CIDs Med
O00–O99 · Capítulo XV · Gravidez, parto e puerpério
  • diabetes gestacional
  • diabetes pré-existente na gravidez

Em palavras simples

Receber o código CID O24 significa que, durante a gravidez, seus exames mostram níveis de açúcar no sangue acima do esperado. Em palavras simples, é a identificação de diabetes no período da gestação ou a constatação de que um diabetes que você já tinha precisa de atenção especial enquanto está grávida.

Você pode não sentir nada no início; algumas mulheres só descobrem pela rotina de exames. Quando há sintomas, são coisas como sede maior que o normal, vontade de urinar com mais frequência, cansaço mais intenso ou fome aumentada. Às vezes o exame de ultrassom pode mostrar que o crescimento do bebê está diferente do esperado, o que leva os médicos a investigar o açúcar no sangue.

Não é uma doença que “pega” outra pessoa; trata-se de uma alteração do seu corpo durante a gravidez. A gravidade varia: em muitos casos é controlável com mudanças na alimentação e acompanhamento; em outros, pode exigir medicamentos e vigilância mais próxima. O tempo que dura é relacionado à gravidez — o controle é mantido enquanto houver risco para você e para o bebê, e as medidas costumam continuar até o parto e, em alguns casos, depois.

Depois do diagnóstico, você será orientada a fazer exames de sangue com frequência e a retornar para consultas obstétricas e possivelmente com endocrinologista ou nutricionista. Em casa, é comum que se peça monitorar a glicemia com lâminas ou exames domiciliares; registre os valores e leve ao médico. A necessidade de afastamento do trabalho depende de quanto a condição afeta suas atividades e do que o médico atestar.

Observe sinais que sugerem descompensação: sede muito intensa, náuseas ou vômitos que não passam, fraqueza extrema, alterações de visão ou qualquer episódio de perda de consciência. Também comunique ao seu médico se notar que o bebê mexe menos do que o habitual. Nessas situações procure atendimento sem esperar pela próxima consulta.

Lembre-se que o CID no papel do atestado só é incluído com sua permissão e ajuda a somar períodos quando houver necessidade de afastamentos sucessivos. Guarde os exames e atestados e leve-os a todas as consultas para que seu cuidado seja ajustado ao longo da gravidez.

O que este código significa?

O CID O24 designa diabetes mellitus que aparece ou persiste durante a gravidez, incluindo tanto casos novos no período gestacional quanto agravamento de diabetes previamente conhecido. Aparece quando há hiperglicemia suficientemente documentada na gestante e requer registro no acompanhamento obstétrico. Não inclui distúrbios glicêmicos isolados sem confirmação laboratorial nem complicações maternas não relacionadas ao metabolismo da glicose. Este código agrupa diferentes apresentações clínicas e orienta o monitoramento direcionado da mãe e do feto. A presença do CID O24 serve para registro obstétrico e para distinguir estes casos de outras complicações maternas.

Quando este código é usado?

Use este código quando uma gestante tem diagnóstico de diabetes mellitus confirmado durante a gravidez ou quando um diabetes pré-existente está em acompanhamento ativo no período gestacional. Inclui diabetes diagnosticado pela primeira vez na gravidez e diabetes conhecido que requer manejo específico na gestação. Não use para hiperglicemia isolada sem confirmação ou para alterações glicêmicas ocorridas apenas fora do contexto gestacional.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

O23 (Infecções do trato geniturinário na gravidez) — separa-se por não ser uma condição metabólica; infecções urinárias dão sintomas urinários e provas laboratoriais de infecção, enquanto O24 exige evidência de disfunção glicêmica documentada por exames de glicose.

O24.4 (Diabetes mellitus que surge durante a gravidez) — distinção por critério temporal: O24.4 refere-se especificamente ao diabetes que começa na gestação sem história prévia; O24 pode também registrar diabetes pré-existente controlado ou ajustado durante a gravidez, conforme documentação clínica.

