F17 — Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo
- dependência de nicotina
- uso nocivo de tabaco
- transtorno por uso de fumo
O CID F17 designa transtornos mentais e comportamentais atribuídos ao uso de fumo, em geral relacionados à nicotina presente no tabaco e produtos fumáveis. Aparece quando há padrão de uso que gera sintomas psíquicos ou comportamentais — por exemplo tolerância, abstinência, perda de controle ou prejuízo social/ocupacional. Inclui quadros desde uso nocivo e dependência até sintomas de abstinência associados ao tabagismo. Não inclui problemas puramente respiratórios, cardiovasculares ou neoplásicos causados pelo tabaco (esses pertencem a outros capítulos). A seleção do subcódigo depende de critérios clínicos temporais e de gravidade descritos nas subdivisões F17.0–F17.9.
Em palavras simples
Este código significa que a equipe de saúde identificou um problema relacionado ao uso de fumo que afeta sua mente, comportamento ou vida prática. Não é apenas o hábito de fumar: trata-se de um padrão em que a pessoa tem dificuldade para controlar o consumo, sente forte vontade de fumar, apresenta mal-estar ao tentar parar ou mantém o hábito apesar de prejuízos.
Você provavelmente percebe vontade intensa de fumar em momentos específicos, aumento do consumo ao longo do tempo, irritabilidade ou ansiedade quando tenta reduzir, e possivelmente problemas no trabalho, no relacionamento ou na saúde emocional. Algumas pessoas descrevem cansaço, mau humor, dificuldade para dormir ou ‘barriga’ alterada quando passam por abstinência.
Na maior parte dos casos não se trata de algo que ‘‘pegue’’ outras pessoas colocando-as doentes; não é contagioso. A duração varia: episódios de abstinência podem durar dias a semanas, e o processo de parar de fumar costuma requerer semanas a meses de acompanhamento; para algumas pessoas, o risco de recaída permanece por anos.
Em consultas seguintes, o profissional pode pedir informações sobre o padrão de consumo, oferecer acompanhamento para tentar reduzir ou cessar e, se necessário, encaminhar para apoio psicológico ou serviços especializados. Exames para verificar danos ao pulmão ou confirmar exposição recente podem ser solicitados, mas nem sempre são necessários para tratar o problema mental/ comportamental.
Em casa, observe se a pessoa está experimentando sintomas de abstinência intensos (agitação, tontura, ansiedade forte) ou sinais de piora da saúde mental (tristeza profunda, fala de não querer viver). Se houver risco imediato à integridade física ou mental, procure atendimento de urgência; para dúvidas sobre o tratamento e acompanhamento, converse com seu médico ou a equipe que acompanha o caso.
Quando usar este código
Usa-se este código quando o profissional identifica que o uso de fumo produz manifestações mentais ou comportamentais relevantes para o atendimento, como dependência de nicotina, sintomas de abstinência ou uso nocivo com prejuízo funcional. Deve ser escolhido em registro clínico, perícia ou faturamento quando o problema psíquico/ comportamental relacionado ao fumo for o foco da consulta ou intervenção.
Não confunda com
F17.2 vs F17.3: F17.2 refere-se ao transtorno por uso de fumo com sintomas de abstinência predominantes, confirmados por quadro temporal após redução ou cessação; F17.3 descreve sintomas psicóticos, depressivos ou ansiosos induzidos diretamente pelo uso de fumo e exige relação temporal e reversibilidade com cessação.
F17 (categoria) vs J42/J44: doenças respiratórias crônicas por tabaco (bronquite crônica, DPOC) são códigos J do capítulo respiratório; se o problema principal for orgânico respiratório, use J-códigos em vez de F17.
F17 vs Z72.0: Z72.0 registra hábito nocivo (tabagismo) sem transtorno mental; F17 é usado quando há dependência, abstinência ou prejuízo mental/comportamental identificável.
O que é
O termo abrange transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de fumo, tipicamente pela exposição repetida à nicotina. Manifesta-se por um padrão de uso persistente apesar de prejuízos, controle reduzido sobre o consumo, aumento da tolerância e/ou sintomas típicos ao tentar reduzir ou cessar.
Os afetados variam desde fumantes tradicionais de cigarro até usuários de cachimbo, charuto ou produtos que envolvem combustão do tabaco; o quadro costuma ser mais prevalente em adultos com início de uso na adolescência e em pessoas com comorbidades psiquiátricas ou contexto social que favorece o consumo.
Sintomas
Principais sinais incluem desejo intenso de fumar (craving), dificuldade repetida em reduzir ou parar, tempo gasto obtendo e consumindo tabaco, e continuidade do uso apesar de problemas médicos, sociais ou ocupacionais. Sintomas precoces podem ser o aumento do consumo e necessidade de fumar pela manhã; sinais de agravamento incluem abstinência marcada ao tentar cessar, prejuízo funcional significativo e uso em situações perigosas.
Causas
Mecanismos envolvem ação da nicotina sobre receptores colinérgicos nicotínicos no sistema nervoso central, reforço dopaminérgico do comportamento de fumar e condicionamento comportamental associado a ambientes e rotinas de uso. No Brasil, o fator mais comum é o início precoce associado a exposição social e estresse, com manutenção por reforço farmacológico e hábitos aprendidos.
Vulnerabilidade genética, comorbidades psiquiátricas (ansiedade, depressão) e determinantes sociais (baixo nível socioeconômico, estímulo familiar) aumentam o risco de desenvolvimento de dependência e de recaídas.
Como é diagnosticado
O diagnóstico que sustenta F17 baseia-se em entrevista clínica documentando padrão de uso, presença de critérios como tolerância, abstinência, perda de controle e prejuízo funcional; anamnese detalhada deve estabelecer relação temporal entre o uso e os sintomas. Não há exame laboratorial necessário para codificar o transtorno em si, mas testes de cotinina podem confirmar exposição recente quando necessário.
