F11.6 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos – síndrome amnésica
- amnésia induzida por opiáceos
- síndrome amnésica relacionada a opioides
Em palavras simples
Este código (CID F11.6) indica que a perda de memória que você apresentou está sendo atribuída ao uso de opiáceos. Em palavras simples, significa que seu esquecimento é mais do que “esquecer o que fez ontem”: trata‑se de dificuldades em formar ou lembrar acontecimentos recentes que começaram em associação com o uso de uma droga opioide.
Você pode estar percebendo que repete perguntas, não lembra conversas ou eventos do dia anterior, tem lacunas sobre pequenas tarefas ou relata episódios em que outras pessoas contam fatos que você não lembra. Junto disso, às vezes aparecem confusão leve, desorientação no tempo e comportamentos de repetição. Sintomas como cansaço excessivo, respiração lenta, náusea ou alterações no sono podem acompanhar a amnésia, sobretudo se houve intoxicação.
Esses quadros podem ser temporários, especialmente quando relacionados a um episódio agudo de intoxicação ou uso combinado com outras substâncias. A duração varia: em alguns casos a memória melhora com dias ou semanas; em outros, quando há dano por hipóxia ou outras complicações, a recuperação pode ser mais lenta. Este código não é indicação de contágio; não é uma doença infecciosa.
O que vem a seguir normalmente é investigação: o médico pode pedir exames para confirmar a presença de opiáceos no organismo, testes de sangue para verificar hipóxia ou alterações metabólicas e, em alguns casos, exames de imagem cerebral ou avaliação neuropsicológica para medir a extensão do prejuízo. Dependendo da gravidade, pode haver observação em serviço de emergência, ou acompanhamento ambulatorial e reavaliações regulares.
Em casa, observe se a pessoa tem episódios de sonolência excessiva, respiração muito lenta, vômitos persistentes, dificuldade em acordar ou comportamento perigoso (dirigir ou operar máquinas). Também vale monitorar agravamento da desorientação, confabulação contínua ou incapacidade de cuidar de si mesmo. Procure ajuda imediata se surgir dificuldade respiratória, perda de consciência, convulsões ou queda do estado geral.
Este código serve para registrar e investigar a perda de memória associada ao uso de opiáceos; as decisões sobre tratamento, reabilitação e eventual afastamento laboral serão avaliadas pelo time de saúde conforme os exames e a evolução clínica.
O que este código significa?
O CID F11.6 designa a síndrome amnésica que aparece em associação com o uso de opiáceos. Refere‑se a um quadro de perda de memória (amnésia) que surge durante o uso ativo, intoxicação, ou em período muito próximo ao uso de substâncias opiáceas. Não inclui déficits cognitivos crônicos de outras causas neurológicas, demências ou amnésias por álcool, salvo quando a relação temporal e a avaliação clínica apontam para os opiáceos. A codificação exige que a amnésia seja clinicamente atribuível ao uso de opiáceos e não explicada por lesão aguda, infecção ou outra condição psiquiátrica primária. É um subitem dentro dos transtornos por uso de opiáceos, distinguindo manifestações amnésticas de outros quadros como dependência ou intoxicação simples.
Quando este código é usado?
Usa‑se este código quando há perda de memória significativa e nova, temporariamente relacionada ao uso de opiáceos, confirmada por história, exame e exclusão de outras causas prováveis. Serve para episódios amnésticos durante intoxicação, em fase aguda pós‑uso, ou por abstinência precoce quando a clínica e exames suportam a associação.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F11.5 vs F11.6: F11.5 indica dependência de opiáceos com sintomas comportamentais e fisiológicos persistentes; F11.6 exige predomínio de quadro amnéstico novo, com comprometimento de memória como característica central e temporalidade ligada ao uso.
F11.0 vs F11.6: F11.0 refere-se à intoxicação aguda por opiáceos com alteração de consciência e sinais autonômicos; se a perda de memória é o sintoma principal e persiste após a reversão da intoxicação, o caso direciona para F11.6.
F07.2 (síndrome amnéstica orgânica) vs F11.6: F07.2 cobre amnésia orgânica não especificada por droga; atribuir a F11.6 exige evidência de relação temporal e plausibilidade com uso de opiáceos e exclusão de outra lesão cerebral.
O que é?
Síndrome amnésica por uso de opiáceos é um transtorno caracterizado por déficit marcante na formação, retenção ou recuperação de memórias, aparecendo em contexto de exposição a opiáceos. Manifesta‑se como confabulação, lacunas importantes no relato de eventos recentes e dificuldade em reter informações novas, podendo ser parcial ou global na memória episódica.
Na prática clínica brasileira costuma ocorrer em pacientes com uso prolongado ou em episódios de intoxicação aguda, especialmente quando há combinação com outros depressores do SNC, hipóxia ou lesão metabólica. Pode afetar pessoas com transtorno por uso de opiáceos, mas também surgir em usuários ocasionais expostos a doses elevadas ou adulterações da droga.
Quais sintomas aparecem?
Principais: perda de memória recente, dificuldade em lembrar eventos recentes, lacunas temporais, repetição de perguntas, confabulação e desorientação temporal. Sinais precoces incluem lapsos de memória episódica e esquecimento de rotinas recentes. Indicadores de agravamento são confabulação persistente, incapacidade de formar novas memórias, desorientação protraída e declínio funcional para tarefas cotidianas.
