F68.8 — Outros transtornos especificados da personalidade e do comportamento do adulto

  • transtorno de personalidade não classificado
  • alteração de comportamento adulto especificada
  • variante da personalidade especificada

Em palavras simples

O CID F68.8 é um rótulo usado quando o médico identificou padrões de comportamento ou traços de personalidade que causam dificuldade na sua vida, mas que não se encaixam em outros diagnósticos mais precisos. Não significa que você tem uma doença contagiosa ou necessariamente uma condição grave por si só; é uma forma de registrar que há algo que interfere nas suas relações, no trabalho ou no seu bem‑estar.

Você pode estar sentindo coisas como irritabilidade frequente, dificuldade para confiar em pessoas, respostas emocionais intensas em certas situações, ou comportamento rígido que cria conflito com chefes, família ou amigos. Muitas vezes vem junto cansaço emocional, frustração por relações que não dão certo e sensação de que as coisas não mudam apesar de esforços.

Na maioria dos casos não é um problema que apareça de um dia para o outro nem que “pegue” outras pessoas; trata‑se de padrões duradouros. O tempo de duração varia bastante: algumas pessoas percebem melhora em meses com terapia e apoio adequado, outras precisam de acompanhamento por anos. O importante é que o código indica a necessidade de atenção e acompanhamento, não uma sentença definitiva.

O passo seguinte costuma ser uma avaliação mais detalhada com profissional de saúde mental, exames básicos para excluir causas médicas quando necessário, e a proposta de acompanhamento psicoterápico ou medidas psicossociais. Em alguns casos, se houver sintomas de ansiedade ou depressão associados, pode haver tratamento dirigido a esses sintomas também. A possibilidade de afastamento do trabalho depende do impacto funcional comprovado e de avaliação pericial, não é automática por causa do código.

Em casa, observe se os comportamentos estão impedindo você de cumprir tarefas essenciais, prejudicando relacionamentos ou gerando riscos (por exemplo, dirigir em estado emocional instável). Procure ajuda mais urgente se sentir vontade de se machucar, perder controle de forma que coloque você ou outros em risco, ou se houver uma queda rápida no funcionamento diário. Caso contrário, marcar retorno com o profissional que avaliou o caso para planejar acompanhamento e avaliar resposta às intervenções é o caminho usual.

O que este código significa?

O CID F68.8 designa transtornos da personalidade ou do comportamento do adulto que são clinicamente relevantes, mas não se enquadram nas categorias mais precisas da CID. Aparece quando há padrão persistente de experiência interna e comportamento que causa prejuízo social, ocupacional ou sofrimento, mas cujas características predominantes não correspondem aos critérios de códigos específicos como F60.x ou F68.1. Não inclui transtornos de humor, psicóticos primários ou sintomas exclusivamente decorrentes de condição médica geral ou uso de substância. É usado quando a formulação clínica requer registro de uma anomalia de personalidade/conduta documentada que exige atenção, sem rotular com outro código da mesma família.


Quando este código é usado?

Usa-se este código quando há evidência de padrão duradouro de traços ou comportamentos que alteram funcionamento e relações do adulto, mas a apresentação não bate com um diagnóstico formal já codificado na CID F60–F69. Serve para situações em que o clínico quer indicar que houve avaliação detalhada e que as características merecem registro e seguimento, sem classificar em outro subtipo.

Qual a diferença dos códigos parecidos?

F68.1 — Produção deliberada ou simulação de sintomas: separa-se porque F68.1 exige demonstração de comportamento intencional para produzir ou simular sintomas; F68.8 é usado quando não há evidência de farsa intencional, mas há padrão de personalidade ou conduta atípica.

F60.3 — Transtorno de personalidade emocionalmente instável (borderline): separa-se porque F60.3 requer critérios específicos como instabilidade de afeto, impulsividade e relações interpessoais tumultuadas; F68.8 é reservado a casos que não preenchem esses critérios formais.

