G44.0 Síndrome de "cluster-headache"
- cefaleia em salvas
- cluster headache
- algias cefálicas em salvas
Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de cefaleia (dor de cabeça): todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.
Em palavras simples
Receber o código CID G44.0 significa que seu quadro foi classificado como a chamada síndrome de “cluster-headache”, popularmente conhecida como cefaleia em salvas. Em linguagem simples, isso quer dizer que você teve episódios de dor de cabeça muito intensos, geralmente de um lado só, que costumam se agrupar em períodos chamados salvas — com crises frequentes por dias ou semanas e depois um intervalo com pouca ou nenhuma dor.
Você provavelmente sente uma dor muito forte ao redor do olho ou na têmpora, que costuma vir rapidamente e pode durar pouco tempo, mas pode se repetir várias vezes por dia. Junto com a dor é comum aparecer vermelhidão ou lacrimejamento do olho do lado afetado, nariz entupido ou escorrendo e a sensação de inquietação durante a crise. A intensidade costuma atrapalhar atividades normais enquanto dura a crise.
Essa condição não é contagiosa. A gravidade é alta em termos de dor e impacto, mas não significa necessariamente que exista uma doença grave por trás; muitas vezes é uma cefaleia primária sem lesão cerebral. O curso pode ser episódico, com períodos de remissão, ou em alguns casos persistir por mais tempo. O que muda de pessoa para pessoa é a frequência e a duração desses períodos.
Depois do diagnóstico, o médico pode pedir exames para excluir causas secundárias se houver sinais diferentes do habitual. O acompanhamento costuma ser com neurologista ou especialista em dor de cabeça, que decide as opções de tratamento agudo e preventivo. Exames de imagem são solicitados apenas quando há algo atípico no exame ou na história clínica.
Em termos práticos, é importante anotar data, hora e características das crises (lado da dor, o que acontece junto) para mostrar ao médico. Caso precise de atestado, ele pode registrar o CID com sua concordância; sem esse código, atestados separados podem não somar para efeitos de perícia. Procure ajuda imediata se aparecerem sintomas novos como fraqueza, alteração de visão, confusão, perda de consciência ou se a dor mudar muito o padrão usual, porque aí pode ser necessário investigar outras causas.
Em casa, observe a frequência e intensidade das crises e relate tudo ao seu médico. Evite associar culpa ou medo ao código: ele descreve um padrão de dor. O tratamento e as orientações vão depender da gravidade do seu caso, da resposta às medidas iniciais e da necessidade de prevenção para reduzir recorrências.
O que este código significa?
O CID G44.0 designa a síndrome chamada em inglês de “cluster-headache”, caracterizada por crises de dor cefálica unilaterais, intensas e repetitivas, frequentemente acompanhadas de sinais autonômicos ipsilaterais (olho lacrimejante, congestão nasal, ptose). Aparece como episódios agrupados em períodos (salvas) com remissão entre eles, e também em formas crônicas sem remissão prolongada. Não inclui cefaleias tensionais, cefaleias pós‑traumáticas ou cefaleias secundárias por lesão intracraniana; nesses casos devem ser usados códigos diferentes. O registro deste código pressupõe as características clínicas típicas de duração, frequência e sinais autonômicos que o diferenciam de outras síndromes cefálicas. A presença de alterações neurológicas focais ou sinal de alarme sugere investigação para causas secundárias antes de classificar como G44.0.
Quando este código é usado?
Usa‑se G44.0 quando o quadro clínico corresponder à síndrome de cefaleia em salvas: dor muito intensa, unilateral, de início rápido, ocorrendo em episódios agrupados que podem repetir‑se várias vezes ao dia, acompanhada de sinais autonômicos ipsilaterais ou sensação de inquietude durante a crise. Deve ser reservado a apresentações primárias típicas; se houver suspeita de causa estrutural, infecciosa ou traumatismo associadas à dor, o código deve ser outro ou complementado por códigos de causa secundária.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
G44.2 (Cefaleia tensional) — diferencia‑se por dor tipicamente bilateral, pressão ou aperto de intensidade moderada, sem os sinais autonômicos unilaterais e sem a frequência de crises curtas e agrupadas típica de G44.0. G44.1 (Cefaléia vascular, não classificada em outra parte) — inclui quadros com suspeita de etiologia vascular quando houver exame neurológico focal ou exames de imagem que sugiram origem vascular; G44.0 é primária e baseada no padrão clínico de salvas e sinais autonômicos. G44.3 (Cefaléia crônica pós-traumática) — define dor que se inicia após trauma cranioencefálico; a presença de relação temporal clara com trauma exclui a classificação como cefaleia em salvas primária.
