F23.2 — Transtorno psicótico agudo de tipo esquizofrênico (schizophrenia-like)
- psicose aguda com sintomas esquizofrênicos
- psicose aguda semelhante à esquizofrenia
Em palavras simples
Receber o código CID F23.2 significa que os profissionais identificaram um episódio psicótico que apareceu de forma súbita e tem características semelhantes às encontradas na esquizofrenia, como ouvir vozes, ter ideias estranhas ou acreditar em coisas que os outros não acreditam. O ponto importante é o início rápido e o caráter temporário do episódio, não necessariamente uma doença crônica.
Você provavelmente está sentindo medo, confusão, sono muito alterado, inquietação e, possivelmente, experiências sensoriais incomuns (por exemplo ouvir vozes). Pode haver mudanças no modo de falar, dificuldade para manter uma conversa coerente, falar coisas sem sentido ou agir de forma muito diferente do habitual. Esses sintomas costumam trazer grande sofrimento e atrapalhar o dia a dia.
Isso pode ser grave enquanto está acontecendo, porque prejudica segurança, sono, alimentação e decisões; não é ‘‘contagioso’’. Quanto tempo dura varia: muitos episódios agudos regridem em dias a semanas com avaliação e tratamento adequados, mas é necessária observação médica para definir curso e necessidade de cuidados adicionais.
O que vem a seguir geralmente é uma avaliação médica completa, exames para excluir causas físicas ou uso de substâncias, e um plano de acompanhamento. Em alguns casos é necessário ficar em observação num serviço de emergência ou hospital para garantir segurança. A pessoa pode receber atestado de trabalho por um período curto enquanto os sintomas mais agudos estão presentes.
Em casa, observe se há piora da confusão, aumento do isolamento, comportamento perigoso, automutilação ou perda de autocuidado. Procure ajuda imediata se houver risco de ferir a si ou a outros, ou se a pessoa não reconhecer perigos básicos como fome ou sede. Para sintomas menos agudos, agende retorno com o psiquiatra ou serviço de saúde mental para reavaliação.
Documente quando os sintomas começaram, mudanças no sono e no uso de substâncias, e leve essa informação nas consultas. O objetivo do tratamento e do acompanhamento é controlar o episódio, investigar causas e impedir que haja dano; muitas pessoas têm recuperação parcial ou completa com suporte e monitoramento.
O que este código significa?
O CID F23.2 designa um episódio psicótico de início agudo que tem apresentação clínica semelhante à esquizofrenia (delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado), mas surge de forma súbita e com curta duração. Aparece quando esses sinais e sintomas se desenvolvem rapidamente num contexto agudo e não se enquadram como esquizofrenia crônica. Não inclui episódios polimorfos sem sintomas esquizofrênicos (F23.0) nem psicoses essencialmente delirantes (F23.3). Também não abrange transtornos psicóticos persistentes ou relacionados a substâncias ou condições médicas específicas, que exigem códigos distintos.
Quando este código é usado?
Usa-se este código quando um paciente apresenta, de início agudo, sintomas típicos de esquizofrenia — como delírios estruturados, alucinações auditivas persistentes, discurso claramente desorganizado ou comportamento catatônico/gravemente desorganizado — e quando a história clínica e a avaliação descartam causas orgânicas, intoxicação por substâncias e quando a duração é curta o bastante para não ser classificada como esquizofrenia crônica. O diagnóstico depende da natureza esquizofrênica dos sintomas combinada com curso temporal agudo e transitório.
Qual a diferença dos códigos parecidos?
Com F23.0 (Transtorno psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos): F23.0 tem quadro muito variável e alteração rápida da forma do pensamento e das emoções sem presença sustentada de delírios ou alucinações estruturadas; F23.2 exige sintomas esquizofrênicos claramente presentes e relativamente estáveis no episódio.
Com F23.1 (Transtorno psicótico agudo polimorfo, com sintomas esquizofrênicos): ambos podem apresentar sintomas esquizofrênicos, mas F23.1 caracteriza-se por flutuação polimorfa na apresentação clínica; F23.2 refere-se a um quadro agudo com predominância consistente de sintomas esquizofrênicos.