F68.0 — Sintomas físicos aumentados por fatores psicológicos: separa-se porque F68.0 descreve apresentação predominante de sintomas físicos com influência psicológica; F68.8 é quando a apresentação é de traços de personalidade/conduta e não de queixas somáticas primárias.

O que é?

Trata-se de uma categoria residual dentro dos transtornos da personalidade e do comportamento do adulto. Indica a presença de padrões de pensamento, emoção e comportamento relativamente estáveis e duradouros que diferem do esperado culturalmente e geram prejuízo ou sofrimento, mas sem atender aos critérios formais de um diagnóstico específico listado em outros itens da CID-10.

Manifesta-se por dificuldades persistentes em relações interpessoais, regulação emocional, adaptação social ou comportamento repetitivo pouco adaptativo. Afeta adultos de diversas idades e origens; é mais notado quando provoca impacto no trabalho, família ou no manejo de saúde e segurança pessoal.

Quais sintomas aparecem?

Principais manifestações incluem comportamentos interpessoais inflexíveis, respostas emocionais desproporcionais, padrões de tomada de decisão que geram prejuízos e rigidez cognitiva. Manifestações que aparecem cedo são desconfiança persistente, evasão social ou padrões rígidos de lidar com autoridade. Sinais de agravamento incluem aumento da impulsividade, episódios de comportamento autodestrutivo, queda acentuada no funcionamento ocupacional ou surgimento de crises que exigem intervenção urgente.

O que causa?

Os mecanismos são multifatoriais: interações entre predisposição temperamental, modelos familiares, eventos adversos na infância e fatores socioculturais. No Brasil, na prática clínica, as causas mais observadas combinam exposição precoce a relacionamentos instáveis, traumas interpessoais e falta de redes de suporte, que moldam estratégias duradouras de comportamento e regulação emocional.

Como o médico confirma o diagnóstico?

O diagnóstico que justifica F68.8 baseia-se em avaliação clínica detalhada que documenta um padrão persistente de traços ou comportamentos causadores de prejuízo, e na exclusão de outros códigos mais específicos (F60.x, F68.1, F68.0) ou de causas médicas/uso de substância. Sustentam o código anamnese estruturada, relatos de terceiros, histórico ocupacional e social e registros que mostram cronicidade e impacto funcional.

Como costuma ser tratado?

O manejo costuma ser ambulatorial e orientado por psicoterapia focalizada nos padrões de personalidade e no funcionamento social, com intervenções psicoeducacionais e redes de suporte. Em muitos casos, o plano terapêutico inclui abordagem psicossocial para reduzir prejuízos e melhorar habilidades adaptativas; quando houver comorbidades psiquiátricas importantes, essas são tratadas separadamente.

Que tipos de remédio costumam ser usados?

Medicações não definem este código; quando usadas, visam sintomas comórbidos (ansiedade, depressão, impulsividade) e são prescritas conforme avaliação clínica específica da comorbidade, não para rotular a personalidade.

Quando procurar um médico?

Procura-se avaliação quando o padrão de comportamento prejudica trabalho, relações ou segurança pessoal, quando há aumento de impulsividade, risco de autolesão ou declínio funcional acentuado. Busque atenção imediata se houver pensamento de autoagressão, planos para ferir outros ou incapacidade marcada para cuidar de si.

Quantos dias de atestado?

Nenhum código CID tem duração fixa de afastamento, e o período é definido pelo médico que examinou, pelo caso concreto — duas pessoas com o mesmo código podem receber períodos diferentes.

Na prática, a legislação estabelece que até 15 dias de afastamento o pagamento do salário é feito pelo empregador (Lei 8.213/91, art. 60, parágrafo 3); a partir do 16º dia em diante o INSS assume e passa a exigir perícia; e atestados pelo mesmo motivo dentro de 60 dias somam para esses 15 dias (Decreto 3.048/99, art. 75).

A regra dos 60 dias é aplicada pelo perito conferindo se os atestados informam o mesmo CID: é o código que o perito usa para saber se a doença/condição é a mesma e, portanto, se os períodos devem ser agregados para fins do limite de 15 dias — informação que muitas pessoas desconhecem, mas que explica por que a presença do CID nos documentos tem efeito prático.

