CIDs Med
Q00–Q99 · Capítulo XVII · Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas
  • torcicolo congênito
  • contractura do esternocleidomastoideu congênita
  • Deformidade esternocleidomastoideana congênita

Na dúvida entre códigos parecidos? Veja CID de cervicalgia e torcicolo: todos os códigos que podem aparecer e o que diferencia cada um.

Em palavras simples

Receber o código CID Q68.0 significa que os médicos identificaram uma deformidade no músculo do pescoço chamada esternocleidomastoideu, presente desde o nascimento. Em termos simples, um dos músculos do lado do pescoço nasceu mais curto ou com um pequeno espessamento, o que faz o bebê inclinar a cabeça para um lado e girá‑la para o outro. Isso é geralmente chamado de torcicolo congênito.

Você provavelmente percebeu que a cabeça do bebê fica sempre virada para um lado, ou que o rosto parece um pouco assimétrico. Pode haver um nódulo pequeno e firme no pescoço que os pais conseguem sentir. Nem sempre há dor; em bebês, o sinal mais comum é a posição mantida da cabeça. Em alguns casos a assimetria do crânio (plagiocefalia) aparece por causa da mesma posição.

Na maioria dos casos não é uma doença contagiosa e não pega outras pessoas. A gravidade varia: muitos bebês melhoram muito com fisioterapia e exercícios de posicionamento; outros podem precisar de tratamentos adicionais se o encurtamento permanecer. O tempo até a melhora depende da resposta ao tratamento e da gravidade inicial, por isso o médico e o fisioterapeuta fazem acompanhamento.

Depois do diagnóstico, é comum que o bebê seja indicado a sessões de fisioterapia para alongar e estimular a posição contrária, além de orientações de posicionamento em casa. O médico pode pedir ultrassom do músculo para ver o espessamento e documentar a condição. Se não houver melhora com acompanhamento, pode haver avaliação por especialista para considerar outras intervenções.

Em casa, observe se a cabeça está cada vez menos móvel, se aparece vermelhidão ou sinais de infecção sobre a pele, ou se o bebê mostra fraqueza nos braços; nesses casos procure atendimento. Também volte ao médico se, após semanas de fisioterapia, não houver sinais de melhora ou se a posição piorar. A maioria dos casos se beneficia de tratamento precoce; registrar fotos e anotações das mudanças ajuda nas consultas de retorno.

Este código descreve a causa muscular congênita da posição anômala da cabeça; por isso o acompanhamento e a documentação do progresso são importantes para decisões futuras sobre tratamento e, se necessário, encaminhamento a outros especialistas. Mantenha os retornos e siga as orientações de posicionamento e fisioterapia combinadas com o médico.

O que este código significa?

O CID Q68.0 designa deformidade congênita do músculo esternocleidomastoideu, frequentemente chamada de torcicolo congênito. Aparece ao nascimento ou nas primeiras semanas de vida como inclinação e rotação da cabeça associadas a encurtamento ou nódulo palpável no músculo esternocleidomastóideo. Não inclui torticolos adquiridos por causas neurológicas, traumáticas ou infecciosas (outros códigos). Não descreve escoliose ou deformidades ósseas isoladas do pescoço; nesses casos codifica-se conforme a etiologia específica. Este código cobre variações de grau que resultam de posição intrauterina ou lesão muscular perinatal e que têm origem muscular congênita.

Quando este código é usado?

Use Q68.0 quando houver deformidade do pescoço presente ao nascimento ou nas primeiras semanas, com evidência clínica de encurtamento ou massa no músculo esternocleidomastoideu e sem causa adquirida identificável. Não usar quando a assimetria de cabeça e pescoço for explicada por paralisia nervosa, fratura, infecção ou anomalia vertebral isolada.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

Q68.0 vs Q76.2: Q76.2 (defeitos ósseos congênitos do esqueleto) é usado quando a anomalia é vertebral ou óssea demonstrada por imagem; Q68.0 exige sinal muscular (encurtamento ou massa) sem deformidade óssea predominante. Q68.0 vs G24.9: G24.9 (distonia) refere-se a distonia adquirida/neurológica com contrações musculares involuntárias; Q68.0 é presente desde o nascimento e tem achado estrutural no músculo esternocleidomastoideu. Q68.0 vs S13.4: S13.4 (lesão de nervo cervical/plexo braquial por trauma) aplica-se quando existe história de trauma perinatal com déficit neurológico; ausência de trauma e presença de nódulo muscular favorecem Q68.0.

