CIDs Med
O00–O99 · Capítulo XV · Gravidez, parto e puerpério
  • trombose venosa puerperal agravada pela gravidez
  • varizes gestacionais
  • insuficiência venosa na gravidez

Em palavras simples

Este código, CID O22, diz basicamente que você tem uma complicação nas veias que apareceu ou piorou por causa da gravidez. Pode ser um coágulo numa veia profunda (trombose) ou varizes que ficaram mais doloridas e inchadas. O foco é a relação direta com a gestação: se a veia doente já existia e não mudou durante a gravidez, normalmente não se usa este código.

Você provavelmente sente dor localizada na perna ou na região pélvica, inchaço que pode ser assimétrico (uma perna mais inchada que a outra), sensação de peso ou queimação e, no caso de hemorróidas, dor anal, coceira ou sangramento ao evacuar. Também pode haver veias mais saltadas ou desconforto ao caminhar. Se aparecer febre ou dor muito intensa, é sinal de que a situação pode estar mais séria.

O CID em si não diz quanto tempo vai durar nem garante um tipo específico de tratamento: trata-se de um rótulo que liga o problema à gravidez. Muitos episódios são avaliados e acompanhados, alguns exigem tratamento específico comprovado por exame de imagem. O médico poderá pedir uma ultrassonografia doppler para confirmar trombose ou avaliar as veias; exames de sangue podem ser feitos para buscar fatores de risco.

Na prática, você terá acompanhamento conjunto entre obstetra e, quando necessário, especialista vascular. Em casa, observe o inchaço, dor que aumenta, vermelhidão quente na pele ou falta de ar; esses sinais justificam procurar atendimento sem demora. Para sintomas leves e estáveis, siga as orientações do seu médico sobre repouso relativo, cuidados locais e retornos agendados.

Receber o CID O22 não significa que a situação é contagiosa nem que haverá sempre afastamento do trabalho: a necessidade de atestado depende de quanto os sintomas comprometem as atividades e do julgamento clínico. Anote horários de início dos sintomas e informe qualquer procedimento recente, imobilização ou história de trombose na família, pois isso ajuda a decidir o melhor caminho. Se surgir falta de ar, dor torácica ou aumento rápido do edema, busque emergência imediatamente.

O que este código significa?

O CID O22 designa complicações venosas que surgem ou se agravam no curso da gravidez, como trombose venosa profunda ou aumento sintomático de varizes. Aplica-se quando a origem do problema é a gestação ou quando o quadro se manifesta durante a gestação. Não inclui varizes pré-existentes sem piora relacionada à gravidez nem outras causas não gestacionais de trombose. A codificação deve refletir o diagnóstico clínico e/ou imagem que vincule o evento ao período gestacional. Subdivisões específicas, como O22.4 para hemorróidas na gravidez, devem ser usadas quando o local ou a natureza forem mais precisos.

Quando este código é usado?

Use O22 quando a condição venosa (trombose, tromboflebite, varizes sintomáticas ou outras complicações venosas) aparece pela primeira vez ou piora durante a gravidez e é atribuída ao estado gestacional. Serve para classificar episódios agudos e também situações recorrentes que se manifestem enquanto a paciente estiver grávida. Não use O22 para doenças venosas anteriores à gravidez que permaneçam estáveis sem relação temporal com a gestação.

Este código é relevante tanto para documentação clínica quanto para estatísticas de saúde materna, perícia e faturamento hospitalar quando a gravidez é a circunstância associada ao evento vascular.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

O22.4 (Hemorróidas na gravidez) — Hemorróidas são veias anorretais dilatadas; O22.4 aplica-se quando as hemorróidas surgem ou se agravam por causa da gravidez. Use O22.4 em vez de O22 genérico quando a localização anorretal for o foco principal.

O20 (Hemorragia do início da gravidez) — O20 refere-se a sangramento uterino no início da gravidez; diferencie por origem do sangramento: vaginal uterino (O20) versus sangramento por varizes anorretais ou hemorroidárias relacionado a O22.4.

O23 (Infecções do trato geniturinário na gravidez) — Infecções urogenitais podem causar dor pélvica e febre; separar por evidência microbiológica e resposta a tratamento antimicrobiano; se o problema for trombose venosa comprovada por imagem, codificar O22.

O que é?

Complicações venosas na gravidez reúnem processos nas veias que surgem ou pioram durante a gestação, sobretudo trombose (formação de coágulos nas veias profundas) e exacerbação de varizes já existentes. Manifestações vão de dor e edema localizado até sinais inflamatórios e risco de embolia em casos de trombose venosa profunda.

Geralmente ocorrem em mulheres com fatores de risco vasculares ou trombofílicos, mulheres grávidas de segunda metade da gestação e as que apresentem aumento da pressão abdominal por útero gravídico. A apresentação pode ser aguda ou subaguda, exigindo avaliação clínica e frequentemente exames de imagem para confirmar o quadro e orientar condutas.

Quais sintomas aparecem?

Os sintomas mais comuns são dor localizada em membro inferior ou região pélvica, inchaço (edema) assimétrico de perna, sensação de peso ou queimação nas áreas afetadas e veias visivelmente dilatadas (varizes). Hemorróidas gravidicas produzem dor anal, prurido e sangramento ao evacuar. Sinais que indicam agravamento incluem aumento rápido do inchaço, dor intensa que limita a marcha, febre associada e sinais respiratórios (dispneia), que podem sugerir complicação embólica.

O que causa?

