F10.6 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool – síndrome amnésica

  • amnésia alcoólica persistente
  • síndrome de Korsakoff (quando especificada)
  • amnésia pós-abuso de álcool

Em palavras simples

O código CID F10.6 indica que a principal consequência observada do uso de álcool é uma perda de memória que vai além de esquecimentos ocasionais. Em linguagem simples, isso significa que seu cérebro tem dificuldade para guardar lembranças novas e, às vezes, para lembrar acontecimentos recentes. Isso não é só ‘‘esquecer o que comeu no almoço’’; é uma falha persistente em lembrar eventos recentes ou informações aprendidas há pouco.

Você pode perceber que repete perguntas, esquece compromissos ou não consegue lembrar conversas recentes. Algumas pessoas também preenchem essas lacunas com lembranças que parecem reais, o que chamamos de confabulação. Além da memória, pode haver cansaço, dificuldade de concentração e problemas para planejar tarefas do dia a dia.

Se a perda de memória veio em alguém com histórico de beber muito por anos, especialmente combinado com má alimentação, esse código é uma forma de registrar que o álcool provavelmente é a causa. Nem sempre é algo que desaparece rapidinho: em muitos casos a recuperação é parcial e lenta, e depende de parar de beber e tratar deficiências nutricionais. A gravidade varia: algumas pessoas melhoram com suporte e tratamento, outras ficam com limitações duradouras.

Na prática, o caminho costuma incluir exames para investigar a memória, avaliações por especialistas e testes que ajudem a entender o que está comprometido. Também é comum que se inicie correção de deficiências nutricionais e orientações para reduzir ou cessar o álcool. Dependendo da gravidade, pode haver necessidade de apoio familiar, adaptação no trabalho ou encaminhamento a serviços de reabilitação cognitiva.

Em casa, observe se a pessoa perde datas, esquece refeições ou se coloca a si mesma ou outros em risco por esquecimento (por exemplo, deixar fogão ligado). Procure ajuda se houver piora rápida, confusão crescente, febre, fraqueza súbita ou sinais de infecção; em caso de dúvidas sobre segurança, é recomendado procurar avaliação médica. Leve anotações sobre o consumo de álcool, hábitos alimentares e exemplos concretos do esquecimento para a consulta.

O que este código significa?

O CID F10.6 designa transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool que se manifestam predominantemente por perda marcante de memória — a chamada síndrome amnésica relacionada ao álcool. Esse quadro aparece tipicamente em pessoas com histórico de consumo excessivo e prolongado de bebidas alcoólicas, frequentemente associado à desnutrição e deficiência de tiamina (vitamina B1). Não inclui alterações agudas de consciência isoladas por intoxicação ou abstinência aguda, nem quadros depressivos ou psicóticos primários sem comprometimento mnésico predominante.

O diagnóstico se sustenta quando a amnésia é a queixa central e persiste além da resolução de intoxicação ou abstinência, com prejuízo funcional evidente. Complicações neurológicas e déficits em outras funções cognitivas podem coexistir; a presença de confabulação e perda de memória anterógrada são sinais frequentemente observados. Este código refere-se ao quadro clínico causado pelo álcool, não a outras causas de amnésia como traumatismo ou demências degenerativas.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando o quadro clínico principal é a perda de memória persistente atribuída ao uso crônico de álcool, confirmada por história clínica e investigação que exclua causas alternativas plausíveis. Deve ser escolhido quando a amnésia não se resolve com a cessação aguda do álcool e se associa a sinais clássicos (por exemplo, confabulação ou dificuldade em formar novas memórias).

