CIDs Med
A00–B99 · Capítulo I · Algumas doenças infecciosas e parasitárias
  • zona oftálmica
  • herpes zoster do nervo trigêmeo superior

Em palavras simples

Receber a informação “herpes zoster oftálmico” pode provocar medo porque envolve a região do olho. Em palavras simples, isso significa que o mesmo vírus que causa a catapora ficou dormindo no seu corpo e reativou justamente no nervo que leva sensibilidade à testa, pálpebra e olho. O resultado é dor localizada e pequenas bolhas na pele ao redor do olho, e às vezes inflamação dentro do olho que pode afetar a visão.

Você provavelmente sentirá dor ou queimação na testa ou ao redor do olho antes de aparecerem as bolhas; depois surge uma faixa de bolhinhas agrupadas e piora da sensibilidade nessa área. Pode haver vermelhidão ocular, lacrimejamento e sensibilidade à luz. A dor costuma ser intensa e é um sintoma que assusta, mas também é um sinal útil para o médico identificar a condição.

O risco principal aqui é para a visão se a inflamação atingir a córnea, a íris ou o nervo óptico. Nem todo caso leva a perda visual, mas por envolver o olho é importante avaliação especializada. A transmissão direta de uma pessoa com zoster para outra não causa zoster: pode transmitir varicela a alguém que nunca teve catapora, por meio do contato com as lesões, portanto cobrir as feridas e evitar contato com pessoas sem imunidade é prudente.

O que costuma acontecer a seguir é uma avaliação médica que pode incluir exame oftalmológico para checar córnea e visão. O médico poderá recomendar tratamento e marcar retorno para acompanhar a evolução. Em muitos casos o problema é tratado e o quadro melhora, mas o cuidado inicial é importante para reduzir risco de lesões na superfície do olho.

Em casa observe a dor, a evolução das bolhas, qualquer mudança na visão, aumento da vermelhidão ou secreção e sinais de febre alta. Procure atendimento sem esperar se a visão piorar, se surgir perda visual súbita, dor ocular intensa que não alivia, secreção espessa ou ulceração na córnea. Mesmo que as bolhas pareçam pequenas, o envolvimento do olho exige mais atenção e seguimento.

Lembre que a resposta ao tratamento e o tempo de recuperação variam de pessoa para pessoa. No retorno, descreva claramente quando os sintomas começaram e qualquer alteração da visão; essas informações ajudam o médico a decidir acompanhamento e proteção da visão. Se você tiver outras condições de saúde ou estiver em uso de medicação que reduza a defesa do organismo, informe ao profissional, pois isso pode alterar o acompanhamento.

O que este código significa?

O CID B02.3 designa o episódio de herpes zoster que envolve o território oftálmico do nervo trigêmeo, manifestando-se por lesões cutâneas e inflamação com potencial acometimento ocular. Aparece quando o vírus varicela-zóster reativa nos gânglios do nervo trigêmeo, produzindo dor seguida de erupção vesicular na região da testa, pálpebra ou nariz. Inclui sinais de conjuntivite, ceratite, uveíte ou neurite do nervo óptico quando há comprometimento intraocular. Não descreve zoster em outras regiões do corpo nem herpes simples ocular; esses encontram códigos diferentes. O código refere-se ao quadro agudo com complicações localizadas na distribuição oftálmica, e justifica atenção oftalmológica e registro específico do diagnóstico.

Quando este código é usado?

Use B02.3 quando a reativação do varicela-zóster produzir erupção vesicular e sintomas dolorosos na distribuição oftálmica do trigêmeo, com qualquer sinal de acometimento conjuntival, corneano, uveal ou do nervo óptico.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

B02.2 — Herpes zoster acompanhado de outras manifestações neurológicas: este código é usado quando há complicações neurológicas centrais ou periféricas além da distribuição sensorial, como paralisia motora ou encefalite; B02.3 é específico para envolvimento do território oftálmico, não para outras manifestações neurológicas isoladas. B02.8 — Herpes zoster com outras complicações: emprega-se quando há complicações diferentes das listadas em subcategorias específicas (por exemplo, pneumonia pós-zóster); use B02.3 se a complicação principal for ocular/oftálmica. B02.9 — Herpes zoster sem complicação: aplica‑se a zoster sem envolvimento ocular ou neurológico; presença de ceratite, uveíte ou neurite ocular afasta B02.9 em favor de B02.3.

O que é?

Herpes zoster oftálmico é a reativação do vírus varicela‑zóster no gânglio do nervo trigêmeo que inerva a região ocular e periorbitária. O vírus, latente desde a varicela da infância, volta a se multiplicar e seguir o trajeto do nervo, causando dor e uma erupção característica em faixa, além de inflamação que pode atingir estruturas internas do olho.

O quadro costuma começar com dor, queimação ou sensação de formigamento na testa, pálpebra ou nariz, seguida de pequenas bolhas agrupadas na pele. Quando a inflamação envolve conjuntiva, córnea ou estruturas intraoculares, surgem vermelhidão ocular, sensibilidade à luz, perda de visão ou alteração da motilidade ocular, o que exige avaliação oftalmológica.

Quais sintomas aparecem?

Principais: dor intensa e localizada no dermatomo oftálmico, erupção vesicular em faixa na testa, pálpebra ou asa do nariz, hiperemia ocular e lacrimejamento. Sintomas que aparecem cedo: dor intensa, queimação, sensação de queimação ou parestesia antes das lesões cutâneas. Sinais de agravamento: diminuição da acuidade visual, dor ocular intensa, fotofobia marcada, secreção purulenta, sinais de uveíte ou neurite óptica, ulceração corneana ou acometimento da motilidade ocular, que sugerem risco de perda visual.

O que causa?

A causa é a reativação do vírus varicela‑zóster, que permanece latente em gânglios sensoriais após varicela prévia. Fatores que reduzem a vigilância imune, como envelhecimento, estresse, imunossupressão ou doenças crônicas, favorecem a reativação. No contexto brasileiro, a reativação em pacientes idosos e em pessoas com imunocomprometimento (por exemplo, devido a medicação ou doença oncológica) é observada com frequência clínica relevante e é a causa mais comum de episódios oftálmicos.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico quando há dor típica seguida de erupção vesicular na distribuição oftálmica, associado a sinais oculares. Confirmam o caráter oftálmico a presença de lesões na pálpebra, testa ou asa do nariz (sinal de Hutchinson) e qualquer alteração conjuntival, corneana ou uveal identificada em exame. Testes laboratoriais ou virológicos (PCR de lesão ou swab conjuntival) ou coloração podem auxiliar em casos atípicos ou quando houver dúvida diagnóstica, mas o código B02.3 é sustentado quando há reativação do varicela‑zóster com comprometimento ocular documentado.

Como costuma ser tratado?

O manejo visa controlar a replicação viral, reduzir dor e inflamação e proteger a visão. Intervenções médicas e seguimento oftalmológico são realizados conforme a gravidade: tratamento antiviral sistêmico é considerado em surtos com acometimento ocular documentado, junto com medidas para reduzir inflamação local e proteger a córnea. O esquema e a duração do tratamento dependem da avaliação médica e da extensão do envolvimento ocular; o acompanhamento geralmente é mais ativo enquanto houver risco para visão.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes de medicamentos usadas incluem antivirais de ação contra o varicela‑zóster, anti‑inflamatórios locais ou sistêmicos quando indicados e analgésicos para controle da dor aguda; medicamentos tópicos oftálmicos são empregados para proteger a superfície ocular. A escolha entre as classes depende do achado clínico e da avaliação oftalmológica.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica e oftalmológica imediata se houver perda de visão, dor ocular intensa, mudança na visão, secreção purulenta ou sinais de ulceração corneana. Também é importante buscar atendimento se as lesões na face se espalham próximo ao olho, se houver febre alta associada ou se a dor for desproporcional ao aspecto das lesões cutâneas, pois isso pode indicar complicações que ameaçam a visão.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que avaliou o caso, considerando a gravidade e a função afetada — duas pessoas com o mesmo código podem receber prazos diferentes. Até 15 dias de afastamento o salário é pago pelo empregador; do 16º dia em diante o INSS assume e exige perícia; atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias. A soma dos 60 dias considera o CID constante no atestado: é esse código que o perito usa para decidir se episódios sucessivos são o mesmo problema e assim computar os períodos.