O20 (Hemorragia do início da gravidez) — hemorragia é um evento obstétrico agudo identificado por sangramento e achados obstétricos, sem relação direta com glicemia; a investigação e o registro diferem claramente.

O que é?

Diabetes mellitus na gravidez é a presença de níveis elevados de glicose no sangue identificados em uma mulher grávida, seja por estreia da doença no período gestacional ou por persistência/agravamento de diabetes conhecido antes da gravidez. Manifesta-se por alterações metabólicas que podem afetar a mãe e o feto, exigindo vigilância obstétrica e endocrinológica para reduzir riscos maternos e perinatais.

Na prática, pode variar de alterações assintomáticas detectadas em exames de rotina a sintomas evidentes como sede excessiva e cansaço. A condição tende a requerer avaliação contínua durante a gestação e ajustes no plano de cuidado, pois a gravidez altera o metabolismo e pode modificar necessidade terapêutica.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas variam; alguns casos são assintomáticos e identificados em exames laboratoriais rotineiros. Entre os sinais iniciais que podem aparecer estão aumento da sede, vontade frequente de urinar, cansaço intenso e fome aumentada. Sinais de piora incluem náuseas ou vômitos persistentes, perda de consciência, visão turva ou sinais de descompensação metabólica. Alterações no crescimento fetal detectadas em ultrassonografia também podem indicar impacto materno glicêmico.

O que causa?

O mecanismo subjacente é hiperglicemia por relativa deficiência de insulina ou resistência insulínica exacerbada pela gestação; hormônios placentários aumentam a resistência à insulina durante a gravidez, tornando mais provável a elevação da glicemia em mulheres predispostas. No Brasil, o cenário mais comum é o surgimento de resistência à insulina durante a gestação em mulheres com fatores de risco (idade materna avançada, excesso de peso, história familiar de diabetes), levando ao diagnóstico de diabetes gestacional.

Em algumas gestantes havia diabetes tipo 2 prévio não diagnosticado que se torna evidente na gravidez; menos frequentemente trata-se de diabetes tipo 1 já conhecido, que exige ajuste terapêutico no período gestacional.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico apoia-se em exames de glicemia realizados segundo protocolos obstétricos: testes laboratoriais que mostrem níveis elevados de glicose em jejum, em amostras aleatórias com correlação clínica, ou em testes de tolerância à glicose quando realizados. Para este código é necessário que a hiperglicemia esteja documentada nos prontuários e integrada ao acompanhamento obstétrico; a confirmação distingue O24 de códigos vizinhos por registrar abuso persistente ou início de diabetes no contexto gestacional.

O registro clínico deve incluir a natureza do diabetes (se possível identificar como gestacional ou pré-existente), resultados laboratoriais e, quando pertinente, avaliações do feto que mostrem impacto do metabolismo materno.

Como costuma ser tratado?

O manejo visa normalizar a glicemia para reduzir riscos maternos e fetais, combinando mudanças no estilo de vida e, quando necessário, terapias farmacológicas ajustadas ao período gestacional. O acompanhamento é multidisciplinar, com monitorização frequente da glicemia e avaliações obstétricas regulares. Alguns casos são manejados com medidas ambulatoriais e orientações dietéticas e de atividade; outros exigem intervenções medicamentosas e supervisão especializada até o parto.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

As classes de medicamentos empregadas no controle glicêmico durante a gravidez incluem agentes hipoglicemiantes usados sob supervisão médica e insulina quando indicada; a escolha depende do perfil materno, da intensidade da hiperglicemia e do momento da gestação. A decisão por determinada classe é clínica e individualizada, baseada em risco/benefício para mãe e feto.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se houver sintomas novos como sede intensa, aumento marcado da micção, cansaço extremo, náuseas ou vômitos persistentes, perda de consciência ou visão turva. Também é importante comunicar ao seu obstetra qualquer alteração detectada em exames de rotina ou sinais de redução do movimento fetal. Em situações de descompensação metabólica suspeita, procure atendimento emergencial.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto, de modo que duas gestantes com o mesmo CID podem receber prazos diferentes. Até 15 dias de afastamento o salário é pago pelo empregador; a partir do 16º dia o INSS assume e exige perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. Essa soma usa o CID registrado no atestado para que o perito identifique se se trata do mesmo motivo, razão prática pela qual o código aparece nos documentos.

