F68 — Outros transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

O CID F68 designa uma categoria para transtornos da personalidade e do comportamento do adulto que não se enquadram nas subcategorias especificadas em F60–F67. Inclui apresentações como sintomas físicos amplificados por fatores psicológicos (F68.0), produção deliberada ou simulação de sintomas (F68.1) e outros transtornos especificados (F68.8). Aparece quando há alteração duradoura no padrão de comportamento, expressão somática ou atitude intencional diante da doença que não corresponde a doenças médicas nem a transtornos de personalidade já codificados. Não inclui transtornos específicos da personalidade (F60), transtornos de identidade sexual (F64) ou transtornos factícios com intenção distinta documentada em outro capítulo.


Em palavras simples

O código CID F68 é uma categoria usada pelo médico quando suas queixas ou comportamentos ligados à saúde não se encaixam em outros diagnósticos de transtorno da personalidade ou em doenças médicas claras. Isso inclui situações em que a emoção ou o estresse parece aumentar problemas no corpo, quando parte dos sintomas pode ter produção consciente (simulação) ou quando há outros padrões de comportamento que precisam ser descritos mas não têm um código mais específico. O código não diz “temos uma doença única”, mas registra que o quadro é influenciado por fatores psicológicos ou comportamentais.

Quem recebe esse código costuma relatar sintomas como dor que não melhora com exames normais, “barriga” sensível, intestino solto, cansaço constante e queixas que mudam conforme o contexto. Pode haver frustração porque muitos exames dão normais, e a pessoa sente que não é levada a sério. Às vezes o organismo reage ao estresse com manifestações físicas, ou a pessoa descreve sintomas de forma muito intensa. Em alguns casos, há relato de sintomas que parecem construídos ou exagerados, o que gera constrangimento e dúvidas.

Isso não significa normalmente uma doença contagiosa ou rapidamente progressiva. A gravidade varia: muitos episódios são crônicos mas manejáveis, e outros podem causar grande prejuízo no trabalho e nas relações. A duração depende da situação pessoal, apoio social e do tratamento; pode melhorar com apoio psicológico e ajustes na forma de cuidar das queixas. Em geral, não é uma condição que “pega” outras pessoas, mas pode afetar quem convive pelo impacto emocional e prático.

O que costuma acontecer depois do diagnóstico é a proposição de um plano que pode incluir mais investigações para garantir que não haja doença orgânica, encaminhamento para psicoterapia ou avaliação psiquiátrica, e acompanhamento para tentar reduzir sintomas e recuperar função. Nem sempre há afastamento do trabalho; isso depende do prejuízo funcional documentado. Exames podem ser repetidos se houver mudança dos sinais e sintomas.

Em casa, observe perda rápida de peso, febre persistente, enfraquecimento progressivo, problemas neurológicos (como fraqueza súbita) ou pensamentos de se machucar — nesses casos, procure atendimento imediatamente. Se o que mais incomoda é a dor, cansaço ou problemas intestinais que vêm e voltam sem explicação, registre quando começam os episódios, fatores que pioram ou melhoram, e compartilhe com o profissional para orientar o cuidado. Conversar sobre estresse, sono, uso de álcool ou medicamentos também ajuda a entender o quadro.

Quando usar este código

Usa-se o CID F68 quando o quadro clínico refere-se a sintomas, comportamentos ou padrões de personalidade relacionados ao funcionamento adulto que não se enquadram em códigos mais específicos do bloco F60F69. Aplica-se quando a história clínica, exame e evolução apontam para influência predominante de fatores psicológicos sobre sintomas físicos, produção deliberada de sinais ou outras apresentações especificadas pelo clínico, sem diagnóstico médico que explique completamente o quadro. O código é de nível categoria e orienta a classificação quando as subdivisões (F68.0, F68.1, F68.8) não são detalhadas na documentação.

Não confunda com

F68.0 versus R nos capítulos de sinais e sintomas: use F68.0 quando houver clara amplificação emocional/psicológica de sintomas físicos persistentes sem explicação médica completa; use códigos R (sintomas) quando se trata apenas do relato de sintoma sem avaliação psicossocial que fundamente influência psicológica predominante.

