M71 — Outras bursopatias

  • bursite
  • cisto de bolsa sinovial
  • cisto poplíteo (Baker)
  • depósito calcário em bolsa sinovial

Em palavras simples

O código CID M71 significa que o principal problema está em uma bursa, que é uma pequena bolsa com líquido que funciona como almofada entre tendões, músculos e ossos. Quando essa bolsa fica irritada, inflamada, infectada ou forma um cisto, o médico pode registrar “outras bursopatias”. Em termos simples: o alívio entre estruturas foi prejudicado e isso causa sintomas locais.

Você provavelmente sente dor bem localizada, normalmente na área onde a bursa fica próxima da pele ou de um tendão. A dor costuma piorar ao tocar diretamente na região ou ao fazer movimentos que comprimem a bolsa. Pode haver inchaço visível ou uma sensação de “caroço” quando há um cisto; em casos infecciosos a pele pode ficar vermelha e quente. O desconforto tende a aparecer com atividades repetitivas, depois de trauma local ou sem causa óbvia.

Na maioria dos casos, bursopatias não são graves a ponto de ameaçar a vida nem são contagiosas. O tempo de recuperação varia: algumas melhoram em dias a semanas com repouso e medidas locais; outras se cronicizam e precisam de avaliação mais detalhada. Se for uma infecção da bursa, o tempo e o tratamento serão diferentes e exigirão cuidados mais rápidos.

Em geral, o próximo passo é uma avaliação médica que pode incluir exame físico dirigido e, frequentemente, uma ultrassonografia para ver líquido ou cistos. Se houver suspeita de infecção, o médico pode colher líquido da bursa para análise. Retornos são comuns para verificar melhora e ajustar tratamento; afastamento do trabalho pode ser necessário temporariamente quando a função exige esforços que comprimem a bursa.

Em casa, observe se a dor aumenta, se o inchaço cresce rápido, se aparece febre, vermelhidão intensa ou perda de função do membro. Esses sinais indicam necessidade de procurar atendimento com urgência. Se a dor melhorar com medidas simples, mantenha cuidados e os retornos agendados conforme orientado pelo profissional que acompanha seu caso.

O que este código significa?

O CID M71 designa “Outras bursopatias”: problemas que afetam as bolsas sinoviais (bursas) — pequenas bolsas cheias de líquido que reduzem atrito entre estruturas como tendões, ossos e pele. Inclui desde bursites agudas e abscedadas até cistos sinoviais e depósitos de cálcio dentro da bursa. Aparece em situações de uso repetitivo, trauma local, processo inflamatório ou infecção; também pode surgir sem causa óbvia. Não inclui doenças primárias do tendão, músculo ou articulação que têm códigos próprios (por exemplo M65, M60, M75).

Este código reúne subcategorias que especificam apresentação e é usado quando a bolsa sinovial é a estrutura anatômica predominante do problema.


Quando este código é usado?

Usa-se o CID M71 quando a avaliação clínica e/ou exames indicam que a alteração principal está na bursa: dor localizada, sensibilidade direta sobre a bolsa, aumento de volume ou imagem compatível com cisto/bursite. Se a lesão for de tendão, músculo ou articulação com envolvimento secundário de bursa, optar por códigos vizinhos (M65, M60, M75). Para infecção primária confirmada da bursa, escolher a subdivisão infecciosa.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

M71.1 vs M65 (Sinovite e tenossinovite): escolha M71.1 quando o foco clínico/imagem for a bolsa sinovial com sinais de inflamação local (edema focal sobre a bursa, aquecimento localizado, exame de imagem mostrando coleção na bursa). Use M65 quando o processo primário for a sinóvia do tendão ou a bainha tendinosa.

M71.2 vs M75 (Lesões do ombro): um cisto sinovial poplíteo codificado M71.2 localiza-se na fossa poplítea; se a imagem e a dor remetem a derangement articular do joelho com menisco, não utilizar M71.2. Já M75 é para lesões primárias do ombro, não para bursas de outras regiões.

