F15.7 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína – transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- psicose residual por anfetaminas
- psicose tardia relacionada a estimulantes
- psicose induzida por estimulantes com início tardio
O CID F15.7 designa um transtorno psicótico associado ao uso de estimulantes (incluindo cafeína) que se manifesta como quadro psicótico prolongado ou que surge tardiamente após exposição à substância. Refere-se a sintomas psicóticos persistentes — como delírios e alucinações — que permanecem depois do período agudo de intoxicação ou se iniciam após intervalo temporal. Não inclui intoxicação aguda por estimulantes nem sintomas transitórios que desaparecem com a abstinência esperada. Também não cobre transtornos psicóticos primários não relacionados ao uso de estimulantes, nem alterações cognitivas isoladas sem presença de sintomas psicóticos.
Em palavras simples
O código CID F15.7 é usado quando uma pessoa desenvolve sintomas psicóticos — como ouvir vozes, ter ideias muito estranhas ou acreditar em coisas que não são reais — em relação ao uso de estimulantes (por exemplo, certas drogas e, em excesso, cafeína). Significa que esses sintomas não foram apenas momentâneos durante a intoxicação, mas duraram além do episódio agudo ou apareceram depois, de forma tardia.
Você provavelmente sente medo intenso, desconfiança de outras pessoas, pensamentos repetitivos que parecem reais e, às vezes, percepções de coisas que não existem (como ouvir vozes). Junto com isso é comum haver insônia, agitação, perda de apetite, cansaço extremo e dificuldade para organizar pensamentos. Esses sintomas podem deixar a rotina comprometida — trabalho, estudos e relacionamentos tendem a sofrer.
Quanto à gravidade, o quadro pode variar: alguns têm sintomas que melhoram com abstinência e cuidados, outros apresentam persistência exigindo acompanhamento mais prolongado. Não é uma condição contagiosa. A duração é variável; em alguns casos os sinais regridem em semanas ou meses, em outros podem persistir e requerer tratamento continuado.
O caminho usual inclui registrar a história do uso de estimulantes e dos sintomas, fazer exames para excluir outras causas e acompanhar com profissionais de saúde mental. Pode haver necessidade de retorno frequente para acompanhar evolução e discutir opções de cuidado. A decisão sobre afastamento do trabalho ou estudos depende da gravidade dos sintomas e do impacto nas atividades diárias.
Em casa, observe se há piora da desorientação, aumento de agressividade, incapacidade de cuidar da alimentação ou higiene, pensamentos de morte ou suicídio. Nesses casos, procurar serviço de emergência ou atendimento psiquiátrico sem demora é importante. Mesmo sem emergência, marque avaliação com psiquiatria para esclarecimento e suporte. Evitar consumo contínuo de estimulantes e estar acompanhado por familiares ou amigos facilita a segurança e a adesão ao acompanhamento.
Quando usar este código
Usa‑se este código quando há evidência de que um quadro psicótico atual (delírios, alucinações, desorganização do pensamento) está relacionado ao uso prévio de estimulantes e persiste além do episódio agudo, ou quando surge de forma tardia após exposição à substância. O código é apropriado quando a história clínica e a temporalidade sustentam a associação com estimulantes, e não quando outra causa primária explica melhor o quadro.
Não confunda com
F15.2 (Intoxicação aguda com sintomas psicóticos): diferencia‑se por tempo; intoxicação é temporária e ocorre durante ou logo após o uso, enquanto F15.7 exige persistência ou início tardio após o período agudo. F15.4 (Sintomas psicóticos agudos transitórios): separa‑se pelo caráter transitório e reversível em dias; F15.7 descreve sintomas duradouros ou tardios. F20 (Esquizofrenia): distingue‑se pela ausência de história de uso de estimulantes, padrão evolutivo típico e critérios de duração independentes da exposição a substâncias; se a psicose pode ser melhor explicada por esquizofrenia, não usar F15.7.
O que é
Trata‑se de um transtorno psicótico cuja emergência ou persistência está associada ao uso de outros estimulantes, incluindo anfetaminas, metanfetaminas e, em menor grau, cafeína em uso excessivo. Manifesta‑se por perdas no contato com a realidade como delírios (crenças firmes sem base) e alucinações (percepções sem estímulo), podendo vir acompanhadas de agitação, desorganização do pensamento e alterações comportamentais.
Costuma ocorrer em pessoas com história de consumo repetido ou intenso de estimulantes, em algumas com vulnerabilidade psiquiátrica prévia. Em muitos casos os sintomas surgem perto do episódio de uso e persistem ou reaparecem tardiamente, dificultando a diferenciação entre intoxicação aguda e transtorno induzido.
Sintomas
Principais: delírios persecutórios ou de grandeza, alucinações auditivas ou visuais, desorganização do discurso e comportamento, suspeita intensa e isolamento. Sintomas que aparecem cedo: agitação, insônia, ansiedade intensa e ideação persecutória inicial. Indicadores de agravamento: alucinações persistentes e estruturadas, delírios firmes que interferem em decisões, perda de autonomia para autocuidado, comportamento violento ou risco suicida.
Causas
Mecanismos implicam alteração dopaminérgica e outras disfunções neuroquímicas provocadas por estimulantes que aumentam atividade excitatória cerebral. Na prática brasileira, o uso prolongado ou em altas doses de anfetaminas sintéticas e o consumo intenso de estimulantes ilícitos são causas frequentes, frequentemente em contexto de poliuso e com comorbidades psiquiátricas ou sociais que aumentam vulnerabilidade. Fatores genéticos, privação de sono e uso concomitante de outras substâncias contribuem para o risco.
