F63.3 — Tricotilomania

  • Trichotillomania
  • hair-pulling disorder
  • transtorno de arrancamento de pelos

O CID F63.3 designa tricotilomania, transtorno caracterizado por impulsos repetidos de puxar cabelos ou pelos, causando perda perceptível e sofrimento ou prejuízo social, ocupacional ou outras áreas do funcionamento. Costuma surgir na infância ou adolescência, mas pode persistir na vida adulta. Não inclui arrancamento ocasional por hábito simples, por motivos médicos (ex.: dermatite pruriginosa) ou por causas culturais/religiosas. Exclui-se também o arrancamento intencional para obter ganho secundário simulado. O código refere-se ao quadro primário de controle do impulso, não a transtornos psicóticos nem a autocausas associadas a déficits sensoriais.


Em palavras simples

Esse código, CID F63.3, indica que você foi identificado com tricotilomania, ou seja, um padrão de arrancar cabelos ou pelos de forma repetida que tem impacto na sua vida. Não é apenas um hábito isolado: trata-se de um comportamento que vem acontecendo várias vezes, que você talvez tente controlar sem sucesso, e que pode deixar áreas com pouco ou nenhum cabelo ou pelos.

Quem tem tricotilomania costuma descrever sensações de tensão, inquietação ou necessidade de puxar antes do ato, e alívio ou conforto logo depois. Algumas pessoas fazem isso sem perceber, principalmente em momentos de distração, enquanto outras percebem claramente o impulso. Além do aspecto estético, é comum sentir vergonha, evitar situações sociais e ter preocupação com a aparência.

Tricotilomania não é contagiosa e nem é sinal de falta de força de vontade. O quadro pode começar na infância ou adolescência e em muitas pessoas se prolonga por anos sem tratamento. Em alguns casos melhora espontaneamente; em outros, sem intervenção, tende a persistir e pode até piorar com estresse. A gravidade varia muito entre indivíduos.

Normalmente o primeiro passo após receber esse código é uma avaliação detalhada: exame da pele e do couro cabeludo para verificar os danos locais e, frequentemente, avaliação por um profissional de saúde mental que perguntará sobre a frequência dos episódios, situações que os desencadeiam e se há tristeza, ansiedade ou outros sintomas. Em consultas de retorno, podem ser acompanhadas mudanças na aparência das áreas afetadas e o impacto na rotina. A necessidade de afastamento do trabalho ou escola depende do impacto funcional e será avaliada caso a caso.

Em casa, observe a frequência dos episódios e o que costuma anteceder cada um — tédio, ansiedade, ver televisão — e anote se percebe automação dos comportamentos (quando não nota que está puxando). Procure ajuda mais urgente se aparecerem infecções, dor intensa, sinais de sangramento que não param, ideias de autoagressão ou se o comportamento causar sofrimento psicológico severo. Buscar atenção médica não é admitir fraqueza, mas um passo para reduzir danos e melhorar qualidade de vida.

Quando usar este código

Usa-se este código quando há padrão crônico ou recorrente de arrancamento de cabelos/pelos com consequências clínicas claras — áreas de alopécia, sofrimento subjetivo, prejuízo funcional ou risco médico (infecções, lesões). O CID F63.3 aplica-se quando os critérios clínicos de transtorno do controle de impulsos são preenchidos e outras causas (dermatoses, alopecia areata, práticas culturais) foram descartadas.

Não confunda com

F10F19 (Transtornos mentais e comportamentais por uso de substâncias) — diferenciar quando perda de cabelo decorre de arritmia de hábitos associados a intoxicação ou abstinência; F63.3 exige impulso repetido sem vínculo direto à intoxicação aguda ou dependência.
L63 (Alopecia areata) — alopecia areata é autoimune com áreas bem delimitadas e sinais de repenação; F63.3 tem história de puxamento consciente/semiconsciente e trauma mecânico no couro cabeludo ou regiões pilosas.
L29 (Prurido) ou L20 (Dermatite atópica) — se coceira primária motiva arrancamento, o código principal será a dermatose; F63.3 é escolhido quando o comportamento de arrancamento é impulsivo e primariamente psiquiátrico.
F42 (Transtorno obsessivo-compulsivo) — quando pensamentos intrusivos e rituais repetitivos com intenção de neutralizar ansiedade predominam, F42 é preferível; em F63.3 o ato de puxar tem caráter impulsivo/tension-release, embora com sobreposição possível.

O que é

A tricotilomania é um transtorno do controle dos impulsos em que a pessoa sente uma tensão ou impulso crescente antes de puxar cabelos, pelos das sobrancelhas, cílios ou outras regiões, seguido de alívio ou prazer temporário. Os episódios podem variar de breves toques e puxões sem perda significativa a episódios ritualizados que causam áreas visíveis de perda capilar, insegurança social e problemas funcionais.

