H60 — Otite externa

  • inflamação do ouvido externo
  • otite do conduto auditivo
  • ear canal infection

Em palavras simples

Receber o código CID H60 significa que a inflamação está no ouvido externo, isto é, no canal que leva até o tímpano. Na linguagem do dia a dia é a chamada “otite do ouvido externo” ou “infecção do ouvido por fora”. Não é a mesma coisa que a otite média, que fica atrás do tímpano.

Quem tem otite externa costuma sentir dor ao tocar ou puxar a orelha, coceira dentro do ouvido, sensação de ouvido entupido e às vezes saída de líquido ou pus. A dor pode aumentar ao mastigar. O ouvido pode zumbir levemente e, se o canal entupir por secreção, a audição fica abafada.

Na maioria das vezes o quadro não é grave nem transmissível como uma gripe: muitas vezes vem depois de exposição à água (como natação), de limpar demais o ouvido com haste ou de ter uma pele sensível no canal. A duração varia: alguns casos melhoram em poucos dias com cuidados locais; outros, especialmente quando há edema importante ou infecção por fungo, demoram mais e precisam de acompanhamento.

O caminho usual é uma avaliação médica que confirma que a inflamação está limitada ao conduto. Pode haver limpeza do canal para tirar secreção e, conforme o caso, tratamento tópico ou orientações sobre higiene. Em geral não é preciso afastamento prolongado, salvo dor intensa ou necessidade de procedimentos. Se houver suspeita de envolvimento do tímpano, novos exames ou outro código poderão ser registrados.

Em casa, é útil evitar molhar ou manipular o ouvido com objetos e observar o nível de dor, a presença de febre ou aumento da secreção. Procure ajuda sem esperar se a dor piorar muito, aparecer febre alta, inchaço ao redor da orelha, fraqueza facial ou se a audição cair muito. Caso o problema volte muitas vezes, informe ao médico: pode haver uma causa de pele ou uma rotina que precisa ser ajustada.

O que este código significa?

O CID H60 designa otite externa, isto é, inflamação do canal auditivo externo que pode ser infecciosa, alérgica ou traumática. Aparece comumente como dor de ouvido, prurido, sensação de ouvido tampado e às vezes secreção. Varia de quadro leve e autolimitado a formas mais dolorosas ou com obstrução do canal. Não inclui otite média (inflamação da orelha média) nem doenças primariamente do pavilhão auricular. Subcódigos especificam causa e forma clínica.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando o quadro clínico, exame otoscópico e anamnese indicam inflamação ou infecção limitada ao conduto auditivo externo, sem comprometimento primário da orelha média ou complicações sistêmicas que justifiquem outro capítulo da CID.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

H66 — Otite média: a diferenciação baseia-se em sinais de orelha média (otoscopia com timpano opaco, abaulamento ou perfuração). Se a inflamação é restrita ao conduto e o timpano é visível e normal, o código é H60. H61 — Outras afecções do ouvido externo: reservado para lesões ou deformidades estruturais do ouvido externo; usar H61 quando a alteração for anatômica e não inflamatória primária do conduto. B02 — Herpes zoster oticus (síndrome de Ramsay Hunt): diferenciar pela presença de vesículas, paralisia facial e dor intensa; se houver infecção cutânea herpética envolvendo o conduto e síndrome neurológica, preferir B02 com códigos complementares.

O que é?

Otite externa é a inflamação do conduto auditivo externo, que vai da concha auricular até a membrana timpânica. Manifesta-se por dor local, prurido, sensação de obstrução e, em alguns casos, secreção purulenta; a pele do conduto costuma estar avermelhada e sensível à manipulação.

Afeta todas as idades, mas é mais frequente em pessoas expostas à umidade (nadadores), que fazem limpeza agressiva do ouvido, têm dermatites do conduto ou uso de próteses/auriculares. A gravidade varia desde desconforto leve até dor intensa e fechamento do canal por edema.

Quais sintomas aparecem?

Principais sintomas: dor auricular localizada, prurido no conduto, sensação de ouvido tampado e possível secreção. Sintomas que aparecem cedo incluem prurido e desconforto ao tocar ou puxar o lóbulo. Indicações de agravamento são dor intensa que limita o sono, secreção purulenta profusa, febre alta, linfadenopatia regional ou perda auditiva progressiva por obstrução do conduto.

O que causa?

Mecanismos: quebra da barreira cutânea do conduto seguida de colonização bacteriana (p.ex. Pseudomonas, Staphylococcus) é a causa mais comum na prática brasileira; ambientes úmidos favorecem esse processo. Outros mecanismos incluem dermatites alérgicas ou de contato, infecções fúngicas (mais em ambientes quentes/úmidos), trauma por limpeza com hastes ou corpos estranhos e reações a próteses ou auriculares.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado em história e otoscopia que mostra pele inflamada do conduto com ou sem secreção e, em geral, preservação do aspecto do tímpano. Este código exige confirmação de que a lesão está limitada ao ouvido externo; achados que indiquem envolvimento da orelha média justificam outro código. Cultura e exames laboratoriais são reservados a casos graves, recorrentes ou refratários.

Como costuma ser tratado?

O tratamento habitual é ambulatorial e direcionado à causa identificada: medidas locais para remover detritos, cuidados com higiene auricular evitando trauma e controle da umidade; em casos de infecção, terapias tópicas são frequentemente usadas. Quadros extensos, com celulite, dor intensa ou risco de complicações podem demandar manejo mais intensivo e avaliação especializada.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes usadas incluem agentes tópicos antimicrobianos (antibacterianos e antifúngicos) e anti-inflamatórios locais; analgésicos e anti-inflamatórios sistêmicos podem ser empregados para controle sintomático quando necessário. Em casos específicos, antibióticos sistêmicos são considerados por gravidade ou disseminação.

Quando procurar um médico?

Procurar atendimento se houver dor intensa, febre, aumento rápido da secreção, sinais de infecção estendendo-se ao pavilhão auricular, perda auditiva marcada ou se os sintomas não melhorarem com medidas iniciais. Busque avaliação imediata diante de sinais neurológicos, dor facial ou edema extensivo.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo CID podem receber períodos diferentes.

Até 15 dias de afastamento, o empregador é responsável pelo pagamento; a partir do 16º dia o INSS assume e pode exigir perícia (Lei 8.213/91, art. 60, §3º). Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins desse limite, conforme Decreto 3.048/99, art. 75.

A regra dos 60 dias é aplicada pelo perito usando o CID constante no atestado para verificar se trata-se da mesma doença; ou seja, é o código que permite ao perito identificar se episódios separados correspondem ao mesmo motivo de afastamento.

Para que um atestado seja aceito devem constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. O CID só deve ser informado com anuência do paciente — não há obrigação de comunicar o diagnóstico ao empregador — e, se o código não estiver presente, a soma dos atestados dentro do prazo de 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso de H60 (otite externa), o curso típico é, na maioria das situações, um quadro agudo que tende a ser tratado de forma ambulatorial e pode resolver sem necessidade de acompanhamento prolongado; entretanto, a otite externa também pode ser recorrente em pessoas expostas a fatores de risco (umidade, manipulação do conduto, dermatites), e episódios com dor intensa ou obstrução do canal podem limitar temporariamente o trabalho. Por essa razão, quando há repetição de atestados com o mesmo CID em curto intervalo, a regra dos 60 dias é relevante para verificar se os afastamentos se somam para aplicação das regras de pagamento e da perícia.

Perguntas frequentes sobre H60

Otite externa é contagiosa?

Em geral não é contagiosa como resfriado; trata-se de inflamação local, embora agentes infecciosos possam ser transmitidos em situações específicas, a maioria dos casos decorre de condições locais do ouvido.

Preciso de atestado para trabalho quando tenho CID H60?

O atestado depende da incapacidade funcional e da atividade profissional; pequenos desconfortos podem não justificar afastamento, enquanto dor intensa que impeça tarefas pode requerer atestado clínico.

Como diferenciar otite externa (H60) de otite média (H66)?

A otoscopia é o critério principal: na otite externa o tímpano costuma estar visível e sem sinais de inflamação, enquanto na otite média há alterações do tímpano e sinais de líquido ou pressão atrás dele.

É necessário exame de imagem para confirmar H60?

Normalmente não; o diagnóstico é clínico e feito por otoscopia. Exames adicionais ocorrem em casos complicados ou com suspeita de extensão da infecção.

O CID H60 muda se a infecção se espalhar para estruturas adjacentes?

Sim; se houver celulite do pavilhão auricular, abscesso ou acometimento sistêmico, podem ser necessários códigos adicionais ou diferentes para refletir a extensão.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • O quadro é limitado ao conduto auditivo com tímpano visualizado e normal?
  • Existem sinais de infeção por fungo ou bactéria que justifiquem cultura do material?
  • Há fator predisponente identificável (exposição à água, trauma, prótese auditiva, dermatite)?
  • O edema do conduto compromete a visualização do tímpano e exige remoção de detritos em procedimento?
  • Quando o caso deve ser recodificado para H66 por suspeita de envolvimento da orelha média?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Existe base para afastamento laboral por incapacidade temporária relacionadas a H60 neste caso?
  • Como a perícia avalia recorrência de otite externa para fins de benefício previdenciário?
  • Que documentação clínica é necessária para comprovar limitação funcional por H60 em processo trabalhista?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Este procedimento diagnóstico ou terapêutico requerido para H60 necessita de pré-autorizaçãO da operadora?
  • Quais justificativas clínicas aceitas pela operadora para cobertura de procedimento de remoção de detritos ou limpeza do conduto?
  • O plano costuma reconhecer substituição do tratamento tópico por terapia sistêmica em casos de complicação?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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