M73.1 — Bursite sifilítica
- bursite terciária sifilítica
- bursite em sífilis
O CID M73.1 designa inflamação de uma bursa (bursite) atribuída à infecção por Treponema pallidum, geralmente em fases tardias da sífilis. Aparece quando achados clínicos e/ou laboratoriais indicam participação sifilítica no processo inflamatório da bursa. Inclui localizações típicas documentadas em contexto de sífilis, com sinais inflamatórios ou massa periarticular persistente. Não inclui bursites por outros agentes infecciosos (por exemplo gonococo, M73.0) nem bursites mecânicas ou degenerativas sem evidência sifilítica. Não descreve apenas exposição ou sorologia sem correlação clínica com a bursa afetada.
Em palavras simples
O código CID M73.1 significa que a inflamação localizada numa pequena bolsa perto de uma articulação (bursa) está sendo atribuída à sífilis. Em palavras mais simples: é uma bolinha ou inchaço perto da articulação que os médicos relacionaram a uma infecção chamada sífilis, e não apenas a um desgaste ou queda.
Você provavelmente sentirá um aumento de volume naquela área, que pode ser mole ou firme ao toque, e pode haver dor ao movimentar a articulação próxima. Nem sempre causa febre ou mal‑estar geral; às vezes a pessoa nota só a massa ou um desconforto ao usar o braço, o ombro, o quadril ou o joelho, dependendo de onde a bursa está.
Em geral, a presença desse código não significa emergência imediata para a maioria dos casos, mas indica que a causa não é só mecânica. A sífilis não é transmitida por contato casual da pele; o risco de contágio segue as vias conhecidas da doença. A duração varia: algumas lesões respondem após tratamento da sífilis, outras podem ser mais persistentes e exigir investigação adicional.
O que costuma vir a seguir são exames de imagem para localizar e medir a bursa, exames de sangue para confirmar a sífilis e, às vezes, uma punção ou pequena biópsia para confirmar a causa. Pode haver retornos com o médico infectologista ou reumatologista e decisões sobre procedimentos locais se a massa não regredir.
Em casa, observe aumento rápido do volume, dor intensa que impede movimentos, saída de pus ou febre — nesses casos procure atendimento. Caso contrário, compareça aos retornos agendados e leve exames solicitados; mantenha registro das datas de início dos sintomas e de tratamentos anteriores, pois isso ajuda na investigação. Este texto é informativo; decisões sobre tratamento e afastamento dependem do seu médico.
Quando usar este código
Usa‑se este código quando a inflamação da bursa for atribuída à sífilis por correlação clínica, laboratorial ou anatomopatológica, e quando a bursa afetada estiver claramente identificada. Deve corresponder a quadro local compatível (tumefação, dor, aumento de volume periarticular) associado a histórico e/ou exames que sustentem participação sifilítica. Se a bursite tiver outra causa documentada, escolher o código correspondente.
Não confunda com
M73.0 (Bursite gonocócica): diferenciar pela identificação do agente Neisseria gonorrhoeae em culturas/exames moleculares ou por quadro clínico compatível com infecção gonocócica aguda; M73.1 exige ligação à sífilis por sorologia, histórico clínico compatível ou exame histopatológico.
M73.8 (Outros transtornos dos tecidos moles em outras doenças classificadas em outra parte): usar M73.8 quando a bursite estiver associada a outra doença sistêmica documentada (por exemplo tuberculose, reações granulomatosas) que não seja sífilis; M73.1 é reservado a quando a sífilis é a causa identificada.
M70.0 (Bursite de ombro) ou códigos M70.x por localização mecânica: distinguir quando não houver evidência de agente infeccioso sistêmico; bursites mecânicas ou degenerativas sem vínculo sifilítico não são M73.1.
O que é
Bursite sifilítica é a inflamação de uma bursa serosa localizada próxima a articulações atribuída à infecção por Treponema pallidum. Manifesta‑se como aumento de volume ou massa periarticular que pode ser dolorosa, com sinais locais de inflamação ou fibrose, e costuma aparecer em contextos de sífilis secundária ou terciária, quando há disseminação ou reações tardias dos tecidos moles.
Clinicamente, o quadro pode variar de uma massa subcutânea indolor a um processo doloroso com limitação funcional da articulação adjacente. Pacientes com histórico de sífilis ativa, tratamento prévio incompleto ou sinais sistêmicos de sífilis aumentam a probabilidade dessa etiologia sobre causas degenerativas ou outras infecções.
Sintomas
Principais manifestações: tumefação localizada sobre pontos de fricção articular, dor ou desconforto ao movimento, calor e sensibilidade local em quadros inflamatórios ativos, e redução da mobilidade quando a bursa é volumosa. Sintomas precoces podem ser sensação de massa ou desconforto local e discreta dor ao uso; sinais de agravamento incluem aumento rápido do volume, dor intensa, limitação funcional progressiva, descarga purulenta (sugerindo infecção bacteriana secundária) ou sinais sistêmicos como febre e mal‑estar.