Manifestações incluem repetição crônica do comportamento, tentativas frustradas de reduzir ou parar, e preocupação com aparência. O quadro costuma iniciar na infância ou adolescência; fatores emocionais, estresse e padrões aprendidos contribuem. A apresentação varia entre episódios conscientes e automatizados, e entre quem procura tratamento e quem tenta ocultar o comportamento.

Sintomas

Principais sinais: arrancamento repetido de cabelos/pelos levando a alopecia, sensação de tensão prévia ou urgência e alívio após o ato, tentativas recorrentes de reduzir ou interromper o comportamento, prejuízo social ou ocupacional e tempo significativo gasto no comportamento. Sinais que aparecem cedo incluem arrancamento ocasional focado em áreas acessíveis (sobrancelhas, couro cabeludo) e relatos de ‘não perceber’ alguns episódios (componente automatizado). Indicadores de agravamento são perda extensa de cabelo, leituras de pele lesionada, infecções locais recorrentes, isolamento social e falha em tentativas sucessivas de controle.

Causas

Os mecanismos incluem interação entre fatores genéticos, neurobiológicos e psicossociais: predisposição a respostas impulsivas, variações na regulação dopaminérgica e serotonérgica, e reforço negativo/positivo pela sensação de alívio ou prazer após puxar. No Brasil, o gatilho mais observado na prática é o estresse emocional (envolvendo ansiedade ou tédio) combinado com padrões comportamentais aprendidos na infância ou adolescência. Comorbidades frequentes são depressão, transtornos de ansiedade e, ocasionalmente, transtorno obsessivo-compulsivo, o que complica a causa e o curso.

Como é diagnosticado

O diagnóstico é clínico e fundamenta-se na história detalhada do comportamento de puxar, duração e impacto. Confirma-se a indicação para CID F63.3 quando há padrão recorrente, sofrimento ou prejuízo funcional e exclusão de causas dermatológicas, neurológicas ou iatrogênicas. Avaliação deve documentar áreas afetadas, frequência/intensidade dos episódios, presença de tentativas de controle, comorbidades psiquiátricas e sinais de complicações médicas locais.

Como costuma ser tratado

O tratamento é multimodal e geralmente ambulatorial. Inclui intervenções psicoterápicas com foco em técnicas para aumentar a consciência dos episódios e desenvolver respostas alternativas, além de suporte para comorbidades como ansiedade e depressão. Em casos selecionados, intervenções farmacológicas podem ser empregadas como parte do manejo integrado. O acompanhamento visa reduzir frequência e dano, melhorar funcionamento social e laboral e prevenir complicações dermatológicas.

Classes de medicamentos

Classes medicamentosas usadas no manejo incluem antidepressivos e antipsicóticos atípicos em contextos específicos para comorbidades ou quando a terapia comportamental isolada é insuficiente; agentes ansiolíticos podem ser considerados para sintomas agudos de ansiedade associados. A escolha depende do quadro global, comorbidades e avaliação psiquiátrica.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação quando o puxamento causa áreas visíveis de perda, dor, infecção ou vergonha que afetam o trabalho, escola ou relacionamentos, quando houver tentativas falhas repetidas de controle, presença de pensamentos suicidas ou comorbidades como depressão grave. Busca precoce é indicada se o comportamento aumentar em frequência/intensidade ou houver risco médico direto.

Uso em atestado

Em atestados e laudos, documentar o comportamento observável, tempo de início, impacto funcional e necessidade de tratamento ou acompanhamento. Para afastamentos ou adaptações, detalhar limitações práticas (p.ex., exposição social) e previsão de acompanhamento sem sugerir recomendações terapêuticas específicas nem prometer resultado.

Perguntas frequentes sobre F63.3

O diagnóstico CID F63.3 significa que tenho uma doença grave?

Significa que há um transtorno de controle de impulsos com impacto funcional; a gravidade varia e pode ser tratada. A extensão do dano e o sofrimento determinam necessidade e urgência do tratamento.

A tricotilomania é contagiosa para familiares ou colegas?

Não é contagiosa; trata-se de um comportamento individual. Contudo, familiares podem ser impactados emocionalmente e participar do suporte.

Preciso fazer exames para confirmar o CID F63.3?

O diagnóstico é clínico, mas exames dermatológicos ajudam a excluir causas locais e documentar lesões; avaliações psiquiátricas identificam comorbidades.

Posso conseguir afastamento do trabalho com esse diagnóstico?

O afastamento depende do impacto funcional documentado em laudo e da avaliação pericial; não é automático pelo CID.

Como diferenciar tricotilomania de alopecia areata?

Profissionais buscam história de puxamento e sinais mecânicos na pele; alopecia areata tem origem autoimune e sinais clínicos diferentes, por isso a avaliação dermatológica é útil.

O tratamento demora muito para apresentar melhora?

A resposta varia; alguns notam redução de episódios em semanas a meses com intervenção adequada, mas acompanhamento prolongado pode ser necessário.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade