F31.6 — Transtorno afetivo bipolar, episódio atual misto

  • episódio misto bipolar
  • mania com sintomas depressivos simultâneos
  • depressão com sintomas maníacos simultâneos

Em palavras simples

Receber o código CID F31.6 significa que seu quadro atual foi classificado como um episódio misto do transtorno bipolar. Em linguagem simples, isso quer dizer que, ao mesmo tempo, você apresenta sintomas que costumam parecer opostos: trechos de muita energia, agitação ou pensamentos acelerados junto com tristeza, perda de interesse e fadiga. Nem é só um dia ruim nem só uma fase de alegria exagerada — é uma combinação que deixa as coisas confusas e instáveis.

Você pode estar sentindo ao mesmo tempo vontade de falar demais, tomar decisões impulsivas ou sentir-se inquieto, e ao mesmo tempo tristeza profunda, culpa, cansaço extremo ou falta de apetite. É comum que o sono esteja bem prejudicado: ficar dormindo pouco em alguns momentos e, noutros, sentir-se esgotado. Alguns relatam também problemas físicos associados, como dor abdominal por ansiedade, intestino solto, palpitações ou sensação de cansaço constante.

Sobre gravidade: episódios mistos podem ser mais angustiantes e ter maior risco de atitudes impulsivas ou suicidas, por isso merecem atenção rápida, mas não significa sempre internação. A duração varia muito: pode ser um período de dias a semanas, dependendo do tratamento e de fatores que o desencadearam. Episódios repetidos devem ser acompanhados com cuidado para reduzir riscos futuros.

O caminho usual inclui retorno a um psiquiatra para revisar o diagnóstico, possivelmente ajustar o tratamento e acompanhar de perto. Podem ser solicitados alguns exames para excluir causas físicas e, se houver risco de dano, pode haver discussão sobre necessidade de atendimento em hospital. A família ou pessoa de confiança costuma ser informada para ajudar a observar mudanças e garantir segurança.

Em casa, observe sinais de piora: pensamentos frequentes sobre morte, planejamento de ferir-se, perda total de sono ou atos impulsivos perigosos (usar álcool em excesso, dirigir em alta velocidade). Se notar qualquer comportamento desse tipo, procure ajuda imediata. Ainda que o quadro dê medo, muitas pessoas melhoram com acompanhamento adequado e suporte, e a documentação do CID ajuda a registrar a natureza do problema para o cuidado continuado.

O que este código significa?

O CID F31.6 designa episódio atual misto do transtorno afetivo bipolar, em que sintomas depressivos e hipomaníacos/maníacos ocorrem ao mesmo tempo ou em rápida alternância. Aparece em pessoas com diagnóstico de transtorno bipolar que, em um mesmo episódio, têm humor elevado ou irritável junto com humor deprimido, anedonia e pensamentos negativos. Não inclui episódios isolados puramente maníacos (p.ex. F31.1/F31.2) nem episódios puramente depressivos (F31.3–F31.5). Tampouco descreve remissão (F31.7) ou diagnóstico incerto (F31.9).


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando, na avaliação clínica, há clara sobreposição temporal entre manifestações de mania/hipomania e de depressão em um paciente com transtorno bipolar. O código deve refletir que o episódio atual não é exclusivamente maníaco nem exclusivamente depressivo, mas apresenta elementos significativos de ambos. Serve para distinguir situações que podem exigir abordagem diagnóstica e documentação específicas.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F31.2 — Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco com sintomas psicóticos: esse código exige predominância maníaca com sintomas psicóticos evidentes; se há sintomas depressivos marcantes concomitantes, F31.6 é mais apropriado. F31.3 — Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo leve ou moderado: F31.3 aplica-se quando não há sinais de elevação do humor ou aumento de energia; presença simultânea de sintomas maníacos desloca para F31.6. F31.5 — Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave com sintomas psicóticos: se há psicose sobre depressão predominante sem sinais de hipomania/mania, usar F31.5; se há mistura de sintomas deprimidos e maníacos, usar F31.6.

O que é?

O episódio atual misto no transtorno afetivo bipolar caracteriza-se pela coexistência, no mesmo período, de sintomas típicos de mania/hipomania (p.ex. aumento de energia, agitação, fala acelerada, impulsividade) e de sintomas típicos de depressão (p.ex. tristeza intensa, perda de interesse, fadiga, ideias de desvalia). A alternância pode ocorrer ao longo de horas ou dias, sem fases claras de melhora.

Esse padrão pode surgir em qualquer subtipo do transtorno bipolar e tende a tornar o quadro clínico mais instável e arriscado, por exemplo por maior impulsividade junto com pensamentos depressivos. Costuma ocorrer em adultos jovens e em pessoas com história de episódios mistos anteriores; fatores como interrupção de tratamento e uso de substâncias podem precipitar o episódio.

Quais sintomas aparecem?

Principais: humor deprimido e anedonia combinados com irritabilidade, agitação psicomotora, energia aumentada, pensamento acelerado e insônia. Sintomas que aparecem cedo: agitação, insônia e irritabilidade podem ser sinais iniciais da mistura; já a tristeza profunda e perda de interesse podem desenvolver-se concomitantemente. Indicadores de agravamento: ideias suicidas ou comportamento impulsivo perigoso (compra excessiva, abuso de substâncias, dirigir em alta velocidade), flutuações rápidas de humor e surgimento de sintomas psicóticos.

O que causa?

Os mecanismos envolvem interação complexa entre vulnerabilidade genética para transtorno bipolar, alterações na regulação de neurotransmissores (sistemas monoaminérgicos) e disfunção em circuitos cerebrais de regulação do humor e da impulsividade. Fatores precipitantes comuns na prática brasileira incluem interrupção de medicação estabilizadora, uso de álcool ou outras drogas, estresse psicossocial agudo e comorbidades como transtorno do sono. A combinação de predisposição biológica e gatilhos ambientais explica a ocorrência de episódios mistos.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se em avaliação clínica detalhada: anamnese de alterações do humor, relato de sintomas simultâneos de mania e depressão, histórico de episódios bipolares prévios e exame mental documentando coexistência de sinais maníacos e depressivos. Registros de comportamento, relato de familiares ou cuidadores e escalas padronizadas de humor podem sustentar a codificação. Este código se aplica quando a sobreposição temporal dos sintomas é evidente e predomina como quadro clínico atual.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma envolver estabilização clínica, escolha de estratégias farmacológicas e acompanhamento psiquiátrico próximo; o tratamento pode ser ambulatorial ou envolver internação quando houver risco elevado. Abordagens psicoterápicas estruturadas e apoio social são componentes importantes do cuidado continuado. Ajustes de medicação, monitorização de efeitos adversos e atenção a comorbidades e uso de substâncias fazem parte do manejo do episódio misto.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Classes comumente empregadas por psiquiatras em episódios mistos incluem estabilizadores de humor, antipsicóticos atípicos e, em alguns contextos, ansiolíticos para controle agudo de agitação; antidepressivos são usados com cautela devido ao risco de induzir ou agravar sintomas de elevação do humor. A escolha depende da apresentação clínica, histórico do paciente e avaliação do risco-benefício.

Quando procurar um médico?

Procurar ajuda urgente em serviços de saúde se houver ideação ou comportamento suicida, perda severa de sono, agitação incontrolável, comportamento impulsivo perigoso ou incapacidade de cuidar de si. Buscar atendimento ambulatorial rápido quando houver piora progressiva dos sintomas, surgimento de alucinações, delírios ou aumento marcado da impulsividade. Em todas as situações, a avaliação psiquiátrica orienta a necessidade de internação, ajustes terapêuticos e suporte familiar.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento; o período é definido pelo médico que examinou o caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Quanto ao custeio e à exigência de perícia, até 15 dias de afastamento o pagamento do salário fica a cargo do empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia o INSS assume o pagamento e passa a exigir perícia. A legislação também prevê que atestados pelo mesmo motivo, emitidos dentro de 60 dias, se somam para fins desse limite de 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é operacionalizada pelo CID indicado no atestado: é o CID que o perito usa para verificar se os episódios têm a mesma causa clínica, razão prática pela qual o código aparece no documento — e algo que muitos pacientes e empregadores não sabem.