O que é?
A síndrome de “cluster-headache” é uma forma primária de cefaleia caracterizada por crises de dor muito intensa, geralmente localizadas ao redor do olho ou na região temporal de um lado, ocorrendo em episódios agrupados (sais) por semanas ou meses, seguidos por remissão. As crises costumam ser curtas mas de início rápido e frequentemente acompanham sinais autonômicos do lado afetado — olho lacrimejante, congestão nasal, rubor ou miose/ptose parcial — e uma sensação aguda de inquietação ou necessidade de caminhar.
O quadro pode surgir em adultos jovens a de meia idade, com prevalência maior em homens para a forma clássica episódica, embora exista variação individual. Existem formas episódicas (com períodos livres) e formas crônicas (sem remissão longa); o padrão de recorrência e os sinais autonômicos são centrais para o diagnóstico clínico.
Quais sintomas aparecem?
As queixas principais são dor unilateral muito intensa em torno do olho/temporal, ataque de início rápido e curta duração (mas com várias crises ao dia) e sintomas autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, vermelhidão ocular, congestão nasal, rinorreia, ptose ou miose. No início pode haver apenas dores isoladas; o surgimento de episódios múltiplos diários e a presença de sinais autonômicos confirmam o padrão de salvas. Agravamento pode ser indicado por aumento da frequência diária de crises, aparecimento de sintomas neurológicos focais, mudança de lateralidade ou resposta inadequada a terapêuticas usuais — sinais que exigem reavaliação e investigação de causas secundárias.
O que causa?
Trata‑se de uma cefaleia primária com mecanismos complexos envolvendo ativação do hipotálamo, disfunção do sistema trigeminovascular e ativação do sistema nervoso autônomo craniano, resultando na tríade de dor intensa, periodicidade e sinais autonômicos. Na prática brasileira, crises idiopáticas são o mais comum; causas secundárias (lesões estruturais, processos inflamatórios, lesões vasculares) são menos frequentes, mas devem ser excluídas quando há apresentação atípica, início muito abrupto em idade avançada, sinais neurológicos ou alteração no exame físico.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico é essencialmente clínico e feito quando o padrão das crises — dor unilateral muito intensa em torno do olho/temporal, curta duração com múltiplas crises diárias, sinais autonômicos ipsilaterais e periodicidade em salvas — está presente. Documentar a sequência das crises, lateralidade, duração e sintomas acompanhantes sustenta a classificação como G44.0. Exames de imagem (TC ou RM) e avaliação neurológica são usados para excluir causas secundárias quando há sinais atípicos, início tardio, déficits neurológicos ou falha terapêutica.
Como costuma ser tratado?
O tratamento desta síndrome combina medidas para cessar crises agudas e estratégias preventivas durante os períodos de salvas, com acompanhamento neurológico para ajustar intervenções conforme resposta. Recursos agudos incluem terapias de rápida ação administradas conforme disponibilidade e protocolo clínico; abordagens preventivas visam reduzir a frequência e intensidade das crises ao longo do período de salva. A escolha entre terapêuticas agudas e preventivas depende do padrão individual, da gravidade e da resposta ao tratamento inicial, e costuma ser feita por especialista.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas usadas incluem agentes para alívio agudo de ação rápida, agentes preventivos para reduzir a frequência das crises, além de adjuvantes para manejo de sintomas autonômicos e comorbidades. O manejo pode envolver terapias abortivas, bloqueios nervosos ou outras intervenções indicadas por neurologista de dor de cabeça.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação imediata ante sinais neurológicos novos (fraqueza, formigamento persistente, perda de visão), confusão, perda de consciência ou quando a dor apresentar alteração de padrão, aumento progressivo de frequência ou falha de medidas habituais. Busque atendimento se as crises forem tão intensas que impeçam atividades básicas, se houver febre associada ou se houver suspeita de causa secundária.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é determinado pelo médico que avaliou o caso concreto e pode variar entre pessoas com o mesmo código. Até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo pagamento; a partir do 16o dia o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. A contagem dos 60 dias é feita pelo perito a partir do CID constante no atestado, por isso o código no documento é prático para verificar continuidade do mesmo problema.
Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS.
Especificamente para G44.0, trata‑se de um quadro que costuma ocorrer em salvas intermitentes: episódios intensos e incapacitantes durante períodos, seguidos por remissão. Isso significa que o código pode justificar afastamentos pontuais durante crises ou durante um período de salva, mas a avaliação do médico perito e a necessidade funcional no trabalho vão orientar a continuidade do afastamento. Quando o quadro é recorrente em curto espaço de tempo, a regra dos 60 dias costuma ser relevante para somar períodos e avaliar transição ao auxílio previdenciário.
Que direitos este código envolve?
Registros e direitos relativos a afastamento por doença dependem da legislação trabalhista e previdenciária e da perícia médica. O CID no atestado facilita a verificação de continuidade do mesmo problema pelo perito, mas não garante concessão de benefício automático. Questões sobre aposentadoria por invalidez, estabilidade ou retorno ao trabalho são avaliadas caso a caso em perícia e por instâncias administrativas ou judiciais.
Perguntas frequentes sobre G44.0
O que significa ter CID G44.0 no atestado?
Significa que o médico registrou que seu quadro corresponde à síndrome de cefaleia em salvas, um padrão de crises de dor intensa unilateral com sinais autonômicos. O CID identifica o motivo clínico do afastamento, com sua anuência.
Esse código implica que preciso de afastamento do trabalho por muito tempo?
O CID sozinho não define tempo de afastamento; a duração é estabelecida pelo médico conforme o quadro e pela avaliação em perícia se houver necessidade de benefício previdenciário. A presença do CID pode ser usada para somar atestados relativos ao mesmo problema.
O CID G44.0 é contagioso para a família?
Não. Trata‑se de uma condição neurológica primária, não infecciosa. Não há risco de transmissão a outras pessoas por contato.
Que exames costumam ser feitos após esse diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, mas o médico pode solicitar neuroimagem (TC ou RM) se houver sinais atípicos, início em idade incomum ou déficits neurológicos, para excluir causas secundárias.
Quando devo procurar emergência em vez de esperar a consulta?
Procure imediatamente se surgirem sinais neurológicos novos (fraqueza, alteração de visão, confusão), perda de consciência ou se a dor estiver com mudança rápida de padrão, pois pode haver necessidade de investigação urgente.
Qual a diferença entre este código e uma cefaleia tensional?
A cefaleia tensional (G44.2) costuma ser bilateral, em aperto e menos intensa, sem os sinais autonômicos e sem o padrão de crises agrupadas típico de G44.0.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há padrão episódico ou crônico de crises e quando começou cada ciclo?
- Qual a lateralidade e quais sinais autonômicos (lacrimejamento, congestão nasal, ptose) acompanham as crises?
- Qual a frequência diária e a duração típica de cada crise durante o episódio atual?
- Houve trauma craniano recente, sinais neurológicos focais ou alteração do padrão que sugiram investigação por imagem?
- Quais tratamentos prévios foram testados e qual foi a resposta durante a última salva?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Este diagnóstico e compatível com incapacidade temporária para minhas funções habituais?
- Como a soma de atestados com o mesmo CID dentro de 60 dias pode influenciar o pedido de benefício previdenciário?
- Em perícia, que tipo de documentação clínica e registros de crise são úteis para comprovar limitação funcional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano costuma exigir autorização prévia para intervenções ou procedimentos vinculados ao tratamento de cefaleia em salvas?
- Há necessidade de apresentar laudo ou registro de crises para autorizar terapias preventivas ou agudas específicas?
- Como o plano avalia cobertura de tratamentos que exigem acompanhamento por especialista ou procedimentos ambulatoriais?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco G40-G47
- OMS — ICD-10, versão 2019 (G44.0)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.