F23.3 — Outros transtornos psicóticos agudos, essencialmente delirantes
- psicose aguda delirante
- episódio psicótico delirante agudo
O CID F23.3 designa um episódio psicótico agudo em que os sintomas centrais são delírios firmes e de início rápido. Costuma surgir em pessoas sem história prévia de esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo e tem duração relativamente curta, típica de transtornos psicóticos agudos e transitórios. Não inclui quadros polimorfos sem predominância delirante (F23.0/F23.1) nem transtorno psicótico do tipo esquizofrênico (F23.2). Excluir causas orgânicas, toxicológicas e transtornos afetivos com sintomas psicóticos é essencial para usar este código.
Em palavras simples
Receber o código CID F23.3 significa que você teve um episódio psicótico de início rápido em que o sintoma mais evidente foram delírios — crenças firmes que não correspondem à realidade. Não é a mesma coisa que esquizofrenia: aqui o quadro apareceu de forma aguda e os delírios são o aspecto central, não havendo histórico de doença psicótica crônica.
Você provavelmente tem sentido desconfiança intensa, pensamentos fixos sobre alguém querendo prejudicar, perseguição ou ideias incomuns que parecem muito verdadeiras para quem as sente. Junto com isso podem aparecer agitação, pouca necessidade de sono, isolamento, dificuldade para pensar com clareza e ficar tranquilo. Essas sensações costumam ser angustiantes e alterar rotinas como trabalho e sono.
Sobre gravidade: o quadro pode ser sério, sobretudo se houver risco de ferir a si ou outros ou se houver grande perda de autocuidado. Não é uma condição contagiosa. A duração varia: muitos episódios agudos melhoram em semanas a poucos meses, mas é preciso acompanhamento para confirmar remissão completa ou ver se o diagnóstico muda ao longo do tempo.
Normalmente o próximo passo é uma avaliação detalhada, exames para excluir causas médicas ou uso de drogas, e um plano de cuidado que pode incluir observação em serviço de saúde, acompanhamento ambulatorial e eventual necessidade de afastamento do trabalho enquanto persistirem prejuízos funcionais. O médico vai documentar sintomas, duração e riscos e marcar retornos para acompanhar a evolução.
Em casa, observe se há aumento da agitação, comportamento perigoso, incapacidade de se alimentar ou de cuidar da higiene, ou falta de contato com a realidade que coloque a pessoa em risco; nesses casos, procure atendimento de emergência. Se os sintomas forem intensos mas sem risco imediato, cumpra as consultas agendadas e leve todas as informações sobre medicamentos, sono e uso de substâncias para a equipe que acompanha.
Quando usar este código
Usa-se este código quando há episódio psicótico de início agudo em que o aspecto delirante é o sinal dominante, sem evidência de transtorno esquizofrênico subjacente ou de apresentação polimorfa predominante, e quando causas orgânicas e intoxicações foram consideradas e não justificam a síndrome.
Não confunda com
F23.0 — Transtorno psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos: este código exige variabilidade rápida de sintomas (mudança de ideias, afeto, percepção) sem delírios estruturados dominantes; F23.3 é predominância de delírios estáveis.
F23.1 — Transtorno psicótico agudo polimorfo, com sintomas esquizofrênicos: diferencia-se por presença marcante de sintomas esquizofrênicos (alucinações auditivas organizadas, pensamento desorganizado) além da polimorfia; F23.3 mantém o delírio como núcleo.
F23.2 — Transtorno psicótico agudo de tipo esquizofrênico: este exige semelhança clínica com esquizofrenia (sintomas esquizofrênicos típicos e padrão mais estável); quando o quadro é essencialmente delirante e de curso agudo, F23.3 é preferível.
O que é
Trata-se de um transtorno psicótico de início relativamente súbito em que o sintoma mais evidente são ideias delirantes firmes — crenças falsas mantidas com convicção, não explicadas por cultura ou crença compartilhada. Esses delírios podem ser de perseguição, ciúme, grandeza ou outras temáticas, e dominam o quadro clínico desde o início.
O transtorno aparece em indivíduo sem quadro psicótico crônico prévio e em geral tem duração limitada às semanas ou poucos meses antes de remissão completa ou transição para outro diagnóstico. Pode acompanhar agitação, insônia e isolamento, e exige avaliação para excluir causas médicas ou exposição a substâncias.
Sintomas
Principais: delírios firmes e temáticas bem definidas (perseguição, ciúme, ameaça), pensamento rígido em torno da crença delirante e isolamento social. Sintomas que aparecem cedo: suspeita intensa, agitação, insônia e perda de julgamento sobre a realidade. Indicadores de agravamento: aumento súbito da agressividade, desorganização comportamental grave, risco de auto ou heteroagressão, intensificação de delírios com perda de capacidade de autoproteção.
Causas
Os mecanismos são multifatoriais: vulnerabilidade individual (história psiquiátrica, estresse psicossocial), disparo por eventos estressores agudos e alterações neuroquímicas relacionadas a funções dopaminérgicas e outros circuitos da realidade. No Brasil, relatos clínicos frequentemente apontam associação com consumo agudo ou abstinência de substâncias psicoativas, episódios agudos de estresse intenso e desconforto psicossocial como fatores precipitantes.