F68.1 versus F44 (transtornos dissociativos): F68.1 refere-se à produção deliberada ou simulação de sintomas com benefício externo ou sem consciência típica do padrão dissociativo; F44 descreve sintomas dissociativos involuntários como amnésia ou conversão, sem evidência de produção intencional.

F68.8 versus F60 (transtornos específicos da personalidade): F68.8 abrange padrões comportamentais ou reações especificadas que não cumprem critérios completos para um transtorno de personalidade específico (F60); F60 exige avaliação criteriosa dos traços estáveis e do início na adolescência/juventude.

O que é

O CID F68 é uma categoria que agrega transtornos da personalidade e do comportamento do adulto que não se encaixam nas rubricas mais detalhadas do capítulo sobre transtornos da personalidade e comportamento. Na prática, inclui situações em que fatores psicológicos amplificam sintomas físicos sem uma causa médica detectável (F68.0), casos de produção deliberada ou simulação de sintomas (F68.1) e outras apresentações definidas pelo clínico (F68.8).

Manifestações variam conforme a subcategoria: desde queixas somáticas persistentes desproporcionais ao achado clínico até relatos de sintomas possivelmente fabricados. Costuma ocorrer em adultos com história psiquiátrica prévia, estressores psicossociais significativos ou contextos em que ganhos secundários (psicológicos, sociais ou legais) possam estar presentes. A identificação depende da integração entre história, exame físico e avaliação psicológica/psiquiátrica.

Sintomas

Principais sintomas incluem queixas físicas persistentes (dor, distúrbios gastrointestinais, fadiga) com discrepância entre relato e achados objetivos, episódios de sintomas não explicados por doença orgânica, relatos inconsistentes ou dramatizados, e comportamento que sugere produção intencional ou exagero. Sinais que aparecem cedo geralmente são sintomas somáticos recorrentes e incapacidade funcional variável.

Indícios de agravamento são aumento da frequência e intensidade das reclamações, adoção de múltiplos provedores de cuidado (doctor shopping), procedimentos diagnósticos repetidos sem explicação, prejuízo ocupacional/relacional crescente, e resistência a explicações psicossociais. Em F68.1, agravamento pode incluir relatos mais detalhados e adaptação do comportamento conforme o contexto avaliativo.

Causas

Os mecanismos são multifatoriais: interação entre vulnerabilidade psicológica, estressores sociais e reforço secundário por ganho emocional, social ou material. No Brasil, é comum encontrar associação com história de adversidade, transtornos de humor ou ansiedade concomitantes, e contextos de baixa rede de apoio. Em F68.0, fatores psicológicos intensificam a percepção de sintomas físicos por atenção, ansiedade somática e mecanismos de regulação emocional alterados.

Na produção deliberada (F68.1), a etiologia envolve motivações diversas, que podem incluir obtenção de benefícios, necessidade de atenção ou estratégias de enfrentamento disfuncionais; nem sempre há consciência plena da motivação. Predisposição individual, modelagem comportamental e contextos institucionais (por exemplo, busca por afastamento ou benefícios) contribuem para a manifestação.

Como é diagnosticado

O diagnóstico do CID F68 é clínico e se sustenta na anamnese detalhada, exame físico compatível e avaliação psíquica que demonstre que o padrão não se enquadra em F60–F67 nem está explicado por condição médica. Confirma-se pela documentação de discrepância entre sintomas relatados e achados objetivos, evolução temporal, resposta a intervenções e avaliação psicossocial. Testes laboratoriais e de imagem são úteis para excluir causas orgânicas, mas o código exige evidências de predomínio de fatores psicológicos ou de produção deliberada, não apenas exames normais.

A utilização adequada do código depende de registro claro do raciocínio clínico: por que não se usou F60/F64 etc., quais elementos apontam para influência psicológica predominante ou produção de sintomas, e quais evidências foram reunidas para descartar doença médica responsável.

Como costuma ser tratado

O tratamento é multidisciplinar e orientado pela especificidade do quadro: intervenções psicoterápicas focalizadas na regulação emocional, manejo de sintomas e reestruturação de ganhos secundários são centrais. Em casos de amplificação de sintomas, abordagem psicoterápica e medidas de reabilitação funcional costumam reduzir a incapacidade; intervenção médica visa principalmente suporte e evitar procedimentos desnecessários. Para produção deliberada, a gestão envolve cuidado clínico atento, avaliação ética e, quando indicado, encaminhamento para avaliação psiquiátrica e social.

