F23 — Transtornos psicóticos agudos e transitórios

  • psicose aguda
  • psicose transitória
  • episódio psicótico agudo

O CID F23 designa um grupo de episódios psicóticos que aparecem de forma aguda e duram horas a semanas, com recuperação parcial ou total. Geralmente surgem em pessoas sem história prévia de psicose ou sem transtorno psiquiátrico crônico conhecido. Incluem fenômenos como delírios, alucinações, discurso desorganizado e comportamento desordenado que começaram recentemente. Não inclui esquizofrenia (F20) nem transtornos delirantes persistentes (F22), que são de curso prolongado. Tampouco cobre psicose secundária claramente atribuída a substância ou condição médica geral, que recebe outro código.


Em palavras simples

Receber o código CID F23 significa que você teve um episódio de perda de contato com a realidade que apareceu de forma rápida e tem características transitórias. Em palavras simples: você apresentou pensamentos estranhos ou firmes que não correspondem à realidade (delírios), ouviu ou viu coisas que outras pessoas não percebem (alucinações), ou teve fala e comportamento confusos. O termo ‘agudo e transitório’ indica que os sintomas surgiram de repente e, na maioria dos casos, podem melhorar em dias ou semanas com avaliação e cuidados adequados.

Você provavelmente está sentindo medo, confusão, sono muito alterado, cansaço extremo e dificuldade para se concentrar. Pode haver inquietação, falar de coisas desconexas ou suspeitar de pessoas próximas. Essas sensações causam grande angústia e às vezes isolamento. Nem sempre há lembrança clara de tudo depois que o episódio melhora, e isso também é comum.

Em geral, esse tipo de episódio não significa, por si só, que a pessoa terá uma doença crônica. Muitos pacientes melhoram após estabilização e acompanhamento inicial. No entanto, é importante investigar causas que possam ter precipitado o quadro, como uso de substâncias, falta de sono, estresse intenso ou problemas médicos. O tempo de duração varia: alguns se recuperam em poucos dias, outros precisam de semanas de tratamento e retorno ao acompanhamento médico.

No seguimento habitual, o médico ou serviço de saúde solicitará exames para excluir fatores médicos ou intoxicações, além de agendar consultas de retorno. Pode haver necessidade de acompanhamento com psiquiatria, equipe multiprofissional e apoio familiar. Em termos práticos, é comum haver recomendações de repouso, apoio social e supervisão até que os sintomas diminuam; decisões sobre afastamento do trabalho ou mudança de atividades são avaliadas caso a caso.

Em casa, observe se há risco imediato para si ou para outros: agressividade, recusa em se alimentar ou hidratar, confusão que impede cuidados básicos, ou ideias de autoagressão exigem procurar ajuda sem demora. Também é importante comunicar a equipe de saúde sobre retorno de sintomas após alta. Anote datas, comportamentos e medicamentos utilizados para levar nas consultas de seguimento, isso ajuda a entender melhor o episódio.

Quando usar este código

Usa-se este código para episódios psicóticos de início rápido e com expectativa de curta duração, quando não há evidência de transtorno crônico, nem causa orgânica ou intoxicação que explique o quadro. É aplicado quando o quadro se instalou em dias a semanas e a avaliação clínica indica possível remissão em curto prazo ou necessidade de acompanhamento inicial.

Não confunda com

F20 (Esquizofrenia) — Esquizofrenia exige padrão de sintomas persistentes por pelo menos um mês ativo e sinais por seis meses; F23 é para início agudo e duração curta, sem história de curso crônico.

F22 (Transtornos delirantes persistentes) — F22 refere-se a delírios persistentes e estáveis por longo período; F23 envolve delírios ou alterações da percepção de instalação rápida e curso transiente.

F10-F19 (Transtornos mentais por substâncias) — Se houver evidência clara de intoxicação ou abstinência como causa direta do quadro psicótico, o código da substância é preferível; F23 é reservado quando essa ligação não é demonstrada.

O que é

Transtornos psicóticos agudos e transitórios descrevem episódios em que a pessoa passa a experimentar perda de contato com a realidade de forma súbita, com delírios (crenças falsas), alucinações (ver/ouvier coisas que não existem), fala ou comportamento desorganizados e alteração do julgamento. Esses sinais surgem em dias ou semanas, contrastando com transtornos crônicos, e costumam provocar angústia intensa e prejuízo temporário do funcionamento.

O quadro pode afetar adultos jovens mais frequentemente, mas ocorre em qualquer idade. Em muitos casos aparece após situação de estresse intenso, sono severamente prejudicado ou como reação a eventos médicos; em outros, a causa fica sem identificação imediata. A recuperação pode ser rápida, parcial ou requerer intervenção continuada.

