F06.5 — Transtorno dissociativo orgânico

  • transtorno dissociativo devido a lesão cerebral
  • transtorno dissociativo relacionado a doença orgânica
  • amnésia dissociativa orgânica

O CID F06.5 designa um transtorno dissociativo que resulta diretamente de lesão, doença ou disfunção do cérebro. Manifesta-se por alterações na identidade, memória, consciência ou percepção que não são explicadas por transtornos primários psiquiátricos funcionais nem por intoxicação aguda. Este código aplica‑se quando há evidência clínica, neurológica ou laboratorial de um processo orgânico cerebral responsável pelas alterações dissociativas. Não inclui transtornos dissociativos sem causa orgânica identificável (por exemplo, F44.x) nem quadros causados primariamente por intoxicação ou síndrome de abstinência aguda.


Em palavras simples

Receber o código CID F06.5 significa que os sintomas de alteração de memória, identidade ou sensação de si mesmo têm relação com uma lesão ou doença no cérebro. Em palavras simples, não é apenas “algo psicológico”: é uma mudança na forma como o cérebro funciona por causa de uma condição orgânica, como um trauma, infecção, AVC ou outro problema que afeta o órgão.

Você pode sentir que perdeu lembranças de episódios recentes, que partes da sua vida parecem apagadas, ou ter episódios em que se sente desligado do corpo (despersonalização) ou de que o mundo parece estranho (desrealização). Também pode haver confusão transitória, lapsos de atenção e cansaço. Esses sintomas variam muito: algumas pessoas têm episódios curtos e recuperam, outras mantêm déficits mais persistentes dependendo da causa.

Se é grave, depende da origem. Em alguns casos, quando a causa é reversível (por exemplo uma infecção tratada), há boa chance de melhora significativa. Em outros, especialmente se houve dano estrutural, a recuperação pode ser parcial e exigir reabilitação. O transtorno não é contagioso; não “pega” de outra pessoa porque decorre de um problema do próprio cérebro.

O que costuma acontecer a seguir é investigação: exames de imagem, exames de sangue e avaliações neurológicas e neuropsicológicas para entender a natureza da lesão e o impacto sobre memória e identidade. Haverá consultas de retorno para acompanhar evolução e decisões sobre tratamentos específicos. O médico pode sugerir encaminhamentos para reabilitação cognitiva ou apoio psicológico conforme a necessidade.

Em casa, observe mudanças na memória, confusão crescente, episódios em que a pessoa não lembra de atos recentes ou fica desorientada; anote quando isso ocorre para levar ao médico. Procure ajuda urgentemente se houver piora rápida, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, perda de consciência ou crise convulsiva. Em outras situações, mantenha o acompanhamento agendado e comunique ao seu médico qualquer alteração funcional que interfira no trabalho ou nas atividades diárias.

Quando usar este código

Usa‑se CID F06.5 quando há quadro dissociativo (amnésia, despersonalização, desrealização, alterações de identidade) e investigação aponta para lesão, infecção, isquemia, tumor, doença metabólica ou outra disfunção cerebral como causa provável. Deve haver relação temporal e plausível entre o evento orgânico e os sintomas mentais, e exclusão razoável de transtorno dissociativo funcional primário ou de intoxicação aguda.

O código fica no capítulo dos transtornos mentais decorrentes de lesão e disfunção cerebral e é aplicado por médicos que codificam laudos, prontuários e guias de faturamento, assim como serve para informação do paciente sobre a origem orgânica do sintoma.

Não confunda com

F06.3 — Transtornos do humor [afetivos] orgânicos: separa‑se por predomínio de alterações do humor (depressão, mania) com causa orgânica comprovada; se o quadro principal é perda de identidade ou amnésia dissociativa, usar F06.5.

F44.0 — Transtorno dissociativo (de conversão): a distinção é etiológica; F44.0 não exige causa orgânica cerebral demonstrada e costuma associar‑se a fatores psicológicos precipitantes, enquanto F06.5 implica doença ou lesão cerebral identificável.

F07.9 — Transtorno mental devido a lesão e disfunção cerebral, não especificado: usar F06.5 quando as manifestações são predominantemente dissociativas; F07.9 permaneceu para apresentações mentais sem definição clínica clara que não se enquadrem nas subcategorias.

O que é

Transtorno dissociativo orgânico é uma condição em que funções mentais relacionadas à identidade, memórias autobiográficas, percepção do eu ou continuidade da consciência ficam alteradas por um processo orgânico no cérebro. As manifestações podem incluir amnésias lacunares, senti­mentos de estar separado do próprio corpo (despersonalização), sensação de mundo irreal (desrealização) ou episódios em que a pessoa parece ter outra identidade. Diferentemente dos transtornos dissociativos funcionais, aqui existe evidência médica de lesão, infecção, metabolismo alterado, tumor ou outra disfunção cerebral.

Costuma ocorrer em pessoas com histórico de trauma craniano, acidente vascular cerebral, infecções do sistema nervoso central, alterações metabólicas graves, efeitos de doenças neurológicas degenerativas ou lesões focalizadas. A apresentação varia com a localização e gravidade da lesão e com a vulnerabilidade individual.

Sintomas

Principais sintomas incluem perda parcial ou total de memórias pessoais (amnésia dissociativa), episódios de despersonalização e desrealização, sensação de fragmentação ou mudança na identidade, lapsos de consciência ou comportamentos automáticos sem recordação subsequente. Sinais precoces frequentemente são lapsos de memória para eventos recentes, confusão flutuante e relato de que as coisas parecem irreais. Indicadores de agravamento incluem progressiva desorientação temporal e espacial, perda extensa de dados autobiográficos, declínio cognitivo claro ou aparecimento de déficits neurológicos focais (fraqueza, alteração de linguagem, crises convulsivas), o que pode indicar piora da doença orgânica subjacente.

