M73.0 — Bursite gonocócica
- bursite por gonococo
- bursite por Neisseria gonorrhoeae
Em palavras simples
Receber o código CID M73.0 significa que a inflamação da bolsa que fica perto de uma articulação (bursa) foi atribuída a uma infecção pelo micro‑organismo Neisseria gonorrhoeae, o mesmo que causa a gonorreia. Em outras palavras, trata‑se de uma bursite com causa infecciosa ligada a uma bactéria sexualmente transmissível.
Você provavelmente sente dor localizada forte na área afetada, inchaço e sensibilidade ao toque; pode haver dificuldade em mover a articulação próxima. Muitas vezes a pele sobre a bursa fica quente ou avermelhada. Em alguns casos há febre, mal‑estar ou sinais de infecção em outras partes do corpo, especialmente se a bactéria se disseminou pela corrente sanguínea.
Em geral a condição não é contagiosa por contato casual da pele, mas a bactéria é sexualmente transmissível e o parceiro pode precisar ser avaliado. A gravidade varia: alguns episódios são controlados com tratamento ambulatório, outros exigem drenagem ou internação se houver coleção de pus ou sinais de infecção generalizada. O tempo de recuperação depende da extensão da infecção e da rapidez do tratamento, podendo levar dias a semanas para melhora inicial e mais tempo para recuperação completa da função.
O caminho habitual após o diagnóstico inclui exames para identificar a bactéria (quando possível), avaliação com imagem para ver a bursa e, se necessário, punção para drenar líquido e confirmar o microrganismo. Também pode haver investigação de infecção genital ou urinária associada. Retornos médicos são comuns para acompanhar a resposta ao tratamento e decidir se medidas adicionais são necessárias.
Em casa, observe se a dor e o inchaço diminuem com o passar dos dias; se houver aumento do inchaço, formação de uma bolsa com pus, febre alta, mal‑estar significativo ou dificuldade crescente para mexer a articulação, procure atendimento sem esperar. Informe ao profissional de saúde sobre contatos sexuais recentes, pois isso orienta exames e manejo. Lembre‑se que questões sobre afastamento do trabalho ou documentação médica serão tratadas pelo seu médico e por eventuais perícias, conforme normas do empregador ou da previdência.
O que este código significa?
O CID M73.0 designa bursite causada por infecção por Neisseria gonorrhoeae (bursite gonocócica). Refere-se à inflamação de uma bursa sinovial decorrente de disseminação gonocócica, acompanhada por sinais locais de infecção e frequentemente por apresentação sistêmica de infecção sexualmente transmissível. Não inclui bursites não infecciosas, bursites por outros agentes bacterianos nem quadros puramente reumáticos não relacionados à gonorreia.
Quando este código é usado?
Usa‑se este código quando houver evidência clínica ou laboratorial de que a bursite local foi causada por Neisseria gonorrhoeae, seja por isolamento do agente em material da bursa, seja por quadro compatível com gonococcemia com envolvimento de bursa documentado. Não se aplica se a bursite for atribuída a outra bactéria, trauma ou doença sistêmica sem confirmação de gonococo.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
M73.1 (Bursite sifilítica): distinguir pela história epidemiológica, sorologia específica para Treponema pallidum e ausência de isolamento de Neisseria gonorrhoeae; a sífilis tem achados sorológicos e manifestações sistêmicas diferentes. M70.x (Bursite séptica por outras bactérias): esta categoria é usada quando um outro agente bacteriano é isolado da bursa ou quando cultura e testes não sustentam gonococo; critério separador é o resultado microbiológico. M75.x (Bursite de ombro não infecciosa/rotura do manguito): separa-se pela ausência de sinais sistêmicos de infecção e pela imagem/avaliacão ortopédica que indica etiologia mecânica ou degenerativa em vez de infecção.
O que é?
