N75 — Doenças da glândula de Bartholin

  • cisto de Bartholin
  • abscesso de Bartholin
  • glândula de Bartholin inflamada

Em palavras simples

Receber um diagnóstico com o termo “doença da glândula de Bartholin” pode soar técnico, mas na prática refere-se a um problema numa pequena glândula que fica na lateral da entrada da vagina. Essa glândula produz secreção que ajuda a lubrificar; quando o canal que leva essa secreção entope, forma-se um cisto. Se bactérias entrarem, pode virar um abscesso — uma bolsa de pus que costuma doer e inchar.

O que você provavelmente sente depende do quadro: um cisto sem inflamação pode ser apenas um nódulo indolor que você nota ao tocar; já o abscesso costuma ser doloroso, quente ao toque, e pode deixar a região vermelha e sensível, atrapalhando caminhar, sentar ou ter relações. Em alguns casos vem febre e sensação de mal-estar.

Na maioria das mulheres em idade fértil é um problema localizado, não é uma doença que “pega” outras pessoas de forma fácil; a infecção costuma vir de germes da própria região. A gravidade varia: muitos cistos são só incômodos; abscessos podem exigir tratamento e aliviam após drenagem e cuidado. O tempo de recuperação depende do tipo e do tratamento, por isso a avaliação médica define o cuidado a seguir.

O que costuma acontecer depois do diagnóstico é uma avaliação clínica pelo ginecologista ou médico de família. Se for só um cisto pequeno e sem sintomas, pode-se optar por observar; se for um abscesso doloroso, pode ser necessária drenagem e cuidados locais. Exames laboratoriais não são sempre obrigatórios, mas em casos com febre ou recorrência o médico pode pedir cultura da secreção ou outros exames. Retorno é comum para verificar cicatrização e, em episódios repetidos, discutir outras opções para reduzir recidivas.

Em casa, observe dor crescente, aumento rápido do inchaço, febre ou saída de pus — esses sinais pedem avaliação urgente. Cuide da higiene local sem agressão, evite manipular a área e procure ajuda se a dor impedir as atividades diárias ou se aparecer febre. Se você já teve episódios antes, anote datas e tratamentos anteriores para informar o médico, pois isso ajuda a decidir o melhor seguimento.

O que este código significa?

O CID N75 designa doenças da glândula de Bartholin, geralmente cistos ou abscessos que aparecem na porção posterolateral da vulva. Aparece sobretudo em mulheres em idade reprodutiva com volume e/ou dor localmente na vulva, muitas vezes unilateral. Não inclui outras infecções vaginais, cervicais ou doenças dermatológicas da vulva, que têm códigos distintos. O código cobre tanto cistos assintomáticos quanto quadros inflamados/abscedados, desde que a origem seja a própria glândula de Bartholin. A presença de secreção ou febre orienta para um processo infeccioso sobreposto.


Quando este código é usado?

Usa-se quando a alteração clínica se origina na glândula de Bartholin — cisto palpável ou massa vulvar posterolateral, com ou sem inflamação/abscesso. Não se aplica a lesões de outras estruturas vulvares ou genitais internos.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

N76 (Outras afecções inflamatórias da vagina e da vulva): N76 cobre inflamação difusa da vulva ou vaginite; N75 refere-se especificamente à glândula de Bartholin e exige massa ou envolvimento glandular localizado. N72 (Doença inflamatória do colo do útero): N72 é usada quando a inflamação origina-se no colo uterino; a localização clínica (colo versus vulva) e exames ginecológicos separam os códigos. N70 (Doenças inflamatórias dos órgãos pélvicos femininos): N70 refere-se a doença inflamatória pélvica envolvendo o útero, trompas ou ovários; ausência de sinais de infecção pélvica alta e presença de lesão vulvar localizada favorecem N75.

O que é?

As glândulas de Bartholin são duas pequenas glândulas localizadas na porção inferior lateral da vulva, cuja função é lubrificar a entrada vaginal. Quando o ducto é obstruído, forma-se um cisto; se houver infecção, pode evoluir para um abscesso doloroso e frequentemente agudo.

Clinicamente manifesta-se por nódulo ou inchaço unilateral na região vulvar posterolateral, que pode ser indolor (cisto) ou sensível, quente e com rubor quando há abscesso. A faixa etária mais afetada é a de mulheres em idade reprodutiva; em idosas, a descoberta exige avaliação cuidadosa.

Quais sintomas aparecem?

Os principais sinais são massa ou inchaço localizado na vulva, dor localizada (especialmente ao caminhar, sentar ou durante a relação), sensibilidade e, em abscessos, vermelhidão e calor local. Se há febre, mal-estar ou secreção purulenta, indica complicação infecciosa. Sintomas iniciais podem ser apenas um nódulo indolor; aumento rápido da dor, febre ou drenagem espontânea sugerem agravamento.

O que causa?

