F15.0 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína – intoxicação aguda

  • intoxicação por anfetaminas
  • intoxicação por metilfenidato
  • intoxicação por cafeína (aguda)

Em palavras simples

Este código, CID F15.0, indica que os sintomas que você apresentou são compatíveis com uma intoxicação aguda por um estimulante — isto é, uma reação imediata e transitória ao uso de substância que acelera o corpo e a mente. A palavra “aguda” significa que o problema veio logo após tomar a substância, e não se refere a dependência ou a um problema de longo prazo.

Você provavelmente sentiu aumento do coração acelerado ou palpitações, suor, tremores, nervosismo ou ansiedade, insônia e talvez muita energia ou inquietação. Também é comum náusea, dor abdominal ou “intestino solto”, dor de cabeça e sensação de cansaço que aparece quando o efeito passa. Em casos mais intensos pode haver confusão, alucinações, vômitos ou desmaio.

Na maioria das vezes a intoxicação aguda não dura muito tempo — horas ou alguns dias — dependendo da substância e da quantidade. Alguns quadros resolvem-se com repouso, hidratação e observação; outros exigem avaliação na emergência, principalmente se houver dor no peito, falta de ar, convulsões ou perda de consciência.

O passo seguinte costuma ser uma avaliação médica para confirmar que os sintomas vêm do estimulante e para checar sinais como pressão, ritmo cardíaco e estado neurológico. Podem ser pedidos exames como ECG ou testes de sangue/urina para procurar a presença de drogas. Dependendo do quadro, o médico indicará observação breve, tratamento de suporte e retorno para reavaliação.

Em casa, observe sinais de agravamento: tontura intensa, respiração difícil, dor no peito, perda de consciência, convulsões ou comportamento muito agressivo. Se notar qualquer um desses sinais, procure atendimento de emergência imediatamente. Se os sintomas forem leves, mantenha repouso, evite novas doses da substância e retorne ao serviço de saúde se não houver melhora em poucas horas.

Converse abertamente com o profissional sobre o que foi consumido, quando e em que quantidade, mesmo que se trate de uso recreativo: essa informação orienta o manejo. Este registro é clínico e serve para documentar o episódio e orientar cuidados futuros; não substitui avaliação médica detalhada quando necessária.

O que este código significa?

O CID F15.0 designa a intoxicação aguda causada por outros estimulantes do sistema nervoso central, incluindo cafeína. Aparece quando há uso recente dessas substâncias e surgem alterações no comportamento, no estado mental ou sinais autonômicos decorrentes da ação estimulante. Não inclui transtornos por uso crônico, dependência, ou estados de abstinência, que têm códigos irmãos em F15.x distintos. Também não cobre intoxicações por estimulantes como cocaína (capítulo F14) ou por estimulantes combinados com outras drogas quando o quadro principal é de outro agente. Este código documenta o episódio agudo que justifica registro clínico, exames e possíveis medidas de emergência.


Quando este código é usado?

Use este código quando um paciente apresenta sinais e sintomas claros de intoxicação após uso recente de um estimulante não-anfetamínico listado em F15 (incluindo apresentações por cafeína em dose tóxica), com alterações comportamentais, cognitivas ou autonômicas atribuíveis à droga. Não usar para dependência, abstinência, intoxicação por cocaína (use F14) ou para quadros exclusivamente psiquiátricos sem relação temporal com uso.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F15.1 (síndrome de dependência) — diferença: F15.0 é episódio único ou agudo de intoxicação com quadro clínico atribuído ao uso recente; F15.1 documenta critérios de dependência comportamental e tolerância/abstinência ao longo do tempo.

F15.2 (síndrome de abstinência) — diferença: abstinência surge após cessação do uso, com sintomas típicos de retirada; intoxicação aguda (F15.0) tem início ligado ao consumo recente e sinais de estimulação.

F14.0 (intoxicação aguda por cocaína) — diferença: ambos são intoxicações por estimulantes, mas F14.0 é específico para cocaína; confirmar agente usado e história temporal para distinguir.

O que é?

Intoxicação aguda por outros estimulantes (inclusive cafeína) é o conjunto de alterações físicas e mentais que ocorrem pouco após a ingestão, inalação ou administração de um estimulante do sistema nervoso central. Esses agentes aumentam a atividade simpática e a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, levando a excitabilidade motora, alterações do humor e sinais autonômicos.

O quadro costuma manifestar-se poucas horas após o consumo e varia conforme a substância, dose, via de administração e combinação com outras drogas ou medicamentos. Pessoas que usam estimulantes recreativamente, pacientes que tomam medicamentos prescritos para déficit de atenção sem supervisão, e consumidores de altas doses de cafeína são grupos frequentemente afetados.

Quais sintomas aparecem?

Sintomas iniciais incluem agitação, ansiedade, aumento da energia, insônia, sede e taquicardia. Manifestam-se também sintomas autonômicos como sudorese, tremores e pupilas dilatadas. Sinais de agravamento são confusão, desorientação, agressividade, alucinações, arritmias, crise hipertensiva, convulsões e colapso cardiovascular; esses indicam risco de dano orgânico e necessidade de atenção imediata.

O que causa?