Bursite gonocócica é a inflamação de uma bursa sinovial causada pela disseminação de Neisseria gonorrhoeae. A bactéria pode alcançar a bursa por via hematogênica em episódios de gonococcemia ou por contiguidade em infecções locais; o processo resulta em acúmulo de líquido e reação inflamatória com dor e calor local.
A manifestação costuma incluir dor localizada intensa, inchaço e limitação funcional da articulação próxima; pode ocorrer febre e sinais de infecção sistêmica em casos de disseminação. Afeta adultos sexualmente ativos, com maior frequência em populações com infecção gonocócica não tratada ou mal controlada.
Quais sintomas aparecem?
Principais: dor localizada intensa na área sobre a bursa, inchaço visível ou palpável, calor e sensibilidade aumentada. Sinais de inflamação sistêmica como febre e mal‑estar podem acompanhar. Sintomas que aparecem cedo: dor súbita e limitação funcional da articulação adjacente, aumento do líquido periarticular.
Sinais de agravamento: aumento rápido do inchaço com flutuação (sugestivo de coleção supurativa), febre alta persistente, sinais de celulite extensa ou resposta inflamatória sistêmica (taquicardia, hipotensão) que sugerem complicações e possível disseminação.
O que causa?
Mecanismo: invasão da bursa por Neisseria gonorrhoeae, tipicamente via bacteremia durante episódio de gonococcemia ou por extensão direta de foco local. A gonorreia purulenta genital não tratada é a fonte mais comum de transmissão nas práticas brasileiras, seguida por portadores assintomáticos que desenvolvem disseminação.
Fatores predisponentes incluem atividade sexual de risco, histórico de infecções gonocócicas, déficit imunológico e procedimentos locais que possam facilitar invasão bacteriana. Trauma local não infeccioso raramente pode associar‑se como porta de entrada.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico deste código exige correlação clínica com evidência de infecção gonocócica: cultura ou PCR positiva para Neisseria gonorrhoeae em material aspirado da bursa, hemocultura positiva em contexto de gonococcemia com envolvimento de bursa, ou quadro clínico compatível associado a testes específicos positivos (por exemplo, isolamento em sítios primários) quando a coleta direta não for possível. A imagem (ultrassonografia) suporta a presença de líquido bursal e orienta punção.
Este código não é usado quando a etiologia é outra bactéria ou quando há apenas suspeita sem suporte laboratorial ou clínico razoável de gonococo.
Como costuma ser tratado?
O tratamento é de natureza anti‑infecciosa e costuma envolver terapia dirigida ao agente quando identificado; manejo local inclui drenagem quando coleções purulentas estão presentes. Em muitos casos o manejo inicial é ambulatorial, mas formas com disseminação sistêmica ou complicações podem requerer internação para terapia intravenosa e monitoramento.
O esquema e a duração variam conforme resposta clínica e confirmação laboratorial; decisões terapêuticas específicas dependem de avaliação médica e de protocolos locais.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes de medicamentos usadas habitualmente: antibióticos com atividade contra Neisseria gonorrhoeae, agentes para controle de dor e anti‑inflamatórios para reduzir sintomatologia local, e ocasionalmente agentes tópicos ou locais após drenagem. A escolha precisa depende de susceptibilidade e orientação do serviço de saúde.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação imediata se a dor e o inchaço piorarem rapidamente, se houver febre alta, sinais de celulite extensa, secreção purulenta evidente ou incapacidade crescente de usar a articulação. Também é importante buscar atendimento se houver sintomas sugestivos de infecção gonocócica em outros locais ou se houver preocupação com exposição sexual recente.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Esta é a resposta direta à pergunta sobre “quantos dias” para este CID.
Na prática, o pagamento e o controle do afastamento seguem regras legais: até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume o benefício e passa a exigir perícia; e atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para fins do limite dos quinze dias (Decreto 3.048/99, art. 75). A regra dos 60 dias é operacionalizada pelo CID registrado no atestado: é o código que o perito usa para verificar se dois afastamentos são pela mesma razão clínica, daí a importância prática do código no documento.