Para que um atestado seja aceito ele deve conter identificação do paciente, o período de afastamento, a data, assinatura e o CRM do médico. A inclusão do CID depende da anuência do paciente: informar o diagnóstico ao empregador não é obrigatório, mas sem o código a soma dos 60 dias não pode ser verificada pelo perito.

No caso do F68.8, trata‑se de uma categoria residual de transtornos da personalidade e do comportamento do adulto, normalmente associada a padrões relativamente estáveis e duradouros de funcionamento (ou seja, não é tipicamente um quadro agudo que se resolve sozinho). Esse código costuma registrar uma condição crônica ou recorrente que demanda acompanhamento e documentação do impacto no funcionamento, mais do que caracterizar necessariamente incapacidade permanente para o trabalho; quando há crises intermitentes que afetam a capacidade laboral, elas podem resultar em atestados sucessivos — razão pela qual a regra dos 60 dias é particularmente relevante para quem recebe diagnósticos nessa categoria.

Perguntas frequentes sobre F68.8

O que exatamente significa receber o CID F68.8?

Significa que o clínico reconheceu um padrão persistente de personalidade ou comportamento que causa prejuízo, mas que não se enquadra em diagnósticos específicos da CID; é um registro para orientar acompanhamento.

Esse código funciona como atestado para afastamento do trabalho?

O código por si só não garante afastamento; atestados e afastamentos dependem da descrição do impacto funcional e de avaliações periciais conforme as regras do empregador ou previdência.

O transtorno é contagioso para familiares?

Não. Trata‑se de padrões de personalidade e comportamento, não de infecção; relações podem ser afetadas, mas não há contágio biológico.

Quais exames serão pedidos depois desse diagnóstico?

Normalmente avalia‑se para excluir causas médicas ou uso de substâncias e registra‑se avaliação psiquiátrica/psicológica detalhada; exames são direcionados por achados clínicos.

Qual a diferença entre F68.8 e F60.0–F60.9?

F60.x refere‑se a transtornos de personalidade com critérios específicos (por exemplo, paranoide, esquiva). F68.8 é usado quando a apresentação é clínica e relevante, mas não preenche os critérios formais de um subtipo F60.

Preciso tomar remédio por causa desse código?

O registro não implica medicação obrigatória; medicamentos podem ser indicados apenas se houver sintomas comórbidos que justificam tratamento farmacológico.

Leve estas perguntas

O que perguntar ao seu médico (2)
  • Há documentação de longa data que comprove cronicidade e impacto funcional?
  • Em que situações reclassificaria para um código específico (por exemplo F60.x ou F68.1)?
O que perguntar ao seu advogado (3)
  • Este documento clínico e o código F68.8 são suficientes para requerer afastamento no INSS ou precisa de laudo pericial detalhado?
  • Como o registro de F68.8 pode influenciar avaliação em perícia trabalhista sobre capacidade laboral parcial ou total?
  • Há implicações do registro desse código em processos de guarda, tutela ou responsabilidade civil que exijam avaliação psiquiátrica complementar?
O que perguntar ao seu plano de saúde (3)
  • O plano costuma exigir laudo ou CID específico para autorizar psicoterapia de média/longa duração?
  • Que documentação de comorbidades e de impacto funcional a operadora costuma solicitar para cobertura de intervenções relacionadas?
  • Em casos de tratamentos ambulatoriais prolongados, quais relatórios clínicos a operadora pode pedir para reanálise de cobertura?

Estas perguntas são um ponto de partida para a conversa. Este site não responde por elas nem substitui avaliação profissional.

Fontes e como esta página foi feita

O código, o título oficial e a hierarquia vêm da classificação da CID-10 acima. A descrição em linguagem comum é editorial, escrita para explicar o código — não passou por revisão médica e não substitui avaliação profissional. Como produzimos este conteúdo.

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