Com F20.x (Esquizofrenia): a distinção principal é temporal; esquizofrenia (F20) pressupõe curso mais duradouro e critérios diagnósticos crônicos, enquanto F23.2 é para episódios de início agudo e duração limitada.
O que é?
Transtorno psicótico agudo de tipo esquizofrênico é um episódio psiquiátrico em que a pessoa desenvolve, de forma rápida, sintomas típicos de esquizofrenia — por exemplo delírios focados, vozes comentando ou conversando entre si, fala desorganizada e comportamento marcadamente estranho. Apesar da semelhança com a esquizofrenia, o que define este código é o início agudo e a evolução relativamente breve e transitória do quadro.
O episódio costuma surgir em adultos jovens ou de meia-idade, frequentemente em situações de estresse, privação do sono ou após eventos precipitantes; porém, antes de atribuir o código é necessário excluir causas médicas e intoxicações. O reconhecimento precoce foca menos em um transtorno de personalidade prévio e mais na mudança aguda do estado mental e nas características esquizofrênicas dos sintomas.
Quais sintomas aparecem?
Principais: delírios estruturados (perseguição, influência), alucinações sensoriais, especialmente auditivas, discurso desorganizado e comportamento desorganizado ou catatônico. Sinais iniciais: inquietação, insônia marcada, ideias estranhas e perda de coerência no discurso costumam aparecer cedo. Indicadores de agravamento: aumento da violência verbal/ física, isolamento total, incapacidade de cuidar da própria higiene e desorientação grave sugerem risco e evolução para quadro mais grave.
O que causa?
Os mecanismos não são unívocos: envolvem alterações rápidas na neurotransmissão dopaminérgica e em redes cortico-límbicas, além de fatores psicossociais precipitantes. Na prática brasileira os desencadeantes mais comuns que se identificam são privação de sono severa, uso agudo de substâncias psicoativas (por ex. estimulantes) e eventos estressantes, embora em muitos casos não haja um fator claramente identificável. É fundamental distinguir reação a substância ou condição médica aguda, que teriam códigos separados.
Como o médico confirma o diagnóstico?
O diagnóstico para aplicar F23.2 se baseia em avaliação clínica detalhada que documente sintomas esquizofrênicos de início agudo e trajetória temporal curta, com exclusão de intoxicação/abstinência por drogas, efeitos médicos gerais e transtorno esquizofrênico pré-existente. Informação de testemunhas, anamnese sobre início e evolução rápida, exame mental que evidencie delírios ou alucinações e revisão de medicamentos/substâncias sustentam a escolha deste código.
Como costuma ser tratado?
O cuidado costuma incluir monitoramento em ambiente seguro, manejo de risco e intervenções que visam estabilizar o quadro durante o episódio agudo; o acompanhamento pode ser ambulatorial ou hospitalar conforme gravidade. Intervenções psicossociais e planejamento de seguimento são parte do manejo, com reavaliação prevista para determinar se o episódio remite e o código se mantém ou se será necessária recodificação para outro transtorno.
Que tipos de remédio costumam ser usados?
Classes farmacológicas usadas no manejo agudo incluem antipsicóticos para controle de sintomas psicóticos e, quando necessário, ansiolíticos para reduzir ansiedade e agitação. A escolha específica do agente, via e dose é decisão clínica individualizada e não constará aqui.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento imediato se houver risco de dano a si ou a outros, perda de contato com a realidade, desorganização que impeça cuidados básicos, agitação intensa ou sinais de confusão súbita. Para sintomas menos intensos, procure avaliação psiquiátrica ou em serviço de urgência para investigação e orientação sobre duração esperada e necessidade de cuidados.
Quantos dias de atestado?
Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou e pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.
Na prática jurídica brasileira, até 15 dias de afastamento o empregador é quem paga o salário (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; atestados emitidos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75). Essa soma é operacionalizada pelo perito considerando o CID registrado no documento, pois é o CID que indica se os atestados se referem à mesma condição.
Para que um atestado seja aceito devem constar identificação do paciente, período de afastamento, data, assinatura e CRM do médico. A inclusão do CID só ocorre com anuência do paciente; não há obrigação de informar o diagnóstico ao empregador, mas, sem o código, a soma dos atestados dentro do período de 60 dias não pode ser verificada pela perícia.