Como é diagnosticado
O diagnóstico baseia-se em avaliação clínica detalhada que identifica delírios como sintoma predominante e início agudo, a história pregressa que exclui transtornos psicóticos crônicos e a investigação para causas orgânicas ou intoxicações. Documentação médica que descreva duração dos sintomas, exame mental com conteúdo delirante e ausência de critérios para esquizofrenia ou transtorno afetivo com sintomas psicóticos sustenta o uso do código F23.3.
Como costuma ser tratado
O manejo costuma ser agudo e direcionado à contenção do episódio, redução da agitação e estabilização do pensamento delirante, com acompanhamento posterior para avaliar remissão ou transição diagnóstica. Em muitos casos, o tratamento inicial é feito em ambiente seguro (ambulatorial intensivo ou internação breve) e segue com reavaliações regulares para decidir duração e necessidade de manutenção.
Classes de medicamentos
Classes medicamentosas usadas no manejo agudo incluem antipsicóticos e, quando indicado, ansiolíticos para controle da agitação; escolha e ajuste dependem da avaliação clínica e da presença de comorbidades e efeitos adversos.
Quando procurar ajuda
Procurar atendimento imediato se houver risco de ferir a si ou a outros, perda de autocuidado grave, incapacidade de cuidar de necessidades básicas ou intensificação rápida dos delírios. Busca de ajuda também é indicada se sintomas persistirem além de semanas sem melhora ou houver sinais neurológicos sugerindo causa orgânica.
Uso em atestado
Atestados e relatórios devem descrever sinais observados, duração do episódio, risco funcional e necessidade clínica de afastamento ou internação; a codificação precisa (CID F23.3) deve constar quando o diagnóstico for este e estar respaldada pela documentação clínica.
Direitos e benefícios
Direitos relativos a afastamento, perícias e tratamento involuntário seguem a legislação vigente: decisões sobre incapacidade laboral e medidas protetivas dependem de laudo médico-pericial. Não há presunção automática de benefícios pelo registro do CID; cada caso passa por avaliação administrativa ou judicial conforme demanda.
Perguntas frequentes sobre F23.3
O que exatamente significa ter o CID F23.3 no atestado?
Significa que houve um episódio psicótico agudo com delírios predominantes; o atestado descreve o quadro clínico observado e a necessidade temporária de cuidados ou afastamento, sustentada pela documentação médica.
Esse diagnóstico é contagioso para familiares?
Não é contagioso; trata-se de uma condição clínica individual, não uma infecção. O que importa é o suporte e a segurança do ambiente familiar.
Quais exames são normalmente pedidos ao receber esse código?
Exames visam excluir causas orgânicas ou intoxicações — por exemplo, exames laboratoriais básicos, toxicológicos e, se indicado, avaliação neurológica ou neuroimagem; a seleção depende da avaliação clínica.
Quanto tempo costuma durar antes de voltar ao trabalho?
A duração é variável; muitos episódios melhoram em semanas a poucos meses, e decisões sobre retorno ao trabalho dependem da evolução clínica e da capacidade funcional documentada.
Como se diferencia F23.3 de um transtorno psicótico breve por uso de substância?
A diferenciação depende da história temporal e exames toxicológicos: se sintomas ocorrem com intoxicação/abstinência comprovada, o quadro pode ser atribuído a substância em vez de F23.3.
Leve estas perguntas
O que perguntar ao seu médico (5)
- Qual a duração mínima e máxima observada para classificar este episódio como F23.3 em vez de F23.2?
- Que achados no exame mental e na história justificam preferir F23.3 sobre F23.0 ou F23.1?
- Quais sinais neurológicos ou laboratoriais obrigam a reclassificar o código para uma causa orgânica?
- Em que momento a persistência ou recorrência do delírio deve levar à reavaliação diagnóstica para transtorno esquizofrênico?
- Que documentação clínica é suficiente para atestar risco ocupacional e justificar afastamento temporário com este diagnóstico?
O que perguntar ao seu advogado (3)
- Qual é o critério pericial aceito para afastamento laboral por transtorno psicótico agudo essencialmente delirante?
- Como a presença de delírios documentados em prontuário impacta decisões de benefício por incapacidade temporária?
- Quais elementos no laudo médico fortalecem justificativa para tratamento involuntário em contexto de risco?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
- Que documentação a operadora costuma exigir para autorizar internação psiquiátrica por transtorno psicótico agudo com delírios?
- O plano pode solicitar reavaliação periódica para manutenção de cobertura em tratamento ambulatorial intensivo por CID F23.3?
- Quais procedimentos diagnósticos relacionados a investigação de causa orgânica costumam ser negados sem justificativa clínica detalhada?
Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.
Códigos relacionados
- F23.0 Transtorno psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos
- F23.1 Transtorno psicótico agudo polimorfo, com sintomas esquizofrênicos
- F23.2 Transtorno psicótico agudo de tipo esquizofrênico (schizophrenia-like)
- F23.8 Outros transtornos psicóticos agudos e transitórios
- F23.9 Transtorno psicótico agudo e transitório não especificado