Como é diagnosticado
O diagnóstico apoia‑se em história detalhada de uso de estimulantes (tempo desde o uso, padrão e quantitativo), registro temporal dos sintomas psicóticos e exclusão de outras causas médicas ou psiquiátricas que expliquem melhor o quadro. Confirma‑se quando há relação temporal plausível entre exposição e início/persistência dos sintomas, persistência além do período de intoxicação, e quando exames e avaliação clínica não apontam para transtorno primário ou condição neurológica substitutiva. A documentação clínica clara da temporalidade é essencial para justificar este código.
Como costuma ser tratado
O manejo costuma ser multidisciplinar: estabilização inicial se houver risco, acompanhamento psiquiátrico e monitoramento clínico. Em geral inclui medidas de suporte, redução ou cessação do uso de estimulantes e reavaliação periódica para documentar evolução. O tratamento pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade; o plano terapêutico é individualizado e revisado conforme resposta e evolução temporal dos sintomas.
Classes de medicamentos
As classes farmacológicas empregadas no controle agudo e manutenção incluem antipsicóticos e sedativos usados sob prescrição médica para estabilização, além de medicações para sintomas concomitantes (p. ex., insônia, ansiedade) quando indicadas. A escolha de classe e ajuste é responsabilidade do profissional de saúde com base na avaliação clínica.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediato se houver risco de ferir a si ou a outros, alucinações intensas, delírios que impedem cuidados básicos, confusão crescente ou prejuízo para alimentação e sono. Buscar avaliação psiquiátrica quando sintomas psicóticos persistem além do episódio esperado de intoxicação ou surgem tardiamente após exposição a estimulantes. Solicitar auxílio também diante de recaída no uso de substâncias ou se sintomas se agravarem progressivamente.
Uso em atestado
Em atestados e laudos deve constar a relação temporal entre uso de estimulantes e sintomas psicóticos, duração dos sintomas até o momento da avaliação e impacto funcional. Descrever limitações funcionais observadas e necessidade de acompanhamento ou afastamento, sem afirmar prognóstico definitivo. Citar CID F15.7 quando os critérios temporais e etiológicos estiverem documentados na ficha clínica.
Direitos e benefícios
Direitos relacionados a afastamento e benefícios dependem de legislação e perícia médica; a presença do CID F15.7 no laudo médico é informação relevante para perícia, mas não garante, por si só, concessão de benefício. Questões trabalhistas e de reabilitação ocupacional devem ser tratadas com especialista jurídico ou pericial, que avaliará documentação clínica e critérios legais aplicáveis.
Perguntas frequentes sobre F15.7
O que significa receber o CID F15.7 no laudo?
Indica que há um quadro psicótico associado ao uso de estimulantes que persiste além do episódio agudo ou que se manifestou tardiamente; descreve relação temporal entre substância e psicose, não um diagnóstico isolado de esquizofrenia.
Isso é contagioso ou causado por infecção?
Não é contagioso; investiga‑se causas médicas e neurológicas para excluir outras condições, mas a origem aqui é associada a substâncias estimulantes.
Vou precisar de afastamento do trabalho?
A necessidade de afastamento depende do impacto funcional e da avaliação clínica; o laudo deve descrever limitações e justificar qualquer período recomendado.
Quais exames confirmam o CID F15.7?
Não há exame único que confirme; exames toxicológicos, laboratoriais e de imagem ajudam a identificar exposição e excluir outras causas, enquanto a história e evolução temporal sustentam o diagnóstico.
Como diferenciar de esquizofrenia (F20)?
A diferenciação baseia‑se na história de uso de estimulantes, início e curso dos sintomas e na exclusão de transtorno psicótico primário; se a psicose é mais bem explicada por esquizofrenia, não se deve usar F15.7.
O quadro costuma melhorar com interrupção do uso da droga?
Em alguns casos há melhora com abstinência e tratamento, mas a persistência ou início tardio dos sintomas é o que caracteriza este código e exige avaliação contínua.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual a cronologia exata entre o uso do estimulante e o início dos sintomas psicóticos?
- Há história prévia de transtorno psicótico ou identidade familiar de psicoses?
- Os sintomas persistem além do período esperado de intoxicação aguda e justificam documentação para F15.7?
- Que exames foram realizados para excluir causas médicas neurológicas ou infecciosas?
- Há evidência de uso contínuo, abstinência recente ou recaída que explique o padrão temporal?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual documentação clínica e temporal é necessária para fundamentar pedido de afastamento com CID F15.7?
- Em perícia, como diferenciar transtorno induzido por substância de transtorno psiquiátrico primário para fins de benefício previdenciário?
- Que provas objetivas (exames toxicológicos, registros) fortalecem a alegação de relação causal com uso de estimulantes?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O contrato do plano prevê cobertura para internação psiquiátrica decorrente de transtorno induzido por substâncias?
- Que documentação o plano exige para autorizar procedimentos relacionados a transtornos psicóticos induzidos por estimulantes (ex.: laudo com temporalidade)?
- Há carência ou restrição contratual para tratamentos relacionados a uso de substâncias ou transtornos psiquiátricos?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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