M90.7 — Fratura óssea em doenças neoplásicas
- fratura patológica por neoplasia
- fratura por tumor ósseo
- fratura patológica metastática
O CID M90.7 designa fratura de osso cujo enfraquecimento resulta de doença neoplásica primária ou metastática. Aparece quando um osso invadido por tumor cede sob carga habitual ou trauma mínimo. Não inclui fraturas por osteoporose isolada, infecção óssea ou fraturas traumáticas em ossos sem lesão neoplásica comprovada. O código é usado quando há evidência clínica, por imagem ou histológica de comprometimento neoplásico do osso associado à fratura. Na prática, sinaliza a necessidade de avaliação oncológica e ortopédica simultânea.
Em palavras simples
Este código significa que a sua fratura aconteceu em um osso que já estava enfraquecido por um tumor — pode ser um câncer que veio de outro órgão (metástase) ou, mais raramente, um tumor originário no osso. Não é a mesma coisa que uma fratura por queda comum ou por “perda de massa” óssea generalizada sem tumor. Em outras palavras, o fator decisivo aqui é que o osso estava comprometido por uma doença neoplásica.
Você provavelmente está sentindo dor localizada intensa no local da fratura, que pode ter começado de forma súbita ou como uma dor que vinha crescendo antes do evento da quebra. Pode haver inchaço, dificuldade ou incapacidade de usar o membro afetado, e no caso da coluna, pode surgir fraqueza, sensação de formigamento ou alteração do controle do intestino ou da urina. Sintomas gerais como cansaço e perda de peso podem acompanhar se a doença neoplásica estiver ativa.
Se é grave ou “pega” depende do contexto: a fratura por si pode ser muito dolorosa e limitar atividades, e quando há tumor envolvendo o osso é necessário investigar e tratar também a doença de base. A duração do problema varia: a dor aguda costuma melhorar com estabilização e tratamento, mas o manejo oncológico e a recuperação funcional podem demandar semanas a meses. Em alguns casos são necessárias cirurgias para estabilizar o osso, radioterapia para o controle local ou tratamentos sistêmicos para o câncer.
O que costuma acontecer a seguir é a realização de exames de imagem (radiografia, tomografia ou ressonância) para confirmar a fratura e avaliar a extensão da lesão; exames para buscar outras áreas afetadas; e, quando necessário, biópsia para confirmar ser tumor. Haverá acompanhamento por ortopedista e oncologista que decidirão sobre cirurgias, imobilização, radioterapia ou terapia medicamentosa. Dependendo da função prejudicada, pode ser necessário afastamento do trabalho por período determinado, com atestado médico.
Em casa, observe a evolução da dor, a presença de febre, aumento do inchaço, mudança de cor ou sensação de formigamento e fraqueza que aumentem. Procure ajuda sem esperar se a dor aumenta muito repentinamente, se ocorrer perda de força ou sensibilidade, alterações na micção ou evacuação, ou sinais de infecção local como febre e vermelhidão. Essas situações podem indicar complicações que exigem avaliação urgente.
Quando usar este código
Usa-se este código quando uma fratura ocorre em um osso demonstradamente invadido por tumor primário ou por metástase, confirmado por imagem, histórico oncológico conhecido ou biópsia. Emprega-se para documentar que o mecanismo da fratura é patológico, ligado a doença neoplásica, e não puramente traumático nem metabólico.
Não confunda com
M90.6 (Osteíte deformante em doenças neoplásicas): diferencia-se por apresentar processo ósseo deformante crônico associado a neoplasia, sem fratura aguda demonstrada; M90.7 exige fratura documentada por imagem ou exame físico.
M90.5 (Osteonecrose em outras doenças classificadas em outra parte): osteonecrose pode levar a colapso ósseo, mas não é codificada como fratura neoplásica a menos que haja infiltração tumoral comprovada; M90.7 requer evidência de neoplasia no foco fraturado.
M80 (Fratura osteoporótica): fraturas por fragilidade osteoporótica têm contexto e alterações radiográficas típicas de perda difusa de massa óssea sem lesão tumoral focal; escolha M90.7 apenas se houver prova de doença neoplásica no sítio.
O que é
Fratura óssea em doenças neoplásicas é uma quebra do osso que ocorre porque esse osso foi enfraquecido por presença de tumor primário ou de metástase. A manifestação clínica mais frequente é dor localizada súbita ou progressiva, com incapacidade para uso normal do membro ou da coluna, e pode ocorrer com trauma mínimo ou sem trauma aparente.
Costuma afetar pacientes com histórico de câncer (por exemplo, mama, próstata, pulmão) e pode ser a primeira apresentação de neoplasia oculta em casos de metástase óssea. A presença de massa palpável, edema local, perda de função e sinais gerais de doença neoplásica ajudam a caracterizar o quadro.
Sintomas
Dor focal intensa no local da fratura, muitas vezes súbita e agravada pelo movimento, é o sintoma mais consistente. Edema ou deformidade local e incapacidade funcional aparecem rapidamente; crepitação ou instabilidade podem ser notadas em fraturas longas. Dor progressiva antes da fratura pode apontar lesão óssea prévia por tumor; sintomas sistêmicos como perda de peso e fadiga sugerem doença neoplásica ativa. Sinais de agravamento incluem hipertensão dolorosa, déficit neurológico (quando afeta coluna) e comprometimento vascular ou infeccioso secundário.
