F61 — Transtornos mistos da personalidade e outros transtornos da personalidade
- personalidade misturada
- transtorno de personalidade misto
- outras formas não específicas de transtorno de personalidade
Em palavras simples
Receber o código CID F61 significa que seus padrões de pensar, sentir e agir com a pessoa são duradouros e combinam características de diferentes tipos de personalidade, sem um único padrão claro. Não é uma ‘doença contagiosa’ nem uma falha moral: descreve uma maneira de ser que causa problemas nas relações, no trabalho ou no controle das emoções.
Você pode estar sentindo dificuldades frequentes para manter amizades ou empregos, reações emocionais intensas, sensação de instabilidade na imagem de si mesmo, dificuldade em confiar ou tendência a se afastar. Também é comum sentir cansaço por conflitos repetidos, frustração, ansiedade ou episódios de impulso que depois trazem arrependimento.
O quadro costuma ser de longo curso: nasce na adolescência ou início da vida adulta e tende a persistir, embora a intensidade dos sintomas possa mudar com tratamento e apoio. Não ‘pega’ outras pessoas, mas pode repercutir nas relações. Em muitos casos o trabalho é feito ao longo de meses ou anos para reduzir o impacto e melhorar a convivência.
O passo seguinte costuma ser uma avaliação detalhada com profissional de saúde mental, possivelmente com encaminhamento para psicoterapia especializada e acompanhamento médico quando houver sintomas associados (depressão, ansiedade, impulsividade). Exames visam descartar causas médicas ou uso de substâncias que influenciem o quadro. Dependendo do impacto, pode haver necessidade de atestados médicos ou negociações com empregador sobre adaptações temporárias.
Em casa, observe se as reações emocionais estão ficando mais frequentes, se há aumento de consumo de álcool/droga, pensamentos de se machucar ou perda de interesse em atividades. Procure ajuda imediatamente se houver risco de ferir a si ou a outros, ou quando crises emocionais forem intensas. Para o dia a dia, apoio familiar, rotina e acompanhamento profissional são caminhos que costumam ajudar a reduzir o sofrimento.
O que este código significa?
O CID F61 designa transtornos mistos da personalidade e outros transtornos da personalidade: quando traços de personalidade mal-adaptativos de diferentes tipos surgem junto sem prevalência clara de um só subtipo. Aparece como padrões duradouros de pensamento, sentimento e comportamento que interferem no trabalho, nas relações e no autocuidado. Não inclui transtornos específicos codificados em F60 nem alterações de personalidade atribuíveis a lesão cerebral (F07) ou ao uso de substância (F10–F19). O F61 é usado quando o quadro é composto, sem critérios plenos para um transtorno único.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando o paciente apresenta características significativas de mais de um transtorno de personalidade sem um padrão dominante que permita classificar em F60. Aplica-se quando os critérios de transtornos específicos falham por sobreposição, e quando exclusões (lesão cerebral, condição médica) foram consideradas. É uma categoria para quadros mistos ou outras apresentações não especificadas por códigos vizinhos.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F60 vs F61: F60 exige critérios suficientes para um transtorno de personalidade específico (por exemplo, borderline, obsessivo). F61 é aplicado quando há traços de vários tipos sem critérios completos para qualquer F60. F62 vs F61: F62 refere-se a mudanças duradouras de personalidade atribuíveis a eventos claros (trauma, isolamento) ou doença; F61 não exige história de causa externa identificável. F68 vs F61: F68 cobre outras formas raras ou residuais de transtornos da personalidade não listadas; F61 é reservado para quadros verdadeiramente mistos entre tipos reconhecidos.
O que é?
O transtorno misto da personalidade descreve um padrão estável e permeável de traços de personalidade mal-adaptativos que combinam características de diferentes subtipos reconhecidos, sem dominar por um único padrão sistemático. Manifesta-se por formas repetidas de pensar, sentir e se comportar que causam sofrimento subjetivo ou prejuízo social e ocupacional.
Costuma surgir na adolescência tardia ou início da vida adulta e persistir ao longo do tempo, com variações na intensidade. Pacientes podem apresentar dificuldades em relacionamentos íntimos, instabilidade emocional, impulsividade, rigidez cognitiva e problemas de controle de impulsos, dependendo das misturas de traços presentes.
Quais sintomas aparecem?
Principais: dificuldade crônica em manter relacionamentos, comportamento interpersonal impróprio ou inconsistente, reações emocionais desproporcionais, autoimagem instável e problemas ocupacionais. Sintomas que aparecem cedo: padrões relacionais problemáticos, cobrança ou isolamento persistente, modos de enfrentar stress adquiridos na adolescência. Indícios de agravamento: aumento da impulsividade, crises frequentes de desregulação emocional, perda de emprego ou rupturas relacionais repetidas e risco de autoagressão ou comportamento autodestrutivo.
O que causa?
Os mecanismos combinam fatores genéticos, temperamento, experiências precoces de apego e traumas relacionais. No Brasil, observa-se frequentemente associação com histórico de adversidades na infância, negligência ou violência familiar, além de contextos socioeconômicos estressantes que amplificam padrões mal-adaptativos. Neurobiologia e interação gene-ambiente contribuem para vulnerabilidade a rigidez afetiva, impulsividade e dificuldades de regulação emocional.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se em avaliação clínica detalhada: anamnese longitudinal, relato de terceiros quando possível e aplicação criteriosa de critérios diagnósticos padronizados. Este código é sustentado quando há presença persistente de traços significativos de múltiplos tipos sem dominação por um transtorno específico, e quando causas orgânicas ou de substâncias foram descartadas. Documentação de início na adolescência/juventude e impacto funcional sustentam a escolha do F61.