Classes de medicamentos

Não há medicamentos exclusivos para F68; classes frequentemente usadas tratam condições comórbidas que agravam o quadro: antidepressivos e ansiolíticos para depressão e ansiedade associadas, analgésicos quando necessário para sintoma doloroso, e antipsicóticos em casos selecionados com sintomas psicopatológicos específicos. A escolha medicamentosa foca sintomas comórbidos documentados, não no código em si.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação quando sintomas físicos persistem apesar de exames normais, quando há prejuízo nas atividades diárias, quando aparecem mudanças de comportamento indicando produção ou simulação de sintomas, ou quando há risco de procedimentos invasivos repetidos. Procure atendimento urgente se houver risco imediato à vida, sinais neurológicos sugestivos de doença orgânica, ideação suicida ou perda rápida de função. A avaliação precoce pode evitar exames e tratamentos desnecessários e orientar suporte psicossocial.

Uso em atestado

Atestados e laudos devem descrever claramente os achados clínicos, a substância dos sintomas, duração, exame realizado e justificativa para uso de F68 em vez de códigos vizinhos. Documentar limitações funcionais e necessidade temporária de afastamento sem afirmar previsões definitivas é recomendável. Evitar termos pejorativos e relatar observações objetivas que sustentem a conclusão clínica.

Perguntas frequentes sobre F68

O que significa ter o CID F68 no meu prontuário?

Significa que o médico identificou um transtorno da personalidade ou do comportamento que não se enquadra em códigos específicos e que fatores psicológicos ou comportamentais influenciam as queixas. Não é, por si só, um único diagnóstico médico definido.

Esse código justifica afastamento do trabalho?

O CID por si só não garante afastamento; a necessidade de afastamento depende da avaliação funcional, do laudo médico e da perícia competente. Documentação clara sobre incapacidade é essencial.

O CID F68 indica risco de contágio para familiares?

Não. Trata‑se de transtornos psicológicos/comportamentais ou de apresentação de sintomas; não são condições infecciosas.

Quais exames vão pedir após receber esse código?

Em geral, serão solicitados exames para excluir causas médicas relevantes (conforme a queixa) e avaliações psicológicas ou psiquiátricas para caracterizar a influência psicológica ou a possível produção de sintomas.

Qual a diferença entre F68 e F60 (transtorno de personalidade)?

F60 refere-se a transtornos de personalidade bem caracterizados por traços duradouros que começam na adolescência, enquanto F68 é usado quando o padrão não atende aos critérios de um transtorno de personalidade específico ou quando a apresentação é dominada por aspectos psicossomáticos ou de produção de sintomas.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há evidências objetivas (exames, observação) que sustentam a predominância de fatores psicológicos sobre a queixa física?
  • Qual é a duração e o padrão temporal dos sintomas que justificam classificar em F68 e não em um transtorno de personalidade F60?
  • Existem ganhos secundários documentados (sociais, econômicos) que possam orientar diagnóstico de F68.1 em vez de F68.0?
  • Que avaliação psiquiátrica e testes psicológicos foram realizados e como seus achados suportam o código escolhido?
  • Quais intervenções tentadas reduziram a queixa e como isso influencia a codificação futura?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • Este CID pode fundamentar pedido de afastamento laboral ou aposentadoria por invalidez em perícia previdenciária?
  • Que tipo de documentação e laudos médicos são necessários para contestar uma negativa de benefício quando o CID F68 aparece no prontuário?
  • Como a presença de F68.1 (produção deliberada) influencia responsabilização em processos trabalhistas ou previdenciários?
  • Em caso de perícia, quais evidências clínicas são mais relevantes para demonstrar incapacidade funcional relacionada ao CID F68?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • A operadora costuma exigir relatórios complementares quando o CID F68 consta em pedido de procedimentos diagnósticos?
  • Que documentação clínica costuma ser solicitada para autorizar tratamentos psicoterápicos associados ao CID F68?
  • Como a operadora avalia pedidos de internação quando o CID F68 é o diagnóstico principal?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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