Não se aplica a episódios transitórios de amnésia durante intoxicação aguda, delirium tremens, ou alterações exclusivamente emotivas sem prejuízo mnésico dominante.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F10.2 — Critério que separa: F10.2 refere-se a transtornos psicóticos induzidos por álcool com alucinações ou delírios proeminentes; se a perda de memória é o sintoma principal e persistente, F10.6 é mais apropriado. F10.4 — Critério que separa: F10.4 é para transtorno amotivacional ou cognitivo leve por álcool sem amnésia predominante; quando há amnésia anterógrada clara e persistente, usar F10.6. G31.2 — Critério que separa: G31.2 (demência de início insidioso) implica declínio cognitivo progressivo típico de doenças degenerativas; se a história de uso de álcool e deficiência nutricional explicam a amnésia fluente e abrupta, F10.6 é preferível. F10.3 — Critério que separa: F10.3 é para estados emocionais e comportamentais agudos na intoxicação; se déficits mnésicos persistem após a intoxicação, F10.6 deve ser empregado.

O que é?

A síndrome amnésica por álcool reúne quadros em que o uso crônico de álcool provoca perda de memória marcante, especialmente para fatos recentes (amnésia anterógrada), e por vezes amnésia retrógrada parcial. Manifesta-se por dificuldade em aprender informação nova, esquecer compromissos e relatar eventos com lacunas; alguns pacientes preenchem essas lacunas com lembranças fabricadas (confabulação).

Afeta principalmente pessoas com consumo excessivo e prolongado de álcool e frequentemente coexiste com desnutrição e deficiência de tiamina. A apresentação pode variar: desde déficits moderados que atrapalham o trabalho até formas mais graves com dependência de terceiros para atividades diárias.

Quais sintomas aparecem?

Principais: perda de memória para eventos recentes (amnésia anterógrada), esquecimento repetido de informações recentemente aprendidas, confabulação espontânea ou quando solicitado, dificuldade em recordar fatos pessoais recentes.

Sintomas que aparecem cedo: falhas em lembrar conversas recentes, esquecer compromissos e repetição de perguntas. Sinais de agravamento: perda de memória retroativa crescente, dependência para orientação no dia a dia, alterações da personalidade, prejuízo marcante no funcionamento ocupacional ou social.

O que causa?

Mecanismos: lesão funcional e estrutural de regiões cerebrais envolvidas na memória (hipocampo, núcleos diencefálicos) por interação entre neurotoxicidade do etanol, deficiência de tiamina e fatores nutricionais. No Brasil, a causa prática mais comum é o uso crônico e pesado de álcool associado à desnutrição crônica e episódios repetidos de intoxicação e abstinência.

Fatores de risco: consumo de grandes quantidades de álcool por anos, má alimentação, doenças hepáticas crônicas, e episódios de vômitos ou diarreia que agravam deficiências vitamínicas.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se em história clínica detalhada que vincule o início e a evolução da perda de memória ao uso de álcool, exame neurológico e avaliação cognitiva que mostre déficits mnésicos proeminentes. A exclusão de outras causas de amnésia (traumatismo craniano, AVC, infecções, demência) é necessária.

Um padrão consistente de amnésia anterógrada, com possível confabulação e insuficiência de resposta à abstinência aguda, sustenta o uso de F10.6. Testes neuropsicológicos e exames complementares ajudam a caracterizar o déficit e afastar diagnósticos concorrentes.

Como costuma ser tratado?

O tratamento é multidisciplinar e visa corrigir fatores nutricionais e vitamínicos, reduzir ou cessar o consumo de álcool e reabilitar capacidades cognitivas. Intervenções incluem suporte nutricional, reabilitação neuropsicológica e cuidados sociais para segurança e funcionalidade cotidiana. Em muitos casos o manejo é ambulatorial, mas formas graves com risco social ou médico podem requerer tratamento hospitalar e suporte de redes sociais.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes referidas na literatura para manejo dos déficits cognitivos e complicações incluem terapias de reposição vitamínica (especialmente tiamina), agentes para comorbidades neuropsiquiátricas e medicamentos utilizados na dependência alcoólica quando indicados. A escolha e dose são decisão clínica individualizada e não estão descritas aqui.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica se houver perda de memória persistente associada ao consumo de álcool, confabulação, incapacidade de cuidar de si mesmo, ou agravamento funcional. Buscar atendimento de urgência se houver mudança súbita de nível de consciência, febre, sinais neurológicos focais ou comportamento perigoso.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática, a responsabilidade pelo pagamento e a exigência de perícia seguem regras legais: até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para computar esses 15 dias. O perito usa o CID indicado no atestado para verificar se o motivo é o mesmo — por isso o código no documento é a forma prática de demonstrar que os atestados se referem à mesma condição.

