F63.2 — Roubo patológico [cleptomania]
- cleptomania
Em palavras simples
Receber o código CID F63.2 significa que os profissionais identificaram um padrão de comportamentos em que você tem impulsos repetidos de furtar objetos, sem que isso seja por necessidade de dinheiro ou por um plano criminoso. Em linguagem simples, fala-se em roubo patológico ou cleptomania: não é apenas ‘‘pegar algo’’, mas uma sensação interna forte que leva ao ato.
Quem tem esse quadro costuma relatar uma sensação de tensão ou agitação antes de furtar e, depois do ato, um alívio ou até prazer misturado com culpa. É comum sentir vergonha, medo de ser descoberto e problemas nas relações pessoais e no trabalho. Nem todo furto isolado é isso; o que importa é a repetição e a perda de controle.
Isso não significa que seja uma doença contagiosa; não ‘‘pega’’ de outra pessoa. A gravidade varia: para alguns é uma dificuldade que causa constrangimento, para outros leva a problemas legais e familiares. O tempo de duração também varia — pode ser episódico ou crônico — e depende de tratamento e apoio.
Normalmente, o próximo passo são consultas com profissional de saúde mental, avaliações para identificar outras condições associadas (como depressão, ansiedade ou uso de álcool/droga) e estabelecimento de um plano terapêutico. Em alguns casos há necessidade de documentação para trabalho ou perícia. O afastamento do trabalho não é automático; isso será avaliado com base no impacto funcional.
Em casa, observe se os episódios aumentam em frequência, se há risco de ser preso, ou se há uso de álcool/medicamentos que favoreçam impulsos. Procure ajuda imediatamente se houver pensamentos de autoagressão, risco legal iminente ou escalada do comportamento. Buscar apoio profissional e falar com alguém de confiança costuma ser o primeiro passo para reduzir prejuízos e retomar controle.
O que este código significa?
O CID F63.2 designa o chamado roubo patológico ou cleptomania, um transtorno dos impulsos caracterizado por episódios repetidos de furtar objetos que não são necessários para uso pessoal ou valor financeiro significativo. Aparece quando o ato de furtar é precedido por tensão crescente e seguido por alívio ou prazer, e quando causa prejuízo social ou ocupacional. Não inclui furtos cometidos por objetivo econômico, planejamento criminal, ou associados a transtornos psicóticos onde há delírio ou ordem. Também não cobre comportamento de furto ocasional sem padrão impulsivo. O diagnóstico exige padrão persistente e recorrente, não apenas um episódio isolado.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando o profissional identifica padrão persistente de roubo por impulso, com início geralmente na adolescência ou início da vida adulta, e quando foram descartadas motivações econômicas, culpa motivada por delírios, ou crimes planejados. Emprega-se para codificar avaliações psiquiátricas, laudos periciais e registros clínicos que descrevam o transtorno dos impulsos específico de cleptomania.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F63.0 (Jogo patológico) — separa-se por comportamento alvo e contexto: F63.0 refere-se a apostas persistentes com prejuízo financeiro, enquanto F63.2 refere-se a furtos impulsivos sem objetivo financeiro predominante.
F63.8 (Outros transtornos dos hábitos e dos impulsos) — usar F63.8 quando o impulso problemático não é especificamente o furto; F63.2 exige que o impulso de furtar seja a manifestação central e recorrente.
F23 (Transtornos psicóticos agudos e transitórios) — se o furto decorre de delírio ou alucinação que orienta a ação, o quadro pertence ao capítulo psicótico, não a F63.2.
O que é?
Roubo patológico, ou cleptomania, é um transtorno do controle de impulsos em que a pessoa sente impulsos repetidos e incontroláveis de furtar objetos que muitas vezes têm pouco ou nenhum valor para ela. Antes do ato, a pessoa pode sentir tensão crescente ou agitação; durante e após o furto pode haver alívio, prazer ou culpa intensa.
Manifesta-se por episódios recorrentes e não planejados de furto, frequentemente de itens facilmente escondidos, e causa sofrimento subjetivo ou prejuízo nas relações pessoais, trabalho ou legais. Não é simplesmente roubo por necessidade econômica nem comportamento criminoso intencionalmente planejado.
Quais sintomas aparecem?
Principais sinais incluem: impulsividade intensa antes do furto, sentimento de tensão ou inquietação que precede o ato, prazer ou alívio imediatamente após o furto, repetição do comportamento apesar de consequências negativas, e tentativa fracassada de resistir ao impulso. Sinais iniciais podem ser furtos esporádicos sem planejamento; agravamento envolve frequência crescente, risco legal, prejuízo ocupacional e aumento da sensação de perda de controle.
O que causa?
Os mecanismos exatos são multifatoriais: combinação de vulnerabilidade neurobiológica ao controle de impulsos, disfunções em circuitos fronto-estriatais e fatores genéticos que aumentam impulsividade. Psicossociais e ambientais — como história de abuso, estresse, ou aprendizado por alívio de tensão — também contribuem. Na prática brasileira, profissionais frequentemente observam comorbidade com transtornos do humor, transtornos por ansiedade ou uso de substâncias, e gatilhos situacionais como crises econômicas ou conflitos interpessoais.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico apoia-se em avaliação clínica detalhada: relato de episódios repetidos de furto impulsivo com padrão temporal, descrição das emoções antes e depois do ato, exclusão de motivações econômicas ou criminais planejadas, e investigação de comorbidades psiquiátricas ou neurológicas que expliquem o comportamento. Registros de episódios, relatos de terceiros e histórico legal podem sustentar a codificação. Este código exige que o furto seja o fenômeno impulsivo central, não secundário a outro transtorno primário.
