F17.0 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo – intoxicação aguda
- intoxicação aguda por nicotina
- intoxicação por fumaça de tabaco
- efeito agudo do fumo no estado mental
Em palavras simples
Receber o código CID F17.0 significa que os sintomas observados no momento foram atribuídos à intoxicação aguda por fumo: isto é, algo que aconteceu logo depois de você ter fumado ou inalado fumaça. Não é o mesmo que dizer que você tem dependência de tabaco; trata-se de uma reação imediata que mudou seu comportamento, seu estado de atenção ou provocou náuseas e tontura. O médico documentou que havia relação temporal clara entre o uso recente e os sinais percebidos.
Você provavelmente sentiu náusea, tontura, suor frio ou palpitações no início, e pode ter ficado ansioso, desorientado ou mais sonolento do que o habitual. Alguns relatam sensação de “barriga estranha” ou intestino solto e cansaço; outros descrevem sensação de cabeça leve ou fraqueza. Esses sintomas costumam surgir logo após o consumo e, na maioria dos casos leves, melhoram com repouso e eliminação da exposição.
Na maioria das situações, a intoxicação aguda não é contagiosa. A gravidade varia: muitos casos são transitórios e se resolvem em horas; contudo, se a pessoa tiver dificuldade para respirar, desmaiar, ter convulsões ou dor intensa no peito, o quadro é grave e requer atendimento de emergência. Profissionais podem pedir observação por algumas horas ou exames para checar coração, respiração e descartar outras causas.
O que vem a seguir costuma ser avaliação clínica, possivelmente exames complementares (como monitorização cardíaca e checagem de oxigenação) e orientação para evitar nova exposição. Se o episódio ocorreu por ingestão de produto concentrado de nicotina ou por exposição intensa à fumaça, o médico pode recomendar observação mais prolongada. Em muitos casos de intoxicação leve, não há afastamento do trabalho; se houver comprometimento das funções cognitivas ou motoras, pode ser necessário um período curto de repouso e reavaliação.
Em casa, observe sinais de piora: se ficar muito sonolento, confuso, apresentar falta de ar, vômitos persistentes, desmaios ou convulsões, procure emergência sem demora. Anote quando fumou e o que usou, pois essa informação ajuda em atendimentos posteriores. Se o episódio teve relação com mistura de substâncias ou uso acidental de produto concentrado, comunique isso ao profissional de saúde no retorno.
Se você costuma ter episódios semelhantes, relate ao seu médico no acompanhamento; pode ser necessário revisar hábitos de uso, ambiente e outras substâncias associadas. Este código descreve o evento agudo; o acompanhamento visa entender se há risco de repetição ou necessidade de cuidados adicionais, sem implicar necessariamente em diagnóstico crônico.
O que este código significa?
O CID F17.0 designa a intoxicação aguda relacionada ao uso recente de fumo (tabaco), caracterizada por alterações cognitivas, emocionais ou comportamentais que surgem logo após inalação ou outro uso de produto fumado. Aparece quando os sinais e sintomas são consequência direta do efeito farmacológico da nicotina ou da inalação de fumaça, e não por outra condição médica ou transtorno psiquiátrico pré-existente. Não inclui o padrão de uso prolongado, a síndrome de abstinência, nem transtornos mentais crônicos atribuíveis ao tabagismo (estes constam de outros subcódigos F17). O código é aplicado quando a relação temporal e clínica entre o uso recente do fumo e os sintomas é clara.
Quando este código é usado?
Usa-se F17.0 quando há início agudo de alterações mentais ou comportamentais imediatamente após uso de fumo, com quadro clinicamente atribuível aos efeitos agudos da nicotina ou da inalação de fumaça. Não é apropriado para intoxicações por monóxido de carbono isoladas, envenenamento por outras substâncias associadas ao ato de fumar, nem para transtornos por uso crônico sem sinal de intoxicação recente. Deve ser documentado tempo desde o uso, sintomas observados e exclusão de causas médicas concorrentes.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
F17.1 – Critério que separa: F17.1 descreve uso nocivo ou dependência (padrão crônico) sem sinal de intoxicação aguda; F17.0 exige relação temporal imediata entre uso e sintomas, enquanto F17.1 exige avaliação de padrão de uso e prejuízo funcional.
F17.2 – Critério que separa: F17.2 refere-se à síndrome de abstinência quando os sintomas seguem cessação ou redução do fumo; F17.0 refere-se ao efeito tóxico logo após uso, não à retirada.
R65.x (sepses ou intoxicações sistêmicas) – Critério que separa: intoxicação aguda por fumo é primariamente psiquiátrica/neurológica e dependente de exposição recente a nicotina/fumaça; se houver comprometimento sistêmico grave (sepse, choque, intoxicação por monóxido de carbono), usar códigos específicos médicos em preferência.
