F06.1 — Estado catatônico orgânico

  • catatonia orgânica
  • estado catatônico devido a causa médica

Em palavras simples

Receber o registro “estado catatônico orgânico” significa que os médicos identificaram um conjunto de sinais motores e comportamentais (como ficar imóvel, não falar, manter posturas estranhas ou apresentar rigidez) que parecem ser causados por uma doença ou lesão que afeta o cérebro. Em outras palavras, não é visto como um problema psiquiátrico isolado: há uma condição física ou uma alteração biológica que está desencadeando esses sinais.

Você pode estar sentindo pouca ou nenhuma iniciativa para falar ou se mexer, vazio no comportamento, fala reduzida ou ausência de resposta, além de rigidez ou movimentos repetitivos. Em outros casos ocorre o oposto: a pessoa fica muito agitada e pode fazer movimentos sem finalidade. Junto a isso, podem aparecer confusão, cansaço extremo, perda de apetite e sinais da doença que originou o quadro, como febre, dor de cabeça ou náusea.

Quanto à gravidade, o quadro pode variar. Em muitos casos é temporário e melhora quando a causa orgânica é tratada; em outros, se a condição que o causa for grave ou não for corrigida, pode levar a complicações sérias. Catatonia orgânica não é contagiosa, pois é uma reação do cérebro a outra doença, não um agente transmissível.

O próximo passo costuma ser investigar a causa: exames de sangue, imagem do cérebro quando indicado e avaliação neurológica. Pode ser necessário internação para garantir alimentação, hidratação e segurança, além de tratar o problema de base. O tempo de recuperação depende da causa: algumas pessoas melhoram em dias, outras precisam de semanas ou mais de cuidado.

Em casa, observe ingestão de líquidos e comida, sinais de desidratação, febre, convulsões, dor intensa ou dificuldade respiratória. Se notar piora rápida, agitação muito grande, incapacidade de se alimentar ou sinais de infecção, procure emergência. Anotações sobre quando começaram os sintomas, medicamentos usados e outras doenças ajudam os médicos a descobrir a causa.

Converse com a equipe sobre o prognóstico e os exames planejados, leve quem cuida de você para acompanhar informações e guarde todos os exames e atestados. Esses dados são úteis para decisões sobre retorno ao trabalho e para eventuais avaliações médicas futuras.

O que este código significa?

O CID F06.1 designa o chamado estado catatônico orgânico: um quadro de alteração motora e comportamental grave que ocorre em consequência de lesão cerebral, disfunção cerebral difusa ou doença médica sistêmica. Manifesta‑se por imobilidade, mutismo, postura rígida, negativismo ou, por vezes, agitação anormal, e não corresponde a transtorno primário psiquiátrico como esquizofrenia idiopática. Este código é usado quando há evidências de causa orgânica (infecciosa, metabólica, tóxica, estrutural) que explicam a catatonia. Não inclui catatonias primárias sem causa médica identificável nem estados provisórios exclusivamente psicogênicos.


Quando este código é usado?

Usa‑se CID F06.1 quando há um quadro catatônico (alterações motoras e comportamentais características) que surge em contexto de lesão cerebral documentada ou de doença física que afeta o cérebro, e quando a investigação clínica e laboratorial aponta para causa orgânica. Não é adequado quando a catatonia é atribuída a transtorno psiquiátrico primário sem evidência de doença orgânica.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F06.2 — Transtorno delirante orgânico [tipo esquizofrênico]: diferencia‑se por predominância de delírios persistentes sem o padrão motor e catatônico marcado; se o quadro apresentar delírios sistematizados sem imobilidade/mutismo típicos, prefira F06.2.
F06.3 — Transtornos do humor [afetivos] orgânicos: quando predomina alteração afetiva (depressão/manía) com sintomas motores reativos, mas sem quadro catatônico isolado, usar F06.3; presença de catatonia claramente explicada por alteração do humor requer avaliação conjunta.
F06.0 — Alucinose orgânica: distingue‑se pela predominância de alucinações sem o conjunto motor e postura rígida da catatonia; se alucinações são o sintoma principal sem sinais catatônicos, usar F06.0.

O que é?

Estado catatônico orgânico é um conjunto de sinais e comportamentos motores e psicomotores que surgem como consequência direta de lesão ou disfunção cerebral causada por doença médica, intoxicação ou alterações metabólicas. As manifestações variam desde imobilidade, mutismo, rigidez postural e negativismo até episódios de agitação extrema, estereotipias e ecolalia/eco‑práxis.

Costuma ocorrer em pacientes com infecções do sistema nervoso central, encefalopatias metabólicas, intoxicações por substâncias, acidentes vasculares cerebrais, trauma craniano ou doenças neurológicas difusas. Em ambientes clínicos brasileiros, causas infecciosas e metabólicas são frequentes desencadeantes identificáveis.

Quais sintomas aparecem?

Sintomas principais incluem imobilidade marcada e mutismo, postura rígida ou flexibilidade cérea, negativismo (resistência passiva a comandos), estupor e perda de resposta social. Sintomas que aparecem cedo podem ser bradicinesia, redução do discurso e diminuição de resposta ao estímulo. Sinais de agravamento incluem febre associada, desidratação, recusa alimentar prolongada, crise convulsiva, agitação mal controlada com risco de lesão e alteração da consciência, que indicam risco de complicações médicas.

O que causa?

