M71.1 — Outras bursites infecciosas

  • bursite séptica
  • bursite supurada
  • infecção de bolsa sinovial

O CID M71.1 designa outras bursites de origem infecciosa, isto é, inflamação de uma bolsa sinovial causada por microrganismos. Aparece quando há sinais locais de inflamação com suspeita ou confirmação microbiológica de infecção na bursa e não se enquadra nas outras subcategorias como abscesso de bolsa sinovial (M71.0). Não inclui bursites não infecciosas, cistos sinoviais não infectados ou depósitos metabólicos na bolsa sinovial. Este código cobre apresentações em diferentes localizações (ombro, quadril, joelho, cotovelo etc.) desde que a etiologia seja infecciosa. A codificação requer correlação clínica e, quando possível, evidência laboratorial ou de imagem compatível com infecção.


Em palavras simples

O código CID M71.1 refere‑se a uma bursite causada por infecção na bolsa sinovial, que é um pequeno compartimento cheio de líquido que ajuda a reduzir atrito entre tendões e ossos. Na linguagem do dia a dia, significa que uma das “almofadinhas” perto de uma articulação inflamou porque entrou micróbio. Nem toda dor ou inchaço é isso; aqui há suspeita ou confirmação de infecção.

Você provavelmente sente dor localizada intensa, vermelhidão e inchaço no ponto afetado, com aumento da sensibilidade e dificuldade de mover a articulação vizinha. Pode haver calor no local e, às vezes, febre ou mal‑estar geral. Em alguns casos pode sair secreção se a pele estiver rompida.

Não costuma ser contagioso por contato casual; a infecção geralmente entra pelo próprio corpo, por ferida, mordida ou por contaminação direta. A gravidade varia: muitos casos respondem bem ao tratamento e melhoram em semanas, mas situações com piora rápida, febre alta ou coleções de pus podem precisar de tratamento mais intenso e, eventualmente, hospitalização.

O caminho comum depois do diagnóstico inclui exame clínico, imagem (geralmente ultrassom) e, quando possível, coleta de líquido da bursa para cultura. Com esses dados, o médico decide sobre antibióticos e se a bursa precisa ser drenada. É provável que você tenha retorno programado para avaliar resposta e ajustar o tratamento conforme os exames.

Em casa, observe evolução da dor, aumento do inchaço, aparecimento de pus, febre persistente ou sinais de piora geral como queda do estado geral. Se notar qualquer desses sinais, procure atendimento sem esperar. Siga as orientações médicas sobre repouso da região e retorno para exames; o registro documental desses passos costuma ser importante para atestados e perícias.

Quando usar este código

Usa-se CID M71.1 quando a inflamação de uma bolsa sinovial é atribuída a infecção por microrganismos e não corresponde a um abscesso local isolado classificado em M71.0. Aplica‑se a casos em que a bursa apresenta calor, rubor, dor e piora rápida, com ou sem secreção, e há suspeita clínica ou confirmação por cultura, gram ou exame molecular. Não é indicado para bursites por sobrecarga, traumáticas sem infecção ou por depósito de cálcio.

Não confunda com

M71.0 (Abscesso de bolsa sinovial) — diferenciar pela presença de coleção purulenta delimitada que exige drenagem cirúrgica e que pode ser identificada como abscesso por exame de imagem ou durante procedimento; M71.1 fica para infecções difusas da bursa sem formação de abscesso encapsulado. M71.5 (Outras bursites não classificadas em outra parte) — separar quando houver evidência ou forte suspeita de agente infeccioso (cultura positiva, Gram positivo/negativo ou quadro clínico de infecção); M71.2 (Cisto sinovial do espaço poplíteo [Baker]) — cisto poplíteo é lesão não infecciosa caracterizada por comunicação com articulação do joelho e imagem típica, não codificada como M71.1 a não ser que haja infecção comprovada.

O que é

Bursite infecciosa é a inflamação de uma bolsa sinovial causada por microrganismos que invadem esse espaço de baixa resistência. A manifestação típica inclui dor localizada, inchaço regional, calor e restrição de movimento da articulação adjacente; pode haver febre e sinais sistêmicos dependendo da extensão da infecção.

Afeta pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente em idosos, pacientes com diabetes, imunossupressão, doenças crônicas ou com feridas próximas à bursa. Procedimentos invasivos locais, trauma, mordidas ou contaminação por pele são antecedentes comuns.

Sintomas

Principais: dor localizada intensa na área da bursa, edema focal, calor e sensibilidade ao toque. Sintomas iniciais frequentemente incluem dor e aumento progressivo do volume local, com limitação funcional. Sinais de agravamento: febre alta, eritema extenso, drenagem purulenta, linfangite ou aumento rápido do inchaço, que sugerem disseminação ou formação de coleção e exigem avaliação urgente.