As causas envolvem alterações hemodinâmicas e hemostáticas próprias da gravidez: aumento do volume sanguíneo, compressão venosa pelo útero grávido, redução do retorno venoso e estado de hipercoagulabilidade gestacional. Trombofilia pré-existente, cesarianas anteriores, imobilização e história prévia de trombose aumentam a probabilidade de trombose venosa. No caso das varizes, o aumento da pressão venosa e fatores hormonais promovem dilatação e insuficiência valvular.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de complicações venosas na gravidez baseia-se na correlação entre sintomas, exame físico e exames de imagem que demonstrem trombo ou refluxo venoso; a ultrassonografia doppler venosa é o exame de escolha para confirmar trombose ou avaliar refluxo nas veias superficiais e profundas. A anamnese deve explorar início dos sintomas, fatores de risco trombótico, história de varizes e uso de medicações. Exames laboratoriais podem apoiar a suspeita de hipercoagulabilidade, mas a confirmação objetiva por imagem determina a codificação para O22.

Como costuma ser tratado?

O tratamento depende do diagnóstico e da gravidade: controle sintomático, medidas de suporte (elevação de membros, compressão quando indicada) e medidas específicas para trombose ou inflamação venosa comprovada. O seguimento obstétrico e vascular deve ser integrado. A maioria dos casos é manejada sem cirurgia, mas procedimentos intervencionistas podem ser considerados em situações selecionadas com risco ou falha terapêutica.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos usadas em complicações venosas gestacionais incluem agentes anticoagulantes para trombose comprovada, anti-inflamatórios e sintomáticos para controle da dor e orientação sobre uso de flebotônicos em contextos obstétricos específicos. A escolha do regime farmacológico depende da fase da gravidez, do risco materno e fetal e do diagnóstico confirmado por imagem.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento imediato se houver dor intensa e súbita num membro, aumento rápido do inchaço, vermelhidão quente na pele sobre a veia afetada, febre ou falta de ar. Avaliação urgente é necessária quando sinais sistêmicos aparecem, pois podem indicar trombose extensa ou embolia pulmonar. Para sintomas leves e estáveis, consulte o acompanhamento obstétrico para avaliação e encaminhamento especializado.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso, com base na gravidade e nas condições individuais — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias de afastamento o empregador paga o salário; a partir do 16º dia o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para os 15 dias, e o CID do atestado é a referência prática que o perito usa para verificar se a doença é a mesma.

Para que um atestado seja aceito ele precisa trazer identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado exige anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada, o que afeta a contagem prevista na legislação.

No caso de O22, o quadro costuma ser agudo ou subagudo, frequentemente ligado a trombose venosa ou agravamento de varizes durante a gestação; isso determina se o médico registra incapacidade temporária ou apenas necessidade de acompanhamento e medidas protetoras. Por serem episódios que podem recidivar durante gestações sucessivas ou persistir na puerpério, a verificação do mesmo CID entre atestados dentro de 60 dias é relevante para a soma dos períodos de afastamento.

O uso deste código em atestados deve refletir diagnóstico clínico ou imagem que vincule a lesão venosa à gravidez. Nem todo registro de varizes recebe O22: somente quando a relação temporal e causal com a gestação estiver explícita no laudo ou na justificativa clínica.

Perguntas frequentes sobre O22

O que significa ver CID O22 no meu atestado?

Indica que a complicação venosa foi relacionada à sua gravidez; é um registro clínico que ajuda a identificar a causa do problema e a organizar acompanhamento e perícias.

O CID O22 quer dizer que tenho trombose?

Nem sempre; O22 cobre complicações venosas da gestação, que incluem trombose comprovada ou piora sintomática de varizes. O diagnóstico específico depende de exame de imagem.

Preciso me preocupar com contágio para o bebê?

Complicações venosas maternas não são contagiosas ao feto. O foco é o risco para a mãe, e o manejo busca proteger mãe e bebê.

Que exames serão solicitados com mais frequência?

A ultrassonografia doppler venosa é o exame mais utilizado para confirmar trombose ou avaliar refluxo em varizes; exames de sangue podem investigar fatores de risco quando indicado.

O atestado com CID O22 garante afastamento e pagamento pelo INSS?

O atestado por si só não garante concessão; existe regra de contagem para os primeiros 15 dias pagos pelo empregador e perícia do INSS a partir do 16º dia, conforme procedimentos administrativos.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve confirmação por ultrassonografia doppler venosa do membro afetado ou apenas suspeita clínica?
  • Existe investigação de trombofilia ou fatores de risco que justifiquem anticoagulação prolongada?
  • O quadro atual foi iniciado ou agravado após o início da gestação, justificando o uso de O22 em vez de um CID pré-existente?
  • Há sinais de extensão proximal do trombo ou suspeita de embolia que mudariam o manejo e a codificação?
  • O plano de seguimento obstétrico e vascular prevê alterações no tratamento durante o puerpério?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • O atestado indica a relação causal com a gravidez de forma suficiente para fins de perícia previdenciária?
  • Como será comprovada a continuidade do mesmo motivo em atestados subsequentes dentro de 60 dias pelo CID registrado?
  • Em caso de afastamento prolongado, quais documentos adicionais o perito costuma exigir para avaliação da incapacidade funcional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • A operadora exige documentação de imagem para autorizar procedimentos relacionados a trombose venosa durante a gravidez?
  • Quais são os critérios da operadora para cobertura de terapias anticoagulantes em gestantes com trombose comprovada?
  • A necessidade de internação ou procedimentos intervencionistas costuma exigir prévia autorização quando o motivo é O22?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.