Causas
Mecanismo primário é a destruição ou substituição do tecido ósseo por células neoplásicas, que enfraquecem a arquitetura estrutural do osso. No Brasil, as causas práticas mais comuns são metástases de carcinoma de mama, próstata, pulmão e rim, seguidas por tumores ósseos primários menos frequentes. A perda de mineralização focal, osteólise induzida por citocinas tumorais e infiltração da medula conferem fragilidade que permite fraturas com trauma mínimo.
Como é diagnosticado
O diagnóstico baseia-se na correlação entre quadro clínico e exames de imagem que documentem fratura e lesão óssea compatível com neoplasia: radiografia inicial, tomografia ou ressonância para avaliar extensão, e cintilografia ou PET para pesquisar multifocalidade. História de câncer conhecido reforça a hipótese; biópsia do foco ósseo ou do tecido circundante confirma infiltração tumoral quando necessário. Este código é aplicado quando há evidência suficiente de que a fratura decorre de doença neoplásica.
Como costuma ser tratado
O manejo integra controle da dor, estabilização ortopédica e tratamento oncológico dirigido à causa primária. Em muitos casos, a abordagem é multidisciplinar envolvendo ortopedia, oncologia clínica e radioterapia, com decisões orientadas por expectativa de vida, localização e estabilidade do osso fraturado. Tratamento pode ser ambulatorial ou hospitalar dependendo da gravidade e da necessidade de intervenção cirúrgica.
Classes de medicamentos
Classes farmacológicas relevantes incluem analgésicos (para controle sintomático), anti-inflamatórios conforme indicado, agentes que reduzem reabsorção óssea como bifosfonatos ou denosumabe quando indicados pelo oncologista, e medicamentos sistêmicos antineoplásicos para controlar a doença de base. A escolha e prescrição são responsabilidade do médico assistente.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediato se houver dor súbita intensa após pequeno trauma, perda rápida de função, sinais de compressão medular (fraqueza, perda sensorial, alteração do controle intestinal ou urinário) ou sinais de complicação local como calor, eritema ou febre. Agendamento rápido com equipe oncológica e ortopédica é indicado quando há suspeita de fratura patológica para confirmação e planejamento terapêutico.
Uso em atestado
Atestados devem descrever o diagnóstico (fratura em osso com comprometimento neoplásico), data de início dos sintomas, limitações funcionais e prognóstico funcional estimado. Indicar procedimentos realizados e necessidade previsível de afastamento ou reavaliação. Evitar termos absolutos sobre incapacidade permanente sem documentação de seguimento.
Direitos e benefícios
Direitos previstos relacionados a afastamento, benefício por incapacidade temporária ou reabilitação dependem de legislação previdenciária, laudo pericial e do vínculo de trabalho; a existência de CID M90.7 no prontuário é elemento médico, não determinante automático de concessão. Em contratos de saúde suplementar, coberturas variam por procedimento e plano; mencionar CID não garante autorização.
Perguntas frequentes sobre M90.7
O que exatamente significa receber o código CID M90.7?
Indica que a fratura ocorreu em osso comprometido por doença neoplásica, ou seja, a quebra está relacionada à presença de tumor naquele segmento ósseo.
Isso quer dizer que tenho câncer nos ossos?
Pode indicar metástase óssea ou tumor primário do osso; a confirmação depende de exames adicionais como imagem específica ou biópsia e avaliação oncológica.
Vou precisar ficar afastado do trabalho e por quanto tempo?
A necessidade e a duração do afastamento dependem da gravidade da fratura, do tratamento (cirúrgico ou não) e do quadro oncológico; o médico que acompanha avalia e emite atestado conforme a situação.
Existe risco de contágio para familiares?
Não. Fraturas e doenças neoplásicas não são contagiosas; não há transmissão entre pessoas.
Quais exames vão ser pedidos para esclarecer a causa da fratura?
Normalmente radiografia, tomografia ou ressonância do local, exames de corpo inteiro como cintilografia ou PET-CT quando indicado, e biópsia se for necessário confirmar o tipo de tumor.
Como difere este diagnóstico de uma fratura por osteoporose?
A diferenciação é feita por imagem e história clínica: fratura neoplásica mostra lesão focal compatível com tumor e, frequentemente, histórico de câncer, enquanto osteoporose costuma produzir perda difusa de massa óssea sem lesão tumoral focal.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual é a evidência imagiológica mínima aceita para classificar a fratura como relacionada a neoplasia?
- Houve biópsia do foco ósseo ou há história de tumor primário compatível que sustente M90.7?
- A lesão apresenta instabilidade mecânica que exige intervenção ortopédica imediata ou paliativa?
- Há sinais de comprometimento medular ou neurovascular que mudem a conduta e o código utilizado?
- A fratura é única ou fazem-se necessários exames para rastrear metástases ósseas adicionais?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual documentação médica e de perícia é necessária para justificar afastamento por fratura em doença neoplásica?
- Em caso de acidente de trabalho que desencadeou fratura em osso neoplásico, como se diferencia responsabilidade entre doença preexistente e evento laboral?
- Que evidências sustentam pedido de benefício por incapacidade temporária quando a fratura está ligada a neoplasia?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Qual documentação a operadora exige para autorizar procedimento cirúrgico ou estabilização por fratura em osso acometido por tumor?
- Em situações de fratura patológica por metástase, quais exames pré-procedimento costumam ser solicitados pela seguradora?
- Como a operadora avalia pedido de internação para manejo da fratura associada a terapia oncológica concomitante?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
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