O mecanismo típico é obstrução do ducto da glândula, levando retenção de secreção e formação de cisto; sobreinfecção bacteriana pode transformar o quadro em abscesso. No Brasil, os achados microbianos variam, frequentemente com flora mista da região perineal; nem sempre há agente sexualmente transmissível identificado. Traumatismo local, higiene íntima inadequada ou procedimentos locais podem precipitar inflamação.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção e palpação da vulva, identificação de massa posterolateral da vulva e sinais de inflamação local. A distinção entre cisto não inflamado e abscesso é feita pela presença de dor, calor, rubor e flutuação. Exames complementares ajudam a excluir outras causas ou a investigar agente infeccioso em casos recorrentes ou graves, mas o código N75 é sustentado pela origem glandular e pelos sinais locais.

Como costuma ser tratado?

O manejo varia conforme seja cisto assintomático, cisto sintomático ou abscesso. Pequenos cistos assintomáticos podem ser apenas observados; cistos sintomáticos e abscessos costumam requerer intervenção local para drenagem ou procedimentos específicos realizados em ambiente ambulatorial ou cirúrgico. Em abscessos com sinais sistêmicos, tratamento antimicrobiano dirigido e vigilância são parte do cuidado; o enfoque é resolver o processo infeccioso e prevenir recorrência.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes farmacológicas envolvidas incluem analgésicos e anti-inflamatórios para controle sintomático da dor, e antimicrobianos de uso sistêmico quando há evidência de infecção local extensa ou sinais sistêmicos. A escolha da classe e necessidade de antibiótico dependem da apresentação clínica e avaliação profissional.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se houver dor intensa, aumento rápido da massa vulvar, febre, drenagem purulenta ou dificuldade para caminhar/urinar. Também é indicada consulta se um nódulo persistir sem melhora, se ocorrer recidiva após tratamento ou se houver dúvidas sobre diagnóstico; em idosos, qualquer nova massa vulvar merece investigação mais imediata.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico responsável que examinou o caso, com base no quadro concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; a partir do 16º dia o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. O CID do atestado é o identificador que o perito usa para saber se dois atestados são pela mesma doença e assim realizar a soma dos períodos.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, especificar o período de afastamento, trazer a data de emissão, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID no atestado exige a anuência do paciente: informar ou não o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada administrativamente.

No caso de N75, o quadro frequentemente é agudo quando se trata de abscesso doloroso, ou pode ser episódico quando há cistos que recidivam. Isso significa que o afastamento pode variar conforme intensidade da dor, presença de febre ou necessidade de procedimento para drenagem. O caráter localizado e potencialmente incapacitante do abscesso pode justificar atestado com indicação de repouso relativo ou cuidados locais, enquanto um cisto assintomático tende a não requerer afastamento.

Quando o quadro recorre com intervalos curtos, a regra dos 60 dias é especialmente relevante: atestados repetidos com CID N75 somam para fins de controle dos 15 dias iniciais, influenciando quando será necessária perícia do INSS. Em síntese, N75 pode representar desde um problema ambulatorial controlável até um episódio agudo que limita atividades, e isso orienta a duração do atestado caso a caso.

Perguntas frequentes sobre N75

O que significa receber o CID N75 no atestado?

Significa que o médico identificou um problema na glândula de Bartholin, como um cisto ou abscesso; o CID descreve a origem do quadro, não determina sozinho a duração do afastamento.

Isso é contagioso para meu parceiro?

A condição é decorrente de obstrução glandular e, quando infectada, costuma envolver germes locais; não é tipicamente uma infecção sexualmente transmissível em si, embora alguns agentes possam ser transmitidos; o médico avalia caso a caso.

Preciso fazer exame de sangue ou cultura?

Nem sempre; exames são indicados se houver febre, sinais de infecção generalizada, episódios recorrentes ou se houver necessidade de orientar antibiótico mais específico.

Quando um abscesso precisa ser drenado?

Drenagem é considerada quando há abscesso sintomático com dor significante ou flutuação; a decisão depende da avaliação clínica e do risco de complicações.

Um cisto pode voltar depois de tratado?

Sim, há risco de recorrência; episódios repetidos podem levar o médico a propor outras estratégias para reduzir recidivas.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há flutuação ou sinais de abscesso que justificam drenagem imediata?
  • Existe recidiva prévia deste mesmo problema, e há registros anteriores com CID N75?
  • Há sinais sistêmicos (febre, taquicardia) que exigem antibioterapia sistêmica e investigação?
  • O nódulo é unilateral e na localização típica da glândula de Bartholin, confirmando origem glandular?
  • Em paciente idosa, houve avaliação para descartar neoplasia vulvar associada?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este quadro costuma justificar afastamento além dos 15 dias iniciais em perícia do INSS?
  • Como comprovar recorrência da mesma condição quando há atestados emitidos por médicos diferentes?
  • A ausência do CID no atestado pode prejudicar a soma dos períodos de afastamento para fins previdenciários?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O procedimento de drenagem ou intervenção ambulatorial será classificado como cirúrgico e exige autorização prévia do plano?
  • Quais documentos e laudos o plano costuma solicitar para comprovar indicação de procedimento em caso de abscesso recidivante?
  • O plano pode negar cobertura de procedimento específico por considerar tratamento conservador suficiente sem exame complementar?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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