o importante é que haja acompanhamento para avaliar a evolução. O diagnóstico costuma ser feito quando as mudanças persistem após a fase imediata do trauma e há vínculo claro com o evento.
Depois do diagnóstico, é comum que o médico solicite exames — imagem do crânio e testes que avaliam memória e atenção — e encaminhamentos para reabilitação, terapia ocupacional ou acompanhamento psiquiátrico conforme a necessidade. Pode haver retorno periódico para avaliar se houve melhora ou se mudam as estratégias de manejo. Em muitos casos, a família é orientada a registrar exemplos concretos de dificuldades nas tarefas diárias para ajudar na avaliação.
Em casa, observe se há aumento da impulsividade, risco de acidentes, incapacidade de cuidar de si ou comportamentos perigosos; nesses casos, procure atendimento rápido. Também é importante buscar ajuda se houver sinais de depressão intensa, ideação suicida, ou queda brusca do funcionamento social e profissional. Guardar um diário simples das alterações e pedir que familiares descrevam o que mudaram no dia a dia costuma ser útil para a equipe de saúde.
O que este código significa?
O CID F07.2 designa a “Síndrome pós-traumática” — alterações duradouras da personalidade, do comportamento ou das funções psíquicas que surgem após lesão cerebral traumática. Aparece quando mudanças persistentes (cognitivas, emocionais ou comportamentais) não se explicam por transtornos primários psiquiátricos e estão temporo-espacialmente ligadas ao traumatismo. Não inclui transtornos que surgem imediatamente e transitórios sem sequela funcional nem manifestações exclusivamente neurológicas como déficits motores isolados. Este código é usado quando a relação causal com traumatismo craniano está sustentada na história clínica e em exames ou avaliação neurológica/psiquiátrica.
Quando este código é usado?
Usa-se este código para identificar condições comportamentais e de personalidade atribuíveis a lesão cerebral traumática persistente, quando a mudança é relevante para codificação, perícia ou faturamento. Indica que o quadro tem início após um evento traumático craniano e persiste tempo suficiente para ser considerado sequela, diferenciando-se de reações agudas ou de transtornos orgânicos de outra origem. Serve para registrar impacto funcionais que exigem acompanhamento neurológico, psiquiátrico ou reabilitação.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F07.0 — Transtorno orgânico da personalidade: distingue-se por histórico de alteração gradativa da personalidade atribuível a doença cerebral crônica (degenerativa, vascular) sem correlação recente com trauma; F07.2 requer relação temporal e causal com traumatismo craniano.
F07.1 — Síndrome pós-encefalítica: separa-se pela causa infecciosa (encefalite) comprovada ou suspeita; presença de infecção cerebral documentada indica F07.1 e não F07.2.
F07.9 — Transtorno orgânico não especificado da personalidade e do comportamento: usado quando não há evidência suficiente de causa (trauma, infecção, hipóxia) ou quando o nexo causal não pode ser estabelecido; se houver associação clara com traumatismo registra-se F07.2.
O que é?
Síndrome pós-traumática é uma condição sequela de lesão cerebral traumática em que surgem alterações duradouras no comportamento, na personalidade e nas funções psíquicas. Essas alterações podem incluir irritabilidade aumentada, desinibição social, apatia, perda de iniciativa, dificuldades de planejamento, alterações da afetividade e prejuízos na autorregulação emocional; elas são atribuídas à lesão cerebral e persistem além do período agudo.
O quadro manifesta-se tipicamente em pessoas que sofreram traumatismo cranioencefálico moderado a grave, mas também pode ocorrer após traumas leves quando há sensível impacto funcional. Costuma envolver combinação de sintomas cognitivos (atenção, memória, execução), emocionais (mudança de humor, labilidade), e comportamentais (impulsividade, agressividade), com repercussão no trabalho, nas relações e nas atividades diárias.
Quais sintomas aparecem?
Principais sinais incluem mudanças de personalidade (irritabilidade, apatia), desinibição, impulsividade e dificuldades persistentes de atenção e de execução de tarefas. Sintomas que aparecem cedo costumam ser confusão, desorientação e alterações do sono; quando persistem ou evoluem para alterações de personalidade há indicação de sequela.
Sinais de agravamento são aumento progressivo da agressividade, perda marcada de autonomia, declínio cognitivo acelerado ou surgimento de sintomatologia psicótica; novos déficits neurológicos focais ou piora funcional significativa indicam reavaliação urgente.
O que causa?
Mecanismos envolvem dano cerebral direto por impacto, acelero‑decéleração ou contusão que afeta córtex pré-frontal, sistemas límbicos e vias de rede responsáveis por controle executivo e regulação emocional. Em prática brasileira, as causas mais frequentes são acidentes de trânsito, quedas e agressões, que podem provocar lesão difusa axonal, hematomas ou contusão cortical; a localização e extensão da lesão explicam o padrão de sintomas.
Fatores que modulam a expressão clínica incluem severidade do trauma, presença de lesões multifocais, comorbidades prévias (doenças neurológicas, abuso de substâncias), idade e acesso precoce a reabilitação.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico deste código baseia-se na história temporal (início após traumatismo craniano) e na constatação de alteração persistente do comportamento, da personalidade ou das funções cognitivas que não se justificam por doença psiquiátrica prévia. A documentação que sustenta o uso de F07.2 inclui relatos clínicos detalhados, avaliação neurológica e psiquiátrica, exames de imagem quando relevantes e registro de impacto funcional em atividades diárias.