Para que o atestado seja aceito ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, conter data, assinatura e CRM do médico. O CID só entra com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, porém sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo INSS nem pelo empregador para contagem conjunta.

No caso de diabetes na gravidez, o curso pode ser agudo relativo — diagnóstico novo que muitas vezes tem acompanhamento específico durante a gestação — ou representar uma condição crônica conhecida que exige ajuste de tratamento. Este código costuma envolver acompanhamento e registro contínuo, e pode justificar atestados dependendo da severidade e do impacto funcional. Quando o quadro tende a recidivar em gestações futuras ou requer maneios repetidos, a regra dos 60 dias é relevante porque atestados espaçados dentro desse período serão considerados pelo perito como o mesmo motivo para contagem conjunta.

Perguntas frequentes sobre O24

O CID O24 significa que terei diabetes para sempre?

Nem sempre; o CID indica diabetes na gravidez ou diabetes conhecido durante a gestação. Em alguns casos o quadro reverte após o parto, em outros permanece e precisa de acompanhamento contínuo. A definição de persistência depende de exames após o parto.

Preciso me afastar do trabalho por ter CID O24?

O afastamento não é automático apenas por constar o CID; depende do seu estado clínico e da avaliação do médico. Se houver necessidade de afastamento, o atestado deve explicitar o período, e as regras trabalhistas e previdenciárias serão aplicadas conforme o caso.

Como é confirmado o diagnóstico que justifica o CID O24?

Por exames de glicemia documentados no prontuário, como glicemia em jejum, glicemia pós-prandial ou teste de tolerância à glicose, conforme a prática obstétrica. O registro desses resultados no prontuário sustenta o uso do CID.

Posso transmitir diabetes para o bebê?

Diabetes materno não é uma doença contagiosa. No entanto, a glicemia materna alta pode afetar o bebê durante a gravidez e o parto, por isso o controle e o acompanhamento obstétrico são importantes.

O que acontece nas consultas depois do diagnóstico com CID O24?

Haverá monitorização mais frequente da glicemia, ajustes no tratamento, avaliações obstétricas para acompanhar o crescimento fetal e orientações sobre dieta e atividade. Se necessário, serão agendadas consultas com especialistas, como endocrinologia e nutrição.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Quais resultados laboratoriais e em que momento confirmaram o diagnóstico de diabetes na gestação?
  • Existe documentação que permita classificar este caso como diabetes gestacional versus diabetes pré-existente?
  • Houve alteração do crescimento fetal ou sinais obstétricos que justifiquem ajustes no acompanhamento?
  • Que mudanças no plano terapêutico foram feitas durante a gravidez e por que motivo?
  • Há registro de monitorização domiciliar da glicemia e seus valores recentes?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este CID pode justificar afastamento para perícia trabalhista e em que circunstâncias o INSS costuma avaliar incapacidade nesta condição?
  • Como a soma dos atestados com o mesmo CID dentro de 60 dias pode afetar direitos trabalhistas quando há períodos sucessivos de afastamento?
  • Quais elementos do atestado podem ser questionados pelo empregador sem invalidar o afastamento (por exemplo, ausência do CID)?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige autorização prévia para exames específicos do controle da glicemia na gestação relacionados a O24?
  • Há cobertura para consultas multidisciplinares (endocrinologia e nutrição) neste cenário segundo o contrato do plano?
  • Quais critérios a operadora usa para autorizar tratamentos farmacológicos ou internação obstétrica relacionados a diabetes na gravidez?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.