M71.4 vs M61 (Calcificação e ossificação do músculo): depósito de cálcio restrito à bolsa sinovial é M71.4 quando a calcificação envolve a bursa; se a calcificação estiver dentro do músculo estriado, usar M61.

O que é?

Categoria que agrupa condições inflamatórias, degenerativas ou infecciosas que atingem as bursas (bolsas sinoviais). As bursas são estruturas cheias de líquido que reduzem atrito entre tendões, músculos e ossos; quando inflamadas ou lesionadas causam dor local, inchaço e limitação de movimento.

Manifesta-se tipicamente por dor focal promovida por movimento ou compressão direta, aumento de volume ou presença de massa (cisto). Acomete adultos de qualquer idade, com maior frequência em pessoas com trabalho repetitivo, esportistas, histórico de trauma ou doenças metabólicas/inflamatórias que predisponham a alterações periarticulares.

Quais sintomas aparecem?

Dor localizada sobre a bursa, que piora com movimento que comprime a bursa ou com uso repetitivo; sensibilidade e calor local; aumento de volume ou nódulo palpável quando há cisto ou coleção. Sintomas precoces: dor leve e desconforto ao movimento específico. Indicadores de agravamento: febre ou sinais sistêmicos, aumento rápido do volume local, dor intensa com limitação funcional, sinais de infecção local (eritema, calor marcado) ou neurovascular comprometido por massa expansiva.

O que causa?

Mecanismos incluem sobrecarga mecânica e atrito repetitivo, trauma direto à região da bursa, processos inflamatórios locais ou sistêmicos que atingem tecidos periarticulares, depósito de cristais ou cálcio na bursa e infecção (bursite séptica). Na prática brasileira, bursites relacionadas a atividades ocupacionais e microtrauma repetitivo são causas frequentes; infecções por contiguidade ou inoculação direta também são relevantes, especialmente em bursas superficiais.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de M71 baseia-se em história e exame físico focalizado: dor localizada à palpação direta da bursa, piora com manobras que comprimem a bolsa e presença de massa ou edema focal. Exames de imagem como ultrassonografia dirigida confirmam coleção, cisto sinovial ou calcificação em bursa; radiografia pode mostrar calcificação. Em suspeita de infecção, punção aspirativa da bursa com análise do líquido (cultura, contagem de células) define bursite séptica. Este código requer documentação de alteração predominante na bursa, diferenciando-se de tendinite ou lesão articular.

Como costuma ser tratado?

Abordagens variam conforme causa: mecanismos conservadores (repouso relativo, modificação de atividades e medidas locais) são frequentemente usados em bursites não infecciosas; procedimentos dirigidos, como aspiração ou injeção, e tratamento específico para cistos podem ser considerados dependendo do sintoma e do exame. Bursite séptica demanda avaliação para drenagem e terapia antimicrobiana dirigida. Em alguns casos crônicos ou recidivantes, intervenção cirúrgica para ressecção da bursa pode ser necessária.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Analgesia e anti-inflamatórios não esteroidais para controle sintomático, agentes antimicrobianos quando há infecção documentada, e em ocasiões específicas terapia comprovadamente dirigida por imagem (antibiótico local não recomendado rotineiramente). Corticosteroides podem ser usados em esquemas locais por equipes assistenciais quando indicados clinicamente; sua utilização depende de confirmação de ausência de infecção.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação se houver aumento rápido do volume local, febre ou sinais sistêmicos, dor intensa que impede função normal, mudança na cor/temperatura da pele sobre a bursa ou sinais de compressão neurovascular. Também é indicada investigação se sintomas persistirem apesar de medidas iniciais ou se houver recidiva frequente, para reconsiderar diagnóstico e planejar exames ou procedimentos.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso, considerando a situação concreta — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Quanto ao pagamento e à perícia, até 15 dias de afastamento o empregador é responsável pelo salário (Lei 8.213/91, art. 60, §3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e exige perícia para avaliação. Atestados emitidos pelo mesmo motivo, dentro de 60 dias, são somados para fins desse período de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Sobre a regra dos 60 dias: é o CID registrado no atestado que o perito utiliza para verificar se a doença é a mesma e, portanto, para somar os períodos. Essa ligação formal entre o código e a contagem é o motivo prático pelo qual o CID consta nos documentos, e é pouco conhecida entre muitos pacientes e empregadores.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, indicar claramente o período de afastamento, trazer a data de emissão, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente — não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador — mas sem o código a soma dos atestados dentro dos 60 dias não pode ser verificada pela perícia.

No caso do CID M71 (outras bursopatias), o quadro pode apresentar-se tanto como um episódio agudo que tende a melhorar com medidas locais e tratamento dirigido quanto como condição recorrente ou de curso crônico em pessoas com exposição ocupacional repetitiva, trauma local ou doenças predisponentes. Esse código costuma registrar um problema predominantemente peri-bursal, que pode limitar movimentos e produtividade quando sintomático, mas nem sempre implica incapacidade total para o trabalho; muitas vezes exige acompanhamento e registro da evolução. Como episódios semelhantes podem reaparecer, a regra dos 60 dias tem especial relevância aqui: atestados sucessivos com o mesmo CID permitem que o perito considere a continuidade do mesmo problema para efeitos da soma dos períodos pagos pelo empregador e, se ultrapassada a franquia, da análise do INSS.

Perguntas frequentes sobre M71

O que significa receber o CID M71 no meu laudo?

Indica que o problema identificado é na bursa — uma pequena bolsa que reduz atrito entre estruturas. O laudo aponta que a alteração principal é dessa estrutura, não do tendão ou articulação.

Preciso me afastar do trabalho quando tenho bursopatia?

O afastamento depende da intensidade dos sintomas e das exigências do trabalho; a necessidade é avaliada pelo médico com base em capacidade funcional e risco de piora por atividades repetitivas.

A bursopatia pode ser contagiosa?

Em geral não; apenas a bursite infecciosa envolve microrganismos, mas não é uma condição transmitida casualmente como gripe; requerendo atenção específica.

Quais exames confirmam o diagnóstico?

A ultrassonografia dirigida costuma confirmar líquido ou cistos na bursa; radiografia mostra calcificações e ressonância magnética avalia extensão quando necessário.

Qual é a diferença entre bursite e tendinite (M65)?

Bursite (M71) tem foco na bolsa sinovial com dor e sensibilidade diretamente sobre ela; tendinite (M65) afeta a bainha do tendão e a dor segue o trajeto do tendão, com critérios clínicos e de imagem distintos.

O que muda no código se houver infecção comprovada?

Quando há infecção documentada da bursa usa-se a subdivisão infecciosa (M71.1 ou M71.0 para abscesso), pois o manejo e o registro epidemiológico diferem.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há derrame líquido na bursa confirmado por ultrassonografia ou exame físico focado?
  • O líquido bursal foi aspirado e qual o resultado da citologia/cultura quando realizado?
  • Existe comunicação entre a bursa e a articulação adjacente na ressonância ou ultrassom?
  • A apresentação é aguda com sinais de infecção ou crônica e recidivante, que justificaria mudança de código?
  • Há fatores ocupacionais ou mecânicos identificáveis que sustentem a etiologia por uso repetitivo?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O quadro documentado como M71 justifica afastamento por incapacidade temporária para a função habitual?
  • Quais documentos e exames complementares são necessários para fundamentar perícia relacionada a redução de capacidade laboral?
  • Em caso de cirurgia por bursopatia, quais são os critérios médicos aceitos para pleitear estabilidade ou benefício previdenciário?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • A operadora exige relatório de imagem (ultrassom/RM) para autorizar procedimentos invasivos na bursa?
  • Quais procedimentos associados à bursopatia (aspiração, injeção, ressecção) exigem autorização prévia e documentação específica?
  • O laudo clínico com CID M71 e relato de incapacidade funcional é suficiente para cobertura de fisioterapia ou o plano solicita comprovantes adicionais?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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