Mecanismo comum: estimulação excessiva dos circuitos monoaminérgicos centrais e ativação simpática periférica. Na prática brasileira, as causas mais frequentes são consumo excessivo de cafeína (bebidas energéticas, suplementos), uso recreativo de anfetaminas, metanfetaminas e medicamentos estimulantes sem prescrição, além do uso associado a álcool ou outras drogas que potencializam efeitos cardiovasculares e neuropsiquiátricos.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado em história de exposição recente ao estimulante e no conjunto de sinais e sintomas compatíveis. Suporte diagnóstico inclui avaliação do estado mental, sinais vitais e exame físico direcionado. A sorologia/toxicologia em urina ou sangue pode confirmar a presença do agente quando disponível, mas o código F15.0 depende da correlação temporal entre uso e quadro, não apenas do resultado laboratorial.

Como costuma ser tratado?

O manejo é orientado pela gravidade: observação e medidas de suporte hemodinâmico em casos leves a moderados e intervenção de emergência em casos com comprometimento respiratório, arritmias ou convulsões. O tratamento usualmente foca em estabilizar pressão e ritmo cardíaco, controlar agitação e evitar complicações; muitos casos são resolvidos em ambiente ambulatorial ou de emergência com observação curta.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas utilizadas no manejo incluem agentes ansiolíticos/benzodiazepínicos para controle da agitação e convulsões, medicamentos anti-hipertensivos para crises pressóricas e antiarrítmicos se necessário. A escolha específica depende do quadro clínico, das comorbidades e dos riscos identificados pelo médico assistente.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação imediata se houver dor torácica, falta de ar, tontura intensa, perda de consciência, convulsões, desorientação ou comportamento agressivo; também se houver vômitos persistentes, febre alta ou sinais de desidratação. Em casos leves, busca por serviço de saúde ainda é recomendada se os sintomas não regridem ou se houver dúvidas sobre a substância tomada.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto; duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes conforme a gravidade e as circunstâncias clínicas.

Na prática legal, o pagamento do salário por afastamento até 15 dias é de responsabilidade do empregador (Lei 8.213/91, art. 60, §3º). A partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia para continuidade. A legislação também prevê que atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias se somam para efeito desse período inicial de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Sobre a aplicação dos 60 dias: é o CID indicado no atestado que o perito usa para verificar se é a mesma causa, ou seja, o código serve como referência prática para somar períodos emitidos em intervalos de até 60 dias — detalhe pouco conhecido, mas relevante para quem precisa contabilizar afastamentos sucessivos.

Para que um atestado seja aceito, ele deve trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente; não há obrigação legal de informar o diagnóstico ao empregador. Porém, sem o código não é possível verificar e somar automaticamente os atestados dentro do prazo de 60 dias.

No caso específico de F15.0 (intoxicação aguda por outros estimulantes, inclusive cafeína), trata‑se de um quadro agudo que costuma ser transitório e que documenta um episódio recente decorrente do uso de estimulantes. Esse código normalmente registra um evento agudo que justifica observação, exames e, quando necessário, medidas de emergência, mais do que um transtorno crônico. Dependendo da intensidade, pode ocasionar incapacidade temporária para o trabalho, mas a necessidade e a duração de afastamento dependem da avaliação clínica individual. Como episódios de intoxicação por estimulantes podem recorrer, a regra dos 60 dias ganha importância aqui: ter o CID no atestado permite ao perito e ao sistema somar episódios próximos como sendo da mesma causa, o que afeta a transição entre responsabilidade do empregador e do INSS conforme a legislação citada.

Perguntas frequentes sobre F15.0

O que exatamente significa receber o CID F15.0?

Significa que o médico registrou um episódio agudo de intoxicação por um estimulante, com sintomas compatíveis e relação temporal com o consumo; não implica dependência.

Preciso de atestado médico para faltar ao trabalho por causa disso?

Depende da gravidade e da avaliação clínica; o médico pode emitir atestado documentando incapacidade temporária conforme sinais e necessidade de observação.

O CID F15.0 indica risco de contágio para outras pessoas?

Não; intoxicação por estimulantes não é transmissível entre pessoas, trata-se de reação ao uso de substância.

Que exames costumam confirmar a intoxicação?

Testes toxicológicos em urina ou sangue podem identificar a substância, e ECG ou exames laboratoriais ajudam a avaliar complicações; o diagnóstico é primariamente clínico.

Qual a diferença prática entre F15.0 e F15.1 no meu prontuário?

F15.0 documenta um episódio agudo de intoxicação; F15.1 indica que o paciente preenche critérios de dependência, com padrões de uso continuado e sinais de tolerância ou abstinência.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Hora da ingestão e via de administração?
  • Qual substância ou produto foi usado (ex.: energético, medicação, anfetamina)?
  • Há sinais de insuficiência cardíaca, arritmia ou disfunção neurológica focal?
  • Houve uso concomitante de outras drogas ou medicamentos que potencializem efeito?
  • Qual a evolução temporal dos sintomas desde a exposição?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este episódio justifica afastamento previdenciário temporário em perícia trabalhista?
  • O registro de intoxicação por substância ilícita afeta estabilidade ou indenização trabalhista?
  • Que documentação médica e exames são determinantes para perícia sobre incapacidade temporária?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano costuma exigir descrição detalhada da conduta de emergência para autorizar internação?
  • Quais exames complementares relacionados à intoxicação aguda são frequentemente requeridos para autorização?
  • Há exigência de CID específico ou laudo complementar para cobertura de internação por intoxicação aguda?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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