Causas

Mecanismos incluem lesão estrutural do córtex e de redes de integração da memória e identidade, disfunção temporária de circuitos límbicos e fronto‑parietais por isquemia, inflamação, infecção, tumor ou trauma, e distúrbios metabólicos que alteram neurotransmissão e consciência. Na prática brasileira, causas comuns são sequelas de traumatismo cranioencefálico, acidentes vasculares cerebrais, infecções como meningoencefalite, e desordens metabólicas e tóxicas não tratadas que afetam o cérebro.

Como é diagnosticado

O diagnóstico de F06.5 baseia‑se na demonstração de manifestações dissociativas clinicamente relevantes simultâneas a evidência de lesão ou disfunção cerebral. A investigação costuma incluir anamnese detalhada, exame neurológico e psiquiátrico, correlação temporal entre o evento orgânico e os sintomas, e exames complementares que confirmem a causa cerebral. Deve‑se excluir causas primárias psiquiátricas sem base orgânica e intoxicações agudas que tenham códigos próprios.

Como costuma ser tratado

O tratamento é direcionado principalmente à causa orgânica identificada e ao manejo dos sintomas dissociativos. Em muitos casos o manejo é multidisciplinar, envolvendo neurologia, psiquiatria e reabilitação neuropsicológica; a evolução depende da reversibilidade da lesão subjacente. Intervenções podem variar de cuidados agudos hospitalares a seguimento ambulatorial e terapias de reabilitação cognitiva, conforme o diagnóstico etiológico.

Classes de medicamentos

Classes de medicamentos utilizadas nos cuidados associados incluem agentes usados para tratar a causa neurológica (por exemplo antivirais, antibióticos, anticoagulantes ou agentes antiepilépticos quando indicados pela condição de base) e fármacos sintomáticos para ansiedade, insônia ou crises convulsivas, sempre integrados ao manejo da doença orgânica. A prescrição deve acompanhar o especialista que trata a condição cerebral.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação imediata ao notar perda súbita de memória, desorientação que não melhora, episódios repetidos de desaparecimento da consciência ou sinais neurológicos focais (fraqueza, alteração da fala, crises convulsivas). Buscar pronto atendimento também se houver agravamento rápido do estado mental, comportamento perigoso para si ou para outros, ou sinais de infecção ou comprometimento neurológico agudo.

Uso em atestado

Em atestados e laudos, registre o CID F06.5 somente quando houver documentação clínica e instrumental que suporte relação entre transtorno dissociativo e lesão/disfunção cerebral. Descreva a natureza da evidência (neuroimagem, exames laboratoriais, avaliação neurológica) e o impacto funcional observado. Indique tempo de estabilidade conhecido e necessidade de reavaliação; evite afirmar prognóstico definitivo sem acompanhamento.

Perguntas frequentes sobre F06.5

O que significa ter o CID F06.5 no meu prontuário?

Significa que as alterações de memória ou de identidade foram relacionadas por seu médico a uma lesão ou disfunção do cérebro, com base na avaliação clínica e em exames complementares. Não indica contágio e não descreve um transtorno psicológico sem causa orgânica.

Vou precisar de atestado ou afastamento se tiver F06.5?

A necessidade de atestado ou afastamento depende do impacto funcional no trabalho e da avaliação do médico e perito. O CID no laudo descreve a origem orgânica, mas decisões sobre afastamento consideram incapacidade e normas da empresa ou previdência.

O CID F06.5 é o mesmo que transtorno dissociativo sem causa orgânica?

Não. F06.5 indica relação com doença ou lesão cerebral identificada; transtornos dissociativos sem causa orgânica são codificados em F44.x e têm critérios diagnósticos diferentes.

Que exames devo esperar se meu médico registrou F06.5?

Podem ser solicitados exames de neuroimagem (TC ou ressonância), exames laboratoriais para causas metabólicas ou infecciosas, eletroencefalograma e avaliação neuropsicológica para mapear déficits de memória e função cognitiva.

Meu plano de saúde pode negar exame por causa do CID?

A cobertura depende do contrato e da justificativa clínica apresentada; o CID é parte da documentação, mas autorização e cobertura variam conforme o plano e o procedimento requerido.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Qual evidência objetiva vincula as manifestações dissociativas à lesão ou disfunção cerebral?
  • Qual é o padrão neuropsicológico de perda de memória e como diferencia amnésia orgânica de dissociação funcional?
  • Que alterações em neuroimagem ou exames laboratoriais sustentam manter F06.5 em vez de F44.x?
  • Em que momento a evolução do quadro exigiria recodificação para outro CID (por exemplo, F07.9 ou F06.3)?
  • Há sinais neurológicos focais ou crises que indiquem investigação adicional ou tratamento específico?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Como o laudo com CID F06.5 influencia a avaliação de incapacidade laboral em perícia previdenciária?
  • Quais documentos e exames são necessários para comprovar vínculo entre lesão cerebral e transtorno dissociativo em ação judicial?
  • Em caso de reabilitação ou readaptação, que critérios médicos costumam justificar prorrogação do afastamento com este diagnóstico?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos diagnósticos e terapêuticos relacionados a F06.5 requerem autorização prévia da operadora?
  • Que justificativas clínicas documentadas a operadora costuma exigir para cobertura de exames de neuroimagem em casos dissociativos com suspeita orgânica?
  • Como registrar a relação entre CID F06.5 e procedimento na guia quando há comorbidades neurológicas que motivam tratamento concomitante?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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