M62.2 — Infarto isquêmico do músculo

  • infarto muscular
  • necrose isquêmica muscular
  • lesão muscular por isquemia

O CID M62.2 designa necrose focal do tecido muscular causada por perda de suprimento sanguíneo (isquemia) levando a ‘‘infarto’’ do músculo. Aparece em contexto de trombose arterial local, compressão prolongada, embolia ou comprometimento vascular regional; não inclui rupturas traumáticas primárias, miopatias inflamatórias sistêmicas ou atrofia neurogênica. O código cobre achados clínicos e de imagem que confirmem lesão isquêmica muscular localizada ou exame anatomopatológico mostrando necrose por isquemia. Inclui apresentações sintomáticas com dor e massa localizada, bem como áreas assintomáticas encontradas em exames de imagem.


Em palavras simples

Receber o código CID M62.2 significa que uma parte do seu músculo sofreu uma falta de sangue que levou à morte localizada desse tecido — os médicos descrevem isso como ‘‘infarto’’ do músculo. Não é uma infecção que se espalha por todo o corpo, nem necessariamente uma ruptura por esforço: é uma lesão decorrente de perfusão inadequada numa área específica.

O que você provavelmente sente é dor localizada, sensibilidade no local e, às vezes, um endurecimento ou sensação de massa. Pode haver limitação para usar o membro afetado; em alguns casos vem junto febre ou mal-estar. Se o infarto foi pequeno, pode até passar despercebido e ser detectado em imagem feita por outro motivo.

Se é grave depende do tamanho da área e da causa. Alguns casos são tratados de forma ambulatorial; outros exigem intervenção médica, principalmente quando há risco de comprometimento vascular maior ou infecção sobreposta. Infarto muscular não é contagioso. A duração do desconforto e da recuperação varia: a cicatrização e recuperação funcional podem levar semanas a meses, dependendo da extensão.

O que costuma acontecer a seguir é avaliação por imagem (ultrassom, tomografia ou ressonância) para saber quanto tecido foi afetado e exames para procurar a causa — por exemplo, problemas de circulação ou trombose. Pode haver encaminhamento a especialista vascular ou cirurgia. O médico pode solicitar retornos para avaliar dor, função e sinais de complicação.

Em casa, observe dor que aumenta muito, calor ou vermelhidão intensa no local, aparecimento de febre, perda de sensibilidade ou cor estranha na pele do membro — esses sinais exigem avaliação médica urgente. Continue o acompanhamento e leve os exames de imagem e laudos para as consultas. O código no atestado ou no prontuário descreve o que foi encontrado; ele serve para documentar a condição, mas as decisões sobre trabalho e licença dependem da avaliação do médico e, quando necessário, da perícia.

Quando usar este código

Usa-se este código quando há evidência clínica, de imagem ou histológica de necrose muscular por isquemia focal que não decorre de ruptura traumática nem se insere em outras miopatias específicas.

Não confunda com

M62.6 (Distensão muscular) — Distensão é uma lesão por esforço/sobrecarga do tecido muscular sem evidência de perda vascular; clinicamente há dor aguda relacionada a movimento e imagem tende a mostrar edema/lesão fibrilar, não necrose isquêmica focal confirmada.

M62.1 (Outras rupturas musculares (não-traumáticas)) — Ruptura refere-se a solução de continuidade das fibras musculares com hematoma; o diagnóstico separa-se pela presença de ruptura estrutural na imagem/inspeção cirúrgica, enquanto M62.2 requer evidência de isquemia e necrose localizada.

M62.5 (Perda e atrofia muscular não classificadas em outra parte) — Atrofia é redução progressiva do volume muscular por desuso ou denervação; ao contrário, infarto isquêmico é um evento focal agudo/subagudo com necrose demonstrável e muitas vezes dor aguda ou massa palpável.

O que é

Infarto isquêmico do músculo é a morte de um trecho de tecido muscular por insuficiência súbita ou progressiva do fluxo sanguíneo, resultando em necrose. Manifesta-se por dor localizada, endurecimento ou massa palpável, e pode acompanhar alterações inflamatórias locais e sistêmicas; o quadro varia conforme a extensão, a velocidade de instalação e a causa vascular.

Pessoas com aterosclerose, doença vascular periférica, episódios de compressão prolongada (p.ex. posição prolongada em dependência), trombose, embolia, ou procedimentos endovasculares apresentam maior risco. Também pode ocorrer em contextos de coagulopatia, vasculite ou trauma compressivo secundário.

Sintomas

Principais sinais são dor localizada de intensidade variável, aumento de volume ou massa fixa, endurecimento muscular e limitação funcional do segmento afetado; inicialmente pode haver dor aguda e sensibilidade à palpação. Sinais de agravamento incluem aumento rápido da dor, sinal inflamatório local claro (vermelhidão, calor), febre e sinais sistêmicos, assim como comprometimento neurovascular distal (parestesias, palidez, perda de pulso) que sugerem isquemia extensa.