O mecanismo básico é disfunção cerebral difusa que altera circuitos fronto‑parietais e tálamo‑estriatais responsáveis pelo controle motor e pela iniciativa comportamental. Na prática brasileira as causas mais comuns são encefalites infecciosas, toxidade por medicamentos ou drogas, insuficiência hepática ou renal com encefalopatia, distúrbios metabólicos (hiponatremia, hipoglicemia) e complicações de doenças neurológicas agudas. Traumatismo craniano e acidentes vasculares podem provocar catatonia quando há envolvimento difuso.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico de CID F06.1 baseia‑se na identificação clínica do padrão catatônico (imobilidade, mutismo, rigidez, negativismo, entre outros) associado a evidências de doença ou lesão orgânica que explique o quadro. Confirma‑se pela anamnese detalhada, exame neurológico, histórico farmacológico e exames laboratoriais que demonstrem disfunção orgânica; a exclusão de causa psiquiátrica primária e a correlação temporal com a doença física sustentam o uso deste código.

Como costuma ser tratado?

O manejo do estado catatônico orgânico concentra‑se na identificação e correção da causa orgânica subjacente (tratamento da infecção, reversão de desequilíbrio metabólico, retirada de substância tóxica, estabilização neurológica) e no suporte clínico (hidratação, nutrição, prevenção de complicações medicinais). Em ambiente hospitalar avalia‑se necessidade de monitorização, suporte nutricional e cuidados de enfermagem específicos; intervenções psiquiátricas e neurológicas complementares são frequentemente necessárias.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Fármacos usados em catatonia incluem agentes que podem ser considerados quando indicado pelo time clínico, como medicamentos que modulam neurotransmissores GABA ou dopamina, e sedativos em casos de agitação extrema. A escolha da classe medicamentosa depende da causa subjacente, do estado clínico e da avaliação multidisciplinar.

Quando procurar um médico?

Procurar avaliação médica imediata se houver imobilidade nova, mutismo, agitação psicomotora que coloca em risco a segurança, recusa prolongada de ingestão de líquidos ou alimentação, febre ou convulsões. Esses sinais podem indicar agravamento ou complicações médicas que exigem hospitalização e investigação urgente.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou, considerando o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática legal, até 15 dias de afastamento o salário é pago pelo empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3). A partir do 16º dia em diante, o INSS passa a assumir o pagamento e costuma exigir perícia para continuidade do benefício. Atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

Quanto à regra dos 60 dias, o CID constante no atestado é o que o perito usa para verificar se se trata da mesma doença — é por isso que o código é a referência prática para somar períodos. Essa interpretação é pouco conhecida, mas é a razão pela qual o código no documento importa para a contagem conjunta.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa identificar o paciente, indicar o período de afastamento, trazer a data, a assinatura e o número do CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente — informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório — porém, sem o código não há como verificar a soma dos 60 dias.

No caso do CID F06.1 (estado catatônico orgânico), trata‑se de um quadro agudo secundário a lesão ou disfunção cerebral por causa médica. Esse diagnóstico costuma corresponder a incapacitação funcional relevante enquanto perdurar o episódio agudo e exige investigação e tratamento da causa orgânica; em muitos casos o quadro é episódico e resolve ou melhora com a reversão da causa subjacente, mas pode recidivar se a condição médica subjacente reaparecer. Por isso, quando houver recorrência do mesmo processo orgânico, a regra dos 60 dias tem importância prática na verificação e soma dos atestados.

Perguntas frequentes sobre F06.1

O CID F06.1 significa que tenho um transtorno psiquiátrico crônico?

Não necessariamente; F06.1 indica um estado catatônico explicado por doença ou lesão orgânica. Trata‑se de alteração do cérebro por causa médica, não de um transtorno psiquiátrico primário sem causa conhecida.

Preciso me afastar do trabalho automaticamente com este CID?

O afastamento depende da incapacidade funcional, da gravidade e da avaliação médica/pericial. O CID no atestado é parte da documentação, mas a necessidade de afastamento é avaliada caso a caso.

Este quadro pode ser causado por remédios que eu tomo?

Sim, intoxicações ou efeitos adversos de medicamentos podem desencadear catatonia orgânica; historizar uso de medicamentos e substâncias é parte importante da investigação.

Que exames provavelmente farão primeiro?

Exames laboratoriais básicos e avaliação neurológica costumam ser realizados inicialmente; imagem cerebral e EEG podem ser solicitados conforme as suspeitas clínicas.

A catatonia orgânica é perigosa para a vida?

Pode ser, especialmente se houver desidratação, recusa alimentar, convulsões ou se a causa orgânica for grave. Por isso a avaliação e o tratamento médico são importantes.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há evidência laboratorial ou de imagem que explique o início do quadro catatônico?
  • Qual a duração mínima observada do estado catatônico antes de considerar alteração de CID?
  • Existem sinais de intoxicação medicamentosa ou abstinência que possam causar a catatonia?
  • Há episódios convulsivos intermitentes documentados por EEG que expliquem o estado?
  • Quais intervenções médicas imediatas já foram tentadas e qual foi a resposta?
O que perguntar ao seu advogado (4)
  • O laudo com CID F06.1 e documentação de causa orgânica é suficiente para afastamento previdenciário imediato?
  • Como é avaliada a incapacidade laboral em catatonia orgânica para fins de benefício permanente?
  • Que provas médicas documentais (exames, evolução, atestados) fortalecem pedido em perícia trabalhista?
  • Há necessidade de reavaliação periódica por perícia para manutenção do direito em afastamento prolongado?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano exige justificativa clínica específica para procedimentos ou internação relacionados ao CID F06.1?
  • Que exames de imagem ou internação hospitalar associados a F06.1 requerem autorização prévia da operadora?
  • Há cobertura para tratamentos específicos de suporte intensivo associados a catatonia orgânica segundo o contrato do beneficiário?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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