Para que um atestado seja aceito, ele precisa conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, a assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID só ocorre com anuência do paciente; informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos atestados dentro dos 60 dias não pode ser verificada.

No caso do CID F31.6 (episódio atual misto do transtorno afetivo bipolar), trata‑se de um quadro de transtorno bipolar com sintomas depressivos e hipomaníacos/maníacos coexistentes ou em rápida alternância. É uma apresentação que tende a tornar o estado clínico mais instável e, em episódios agudos, pode comprometer a capacidade para o trabalho; ao mesmo tempo, o transtorno bipolar é uma condição recorrente ao longo da vida que requer registro e acompanhamento. Por essa instabilidade e recorrência, a regra dos 60 dias ganha importância para quem tem atestados sucessivos pelo mesmo motivo, porque episódios que se repetem ou se sobrepõem podem ser enquadrados como continuidade do mesmo quadro quando o CID é o mesmo.

Perguntas frequentes sobre F31.6

O que significa ter o CID F31.6 no meu atestado?

Significa que o episódio atual foi classificado como misto, com sintomas depressivos e maníacos ao mesmo tempo; descreve o quadro observado, não determina automaticamente afastamento.

O CID F31.6 pode aparecer em laudo de perícia trabalhista?

Pode, se a avaliação médica documentar impacto funcional compatível; a decisão sobre afastamento depende da perícia e da documentação clínica.

Esse episódio é contagioso para família ou colegas?

Não, transtorno bipolar e seus episódios não são transmissíveis; porém mudanças de comportamento podem afetar relações e exigir apoio.

Que exames meu médico pode pedir depois de registrar F31.6?

Exames laboratoriais básicos e avaliação toxicológica costumam ser solicitados para excluir causas reversíveis; a indicação depende do quadro clínico.

Como se diferencia F31.6 de um episódio puramente depressivo (F31.3–F31.5)?

A diferença está na presença simultânea de sintomas de elevação do humor ou aumento de energia; se esses sintomas coexistem com depressão, usa-se F31.6.

Recebi esse código em guia do plano. Isso garante cobertura para tratamento específico?

Não necessariamente; cobertura depende do contrato, do procedimento solicitado e da avaliação da operadora; o CID apenas descreve o diagnóstico registrado.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (5)
  • Há documentação de episódio prévio com padrão misto que influencie a conduta?
  • Qual é a intensidade e a temporalidade dos sintomas maníacos versus depressivos neste episódio?
  • Há uso recente ou interrupção de estabilizadores do humor ou consumo de substâncias que possam explicar a mistura?
  • Existem sinais de risco suicida ou de comportamento impulsivo que justifiquem internação imediata?
  • Que comorbidades (p.ex. tireoidopatia, uso de cocaína/álcool) precisam ser investigadas para orientar tratamento?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Com base na documentação clínica, este episódio atual pode fundamentar pedido de benefício por incapacidade temporária?
  • Que elementos objetivos no prontuário e nos atestados aumentam a probabilidade de deferimento em perícia médica?
  • Em casos de afastamento, quais períodos e limitações funcionais devem ser descritos para fins trabalhistas?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano pode exigir justificativa clínica detalhada para internação por episódio misto?
  • Quais procedimentos de autorização prévia o plano costuma requerer para tratamentos psiquiátricos intensivos?
  • Que documentação (relatórios, atestados, CID F31.6) a operadora solicita para avaliar cobertura de intervenções específicas?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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