O que é?

A deformidade congênita do músculo esternocleidomastoideu é uma condição em que o músculo do lado afetado nasce encurtado ou com fibrose, levando a inclinação da cabeça para o mesmo lado e rotação para o lado oposto. Manifesta-se por assimetria do pescoço e, muitas vezes, por um pequeno nódulo ou espessamento palpável no ventre do esternocleidomastoideu.

Costuma ser identificada em recém-nascidos e lactentes; pode coexistir com plágiocefalia posicional e, se não tratada, evoluir para encurtamento crônico que altera o alinhamento da coluna cervical e da face. O grau varia de leve rotação a posição fixa mais evidente.

Quais sintomas aparecem?

Inclinação persistente da cabeça para um lado e rotação contralateral são os sinais centrais, geralmente percebidos logo após o nascimento. Massa palpável ou espessamento no ventre do músculo esternocleidomastoideu aparece em muitos casos nas primeiras semanas. Assimetria facial ou achatamento craniano (plagiocefalia) pode se desenvolver secundariamente. Diminuição da amplitude de movimento do pescoço indica rigidez e pior prognóstico se não houver intervenção; dor não é típica na infância, e aparecimento de sintomas neurológicos ou febre sugere outra causa.

O que causa?

O mecanismo mais aceito é lesão ou posição anômala intrauterina que provoca fibrose e encurtamento do esternocleidomastoideu durante o desenvolvimento fetal, frequentemente associada a apresentação pélvica ou parto difícil. Em prática brasileira, posições intrauterinas e compressão no trabalho de parto são causas frequentemente relatadas. Menos comumente, malformações musculares primárias ou alterações do tecido conjuntivo congênitas levam ao mesmo quadro. Este código não inclui tortícolos secundários a paralisia cerebral, infecções ou lesões traumáticas posteriores ao nascimento.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado na postura persistente da cabeça, na presença de encurtamento e/ou massa palpável no esternocleidomastoideu e no início ao nascimento ou lactente. Documentação fotográfica e descrição da assimetria ajudam a registrar o quadro; exame neurológico que exclua paralisia ou déficit motor sustenta o uso de Q68.0. A ultrassonografia muscular confirma espessamento ou fibrose do músculo quando necessário para diferenciar de outras causas e para planejar tratamento; radiografia cervical ou investigação adicional só são usadas se houver suspeita de anomalia óssea ou traumática.

Como costuma ser tratado?

O manejo inicial é conservador e fisioterapêutico, com mobilizações passivas e técnicas de alongamento, posicionamento e estimulação do lado oposto; em muitos casos há melhora significativa com acompanhamento precoce. Em casos resistentes ao tratamento conservador pode haver indicação de procedimentos cirúrgicos ou intervenções focalizadas, avaliadas por especialista. O acompanhamento multidisciplinar inclui pediatria, fisioterapia e, se necessário, cirurgia plástica ou ortopédica para correção tardia de encurtamento persistente.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Medicamentos não são centrais no tratamento desta condição congênita; analgésicos podem ser usados ocasionalmente se houver desconforto associado a manobras ou procedimentos, e agentes relaxantes musculares ou injetáveis não são rotina e são avaliados caso a caso por especialistas. Antibióticos e anti-inflamatórios só têm indicação se surgir complicação infecciosa ou processo inflamatório comprovado.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se a cabeça do bebê permanecer inclinada após as primeiras semanas de vida, se houver massa no pescoço ou se notar assimetria facial crescente. Busque atendimento imediato se surgirem sinais de infecção local (vermelhidão, calor, febre) ou déficit neurológico, como fraqueza de membros. Marque retorno se a fisioterapia não melhora a mobilidade em algumas semanas, para reavaliação e considerar outros tratamentos.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o paciente e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes. Até 15 dias quem paga o salário é o empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e exige perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para os 15 dias iniciais. O CID do atestado é o elemento prático que permite ao perito e ao empregador verificar se atestados sucessivos contam como o mesmo episódio, por isso sua inclusão exige anuência do paciente.

Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data da emissão, assinatura e número do CRM do médico. A inclusão do CID depende do consentimento do paciente; sem o código, os 60 dias agrupáveis não podem ser conferidos e a soma das ausências para o mesmo motivo não é demonstrável administrativamente.

Especificamente para Q68.0, trata-se de uma condição congênita que normalmente requer acompanhamento e, na maioria dos casos, manejo fisioterápico ambulatorial; o quadro tende a ser um problema de desenvolvimento que pode melhorar com tratamento precoce. A presença deste código em atestados geralmente sinaliza necessidade de reavaliação e registro do progresso, mais do que incapacidade permanente; quando o quadro é crônico e limita funções, a perícia avaliará incapacidade com base na documentação clínica.

Quando a condição recorre ou persiste, a regra dos 60 dias é relevante porque vários atestados curtos emitidos em sequência pelo mesmo CID podem ser somados para fins de concessão de benefício ou análise pericial. A inclusão consistente do CID nos registros facilita a avaliação longitudinal do caso pela perícia médica.

Perguntas frequentes sobre Q68.0

CID Q68.0 significa que é uma doença contagiosa?

Não, é uma deformidade muscular congênita e não transmite para outras pessoas; trata‑se de uma alteração do músculo desde o nascimento.

Preciso fazer ultrassom para confirmar o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, mas o ultrassom de partes moles costuma ser solicitado para documentar espessamento ou fibrose do músculo quando há dúvida ou para planejar tratamento.

Esse código por si só garante afastamento do trabalho?

O CID não determina automaticamente afastamento; o período é definido pelo médico no atestado e, a partir do 16º dia, a perícia do INSS passa a avaliar a continuidade.

O torcicolo congênito sempre melhora com fisioterapia?

Muitos casos respondem bem à fisioterapia precoce, mas alguns exigem reavaliação e tratamentos adicionais se persistirem limitações significativas.

Como diferenciar este problema de uma lesão por parto?

História do início ao nascimento e presença de massa ou encurtamento muscular favorecem Q68.0; se há déficit neurológico ou sinais de trauma, outras causas e códigos são investigados.

O que observar em casa enquanto espera consulta?

Note a posição da cabeça ao dormir e ao alimentar, fotografe a assimetria e procure sinais de infecção ou diminuição de movimento que justifiquem avaliação imediata.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • A limitação de amplitude cervical é consistente com encurtamento isolado do esternocleidomastoideu ou há sinal de outra etiologia?
  • Há massa palpável no ventre muscular que sugira fibrose confirmável por ultrassom?
  • Qual a resposta esperada à fisioterapia e em que momento reavaliar para considerar cirurgia?
  • Existe assimetria craniana associada (plagiocefalia) que exija intervenção complementar?
  • Há história de apresentação pélvica ou parto traumático que oriente prognóstico?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este quadro justifica afastamento prolongado para fins de benefício previdenciário em perícia médica?
  • Como a soma de atestados com CID Q68.0 dentro de 60 dias pode influenciar avaliação de estabilidade no emprego?
  • Que documentação clínica é essencial para contestar negativa de benefício baseada em incapacidade funcional?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos fisioterápicos relacionados a Q68.0 necessitam prévia autorização da operadora?
  • O plano costuma exigir relatório especializado para cobertura de intervenções cirúrgicas relacionadas a encurtamento crônico?
  • Existe carência aplicável para cobertura de terapias que tratam deformidade congênita do esternocleidomastoideu?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.