M90.0 — Tuberculose óssea
- osteotuberculose
- tuberculose óssea localizada
O CID M90.0 designa a tuberculose óssea, infecção do tecido ósseo por Mycobacterium tuberculosis ou micobactérias relacionadas. Aparece sobretudo em adultos jovens e idosos com foco primário respiratório ou em imunossupressão, e pode ocorrer meses a anos após infecção inicial. Não inclui tuberculose pulmonar isolada (A15–A16) nem tuberculose exclusivamente articular sem comprometimento ósseo documentado. O código cobre quadros em que exame anatomopatológico, cultura ou imagem compatível sustentam a etiologia tuberculosa no osso.
Este código é usado quando a localização primária da tuberculose é o osso; em envolvimento predominantemente articular, considerar códigos de artropatias tuberculosas do capítulo correspondente. Não descreve osteomielite por outros microrganismos nem lesões ósseas neoplásicas.
Em palavras simples
Esse código, “tuberculose óssea”, significa que a infecção por tuberculose atingiu um osso do seu corpo. Não é o mesmo que a tuberculose do pulmão, embora muitas vezes venha do mesmo organismo; aqui o problema principal está no osso afetado, como uma vértebra, osso do braço, perna, costela ou pelve.
Você provavelmente sente dor no local, que costuma aparecer devagar e não ceder completamente com analgésicos simples. Pode haver inchaço, sensação de massa ou uma região mais sensível ao toque. Febre e cansaço podem aparecer, mas nem sempre estão presentes. Se a coluna for atingida, sintomas como fraqueza, formigamento ou alteração para andar podem surgir em estágios mais avançados.
Se a infecção for diagnosticada, não significa necessariamente que seja contagiosa pela pele; o risco de transmissão depende se há tuberculose pulmonar ativa e secreção respiratória. A gravidade varia: alguns casos respondem bem ao tratamento e melhoram ao longo de meses; outros exigem cirurgia ou mais tempo de cuidado. O curso costuma ser mais lento do que uma infecção bacteriana comum.
Os próximos passos normalmente incluem exames de imagem (radiografia, tomografia ou ressonância) e coleta de material para cultura ou exame molecular, para confirmar que a bactéria é mesmo a tuberculose. O médico pode solicitar biópsia do osso para isso. Após a confirmação, há um tratamento específico que dura meses e acompanhamento periódico; em alguns casos, é necessário drenar abscessos ou fazer cirurgia para proteger nervos ou estabilizar ossos.
Em casa, observe a dor que aumenta muito, surgimento de febre alta, perda rápida de força nas pernas ou nas mãos, ou qualquer alteração sensorial — nesses casos procure emergência. Também relate ao seu médico qualquer aumento do inchaço, drenagem de secreção ou piora na capacidade de movimentar a região. Mantenha consultas e exames de acompanhamento, leve seus laudos para perícias ou atestados quando precisar justificar afastamento, e compartilhe histórico de contato com pessoas com tuberculose.
Quando usar este código
Usar M90.0 quando há evidências clínicas e laboratoriais ou histopatológicas de infecção tuberculosa envolvendo tecido ósseo. Aplica-se tanto a casos com foco vertebral (p.ex. doença de Pott com afectação vertebral) quanto a afetamento de ossos longos, costeiros ou da pelve, desde que a etiologia seja tuberculosa.
Não confunda com
M46.1 — Espondilite infecciosa: distingue-se pela identificação do agente tuberculoso (cultura, PCR ou histologia com granuloma caseoso) ou por padrão radiológico típico; M46.1 cobre espondilites bacterianas não especificadas.
M86.9 — Osteomielite aguda/crônica não especificada: separado quando não há confirmação microbiológica ou histológica de Mycobacterium tuberculosis; M90.0 exige etiologia tuberculosa ou forte correlação clínica-imagem para tuberculose.
M00.9 — Osteomielite por microrganismo específico: usar M00.x quando houver identificação de outro agente (Staphylococcus, Streptococcus); a presença de micobactéria define M90.0.
O que é
Tuberculose óssea é uma forma extrapulmonar da tuberculose causada principalmente por Mycobacterium tuberculosis, em que o processo infeccioso atinge o tecido ósseo. O comprometimento costuma ocorrer por disseminação hematogênica a partir de um foco primário (geralmente pulmonar) ou por contiguidade de uma lesão adjacente. Manifesta-se por destruição óssea progressiva, formação de abscesso e, em limites, deformidade ou colapso estrutural quando envolve vértebras.
Clínica e curso variam: pode apresentar dor local crônica, edema e limitação funcional de início insidioso; febre ou sintomatologia sistêmica podem estar ausentes. Pacientes com imunossupressão, histórico de tuberculose ou contatos com doentes com TB têm maior risco. O diagnóstico muitas vezes demanda correlação entre imagem, microbiologia e histologia.
Sintomas
Os sintomas mais frequentes incluem dor óssea contínua e progressiva no local afetado, que costuma aparecer cedo e é o sinal mais constante. Rigidez e redução da mobilidade da região comprometida surgem à medida que a doença progride; presença de massa ou abscesso frio subcutâneo indica evolução com coleção. Febre baixa, perda de peso e sudorese noturna são sinais sistêmicos possíveis, mas frequentemente discretos. Sintomas neurológicos (déficit motor, alteração sensorial) ou deformidade axial ocorrem em comprometimento vertebral avançado e sinalizam agravamento.
Causas
Mecanismo principal é a disseminação hematogênica de Mycobacterium tuberculosis desde um foco primário, geralmente pulmonar, para o tecido ósseo. Em alguns casos a infecção instala-se por contiguidade a partir de linfonodos ou cavidade pulmonar próxima. Fatores que facilitam a instalação e progressão incluem imunossupressão (HIV, uso prolongado de corticoide, outras imunodeficiências), desnutrição e condições socioeconômicas que favoreçam exposição e atraso diagnóstico. Em prática brasileira, a maioria tem correlação epidemiológica com tuberculose pulmonar ou contato intradomiciliar.
Como é diagnosticado
Confirmação baseia-se em identificação do bacilo (cultura positiva para Mycobacterium tuberculosis complex ou PCR molecular em material ósseo) ou em anatomopatologia compatível (granuloma caseoso com bacilos ácido-resistentes). Exames de imagem — radiografia simples, tomografia computadorizada e ressonância magnética — sustentam o diagnóstico ao mostrar destruição óssea, cavitações, abscessos ou colapso vertebral, mas sem confirmação microbiológica ficam como diagnóstico presuntivo. A punção ou biópsia do foco é frequentemente necessária para codificar como M90.0 e distinguir de outras osteomielites.
Como costuma ser tratado
O tratamento padrão inclui esquema antituberculose sistêmico por período prolongado, frequentemente com acompanhamento ambulatorial e ocasional necessidade de internação para complicações. Intervenção cirúrgica pode ser indicada para drenagem de abscesso, descompressão neural em lesão vertebral ou estabilização estrutural quando há risco de colapso. Reabilitação física e controle de comorbidades são complementares ao manejo clínico. O manejo específico e duração do esquema dependem da extensão, resposta terapêutica e protocolos clínicos vigentes.
Classes de medicamentos
As classes medicamentosas empregadas são os antimicrobianos antituberculosos de primeira linha e, quando indicado, agentes de segunda linha para resistências. Medicamentos de suporte podem incluir analgésicos e anti-inflamatórios para controle sintomático, além de fármacos para manejo de efeitos colaterais sob supervisão médica.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento médico se houver dor óssea persistente que não melhora com medidas habituais, aparecimento de massa ou abaulamento sobre o osso, sinais de infecção local com febre ou piora de função (por exemplo fraqueza ou dormência quando a coluna está envolvida). Em pessoas com histórico de tuberculose ou contato com doente tuberculoso, qualquer dor óssea inexplicada recomenda avaliação antecipada. Sintomas sugerindo compressão medular requerem avaliação urgente.
Uso em atestado
Atestados médicos e relatórios devem descrever local afetado, evidências que sustentam o diagnóstico (ex.: exame anatomopatológico, cultura ou imagem) e estimativa de incapacidade funcional, sem prescrever direitos. A necessidade de afastamento laboral depende da gravidade, do tratamento e do risco de atividade física ou exposição; laudo e documentação clínica fundamentam perícia.
Direitos e benefícios
Direitos previdenciários, afastamento e estabilidade dependem de avaliação pericial e das normas do INSS ou empregador. A documentação clínica completa — resultados laboratoriais, laudos de imagem e relatórios médicos — é necessária para análise de benefício; o código CID é parte da informação, não garante concessão.
Perguntas frequentes sobre M90.0
Este código significa que estou com tuberculose nos pulmões também?
Nem sempre; CID M90.0 indica tuberculose no osso. Avaliação pulmonar é necessária para saber se há doença respiratória associada.
Preciso de atestado para ficar afastado do trabalho?
O atestado depende da incapacidade funcional e do risco associado ao trabalho; a decisão sobre afastamento é baseada no laudo médico e, quando necessário, em perícia.
A tuberculose óssea é contagiosa para a família?
A transmissão normalmente ocorre por via respiratória a partir de focos pulmonares. A tuberculose óssea por si só não é transmitida pelo contato com o osso; investigação do foco pulmonar define o risco de contagio.
Quais exames confirmam o diagnóstico?
Cultura para micobactérias, testes moleculares (PCR) em material ósseo e anatomopatologia da biópsia são os que confirmam; imagens apoiam a identificação da extensão.
Quanto tempo dura o tratamento e quando volto ao trabalho?
O tratamento costuma ser prolongado e a volta ao trabalho depende da resposta clínica, do tipo de atividade e da avaliação médica; sempre discuta com seu médico e com a perícia quando necessário.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual o resultado de cultura/PCR em material ósseo e há sensibilidade a rifampicina?
- Qual a extensão anatômica da lesão em RNM e há compressão neural ameaçadora?
- A biópsia mostrou granuloma caseoso ou bacilos álcool-ácido resistentes?
- Há foco pulmonar ativo ou contágio respiratório concomitante que altera isolamento?
- Qual é a evolução radiológica esperada para considerar mudança de código ou complicação?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- O afastamento por tuberculose óssea pode ser convertido em aposentadoria por invalidez se a incapacidade for permanente?
- Quais documentos médicos e exames são essenciais para perícia previdenciária que avalie capacidade laboral?
- A presença de tuberculose óssea implica estabilidade no emprego durante tratamento ou isso depende de laudo pericial?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Quais procedimentos cirúrgicos e de imagem relacionados à tuberculose óssea exigem autorização prévia da operadora?
- Quais exames de imagem e microbiologia o plano costuma solicitar como justificativa para cobertura de cirurgia ou internação?
- Em casos de tratamento prolongado, o plano costuma exigir laudos periódicos para renovação de autorização de procedimentos complementares?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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