M62.0 — Diástase de músculo

  • diástase abdominal
  • separação dos retos abdominais
  • diástase do reto abdominal

Em palavras simples

Receber o código CID M62.0 significa que o que foi identificado é uma diástase: o afastamento entre músculos, geralmente os dois músculos retos do abdome, que deixa a linha média do ventre mais frouxa. Em linguagem simples, é quando “os músculos da barriga se afastam” e isso aparece como uma protuberância ou abaulamento quando você faz força com o abdome, tosse ou se levanta.

Você provavelmente sente uma sensação de fraqueza na barriga, pode notar uma protuberância no meio do abdome, desconforto para fazer esforços e, às vezes, incômodo nas costas por perda de sustentação. Nem sempre há dor intensa; muitas pessoas procuram por motivo estético ou por dificuldade para voltar a exercícios ou carregar peso.

Na maioria dos casos, a diástase não é contagiosa nem uma doença que “se espalha” para outras pessoas. A gravidade varia: pode ser uma alteração leve e estável ou, em alguns casos, gerar sintomas que incomodam bastante. O tempo de melhora depende do tratamento, geralmente com exercícios e reabilitação que podem levar meses; em situações com impacto funcional maior, procedimentos cirúrgicos são avaliados.

Depois da identificação, o caminho comum inclui avaliação clínica detalhada, exames de imagem para medir o afastamento e encaminhamento para fisioterapia especializada. Em consultas de retorno, o profissional avalia a evolução do tônus e a resposta aos exercícios; o afastamento por si só não exige sempre afastamento laboral, mas limitações funcionais devem ser registradas em atestado quando presentes.

Em casa, observe aumento do abaulamento, dor nova ou intensa, massa dolorosa localizada ou sinais de inflamação (vermelhidão, calor) — nesses casos procure atendimento. Também é útil monitorar como suas atividades diárias e exercícios influenciam os sintomas e comunicar mudanças ao profissional que acompanha.

O que este código significa?

O CID M62.0 designa a diástase de músculo, termo usado quando há afastamento anormal entre fibras musculares, mais frequentemente observado entre os músculos retos abdominais. Aparece tipicamente após sobrecarga, gravidez ou perda de tônus, e é identificado por abaulamento ou depressão ao esforço abdominal. Não inclui ruptura completa do músculo (que costuma ser codificada separadamente) nem atrofia ou infarto muscular isolados. A alteração pode coexistir com hérnia, mas a presença de defeito fascial verdadeiro sugere outro código em complemento. A classificação refere‑se ao transtorno da arquitetura muscular, não a uma causa específica.


Quando este código é usado?

Usa‑se este código quando a principal descrição clínica e/or investigação apontam para separação fascial ou afastamento dos ventres musculares sem ruptura total, com sintomas locais ou impacto funcional. Emprega‑se na documentação de diagnóstico, laudos e registros quando a diástase é a condição predominante investigada ou tratada.

Não se aplica quando há ruptura completa do músculo, infarto isquêmico muscular primário, atrofia isolada sem separação ou lesão traumática com laceração documentada.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M62.1 — Outras rupturas musculares (não-traumáticas): ruptura tem perda contínua da integridade do ventre muscular demonstrada por exame de imagem ou cirurgia; diástase mostra afastamento sem solução de continuidade.

M62.6 — Distensão muscular: distensão refere‑se a lesão aguda por estiramento com dor súbita; diástase costuma ser alteração crônica da linha alba com abaulamento progressivo e sem história única de entorse.

M62.5 — Perda e atrofia muscular não classificadas em outra parte: atrofia envolve diminuição de massa muscular documentada; diástase descreve separação entre músculos com ou sem perda de tônus, e exige avaliação anatômica da linha média.

O que é?

Diástase de músculo é o afastamento anormal entre os ventres musculares que normalmente se encontram próximos na linha média, mais frequentemente entre os retos abdominais. Clinicamente manifesta‑se por abaulamento ou protuberância na linha média ao esforço, sensação de fraqueza da parede abdominal e alteração da estética abdominal.

Costuma ocorrer em mulheres após gravidez, em pessoas com aumento crônico da pressão intra‑abdominal (obesidade, tosse crônica), ou após perda de tônus muscular. Nem toda diástase causa dor intensa; o impacto varia de acordo com a largura do afastamento e com sintomas funcionais associados.

Quais sintomas aparecem?

Principais sinais incluem abaulamento da linha média ao esforço, sensação de fraqueza ou pressão no abdome e desconforto ao erguer objetos. Sinais que aparecem cedo são a sensação de “fraqueza” e o aparecimento visível de protuberância ao levantar a cabeça ou tossir. Sintomas que indicam agravamento incluem aumento do abaulamento, dor persistente limitante nas atividades diárias, ou surgimento de queixas associadas como episódios de sensação de instabilidade lombar; aparecimento de massa dolorosa focal ou sinais inflamatórios sugerem investigação para hérnia ou ruptura.

O que causa?

Mecanismos incluem alongamento e enfraquecimento da linha alba e do tecido conectivo que une os ventres musculares, por sobrecarga crônica, alterações hormonais (gestação), rápido aumento ou perda de peso e perda de tônus muscular. Na prática brasileira, a causa mais frequente é a gravidez com múltiplos partos e esforço repetido associado a recuperação insuficiente do músculo.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico sustentado por exame físico que demonstra afastamento e abaulamento na linha média ao esforço; medidas da largura do afastamento e avaliação da função abdominal ajudam a documentar a condição. Ultrassonografia ou tomografia são usadas para quantificar o espaço entre os músculos, avaliar o complexo fascial e excluir hérnia ou ruptura verdadeira—esses achados orientam a codificação em M62.0 quando não há solução de continuidade.

Como costuma ser tratado?

Aborda fortalecimento muscular e reequilíbrio funcional em esquema geralmente ambulatorial, com fisioterapia focada em controle motor e exercícios de reconstituição do tônus. Intervenção cirúrgica é considerada quando há sintomatologia incapacitante, falha do tratamento conservador ou coexistência de hérnia com defeito fascial significativo.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Não existe classe medicamentosa específica para “curar” diástase; medicamentos são usados para controle sintomático da dor ou condições concomitantes (analgésicos e anti‑inflamatórios quando indicados por profissional), e não substituem reabilitação funcional.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação quando o abaulamento aumenta, há dor progressiva que limita atividades, sensação de massa dolorosa, alterações intestinais associadas ou sinais de inflamação local. Busca por equipe de saúde é indicada se houver impacto nas atividades diárias, dificuldade para realizar exercícios de reabilitação, ou preocupação estética significativa que demande orientação.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Quanto ao pagamento e à perícia, até 15 dias de afastamento quem paga o salário é o empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3). A partir do 16º dia o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia. A regra sobre 60 dias prevê que atestados pelo mesmo motivo dentro desse intervalo se somam para contar os 15 dias pagos pelo empregador (Decreto 3.048/99, art. 75).

Na prática, o CID que consta no atestado é o elemento que o perito usa para saber se dois atestados são pelo mesmo motivo — ou seja, é a razão prática pela qual o código aparece ali e determina se os períodos se acumulam no cálculo dos 15 dias. Pouca gente sabe que essa verificação depende do código informado no documento.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, estar datado e conter assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID depende do consentimento do paciente: não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, e sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso específico do CID M62.0 (diástase de músculo), trata‑se de alteração da arquitetura muscular — muitas vezes uma condição que se acompanha e trata de maneira conservadora, com impacto funcional variável. Nem sempre implica incapacidade total para o trabalho; costuma ser mais um quadro a ser acompanhado e registrado, com possível necessidade de reabilitação funcional, e pode ser recorrente em situações de sobrecarga ou perda de tônus. Por isso, quando os episódios se repetem dentro do intervalo de 60 dias, a regra da soma importa mais: a presença do CID no atestado permite ao perito verificar se se trata do mesmo motivo e, assim, aplicar corretamente as regras de contagem dos dias pagos pelo empregador antes da intervenção do INSS.

Perguntas frequentes sobre M62.0

O que exatamente o CID M62.0 significa no meu atestado?

Indica que o diagnóstico principal registrado é diástase muscular, ou seja, afastamento dos músculos, descrito como problema da parede abdominal sem ruptura completa.

A diástase é justificativa para afastamento do trabalho?

Depende do impacto funcional e da avaliação do médico e da perícia; atestado deve descrever limitações específicas para fundamentar afastamento.

Preciso de exame de imagem para confirmar o diagnóstico?

O diagnóstico costuma ser clínico, mas ultrassonografia dinâmica ou tomografia são usados para quantificar o afastamento e excluir hérnia associada.

A diástase costuma melhorar sozinha após o parto?

Muitas vezes há melhora parcial com tempo e reabilitação, mas a evolução varia; alguns casos mantêm afastamento significativo sem intervenção específica.

A diástase é uma emergência médica?

Em geral não; procure urgência se houver dor intensa, massa sensível, sinais de inflamação ou alterações intestinais associadas.

Qual a diferença entre diástase e hérnia?

Diástase é afastamento sem solução de continuidade fascial; hérnia envolve um defeito fascial com protrusão de conteúdo abdominal e pode requerer abordagem cirúrgica diferente.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual é a largura máxima do afastamento medida por ultrassom que justificaria considerar cirurgia?
  • Existe hérnia associada ou solução de continuidade na linha alba que altere o código?
  • Qual a evolução esperada da função abdominal após seis meses de reabilitação?
  • Que déficits funcionais específicos (estabilidade lombar, tolerância a esforço) justificam manutenção do diagnóstico M62.0?
  • Há comorbidades (obesidade, tosse crônica) que requerem tratamento conjunto para evitar recidiva?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • A diástase isolada pode fundamentar afastamento previdenciário por incapacidade temporária?
  • Que documentos e exames são essenciais para perícia sobre limitação funcional causada por diástase?
  • Como comprovar relação entre atividade laboral e agravamento da diástase em ação trabalhista?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • A reabilitação fisioterápica para diástase precisa de pré‑autorização e quais documentos técnicos justificarão o pedido?
  • A operadora costuma exigir imagem confirmatória (ultrassom/TC) para autorizar procedimento cirúrgico correlato?
  • Quais códigos de procedimento e justificativas clínicas são mais frequentemente questionados em negativas para reparo cirúrgico da parede abdominal?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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