Não há um único exame diagnóstico: o nexo causal é clínico e suportado por achados de neuroimagem, relatos de familiares e escalas que avaliam déficit executivo e comportamental; a evolução temporal e a exclusão de outras causas são centrais.
Como costuma ser tratado?
O manejo típico é multidisciplinar e focado em reabilitação neuropsicológica, intervenções psicossociais e estratégias para manejo de comportamento e reintegração social e ocupacional. O esquema de acompanhamento costuma incluir avaliação neurológica e psiquiátrica periódica, programas de terapia ocupacional e suporte familiar que visam redução do impacto funcional e recuperação de autonomia.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Em alguns casos, classes farmacológicas podem ser empregadas para controlar sintomas específicos: estabilizadores do humor e neurolépticos são usados para labilidade emocional e agitação; antidepressivos podem ser considerados para depressão associada; agentes ansiolíticos e outros psicofármacos são empregados conforme avaliação psiquiátrica. A indicação e escolha dependem de avaliação clínica especializada e registro nos prontuários.
Quando procurar um médico?
Procurar reavaliação médica quando houver piora progressiva do comportamento, perda de autonomia, surgimento de sintomas psicóticos ou ideação suicida, ou quando as alterações impedem retorno ao trabalho ou interação social. Buscas por atenção também são indicadas se novos déficits neurológicos aparecem (fraqueza, convulsões, alteração sensorial) ou se a família relata risco de violência ou acidentes devido a impulsividade.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que o examinou com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3º); a partir do 16º dia o INSS assume o benefício e exige perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para esse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). O CID constante no atestado é o que o perito usa para verificar se se trata da mesma causa clínica para efeito dessa soma — é por isso que o código aparece no formulário e tem papel prático na conferência dos períodos.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, especificar o período de afastamento, trazer a data da emissão, a assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID no documento depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos atestados dentro dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
O CID F07.2 refere‑se a uma síndrome pós‑traumática — alterações duradouras de personalidade, comportamento e funções psíquicas que surgem após lesão cerebral traumática. Trata‑se de uma condição que costuma configurar sequelas e acompanhamento prolongado, não apenas um quadro agudo autolimitado; portanto, pode implicar limitação funcional e necessidade de registro e seguimento neurológico/psiquiátrico, embora o eventual afastamento laboral dependa da avaliação clínica individual. Como os sintomas podem persistir ou recidivar e ser avaliados em períodos distintos, a regra dos 60 dias é particularmente relevante aqui: atestados com o mesmo CID dentro desse prazo podem ser somados para contabilizar os primeiros 15 dias pagos pelo empregador antes da necessidade de perícia pelo INSS.
Que direitos este código envolve?
O registro deste código em documentação médica é evidência de sequela de trauma, relevante em perícias trabalhistas e previdenciárias, mas o reconhecimento de incapacidade e benefícios depende de avaliação pericial e da legislação aplicável ao caso. Direitos como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez exigem comprovação da limitação funcional e seguimento das regras do INSS ou do contrato de trabalho/seguro.
Perguntas frequentes sobre F07.2
O que significa receber o CID F07.2 no meu prontuário?
Significa que o profissional identificou alterações persistentes de comportamento ou personalidade que têm relação com um traumatismo craniano prévio; é um registro para acompanhamento e documentação, não uma sentença definitiva sobre prognóstico.
Esse código implica que eu vou perder o trabalho automaticamente?
Não; o código documenta sequela, mas decisões sobre afastamento dependem da avaliação funcional, da perícia e das regras do empregador ou do instituto previdenciário.
Como diferenciar esta síndrome de depressão ou transtorno de personalidade prévio?
A distinção se apoia na história temporal (início após o trauma), na documentação clínica e em avaliações neuropsicológicas que mostram padrão compatível com lesão cerebral, além da ausência de quadro psiquiátrico equivalente anterior.
Que exames provavelmente serão solicitados após o diagnóstico?
São comuns exames de imagem do crânio (TC/RM) para documentar lesões, e avaliação neuropsicológica para mapear déficits cognitivos e comportamentais.
O CID F07.2 pode mudar para outro código ao longo do tempo?
Sim; se houver resolução das alterações, documentação de outra causa ou evolução para quadro neurodegenerativo, o código pode ser atualizado conforme a nova evidência clínica.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O laudo e o CID F07.2 sustentam autorização para tratamentos de reabilitação e terapias específicas conforme cobertura contratual?
- Quais documentos clínicos o plano exige para análise de autorização de terapias multidisciplinares após traumatismo?
- Há exigência de carência ou critérios de pré-existência que possam influenciar cobertura de procedimentos relacionados a F07.2?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F07.0 Transtorno orgânico da personalidade
- F07.1 Síndrome pós-encefalítica
- F07.8 Outros transtornos orgânicos da personalidade e do comportamento devidos a doença cerebral, lesão e disfunção
- F07.9 Transtorno orgânico não especificado da personalidade e do comportamento devido a doença cerebral, lesão e disfunção
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F00-F09
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F07.2)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.