Para que um atestado seja aceito precisam constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos atestados dentro do prazo de 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

O CID F10.6 descreve a síndrome amnésica relacionada ao uso de álcool, tipicamente associada a consumo prolongado e deficiência nutricional/tiamina. Trata‑se de um quadro que frequentemente persiste além da intoxicação ou abstinência aguda e pode assumir curso crônico ou recorrente, com variação de gravidade desde prejuízo funcional moderado até dependência de terceiros para atividades diárias.

Por isso, para F10.6 é comum que o acompanhamento e o registro clínico sejam relevantes para avaliar a capacidade para o trabalho: o código costuma indicar uma condição com potencial para incapacidade funcional em graus variados, e recaídas no consumo ou episódios repetidos tornam a regra dos 60 dias especialmente importante, pois atestados sucessivos com o mesmo CID dentro desse intervalo serão considerados conjuntamente para efeito do pagamento inicial pelo empregador.

Perguntas frequentes sobre F10.6

O que significa receber o CID F10.6 no meu atestado?

Significa que o problema principal registrado é perda de memória persistente associada ao uso de álcool; o atestado deve explicar a limitação funcional observada e justificar possíveis restrições temporárias.

Esse quadro é contagioso para familiares?

Não, a síndrome amnésica por álcool não é contagiosa; trata-se de um dano neurológico relacionado ao consumo e fatores nutricionais.

Que exames geralmente são pedidos após esse diagnóstico?

São comuns avaliações neuropsicológicas formais, exames de sangue para avaliar nutrição e função hepática, e neuroimagem para excluir outras causas estruturais.

Posso trabalhar normalmente se tiver esse diagnóstico?

Depende do grau de comprometimento funcional; algumas pessoas conseguem adaptar tarefas, outras necessitam afastamento temporário ou reabilitação; essa avaliação é feita caso a caso.

Qual a diferença entre isso e um episódio de intoxicação por álcool?

A intoxicação causa alterações temporárias que costumam reverter com a eliminação do álcool; o CID F10.6 refere-se à perda de memória persistente que permanece além do período agudo.

O código pode mudar se eu parar de beber e melhorar?

Sim, se houver recuperação significativa do déficit mnésico a documentação e codificação devem ser reavaliadas para refletir o novo quadro clínico.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual é o padrão neuropsicológico de déficits exigido para considerar F10.6 em vez de outro transtorno cognitivo?
  • Que exames e resultados apoiariam a causalidade por álcool frente a causas neurológicas alternativas?
  • Qual a duração mínima da amnésia após abstinência para manter F10.6 em vez de diagnosticar intoxicação ou delirium resolvido?
  • Que sinais clínicos (confabulação, prejuízo anterógrado) fazem migrar o registro para uma forma mais específica como síndrome de Korsakoff?
  • Quando reavaliar o diagnóstico para considerar mudança de código por recuperação parcial ou evolução para demência?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Este diagnóstico pode fundamentar pedido de afastamento por incapacidade temporária em perícia trabalhista?
  • Como o registro deste código em prontuário pode influenciar processos de aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença?
  • Quais documentos médicos são essenciais para comprovar a relação entre o consumo de álcool e a perda de memória em processo judicial ou administrativo?
  • Em casos de acidente de trabalho, o CID F10.6 pode ser usado para argumentar sobre incapacidade preexistente?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos diagnósticos (neuroimagem, avaliação neuropsicológica) costumam precisar de autorização quando este CID é informado?
  • O plano costuma exigir documentação específica para reabilitação cognitiva quando se registra CID F10.6?
  • Em caso de internação por complicações neurológicas associadas, que justificativas clínicas o plano costuma pedir para autorizar a internação?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade