F68.1 — Produção deliberada ou simulação de sintomas ou de incapacidades, físicas ou psicológicas [transtorno fictício]
- transtorno factício
- fingimento de sintomas
- simulação intencional de doença
O CID F68.1 designa a produção deliberada ou a simulação de sintomas ou incapacidades, físicas ou psicológicas, sem que haja uma doença orgânica ou mental que explique plenamente a apresentação. Aparece quando há evidência de comportamento intencional para assumir o papel de doente, obter cuidados ou manter a aparência de doença. Não inclui manifestações conscientes de sintomas por fins econômicos secundários quando o objetivo principal é ganho material (simulação para benefício social/legal), nem inclui sintomas involuntários de transtornos somatoformes. Tampouco cobre condições com base orgânica identificável ou cessação de tratamento por recusa informada. O código destaca a intenção de produzir ou fingir sinais, não a gravidade objetiva das lesões relatadas.
Em palavras simples
O código CID F68.1 significa que os profissionais identificaram que os sintomas ou a incapacidade relatados foram provavelmente produzidos ou simulados de forma deliberada. Não quer dizer que você esteja inventando tudo por maldade: descreve uma situação em que o que aparece nas consultas, nos exames e no seu relato não se encaixa numa doença reconhecível, e há indícios de que houve intenção de mostrar-se doente.
Você pode ter passado por exames normais mesmo relatando dor intensa, ter sinais que mudam quando não estão sendo observados ou ter recebido muitos tratamentos e internações sem confirmação médica. Junto com esses sinais, as pessoas frequentemente relatam cansaço, ansiedade, tristeza, sentimento de necessidade de atenção ou dificuldade em lidar com conflitos e estresse.
O código em si não aponta gravidade única: algumas pessoas têm quadro relativamente estável e acompanhamento ambulatorial, outras podem se machucar ao provocar lesões ou submeter-se a procedimentos desnecessários, o que aumenta o risco. Não é uma condição contagiosa. A duração varia: pode ser episódica, repetitiva ao longo de anos, ou resolver com tratamento psicossocial e acompanhamento adequado.
O que costuma acontecer depois é investigação detalhada, revisão de prontuário e avaliações por equipe médica e psiquiátrica. Geralmente o médico propõe marcar retornos, discutir limites de procedimentos e, se necessário, encaminhar para cuidados psicológicos. Em muitos casos evita‑se multiplicar exames e intervenções sem justificativa clara.
Em casa, vale observar sinais de que há risco imediato: ferimentos feitos de propósito, sangramentos persistentes, piora súbita após procedimentos, ou sinais de depressão e pensamentos de suicídio. Se essas situações aparecerem, buscar emergência. Se o problema for falta de clareza sobre exames e tratamentos, peça ao médico um resumo escrito das avaliações e plano de acompanhamento para discutir com família ou advogado.
Receber esse código pode gerar dúvidas e preocupação; é razoável pedir explicações claras sobre por que foi usado, quais evidências sustentam essa conclusão e qual o próximo passo do acompanhamento. O foco costuma ser reduzir danos, tratar problemas de saúde mental que coexistem e coordenar cuidados para evitar procedimentos desnecessários.
Quando usar este código
Usa-se este código quando há evidência clínica, documental ou pericial de que sinais ou sintomas foram produzidos ou simulados deliberadamente, sem explicação médica adequada, visando assumir o papel de doente. Aplica-se quando a intenção de fingir é sustentada por inconsistências repetidas entre relato, exame e testes, obtenção de intervenções desnecessárias, ou confissão do paciente.
Não confunda com
F68.0 — Sintomas físicos aumentados por fatores psicológicos: separa-se por ausência da intenção deliberada; em F68.0 os sintomas ocorrem sem intenção de fingir e refletem influência psicológica em sintomas reais. F91.3 — Transtorno de conduta socialmente desviado em adulto (quando aplicável): aqui predominam comportamentos antissociais e ganhos externos criminais, enquanto F68.1 foca na produção intencional de sintomas de saúde. Z76.5 — Pessoa que simula doença para obter benefícios sociais/legal: usar Z76.5 quando o objetivo principal for ganho financeiro/legal e não a busca de cuidados e papel de doente; a avaliação pericial distingue intenção e contexto.
O que é
Transtorno fictício é uma condição em que uma pessoa intencionalmente produz, simula ou exagera sinais e sintomas de doença física ou mental, sem que exista explicação médica compatível para essa apresentação. A ação é consciente quanto à fabricação do sintoma, mas o motivo pode ser complexo: frequentemente é para assumir o papel de paciente, receber atenção, cuidados ou tratamentos, e manter identidade junto a serviços de saúde.
Manifestações variam desde relatos verbais inconsistentes, sinais que não correspondem a achados objetivos, até intervenções autoinduzidas (por exemplo, ferimentos autoinfligidos) ou manipulação de exames. Pode ocorrer em diferentes idades e contextos, mas costuma ser detectado em cenários com múltiplas consultas, histórico de procedimentos desnecessários e registros médicos conflituosos.
Sintomas
Principais sinais incluem relatos de sintomas discrepantes com exame físico e exames complementares, história clínica inconsistente entre atendimentos, sinais induzidos ou manipulados observáveis (lesões atípicas, sinais que desaparecem quando não observados), busca frequente de atenção médica e conhecimento detalhado do sistema de saúde. Sintomas que surgem cedo são relatos dramáticos e mudanças rápidas no quadro sem correlação objetiva. Indicadores de agravamento incluem aumento da frequência de intervenções invasivas, agravamento intencional das lesões ou comportamentos que expõem o paciente a risco significativo e resistência a investigações quando confrontado.
Causas
O mecanismo central é comportamental e psicológico: há decisão consciente de produzir sintomas, mas motivos subjacentes são variados — necessidade de atenção, reforço psicológico pelo papel de doente, história de relações interpessoais disfuncionais, dificuldades de regulação emocional e traços de personalidade. No contexto brasileiro prático, observam-se casos associados a comorbidades psiquiátricas (por exemplo, transtornos de personalidade) e trajetórias de atendimento fragmentado que reforçam o comportamento. Nem todo fingimento tem caráter criminal ou busca de ganho econômico; muitas vezes o reforço é emocional ou identitário.
Como é diagnosticado
O diagnóstico baseia-se em avaliação clínica detalhada, revisão de registros, observação direta e correlação com exames complementares que não confirmam a alegação, além de investigação de inconsistências temporais e comportamentais. Confissão do paciente ou testemunho corroborador pode sustentar o código. É necessária exclusão de condições médicas ou psiquiátricas que justifiquem os sinais sem intenção deliberada. O diagnóstico é clínico e, quando pertinente, confirmado em perícia interdisciplinar.
Como costuma ser tratado
O manejo é interdisciplinar e ambulatorial quando possível, centrado em limitar intervenções desnecessárias, estabelecer cuidado coordenado e tratar comorbidades psiquiátricas ou psicossociais associadas. Estratégias incluem acompanhamento regular por equipe definida, orientação sobre limites terapêuticos e intervenções psicossociais para tratar causas subjacentes. Em casos de risco imediato por autoagressão ou comportamentos que colocam em perigo, pode ser necessária avaliação mais intensa e medidas protetivas.
Classes de medicamentos
Não existe medicamento específico para o comportamento de produção intencional; quando presente, tratam-se comorbidades psiquiátricas com classes adequadas (por exemplo, antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos) conforme avaliação clínica. A farmacoterapia é indicada apenas para transtornos concomitantes identificados e documentados, não para ‘fingimento’ em si.
Quando procurar ajuda
Procurar avaliação especializada se há sinais de que sintomas são inconsistentes com exames, se cuidados repetidos geram risco físico ou se houver comportamento autolesivo. Atenção imediata é necessária quando há ferimentos propositais, risco de complicações médicas por intervenções desnecessárias, ou sintomas psiquiátricos graves associados (ideação suicida, descompensação psicótica).
Uso em atestado
Atestados e laudos devem descrever achados objetivos, inconsistências documentadas e fundamentação clínica/pericial; a atribuição de incapacidade requer avaliação funcional detalhada e, quando cabível, perícia médica. Evitar afirmativas que extrapolem evidência documental.
Direitos e benefícios
Direitos dependem do contexto legal e previdenciário; o diagnóstico pode ser objeto de perícia para benefícios, mas não cria automaticamente direito a afastamento ou benefícios. Questões sobre responsabilidades civis ou penais por indução de procedimentos devem ser tratadas em esfera jurídica ou pericial.
Perguntas frequentes sobre F68.1
O CID F68.1 significa que estou inventando minha doença?
Não; o código indica que há evidências de produção deliberada ou simulação, mas a motivação é complexa. Serve para documentar inconsistências entre relato e achados, não para moralizar.
Posso ser afastado do trabalho por este diagnóstico?
A decisão sobre afastamento depende de avaliação funcional e perícia; o diagnóstico em si não determina automaticamente afastamento ou benefício.
O plano de saúde pode negar exames se há suspeita de F68.1?
Operadoras podem solicitar documentação adicional ou perícia; cobertura e exigências variam por contrato e procedimento.
Que exames vão confirmar que é F68.1?
Não há exame único; o código se sustenta em inconsistências repetidas entre relato, exame físico, exames complementares e documentação médica que apontem intenção deliberada.
O transtorno pode ocorrer junto com depressão ou ansiedade?
Sim, comorbidades psiquiátricas são comuns e devem ser avaliadas e tratadas separadamente quando identificadas.
Devo falar com um advogado se o diagnóstico afetar meus benefícios?
Em casos de impacto previdenciário, trabalhista ou legal, buscar orientação jurídica e perícia independente é recomendável.