O CID F23.2 refere‑se a um episódio psicótico de início agudo com apresentação semelhante à esquizofrenia, porém de evolução breve e transitória. Por ser um quadro agudo que costuma exigir avaliação e estabilização, pode implicar incapacidade temporária para o trabalho enquanto perdurar a fase aguda e os riscos associados, exigindo acompanhamento e registro clínico para reavaliação.
Como episódios desse tipo podem recidivar ou ocorrer em sequência, a regra dos 60 dias é relevante aqui: atestados com o mesmo CID dentro desse intervalo serão considerados como continuidade do mesmo motivo para fins da soma dos períodos pagos pelo empregador, o que influencia quem arca com os primeiros 15 dias e quando se inicia a necessidade de perícia pelo INSS.
Que direitos este código envolve?
Direitos trabalhistas e benefícios dependem de perícia e das regras do INSS e de contratos de saúde; a presença do CID não garante automaticamente afastamento ou benefício. Em situações de risco iminente, medidas legais de proteção podem ser acionadas, e a documentação clínica detalhada é importante em processos administrativos e judiciais.
Perguntas frequentes sobre F23.2
O CID F23.2 significa que tenho esquizofrenia?
Não necessariamente. F23.2 descreve um episódio agudo que se parece com esquizofrenia, mas a diferenciação depende do tempo de duração e da evolução; esquizofrenia (F20) exige curso mais prolongado.
Esse quadro é contagioso para a família?
Não é uma doença transmissível. Os riscos importantes são comportamentais e de segurança, não contágio infeccioso.
Preciso de exames para confirmar o CID F23.2?
Sim, exames e avaliação clínica são usados para excluir causas médicas ou intoxicações que, se presentes, mudariam o diagnóstico e o código.
Posso receber atestado de trabalho com esse CID?
A emissão de atestado depende da avaliação clínica da incapacidade momentânea para o trabalho; o CID em si é parte da documentação, mas o tempo de afastamento é decidido pelo médico e por perícias quando necessário.
Como diferenciar F23.2 de um episódio causado por droga?
A investigação do uso de substâncias e testes toxicológicos, além da história temporal, são essenciais; presença clara de intoxicação ou abstinência geralmente direciona para outro código.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Quando os sintomas esquizofrênicos ocorrem de forma aguda, qual é o limite temporal esperado antes de considerar outra classificação?
- Quais critérios clínicos e exames descartam causa orgânica ou intoxicação que mudaria o código?
- Que sinais de evolução indicam recodificação para F20 (esquizofrenia) ou para transtorno psicótico agudo polimorfo (F23.1)?
- Que evidências documentais e de testemunhas são essenciais para sustentar a escolha de F23.2 em prontuário?
- Qual a janela de reavaliação recomendada para confirmar a resolução ou persistência do episódio?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Em perícia médica, que documentação clínica é exigida para considerar afastamento por episódio classificado como F23.2?
- Como a duração e a gravidade do episódio influenciam a concessão de benefícios previdenciários ou auxílio-doença?
- Que diferenças práticas existem entre registrar F23.2 e F20.x em termos de impacto pericial e administrativa?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Esse CID é suficiente para autorizar internação psiquiátrica em caráter agudo junto à operadora?
- Quais procedimentos ligados ao manejo agudo de psicose costumam exigir autorização prévia e como justificar com este CID?
- A cobertura para consultas de retorno e psicoterapia relacionada a F23.2 costuma ser automática ou depende de prévia autorização?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F23.0 Transtorno psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos
- F23.1 Transtorno psicótico agudo polimorfo, com sintomas esquizofrênicos
- F23.3 Outros transtornos psicóticos agudos, essencialmente delirantes
- F23.8 Outros transtornos psicóticos agudos e transitórios
- F23.9 Transtorno psicótico agudo e transitório não especificado
Fontes e como esta página foi feita
- DATASUS — CID-10, bloco F20-F29
- OMS — ICD-10, versão 2019 (F23.2)
- Lei 8.213/1991, art. 60 — afastamento e auxílio por incapacidade
- Decreto 3.048/1999, art. 75 — soma de atestados em 60 dias
- Anvisa — Bulário Eletrônico
O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.