Causas

Mecanismo central é interrupção do fluxo arterial ou perfusão tecidual insuficiente, seguida de necrose por falta de oxigênio e nutrientes. No Brasil, causas práticas frequentes são trombose arterial em pacientes com doença vascular periférica, compressão prolongada (p.ex. posição prolongada ou esmagamento), êmbolos arteriais e ischemia relacionada a procedimentos vasculares. Menos frequentemente, vasculites, coagulopatias ou infecções que comprometem microcirculação podem levar ao mesmo quadro.

Como é diagnosticado

O diagnóstico deste código exige evidência de isquemia e necrose muscular localizada sustentada por exame; sinais clínicos suspeitos são confirmados por imagem (ultrassom com Doppler, tomografia, ressonância magnética) mostrando zona de necrose/hipoperfusão ou por exame anatomopatológico que demonstre changes isquêmicos no tecido. Exames que identifiquem comprometimento arterial regional ou trombo/êmbolo sustentam a etiologia isquêmica e reforçam a codificação como M62.2.

Como costuma ser tratado

Abordagem envolve restauração ou manejo da perfusão quando possível, controle da dor e prevenção de complicações locais e sistêmicas; em muitos casos há necessidade de intervenção vascular, descompressão ou tratamento cirúrgico do tecido necrótico. O plano pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme extensão e risco, e inclui seguimento para avaliar recuperação funcional e risco de recorrência.

Classes de medicamentos

Classes usadas no manejo incluem analgésicos para controle sintomático, anti-inflamatórios conforme indicação clínica e agentes que tratem a causa subjacente — por exemplo anticoagulantes/antitrombóticos quando a etiologia for trombótica ou embólica. Em contexto de infecção secundária, antimicrobianos específicos podem ser necessários; agentes vasoativos são considerados no manejo hemodinâmico conforme avaliação vascular.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação médica imediata se houver dor muscular intensa de início súbito, aumento rápido de volume ou massa na musculatura, sinais de comprometimento circulatório distal (palidez, perda de pulso, formigamento) ou febre associada. Para os casos já em acompanhamento, retorno é indicado diante de piora da dor, sinais de infecção local ou perda súbita de função do membro afetado.

Uso em atestado

Atestados devem descrever local, extensão aparente e limitações funcionais observadas, sem presumir tempo exato de afastamento; relatórios médicos que fundamentam perícia precisam registrar evidências objetivas (imagens, achados cirúrgicos ou histológicos) que sustentam o diagnóstico de infarto isquêmico muscular.

Perguntas frequentes sobre M62.2

O que exatamente significa ter o código CID M62.2 no meu atestado?

Significa que foi identificada uma área do músculo com necrose por falta de suprimento sanguíneo. O atestado descreve essa condição e normalmente é acompanhado de exames que a confirmam.

O infarto muscular é contagioso ou vem de bactéria?

Não, infarto muscular é necrose por isquemia, não é uma infecção contagiosa; entretanto, tecido necrótico pode infectar-se secundariamente, o que é uma complicação distinta.

Vou precisar parar de trabalhar quando tiver M62.2?

A necessidade de afastamento depende da extensão da lesão, da função exigida no trabalho e da avaliação clínica; o CID documenta a condição, mas não decide automaticamente o afastamento.

Quais exames confirmam o diagnóstico do CID M62.2?

Imagens como ultrassom Doppler, tomografia ou ressonância que mostrem área de hipoperfusão/necrose e, quando acionado, biópsia com anatomopatologia que comprove necrose por isquemia são os principais exames de confirmação.

Como diferenciar este código de uma distensão muscular comum?

Distensão por esforço tende a mostrar edema e ruptura fibrilar sem evidência de perda vascular; a isquemia mostra zonas de necrose e alteração de perfusão em exames específicos.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quando a imagem demonstra área hipocaptante no músculo, qual critério imagiológico eu preciso para codificar M62.2 em vez de outra lesão?
  • Qual a duração mínima de sintomas ou achado histológico que sustenta uso de M62.2 em vez de lesão aguda sem necrose comprovada?
  • Que achados em angiografia ou Doppler mudariam o código para uma causa vascular primária (ex.: I70.-) em vez de M62.2?
  • Em que situação a biópsia é indispensável para confirmar a necrose isquêmica e justificar M62.2?
  • Quando o achado de massa muscular por imagem sem dor deve ser codificado como M62.2 e quando como outro código de neoplasia/lesão?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O diagnóstico de infarto isquêmico do músculo pode fundamentar pedido de afastamento temporário por incapacidade laboral?
  • Que documentação pericial é necessária para comprovar relação entre acidente/atividade laboral e M62.2?
  • Como a comprovação histológica influencia decisão em processos previdenciários sobre incapacidade por doença músculo-esquelética?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
  • Quais exames de imagem são comumente exigidos pela operadora para autorizar procedimento intervencionista por isquemia muscular?
  • Em que condições a operadora costuma solicitar laudo anatomopatológico para liberar cobertura de cirurgia de ressecção de tecido necrótico?
  • Como registrar o CID M62.2 na guia para evitar negativa por divergência com o procedimento solicitado?
  • Existe exigência de relatório do especialista vascular para autorização de procedimento endovascular em caso de isquemia muscular?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Assine nossa newsletter
© CIDs Med. Todos os direitos reservados.
Política de privacidade