Para que um atestado seja aceito deve conter identificação do paciente, período de afastamento indicado, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente; o médico não é obrigado a informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos atestados para fins de 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

Herpes zoster oftálmico costuma apresentar curso agudo que pode requerer avaliação e tratamento intensivo no período inicial por risco à visão; não é uma condição crônica por definição, mas pode provocar sequelas oculares duradouras em alguns casos. Por isso, o código frequentemente justifica afastamento ou acompanhamento mais rigoroso quando há comprometimento corneano, uveal ou da acuidade visual, e a regra dos 60 dias é especialmente relevante porque recorrências ou atestados sucessivos por problemas oculares conectados podem ser somados para efeitos de benefício.

Em casos em que o episódio é limitado à pele sem sinais de acometimento ocular, o médico pode optar por registro e conduta ambulatorial sem afastamento prolongado; quando há risco para visão, o resultado prático é maior probabilidade de afastamentos documentados e de necessidade de perícia se o período ultrapassar o suporte inicial do empregador.

Perguntas frequentes sobre B02.3

Herpes zoster oftálmico é contagioso para outras pessoas?

O contato com as lesões pode transmitir varicela a quem nunca teve catapora; não transmite zoster diretamente, mas exige cuidado para evitar infectar pessoas sem imunidade.

Preciso ver um oftalmologista de urgência?

Sim, se houver dor ocular intensa, perda ou alteração da visão, secreção purulenta ou fotofobia, é recomendada avaliação oftalmológica sem demora.

O atestado com CID B02.3 garante afastamento e benefício?

O atestado não garante automaticamente benefício; afastamento e pagamento dependem do vínculo, do período e de eventual perícia, conforme regras trabalhistas e previdenciárias.

Como o médico confirma que é zoster oftálmico e não outra infecção?

O diagnóstico costuma ser clínico pela dor e pela erupção na distribuição do nervo trigêmeo; exames virológicos por PCR podem ajudar em casos atípicos.

Pode deixar sequelas visuais permanentes?

Há risco de sequelas se a córnea, úvea ou nervo óptico forem afetados; acompanhamento e tratamento adequados reduzem esse risco.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Houve alteração da acuidade visual desde o início das lesões cutâneas?
  • Há sinais de ceratite, uveíte ou neurite óptica no exame com lâmpada de fenda?
  • As lesões incluem a asa do nariz (sinal de Hutchinson), sugerindo risco maior para córnea?
  • Existem condições que causem imunossupressão no paciente que justifiquem investigação adicional?
  • Há necessidade de exames virológicos ou imagens para esclarecer diagnóstico ou complicações?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este quadro pode justificar afastamento para fins de perícia trabalhista e previdenciária com base em incapacidade temporária?
  • Como se comprova a conexão entre o CID B02.3 e eventual impossibilidade de exercer a função habitual em perícia?
  • O registro recorrente deste CID em atestados sucessivos pode influenciar análise de benefício por incapacidade perante o INSS?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano de saúde costuma exigir autorização para avaliação oftalmológica especializada em casos de herpes zoster oftálmico?
  • Há procedimentos oftalmológicos de emergência relacionados a esse CID que costumam necessitar de autorização prévia?
  • A cobertura de terapias tópicas ou antivirais sistêmicos em ambiente ambulatorial depende de pré‑autorização pela operadora para este diagnóstico?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.