Causas
Mecanismo: a lesão resulta de reação inflamatória da bursa induzida pela infecção ou pela resposta imune desencadeada por Treponema pallidum. Na prática brasileira, a causa mais relevante é a sífilis tardia com envolvimento de tecidos moles ou reações locais em regiões previamente acometidas. A bursite pode decorrer de infiltração direta do agente, de reações granulomatosas ou de fenótipos cicatriciais/degenerativos em tecidos previamente lesados pela sífilis.
Como é diagnosticado
O diagnóstico de M73.1 apóia‑se na correlação entre achado clínico da bursa e evidência de sífilis: sorologias treponêmicas e não treponêmicas compatíveis com estágio da doença, histórico clínico sugestivo, e, quando disponível, exame histopatológico ou estudo microbiológico do conteúdo da bursa que suporte etiologia sifilítica. Imagem que localize a bursa (ultrassom, ressonância) auxilia na delimitação e na orientação para biópsia; a confirmação anatomo‑patológica com caracterização compatível com sífilis é o padrão para associação direta.
Como costuma ser tratado
O registro deste código indica vínculo etiológico com sífilis; o manejo etiológico e o esquema de tratamento da sífilis devem ser considerados por quem acompanha o caso. Procedimentos locais (punção, drenagem, biópsia) podem ser indicados para diagnóstico ou para controle de complicações, e a abordagem pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade e presença de complicações. A decisão por intervenções cirúrgicas ou por procedimentos guiados por imagem depende da resposta ao tratamento sistêmico e da persistência de massa ou limitação.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação quando houver aumento do volume da região periarticular, dor progressiva, febre, sinais de inflamação evidente, piora da função articular, secreção purulenta ou quando não houver melhora com medidas iniciais. Também é indicada investigação especializada se houver sorologia de sífilis positiva associada a sintoma local novo, para correlação diagnóstica e planejamento terapêutico.
Uso em atestado
Para atestados e relatórios, descreva local anatômico da bursite, evidências que ligam a bursite à sífilis (sorologia, histologia, biópsia) e impacto funcional. Informe datas de início dos sintomas, procedimentos realizados e necessidade de afastamento, sem inserir orientações terapêuticas detalhadas no documento. O código CID M73.1 deve constar quando a relação etiológica com sífilis estiver documentada.
Direitos e benefícios
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de perícia e da legislação aplicável; o registro do CID indica diagnóstico, não garante automaticamente afastamento ou benefício. A comprovação documental (exames, laudos, atestados) é necessária para avaliações de incapacidade e para processos periciais.
Perguntas frequentes sobre M73.1
O que significa receber o CID M73.1 no meu prontuário?
Indica que a inflamação de uma bursa foi associada à sífilis com base em achados clínicos ou exames; não descreve por si só o esquema de tratamento ou tempo de afastamento.
A bursite sifilítica é contagiosa para membros da família?
A bursite em si não transmite a doença por contato local; a sífilis transmite por contato sexual ou vertical, e a presença do código reflete causa sistêmica, não contagiosidade da lesão localizada.
Preciso fazer punção ou biópsia para confirmar M73.1?
Nem sempre; a combinação de quadro clínico, imagem e sorologia pode ser suficiente, mas biópsia é o exame que confirma etiologia quando há dúvida diagnóstica.
Esse diagnóstico costuma exigir afastamento do trabalho?
A necessidade de afastamento depende do impacto funcional, da profissão e do laudo médico; o CID registra o diagnóstico, a decisão sobre afastamento é clínica e pericial.
Qual a diferença entre bursite sifilítica e bursite por gonorreia?
A distinção baseia‑se na identificação do agente (sorologia/molecular para sífilis versus cultura/molecular para gonococo) e no contexto clínico; cada agente tem códigos diferentes (M73.1 e M73.0).
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Há sorologia treponêmica e não treponêmica compatível com fase da sífilis que explica a lesão da bursa?
- A punção ou biópsia da bursa foi realizada e há anatomopatologia compatível com sífilis?
- Qual a localização anatômica exata e o tamanho da lesão documentados por imagem (US/RM) que justificam este código?
- Há sinais de superinfecção bacteriana que exigiriam cultura e tratamento adicional?
- O quadro evolui apesar de tratamento prévio da sífilis, exigindo reavaliação diagnóstica?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Existe documentação médica que correlacione explicitamente a bursite à sífilis para suporte em perícia?
- Em caso de afastamento laboral, qual período inicial está documentado e qual a justificativa clínica detalhada?
- Há laudos ou exames que comprovem redução da capacidade funcional relacionada à bursite sifilítica?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- A documentação clínica e o CID M73.1 incluem laudo anatomopatológico ou apenas sorologia para fins de autorização?
- Quais procedimentos diagnósticos (biópsia guiada, RM) o plano costuma exigir comprovação para autorizar terapia associada?
- Há exigência de prévia negativa para procedimentos cirúrgicos relacionados a bursite associada a sífilis?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.