O que é?
Intoxicação aguda por fumo é uma reação imediata ao consumo de produto fumado que provoca alterações do pensamento, do humor ou do comportamento. A nicotina é um agente psicoativo que age rapidamente no sistema nervoso central; em altas doses ou em indivíduos sensíveis a exposição recente pode causar agitação, confusão, alterações perceptivas ou até depressão respiratória quando associada a outros tóxicos.
Manifesta-se por sintomas que surgem logo após o uso: confusão, desorientação, ansiedade intensa, náusea predominante, tontura e alterações do ritmo cardíaco são comuns. Costuma ocorrer em pessoas que consumiram fumo em quantidade incomum para si, usaram formas concentradas de nicotina (ex.: certos produtos de tabaco) ou em combinação com outras substâncias que potencializam o efeito.
Quais sintomas aparecem?
Principais sintomas incluem náusea e vômito, tontura, taquicardia, ansiedade/agitação, confusão e, por vezes, síncope. Sintomas que aparecem cedo são náusea, tontura e sudorese, frequentemente seguidos de alteração do estado mental como ansiedade intensa ou confusão. Indicadores de agravamento são comprometimento da consciência, depressão respiratória, convulsões ou arritmias cardiovasculares; esses sinais sugerem quadro tóxico mais severo ou exposição a outras substâncias e demandam avaliação médica urgente.
O que causa?
Mecanismo principal: efeito farmacológico agudo da nicotina e componentes da fumaça de tabaco sobre receptores nicotínicos colinérgicos no sistema nervoso central e periférico, causando liberação de neurotransmissores (noradrenalina, dopamina, acetilcolina) que alteram ritmo cardíaco, consciência e humor. No Brasil, a causa mais comum na prática é o uso exagerado em indivíduo não habituado, ingestão acidental de produtos concentrados de nicotina ou combinação com álcool e outras drogas.
Fatores que aumentam risco incluem sensibilidade individual, comorbidades cardiovasculares ou respiratórias, uso concomitante de medicamentos que interagem com neurotransmissão e exposição a fumaça em ambiente fechado com elevada concentração de partículas e monóxido de carbono.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico de F17.0 é clínico, sustentado por história de uso recente de fumo e correlação temporal entre exposição e início dos sinais e sintomas. Registra-se o tipo de produto fumado, via de administração, horário do consumo e progressão dos sintomas. A exclusão de causas médicas alternativas (hipoglicemia, intoxicação por outras substâncias, evento neurológico agudo) é parte essencial para atribuir o quadro à intoxicação por fumo.
Documentos que sustentam o código incluem anotações sobre tempo desde o uso, descrição dos sintomas observados por testemunhas, sinais vitais alterados compatibles com efeito nicotínico e, quando disponível, testes toxicológicos que descartem outras drogas. Exames complementares apoiam a exclusão de diagnósticos concorrentes, não substituem a correlação clínica.
Como costuma ser tratado?
O tratamento focado no manejo dos sinais agudos e na eliminação da exposição é, em geral, ambulatorial para quadros leves e hospitalar para quadros com comprometimento respiratório, convulsões ou alteração profunda da consciência. Medidas de suporte incluem monitorização dos sinais vitais, reposição hidroeletrolítica quando necessário e controle da ansiedade ou agitação com intervenções não farmacológicas preferenciais. Em casos em que haja suspeita de exposição a outros tóxicos ou complicações cardiorrespiratórias, intervenção médica imediata é indicada.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes medicamentosas eventualmente usadas como suporte incluem ansiolíticos para controle da agitação, antieméticos para náuseas e antiarrítmicos em arritmias significativas; a indicação e escolha dependem da avaliação médica e do contexto clínico. A conduta medicamentosa deve basear-se em avaliação individual, evitando generalizações; a presença de intoxicação por múltiplas substâncias altera as opções.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento imediato se houver queda do nível de consciência, dificuldade respiratória, convulsões, dor torácica intensa, desmaios, vômitos persistentes ou sinais de arritmia (palpitações muito rápidas ou sensação de descompasso). Se os sintomas forem intensos, progressivos ou houver suspeita de ingestão de produto concentrado de nicotina ou mistura com outras drogas, a avaliação em serviço de urgência é recomendada. Para sintomas leves e autolimitados, agendamento com médico de família ou atenção primária pode ser suficiente, desde que haja possibilidade de retorno rápido.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento: o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes conforme a avaliação clínica. Esta é a resposta direta ao título da seção.