Sintomas

Principais: delírios firmes, alucinações auditivas ou visuais, discurso confuso e desorganizado, agitação psicomotora e comportamento desconectado da realidade. Sinais que aparecem cedo incluem perda de sono, desconfiança crescente e pensamento acelerado. Indicadores de agravamento são agitação intensa com risco para si ou outros, confusão marcante, agressividade, catatonia ou tendência a recusa alimentar e desidratação.

Causas

Mecanismos incluem disfunção aguda em circuitos cerebrais dopaminérgicos e outros neurotransmissores, desencadeada por estresse extremo, privação de sono, surtos afetivos, infecções, alterações metabólicas ou reação a medicamentos/ tóxicos. No Brasil, causas comuns vistas na prática são episódios induzidos por uso de substâncias (álcool, estimulantes), exposição a situações traumáticas, e reações psicóticas relacionadas a quadros médicos agudos; muitas vezes, entretanto, nenhuma causa orgânica clara é encontrada na primeira avaliação.

Como é diagnosticado

O diagnóstico baseia-se em história clínica detalhada, relato de início súbito dos sintomas e exame mental que identifica delírios, alucinações ou desorganização. Excluir causas secundárias é essencial: revisar uso recente de substâncias, medicações e presença de doença médica aguda. A confirmação do código exige evidência de início agudo e expectativa de curso transitório ou necessidade de revisão diagnóstica subsequente, diferindo de códigos para psicose persistente.

Como costuma ser tratado

O manejo inicial foca estabilizar a pessoa e reduzir risco: avaliação em ambiente seguro, medidas de contenção não farmacológica e, quando necessário, intervenção medicamentosa e acompanhamento em serviço de saúde mental. Muitos casos têm manejo ambulatorial com retorno próximo, outros exigem internação breve para avaliação e estabilização. O plano terapêutico e a duração do acompanhamento dependem da evolução e da investigação de causa.

Classes de medicamentos

Classes usadas na prática incluem antipsicóticos para controle dos sintomas psicóticos e, quando indicado, ansiolíticos para reduzir agitação intensa; em casos secundários, trata-se a condição de base identificada (por exemplo, interromper substância tóxica ou tratar infecção). A escolha específica de medicação e ajuste é assunto clínico individualizado.

Quando procurar ajuda

Procurar avaliação imediata diante de perda de contato com a realidade, alucinações que orientam comportamento perigoso, agitação que ponha em risco a pessoa ou outros, recusa alimentar persistente ou sinais de confusão que não melhoram. Também buscar atenção se sintomas aumentarem após alta ou retorno de delírios/alucinações após melhora inicial.

Uso em atestado

Atestados médicos devem descrever sinais e limitações funcionais observados no episódio, duração estimada do afastamento e necessidade de reavaliação. Para perícia, documentar início dos sintomas, evolução, tratamentos realizados e resultados de exames que esclareçam a origem. A codificação pode mudar conforme evolução e evidência de causa específica.

Perguntas frequentes sobre F23

O que significa receber o CID F23 no meu atestado?

Indica que houve um episódio psicótico de início agudo e provável duração curta; o atestado descreve o quadro observado e orienta reavaliação conforme a evolução.

Esse quadro é contagioso?

Não. Transtorno psicótico não é uma doença transmissível; preocupa-se com segurança e cuidado, não com contágio.

Preciso fazer exames depois desse diagnóstico?

Sim. Exames para excluir causas orgânicas ou intoxicações costumam ser solicitados; a investigação auxilia em confirmar ou redirecionar o diagnóstico.

Vou ficar com transtorno mental para sempre?

Nem sempre. Muitos casos agudos remitirão com tratamento e acompanhamento; alguns evoluem para diagnósticos crônicos que exigem plano terapêutico prolongado.

Posso ser afastado do trabalho por este diagnóstico?

Afastamento depende da gravidade, da capacidade laboral e da documentação médica; a decisão é feita por perícia ou pelo empregador conforme regras vigentes.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (6)
  • Houve início súbito dos sintomas e qual é a data provável de início?
  • Existem sinais de uso recente de substâncias ou medicações que expliquem o quadro?
  • Há história prévia de episódios psicóticos ou transtornos psiquiátricos persistentes?
  • Quais exames foram feitos para excluir causa orgânica e qual o resultado mais relevante?
  • O quadro evolui com remissão completa dentro de semanas ou persiste além de um mês?
  • Que sinais clínicos indicam necessidade de internação imediata neste paciente?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Em que situação este CID sustenta pedido de afastamento no INSS e que documentação é necessária?
  • Como a mudança de CID (por exemplo, para F20) afeta perícias e benefícios futuros?
  • Que registros e relatórios médicos são mais relevantes numa perícia judicial sobre capacidade laboral?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • Quais procedimentos de internação psiquiátrica este CID costuma justificar para fins de autorização?
  • A operadora exige detalhamento de exames para autorizar intervenções ambulatoriais ou hospitalares associadas ao CID F23?
  • Quais prazos de cobertura temporária podem ser aplicados a tratamentos de estabilização em psicose aguda?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

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