Para que um atestado seja aceito administrativamente, ele precisa identificar o paciente, informar o período de afastamento, conter a data da emissão e vir com assinatura e CRM do médico. O registro do CID no atestado só deve constar com anuência do paciente — o médico não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador — porém, sem o código não é possível somar os atestados dentro do intervalo de 60 dias para verificar continuidade do mesmo motivo.
No caso específico do CID M73.0 (bursite gonocócica), trata‑se de uma inflamação infecciosa da bursa sinovial pela Neisseria gonorrhoeae que costuma apresentar quadro agudo associado a sinais locais de infecção e, por vezes, apresentação sistêmica. Esse tipo de condição costuma demandar tratamento anti‑infeccioso e, dependendo da gravidade e complicações (como coleção supurativa), pode levar a limitação funcional significativa e até necessidade de tratamento hospitalar. Por não ser uma condição invariavelmente crônica, episódios agudos separados podem ocorrer; quando há recorrência ou novos episódios relacionados à mesma infecção dentro do intervalo de 60 dias, a possibilidade de somar atestados com o mesmo CID para fins administrativos torna essa regra especialmente relevante para quem precisa justificar continuidade do afastamento.
Que direitos este código envolve?
Do ponto de vista legal, pacientes têm direito à confidencialidade sobre doenças sexualmente transmissíveis; a notificação compulsória de infecções sexualmente transmissíveis segue regras locais e pode ser exigida por vigilância epidemiológica. Questões sobre afastamento laboral ou previdenciário dependem de avaliação pericial e da legislação aplicável.
Perguntas frequentes sobre M73.0
O que exatamente significa receber o CID M73.0?
Indica que a bursite foi atribuída a infecção por Neisseria gonorrhoeae, ou seja, inflamação da bursa causada por gonorreia; costuma exigir confirmação clínica ou laboratorial.
Isso significa que meus parceiros sexuais também têm a doença?
Nem sempre; expondo‑se alguém pode não desenvolver sintomas, mas parceiros recentes devem ser informados e avaliados, pois a bactéria é sexualmente transmissível.
Preciso de urgência para tratamento ou exames?
A avaliação deve ser rápida se houver febre, aumento do inchaço, dor intensa ou dificuldade para usar a articulação; esses sinais podem indicar necessidade de drenagem ou terapia mais intensiva.
O que diferencia este código de uma bursite comum não infecciosa?
A bursite gonocócica tem evidência de infecção por Neisseria gonorrhoeae por testes ou quadro compatível de gonococcemia; bursites não infecciosas são relacionadas a trauma, esforço repetitivo ou doenças reumáticas sem identificação de agente infeccioso.
Que exames confirmam o diagnóstico?
A confirmação é feita preferencialmente por cultura ou PCR para Neisseria gonorrhoeae em material aspirado da bursa ou por documentação de gonococcemia com envolvimento bursal.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há cultura ou PCR positiva para Neisseria gonorrhoeae no material bursal aspirado?
- Houve quadro de gonococcemia documentado ou foco genital recente que explique disseminação?
- A ultrassonografia mostra coleção passível de drenagem e qual o volume estimado?
- Existem sinais sistemáticos que justifiquem internação e terapia parenteral?
- Em quanto tempo a resposta clínica esperada alteraria o código ou a conduta terapêutica?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual documentação médica é necessária para comprovar incapacidade temporária por bursite gonocócica em perícia?
- A notificação compulsória da infecção pode ser usada em processo trabalhista sem violar sigilo do paciente?
- Como se estabelece nexo causal entre atividade laboral e infecção gonocócica em casos de alegação de contaminação no trabalho?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais exames microbiológicos para confirmação de gonococo na bursa o plano costuma autorizar sem negativa prévia?
- Existe cobertura para procedimentos de drenagem ou aspiração guiada por imagem quando indicados?
- O plano costuma exigir justificativa documental para internação por bursite infecciosa antes da autorização?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco M60-M79
- OMS — ICD-10, versão 2019 (M73.0)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.