O pagamento e a transição do benefício seguem regras legais: até 15 dias de afastamento o empregador é o responsável pelo pagamento (Lei 8.213/91, art. 60, § 3º); a partir do 16º dia o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias são somados para efeito desse período de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). A regra dos 60 dias considera se o motivo é o mesmo ao comparar o CID constante nos atestados — é por isso que o código ali registrado tem papel prático na verificação, apesar de o paciente poder optar por não divulgar o CID ao empregador.
Para que um atestado seja aceito ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento indicado, a data, e a assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID no atestado depende da anuência do paciente: não é obrigatório informar o diagnóstico ao empregador, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada de forma prática pelo perito.
No caso específico do CID F17.0, trata‑se de um quadro de intoxicação aguda por fumo, um evento de início rápido vinculado ao uso recente de produto fumado. Esse curso é tipicamente um episódio agudo que tende a se resolver com eliminação da exposição e medidas de suporte; não descreve um transtorno crônico por si só. Por isso, na maioria dos casos o código registra um episódio agudo e pode não implicar incapacidade laboral prolongada, embora quadros com comprometimento respiratório, convulsões ou rebaixamento do nível de consciência exijam avaliação e acompanhamento mais intensos.
Como episódios agudos de intoxicação por nicotina podem ocorrer repetidamente em situações de novas exposições ou uso de formas concentradas, a regra dos 60 dias é relevante para F17.0: se vários atestados com este CID forem emitidos dentro desse intervalo, eles serão considerados como referentes ao mesmo motivo para fins da contagem dos períodos suportados pelo empregador e da necessidade de perícia pelo INSS.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e previdenciários dependem de avaliação pericial e da legislação aplicável; a presença do CID F17.0 em laudo médico não garante automaticamente afastamento ou benefício. Em perícia, será analisada a relação entre a intoxicação e a capacidade laboral, duração necessária de afastamento e eventual responsabilidade do empregador em casos de exposição ocupacional ao fumo.
Perguntas frequentes sobre F17.0
O que significa ter o código CID F17.0 no meu atestado?
Significa que o problema registrado foi uma intoxicação aguda associada ao uso recente de fumo, com sintomas que começaram logo após a exposição. O atestado deve descrever data, sintomas e necessidade de observação ou afastamento, se houver.
Esse diagnóstico quer dizer que sou dependente do tabaco?
Não necessariamente; F17.0 refere-se ao episódio agudo ligado ao uso recente. A dependência ou uso crônico é codificado em outros subcódigos do F17 e requer avaliação distinta.
Preciso me afastar do trabalho quando recebo esse código?
A necessidade de afastamento depende da gravidade dos sintomas, do tipo de atividade profissional e da avaliação médica. Em muitos casos leves não há afastamento prolongado; situações com risco à segurança exigem avaliação individual.
O código indica risco de contágio para minha família?
Não. Trata-se de uma reação individual ao fumo e não é contagiosa. No entanto, a exposição passiva ao fumo pode afetar outras pessoas de formas diferentes.
Quais exames costumam ser solicitados depois desse diagnóstico?
Exames para avaliar função respiratória e cardiovascular (por exemplo, oximetria e ECG) e testes para excluir outras intoxicações ou condições que provoquem alterações mentais podem ser solicitados, conforme a apresentação clínica.
Qual a diferença entre intoxicação aguda por fumo e síndrome de abstinência por fumo?
Intoxicação aguda (F17.0) ocorre logo após o uso e provoca sinais atribuíveis aos efeitos da nicotina/fumaça; a síndrome de abstinência aparece após redução ou cessação do uso e tem sintomas distintos como irritabilidade, ansiedade e desejo intenso de fumar.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu advogado (4)
- A intoxicação aguda por fumo pode justificar afastamento imediato por incapacidade temporária para trabalho em que atenção é essencial?
- Como a relação temporal entre uso de fumo e sintomas será documentada e provada em perícia?
- Em casos de exposição ocupacional ou passiva no ambiente de trabalho, quais provas vinculam o empregador à causa do episódio?
- Qual a interface entre este diagnóstico e possíveis benefícios previdenciários por incapacidade temporária?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- O plano exige documentação específica para autorizar exames de imagem ou internação relacionados a intoxicação aguda por fumo?
- Quais documentos comprovam a urgência para pedido de cobertura de atendimento emergencial por intoxicação aguda?
- Existe necessidade de autorização prévia para internação observacional decorrente de intoxicação por fumo em contrato padrão?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F17.1 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - uso nocivo para a saúde
- F17.2 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome de dependência
- F17.3 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome [estado] de abstinência
- F17.4 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome de abstinência com delirium
- F17.5 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - transtorno psicótico
- F17.6 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome amnésica
- F17.7 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- F17.8 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - outros transtornos mentais ou comportamentais
- F17.9 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - transtorno mental ou comportamental não especificado
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F10-F19
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F17.0)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.