Como costuma ser tratado?
Tratamento é multimodal e normalmente ambulatorial; envolve psicoterapia focalizada em personalidade, manejo de sintomas com suporte psicossocial e intervenção em crises. Objetivos incluem melhorar regulação emocional, padrões relacionais e funcionamento social/ocupacional; a duração é variável e, em muitos casos, de médio a longo prazo. Intervenções de rede e educação familiar frequentemente fazem parte do plano.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Medicamentos não tratam o transtorno da personalidade em si, mas podem ser usados para sintomas associados: estabilizadores de humor para impulsividade e labilidade, antidepressivos para sintomas depressivos e ansiolíticos em crises agudas. A prescrição é individualizada, orientada por sintomas comórbidos e riscos, e deve constar em registro clínico.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação quando padrões de comportamento persistentes prejudicam trabalho, estudos ou relações, ou quando há sofrimento significativo, crises emocionais repetidas, ideação suicida ou automutilação. Buscar atendimento imediato em serviços de emergência psiquiátrica se houver risco de dano a si ou a outros. Encaminhamentos para terapia prolongada são indicados quando o padrão de personalidade afeta a vida cotidiana.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, com base no caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática legal, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A soma de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para o limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
A regra dos 60 dias funciona assim: é o CID constante no atestado que o perito usa para verificar se a causa é a mesma, e por isso o código aparece no documento — é a razão prática pela qual o CID importa para somar períodos entre atestados, informação que muitos desconhecem.
Para que um atestado seja aceito devem constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID exige anuência do paciente; não há obrigação de informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS ou pelo empregador.
No caso de F61 (transtornos mistos da personalidade e outros transtornos da personalidade), trata‑se de um quadro tipicamente persistente e de natureza crônica/recorrente, com variações na intensidade ao longo do tempo e episódios de desregulação que podem comprometer o funcionamento ocupacional. Por isso, embora nem sempre gere incapacidade total para o trabalho, costuma demandar acompanhamento e registro clínico continuado; a possibilidade de crises recorrentes torna a regra dos 60 dias especialmente relevante, pois atestados intermitentes pelo mesmo diagnóstico podem ser somados para efeitos de transição do pagamento e da exigência de perícia.
Que direitos este código envolve?
Direitos relacionados a afastamento, benefício previdenciário e adaptações no trabalho dependem de avaliação pericial e da legislação vigente. O registro do CID F61 no prontuário não assegura automaticamente benefícios; decisões jurídicas e administrativas requerem exame pericial e documentação de incapacidade.
Perguntas frequentes sobre F61
O que exatamente significa receber o CID F61 no prontuário?
Significa que os profissionais identificaram um padrão duradouro de traços de personalidade mistos que causam prejuízo na vida social, profissional ou no bem-estar. Não indica doença contagiosa nem uma causa única identificada.
Esse transtorno é permanente? Dá para melhorar?
O quadro tende a ser de curso prolongado, mas muitos pacientes apresentam melhora com psicoterapia e suporte adequado. Intensidade dos sintomas pode diminuir ao longo do tempo.
Preciso me afastar do trabalho se tenho CID F61?
O afastamento depende do impacto funcional específico no trabalho e da avaliação clínica. A documentação deve explicitar limitações; a decisão sobre afastamento é feita por perícia ou empregador conforme regras aplicáveis.
O CID F61 exige exames laboratoriais?
Não há exame que confirme o CID; porém, exames são usados para excluir causas orgânicas ou uso de substâncias que possam explicar sintomas. Avaliação psicológica e entrevistas estruturadas ajudam no diagnóstico.
Qual a diferença entre F61 e um transtorno de personalidade específico, como F60.3 (borderline)?
Em F60.3 os critérios do transtorno borderline estão plenamente atendidos. Em F61 há mistura de traços de vários subtipos sem preenchimento completo de um diagnóstico específico, justificando o código misto.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há evidência de início na adolescência ou início adulto que suporte diagnóstico de transtorno de personalidade misto?
- Quais critérios de F60 foram parcial ou insuficientemente preenchidos, e por que nenhum subtipo domina?
- Há sinais de causa orgânica, uso de substâncias ou transtorno de humor que expliquem o quadro?
- Quais instrumentos semiestruturados ou escalas foram usados para mapear traços e comorbidades?
- Que impacto funcional concreto (emprego, relações, autocuidado) justifica este código em vez de F68?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Qual documentação clínica e cronologia são necessárias para sustentação pericial de incapacidade por CID F61?
- Em que situações o CID F61 pode fundamentar pedido de afastamento previdenciário e que provas a perícia exigirá?
- Como demonstrar, em perícia, a relação entre padrões de personalidade e limitação ocupacional específica?
- Quais elementos do laudo diferencial entre F61 e transtornos de eixo afetivo evitarão impugnações periciais?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige relatório psicológico e psiquiátrico com critérios preenchidos para autorizar terapia longa para CID F61?
- Existe cobertura de programas terapêuticos de longa duração para transtornos de personalidade sob este CID, dependendo do contrato?
- Quais justificativas clínicas a operadora costuma solicitar para encaminhamentos a terapias especializadas ou internamento breves para pacientes com F61?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F60 Transtornos específicos da personalidade
- F62 Modificações duradouras da personalidade não atribuíveis a lesão ou doença cerebral
- F63 Transtornos dos hábitos e dos impulsos
- F64 Transtornos da identidade sexual
- F65 Transtornos da preferência sexual
- F66 Transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação
- F68 Outros transtornos da personalidade e do comportamento do adulto
- F69 Transtorno da personalidade e do comportamento do adulto, não especificado
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F60-F69
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F61)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.