Como costuma ser tratado?
O manejo costuma ser multidisciplinar e ambulatorial, combinando intervenções psicoterápicas voltadas ao controle de impulsos e ao manejo de emoções com avaliação de comorbidades psiquiátricas. Estratégias terapêuticas enfatizam redução da frequência dos episódios, melhora do controle comportamental e reabilitação psicossocial. A duração do tratamento varia conforme resposta clínica e presença de comorbidades.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Algumas classes farmacológicas são empregadas para tratar sintomas associados ou comorbidades que mantêm o comportamento impulsivo, por exemplo antidepressivos e estabilizadores do humor quando há transtorno do humor coexistente; também há uso de agentes para reduzir impulsividade em quadros selecionados. A escolha depende da avaliação clínica e da comorbidade, não do código isoladamente.
Quando procurar um médico?
Procurar avaliação profissional quando episódios de furto são recorrentes, quando há incapacidade de resistir ao impulso, ou quando o comportamento gera consequências legais, prejuízo no trabalho ou sofrimento intenso. Buscar ajuda também se houver pensamentos suicidas, consumo de álcool ou drogas que favoreçam o impulso, ou quando familiares observam risco crescente de dano social ou financeiro.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.
O pagamento e a responsabilidade pelo afastamento seguem regras legais: até 15 dias o empregador é o responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia. A soma de atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias é considerada para computar esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).
Essa regra dos 60 dias depende de identificação da mesma causa: é o CID constante no atestado que o perito usa para verificar se a doença é a mesma — por isso o código no documento tem papel prático na contagem, embora a inclusão do CID dependa da anuência do paciente. Informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório; sem o código, a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
Para que um atestado seja aceito, ele precisa trazer identificação do paciente, o período de afastamento, a data de emissão, a assinatura e o número do CRM do médico. A presença do CID no atestado só deve aparecer com o consentimento do paciente.
No caso de F63.2 (roubo patológico, cleptomania), trata‑se de um transtorno do controle de impulsos tipicamente recorrente e persistente, que pode causar prejuízo social, ocupacional ou legal. Nem sempre configura incapacidade laboral imediata; muitas vezes envolve acompanhamento ambulatorial e registro clínico mais do que um afastamento necessariamente prolongado. Como o quadro tende a ser crônico e com episódios repetidos, a regra dos 60 dias costuma ser relevante para quem apresenta atestados intermitentes pelo mesmo problema, pois permite ao perito avaliar continuidade do mesmo transtorno quando for necessário computar os períodos pagos pelo empregador ou pelo INSS.
Que direitos este código envolve?
Roubo patológico não elimina responsabilidade criminal, mas pode ser considerado na avaliação pericial quanto à imputabilidade e medidas alternativas. Direitos trabalhistas e benefícios dependem de laudo pericial e legislação aplicável; cada caso exige análise individual em processo administrativo ou judicial.
Perguntas frequentes sobre F63.2
O que significa receber o código CID F63.2 no meu prontuário?
Significa que a avaliação identificou um padrão de furtos impulsivos recorrentes, denominado roubo patológico ou cleptomania. É um diagnóstico psiquiátrico que descreve comportamento impulsivo e não cria automaticamente consequências legais ou trabalhistas.
Isso é contagioso ou hereditário?
Não é contagioso. Há fatores genéticos e ambientais que aumentam a vulnerabilidade, mas a presença do diagnóstico em parentes não implica transmissão direta.
Posso ser afastado do trabalho por esse diagnóstico?
O afastamento depende do impacto funcional documentado em laudo médico ou perícia, não apenas do código. A decisão considera capacidade para o trabalho e riscos associados.
Que exames são feitos para confirmar o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, baseado em entrevista detalhada, histórico de episódios e exclusão de outras condições; exames complementares podem ser feitos para avaliar comorbidades ou causas médicas associadas.
Qual a diferença entre roubo patológico e furto comum?
A diferença está na motivação e no padrão: na cleptomania o furto é impulsivo, repetido e não motivado por ganho financeiro ou plano criminoso, e está associado a tensão antes e alívio depois do ato.
O código pode mudar se for identificado que o furto foi por necessidade econômica?
Sim; se houver evidência de motivação econômica ou planejamento, o quadro é codificado de forma diferente, pois deixa de ser um transtorno do impulso isolado.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (6)
- Quando os episódios de furto começaram e qual a frequência nos últimos 12 meses?
- O furto é precedido por tensão/ansiedade e seguido por alívio ou prazer, conforme relato do paciente?
- Há histórico de uso de substâncias, transtorno do humor, ansiedade ou doenças neurológicas que expliquem o comportamento?
- Quais estratégias já foram tentadas para resistir ao impulso e qual foi a resposta?
- Existem registros legais ou relatos de terceiros que comprovem padrões repetidos?
- Há prejuízo ocupacional, familiar ou risco legal imediato que justifique intervenção pericial?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Como a presença de cleptomania influencia análise de imputabilidade criminal em perícia?
- Que tipo de documentação e laudos são recomendados para pleitear medidas alternativas à pena?
- Em casos trabalhistas, o transtorno pode justificar afastamento ou adaptações na função mediante perícia?
- Quais provas médicas e sociais são mais relevantes em defesa quando há antecedentes de furtos impulsivos?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos psicoterápicos ou avaliações psiquiátricas relacionadas ao CID F63.2 exigem autorização prévia do plano?
- O plano exige relatório detalhado com histórico de episódios e laudo psiquiátrico para liberar terapias especializadas?
- Como a operadora classifica cobertura para avaliações periciais e exames neuropsicológicos vinculados a controle de impulsos?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F60-F69
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F63.2)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.