Causas

Mecanismos: invasão direta da bursa por bactérias a partir de feridas, picadas, mordidas, procedimentos médicos ou contiguidade com tecido infectado; disseminação hematogênica também ocorre, sobretudo em portadores de bactérias circulantes. Na prática brasileira, Staphylococcus aureus é o agente mais comum, seguido por estreptococos e, em perfis específicos, germes gram negativos.

Como é diagnosticado

O diagnóstico baseia‑se em quadro clínico compatível associado a achados laboratoriais e de imagem que sustentem infecção da bursa. A confirmação microbiológica por punção aspirativa com exame direto, cultura e testes adicionais é o padrão quando possível. Ultrassonografia pode localizar líquido na bursa e orientar punção; exames de sangue como hemograma e PCR apoiam atividade inflamatória, mas não confirmam etiologia.

Como costuma ser tratado

Tratamento envolve manejo da infecção da bursa com terapia antimicrobiana dirigida quando possível, drenagem ou punção da bursa conforme necessidade e medidas locais como repouso relativo da articulação. Muitos casos são manejáveis em ambulatório com acompanhamento, mas sinais de abscesso, falha terapêutica ou risco sistêmico requerem intervenção hospitalar. O esquema e duração do tratamento variam conforme agente, resposta clínica e comorbidades.

Classes de medicamentos

Classes utilizadas comumente incluem antibióticos de espectro direcionado a estafilococos e estreptococos e, conforme cultura, agentes para gram negativos; antiinflamatórios e analgésicos são empregados para controle de dor e inflamação. A escolha precisa dependerá da identificação microbiana e do quadro clínico.

Quando procurar ajuda

Procurar atendimento se houver aumento rápido do inchaço, dor intensa, febre, drenagem purulenta, sinais de infecção sistêmica ou limitação funcional importante. Procure avaliação médica urgente em caso de piora apesar de cuidados iniciais ou se houver fatores de risco como imunossupressão ou diabetes.

Uso em atestado

Atestados médicos devem descrever local acometido, data de início dos sintomas, procedimento realizado (se houver) e necessidade de afastamento ou restrição funcional. Para perícia, incluir achados de exame físico, resultados de cultura e exames de imagem, além de evolução clínica documentada.

Perguntas frequentes sobre M71.1

O que significa receber o CID M71.1 no meu atestado?

Indica que a inflamação da bursa foi atribuída a infecção; o atestado deve detalhar local, data de início e necessidade de afastamento conforme quadro clínico.

Isso é contagioso para minha família?

A bursite infecciosa normalmente não se transmite por contato casual; a maioria resulta de infecção local ou disseminação interna, não por contato domiciliar.

Que exames confirmam o diagnóstico?

A punção aspirativa com exame direto e cultura do líquido bursal é o exame que confirma agente; ultrassom orienta a punção e mostra líquido na bursa.

Preciso ser afastado do trabalho automaticamente?

A necessidade de afastamento depende da localização, dor, risco de complicações e tipo de trabalho; isso é decidido pelo médico com base na condição clínica.

Qual a diferença entre M71.1 e M71.0?

M71.0 é usado quando há abscesso bem delimitado na bolsa sinovial, geralmente com coleção que necessita drenagem; M71.1 refere‑se a outras apresentações infecciosas da bursa sem esse critério de abscesso.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual foi o microorganismo isolado na punção aspirativa, se houveram culturas?
  • Qual a topografia exata e se há comunicação com articulação adjacente comprovada por imagem?
  • Houve abscesso ou coleção que exija drenagem cirúrgica, distinto de derrame bursal simples?
  • Qual a resposta clínica e laboratorial após início da terapia antimicrobiana e em quanto tempo reavaliar a codificação?
  • O paciente tem fatores de risco (diabetes, imunossupressão) que afetem a duração do tratamento?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O período de afastamento indicado no atestado está sustentado por exames e evolução clínica documentada?
  • Em caso de sequela funcional, quais exames e laudos periciais são necessários para avaliação de incapacidade?
  • Há registros de procedimento invasivo ou contaminação ocupacional que justifiquem recurso em perícia trabalhista?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige autorização para punção aspirativa guiada por imagem ou para drenagem cirúrgica da bursa?
  • Quais documentos a operadora pede para cobertura de internação relacionada à bursite infecciosa?
  • Há necessidade de justificativa adicional para cobertura de antibiótico endovenoso em ambiente ambulatorial?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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