O que causa?
Mecanismo: interação farmacológica dos opiáceos com receptores mu no sistema límbico e hipocampo que prejudica a consolidação da memória. Na prática brasileira, a causa mais comum é uso excessivo ou intoxicação por morfina, heroína ou analgésicos opióides, frequentemente agravada por hipóxia (por depressão respiratória), uso concomitante de benzodiazepínicos, adulterantes neurotóxicos ou estados metabólicos alterados.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, baseado em história temporal do uso de opiáceos, relato de perda de memória nova e exame neurológico/psiquiátrico que documente déficit mnésico predominante. Sustentam o código registros de consumo recente, relato de testemunhas, escala cognitiva que mostre déficit de memória e exclusão de causas alternativas por exames laboratoriais e de imagem. Testes toxicológicos que confirmem presença de opiáceos reforçam a associação, sem substituir a avaliação neurológica.
Como costuma ser tratado?
Tratamento é multidisciplinar e orientado por estabilização clínica e investigação da causa. A abordagem inclui monitorização, suporte respiratório se necessário, avaliação neurológica e retirada da substância quando indicada, além de reabilitação cognitiva e acompanhamento psiquiátrico para transtorno por uso de opiáceos. Muitas vezes o manejo é ambulatorial após estabilização aguda.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas envolvidas no manejo incluem antagonistas opioides em situações de intoxicação aguda, agentes de suporte para complicações clínicas e medicamentos usados no tratamento do transtorno por uso de opiáceos (agonistas parciais/agonistas) quando parte de plano terapêutico — sempre sob supervisão médica e conforme protocolos locais.
Quando procurar um médico?
Procurar atendimento imediatamente se houver perda súbita e marcante de memória, confusão que impede atividades diárias, sonolência intensa, respiração lenta ou episódios de desmaio. Buscar avaliação urgente também se houver sinais de hipóxia, febre alta, convulsões ou comportamento perigoso relacionado ao uso de opiáceos.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o paciente, considerando o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Até 15 dias de afastamento o pagamento do salário é de responsabilidade do empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A regra dos 60 dias estabelece que atestados pelo mesmo motivo dentro desse prazo são somados para fins desses 15 dias; na prática, é o CID assinalado no atestado que o perito usa para verificar se se trata da mesma condição, e essa ligação entre CID e contagem é pouco conhecida.
Para que um atestado seja aceito devem constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.
No caso do CID F11.6 (síndrome amnésica associada ao uso de opiáceos), trata‑se tipicamente de um quadro que surge em contexto agudo de exposição a opiáceos, intoxicação ou condições relacionadas e que, após estabilização clínica e investigação, pode se resolver ou requerer seguimento. Esse diagnóstico costuma implicar incapacidade funcional significativa enquanto o episódio amnéstico estiver ativo, podendo demandar afastamento ou cuidados até estabilização, e também pode ocorrer de forma recorrente em pessoas com transtorno por uso de opiáceos. Por isso, quando há repetição de atestados por sintomas relacionados a este mesmo código, a regra dos 60 dias costuma ter impacto prático na soma dos períodos para fins de transição entre pagamento pelo empregador e avaliação/perícia do INSS.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem da avaliação pericial e da legislação vigente; a presença deste CID indica condição médica que pode justificar afastamento temporário, mas concessões de benefícios exigem perícia e documentação complementar. Questões como estabilidade empregatícia, renda substituta ou reabilitação dependem de laudos, tempo de afastamento e normas do INSS ou empregador.
Perguntas frequentes sobre F11.6
O CID F11.6 significa que tenho uma doença permanente?
Não necessariamente; indica perda de memória associada ao uso de opiáceos. A evolução pode ser temporária ou persistente dependendo de fatores como hipóxia ou lesão cerebral.
Este problema é contagioso para família ou colegas?
Não. Trata‑se de um efeito neurológico ligado ao uso de substância, não uma infecção transmissível.
Que exames costumam ser pedidos para esclarecer o CID F11.6?
São comuns testes toxicológicos para opiáceos, avaliação cognitiva focada em memória e, quando indicado, imagem cerebral para excluir causas estruturais.
Posso receber atestado ou afastamento com este CID?
O CID registra a condição médica; atestado e afastamento dependem da avaliação clínica, gravidade e documentação apresentada ao empregador ou previdência.
Qual a diferença entre intoxicação por opiáceos e a síndrome amnésica codificada aqui?
Intoxicação (F11.0) refere‑se a alterações agudas de consciência e sinais fisiológicos; F11.6 é aplicado quando o quadro central é a perda de memória nova e atribuível ao uso de opiáceos.
Códigos relacionados
- F11.0 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - intoxicação aguda
- F11.1 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - uso nocivo para a saúde
- F11.2 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome de dependência
- F11.3 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome [estado] de abstinência
- F11.4 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome de abstinência com delirium
- F11.5 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - transtorno psicótico
- F11.7 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- F11.8 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - outros transtornos mentais ou comportamentais
- F11.9 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - transtorno mental ou comportamental não especificado
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F10-F19
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F11.6)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.