Para escolher subcódigo específico registra-se se há intoxicação aguda, dependência, abstinência ou outras manifestações associadas, e por quanto tempo os critérios estiveram presentes.
Como costuma ser tratado
O manejo é multidimensional e frequentemente ambulatorial, com intervenções breves de cessação, terapia comportamental e, quando indicado, suporte farmacológico para reduzir sintomas de abstinência. Programas estruturados combinam aconselhamento, acompanhamento e medidas para prevenir recaída; o plano de ação depende da gravidade, com casos graves ou com comorbidades psiquiátricas podendo exigir abordagem integrada em saúde mental.
Classes de medicamentos
Classes farmacológicas usadas no manejo incluem agentes para reduzir sintomas de abstinência e diminuir o desejo de fumar, além de medicamentos adjuvantes para comorbidades psiquiátricas quando presentes. A escolha e indicação dependem da avaliação clínica e protocolo local.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação quando há incapacidade de reduzir o consumo apesar de tentativa, sintomas de abstinência que prejudicam o dia a dia, manifestações psiquiátricas associadas (piora de ansiedade, depressão, ideação suicida) ou quando o fumo interfere no trabalho e nas relações. Em caso de sintomas físicos agudos relacionados ao uso (palpitações intensas, falta de ar grave) procurar emergência.
Uso em atestado
Em atestado ou laudo, registrar o CID F17 quando o motivo do afastamento ou intervenção for transtorno mental/ comportamental por uso de fumo. Especificar subcódigo, duração estimada do quadro e efeitos funcionais observados; para perícia, documentar critérios clínicos aplicados e tratamento instituído. Não declarar prognóstico definitivo nem prometer benefícios administrativos.
Direitos e benefícios
O registro do CID F17 em prontuário ou guia pode ser utilizado em perícias e pedidos administrativos, mas direitos a afastamento, benefício previdenciário ou cobertura dependem de avaliação pericial e da legislação ou contrato da operadora. A existência do diagnóstico não garante automaticamente licença ou cobertura de procedimentos; decisões são feitas caso a caso por peritos e operadoras.
Perguntas frequentes sobre F17
O que significa receber o CID F17 no meu prontuário?
Significa que foi registrado um transtorno mental ou comportamental relacionado ao uso de fumo, indicando padrão de uso com sintomas como dependência ou abstinência e impacto na vida diária.
Esse diagnóstico é igual a ‘‘ser fumante’’ no prontuário?
Não; ser fumante pode constar como hábito (Z72.0), enquanto F17 indica que o uso já provoca consequências mentais ou comportamentais que justificam atenção clínica.
O CID F17 implica afastamento do trabalho automaticamente?
Não automaticamente; afastamentos dependem da avaliação clínica detalhada e de perícia, que consideram incapacidade funcional e regras previdenciárias ou contratuais.
Que exames confirmam o diagnóstico F17?
O diagnóstico baseia-se na entrevista clínica e critérios de dependência; testes como cotinina podem confirmar exposição recente, mas não substituem a avaliação clínica.
O tratamento precisa ser hospitalar?
Na maioria dos casos, o manejo é ambulatorial com apoio psicológico e medidas para controlar a abstinência; hospitalização é incomum e reservada a situações com risco ou comorbidades graves.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual subcódigo F17 melhor descreve o quadro atual com base em tempo de sintomas e presença de abstinência?
- Há registro de tentativa prévia de cessação e qual foi a duração da abstinência e sintomas relatados?
- Existem sinais de comorbidade psiquiátrica que alterem o plano terapêutico ou a indicação de encaminhamento?
- Há evidências objetivas de exposição recente (cotinina) que justifiquem alterar o registro diagnóstico?
- Quais prejuízos ocupacionais ou sociais foram documentados que sustentam a escolha de F17 em vez de Z72.0?
O que perguntar ao seu advogado (4)
- Este diagnóstico pode fundamentar pedido de afastamento por incapacidade temporária diante de perícia previdenciária?
- Como o registro de F17 em prontuário influencia avaliação pericial para benefícios por incapacidade quando há comorbidades orgânicas causadas pelo tabaco?
- Que documentação clínica e temporal é requerida para sustentar incapacidade relacionada a dependência por tabaco em processo administrativo?
- Existe jurisprudência ou critério pericial local que diferencie tabagismo habitual de transtorno por uso para fins de concessão de benefícios?
O que perguntar ao seu plano de saúde (4)
- Quais procedimentos relacionados a tratamento de cessação do tabaco exigem autorização prévia da operadora quando o CID informado é F17?
- O plano pode solicitar documentação adicional (laudo, evolução) para autorizar terapias de suporte ao abandono do tabaco associadas ao CID F17?
- Como proceder com autorização quando há comorbidade psiquiátrica e o CID primário é F17 mas o procedimento envolve saúde mental?
- Quais prazos de carência podem incidir sobre tratamentos farmacológicos associados ao manejo do transtorno por fumo, conforme contrato?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F17.0 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - intoxicação aguda
- F17.1 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - uso nocivo para a saúde
- F17.2 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome de dependência
- F17.3 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome [estado] de abstinência
- F17.4 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome de abstinência com delirium
- F17.5 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - transtorno psicótico
- F17.6 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - síndrome amnésica
- F17.7 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
- F17.8 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - outros transtornos mentais ou comportamentais
- F17.9 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo - transtorno mental ou comportamental não especificado
- F10 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool
- F11 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos
- F12 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de canabinóides
- F13 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos
- F14 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína
- F15 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína
- F16 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de alucinógenos
- F18 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis
- F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas